segunda-feira, 5 de novembro de 2012

W(hat?)ALL STREET

Era a festa! A pura da loucura! 2011 e 2012 foram OS anos dos Depósitos a Prazo (DPs). Os bancos prometeram e os portugueses correram. Como na feira da ladra, o 'El Dorado' brilhava: juros que atingiam os 7%, DPs ajustados que nem uma luva, 100% de facilidades no resgate, a qualquer altura. Um luxo. Mesmo em ano de crise, os bancos portugueses conseguiram angariar o segundo valor mais elevado de sempre em DPs: 117 mil milhões de euros. E como todas as festas, esta também teve um fim. Se a música está muito alta, aparece a polícia. Se as taxas de juro andam demasiado folgadas, aparece o Banco de Portugal.

A mão invisível que está por trás deste comportamento das Instituições Financeiras em Portugal tem nome e apelido: rácio de transformação, filha da aplicação financeira e do recurso a prazo. E então? Então que este rácio define a % máxima que um banco deve ter ("tem que", mas eles não gostam de imposições) de crédito concedido - dinheiro no teu bolso - versus depósitos captados - dinheiro fora do teu bolso mas que te pertence e guardas no banco.

É fácil perceber a importância deste rácio dado um cenário em que num bonito dia de chuva, acordam os 11 milhões de portugueses e decidem ir buscar (termo utilizado deverá ser 'resgatar') o seu dinheiro TODO ao banco. Resultado óbvio: não chega para todos porque se o Manel faz um DP a 6 meses, o banco depreende que ele só irá resgatar o DP no final desse tempo, e por isso o próprio banco aplica o dinheiro do Manel - agora estas situações estão mais limadas, como consequência da crise financeira e os bancos são obrigados a reter parte dos DPs mas noutro dia falamos do FGD - Fundo de Garantia de Depósitos). E se assim for, estala a bomba.

Notícia de última hora: no último trimestre os portugueses quebraram o recorde de há 3 anos e meio. Levantaram 725 milhões de euros dos seus DPs. Porquê? Especulando, tenho várias hipóteses na cabeça: 1) somos malucos e não temos qualquer noção do conceito de poupança; ou 2) trata-se de uma transferência do investimento dos DPs para produtos alternativos (sim, as obrigações da Brisa, Zon, Sonae ainda estão a dar entre 6% e 7% de juros, pelo risco a que estão sujeitas).

Para fechar: este nível de resgates por parte dos portugueses reduz o montante de depósitos disponível na banca. O rácio de transformação não pode ser superior a 120%. Logo, os bancos serão obrigados a reduzir o crédito concedido. Ou seja, pedirmos dinheiro emprestado à banca, vai tornar-se ainda mais caro, um luxo asiático.

3 conselhos simples, que me ajudam: 1) Faça um orçamento de gastos para o mês que aí vem. O que acha que não vai gastar, transfira logo para um DP (google it: sites onde dão as taxas de juro praticadas pelos bancos, à data); 2) Não seja adepto da teoria de Keynes: 'In the long run we will all be dead'. Não. Vai estar vivo e há uma crise à porta. P-O-U-P-E (-se); 3) E mais importante: Não deixe que nada disto o torne forreta, resmungão, infeliz. Não deixe de arriscar, pensar em novos horizontes, sonhar em grande. Vem aí muita coisa boa a caminho!

Let the party beggin!

3 comentários:

Pedro Xavier disse...

Muito bem!

Ana Ulrich disse...

Grande Pedro! Obrigada por teres perdido tempo a ler. Um bj

Pedro Xavier disse...

Tive muito gosto, Ana! É raro ver textos sobre este tema com ideias acertadas, até porque é mesmo fácil cair em populismos baratos. Faltou, talvez, só dizer que, como o povo bem ensina, "não se deve pôr os ovos todos no mesmo cesto" (diversificar os depósitos/prazos/bancos) e "quando a esmola é grande, o pobre desconfia" (ter atenção aos bancos/empresas que oferecem taxas de juro muito superiores às normais).

Beijinhos