terça-feira, 6 de novembro de 2012

Se voltasse atrás, escolhia-te a ti outra vez

Ontem, por mero acaso, assisti à celebração de umas bodas de ouro: 50 anos de casamento. Não que fosse a primeira vez que assistia ou ouvia falar em tal, mas, na altura, pensei  na maravilha e na alegria que será poder celebrar tal acontecimento. E pensei com tristeza em tantas pessoas da minha idade que já dizem que não se querem casar, porque "isso do amor é muito bonito, mas a vida real não é um conto de fadas..." e "eu sei lá o que vai acontecer depois..." E nesse momento fiquei com ainda mais pena dessas pessoas que parecem que já começam derrotadas, a medo, "sem ilusões", com pouca convicção, com um empenho qb para que a relação corra bem, mas sem "esforços exagerados", riscando, logo à partida, o para sempre que dizem só conhecer dos contos de fadas... E o pior é que acredito que, infelizmente, alguns e algumas só o conheçam mesmo daí...

E por isso fiquei com pena e apetecia-me que estivessem ali a assistir comigo àquela celebração. Que vissem aquele casal já com alguma idade e feliz, com um sorriso de orelha a orelha, rodeados da família que os contemplava com carinho. E que os ouvissem, como eu os ouvi, a agradecerem os 50 anos que tinham passado, com as suas alegrias e tristezas, agradecendo sobretudo por terem passado essas alegrias e tristezas juntos, unidos, lado-a-lado. Alegrias. E tristezas. Queria que as pessoas que não acreditam no para sempre ouvissem isto: não foram só alegrias, houve tristezas! Houve dificuldades, contratempos, situações complicadas. Houve, como há e haverá sempre. Mas valeu a pena a caminhada dos 50 anos (e dos que ainda virão) porque foram capazes de ultrapassar os obstáculos juntos. Porque conseguiram a fortaleza necessária para ultrapassarem as dificuldades unidos. E outra coisa que gostaria que tanta gente ouvisse: não disseram que tinha sido fácil, nem que tinha sido algo quase automático porque gostavam um do outro. Não. Tinha concerteza exigido esforço, esquecimento próprio, sacrifício. Mas por isso estavam ali e por isso valia a pena estarem ali a celebrar, a festejar! Porque, apesar de nem sempre ter sido fácil, superaram todas as provas. E por isso tinha valido a pena tudo e mais alguma coisa, momentos bons e menos bons.
Parece-me que esta celebração também é uma forma de o casal renovar o compromisso de há meio século,  de dizer um ao outro (e aos outros): "Se voltássemos atrás, escolhia-te a ti outra vez, sem dúvida nenhuma." E, mesmo sem querer, ao olhá-los, não me foi difícil imaginá-los há uns anos: os dois jovens, ela de branco e ele aprumado no seu fato escuro. Agora já não são jovens de idade, mas atrevo-me a adivinhar que o seu amor ainda o é, mais ainda se for preciso.

Por fim, também eu agradeci os 50 anos daquele casal e a sorte que tenho de conhecer tantos outros que já passaram ou que passarão por este aniversário e que, realmente, me facilitam a tarefa de acreditar no para sempre.

6 comentários:

Ana Ulrich disse...

Teresa, adorei este texto. A tua visão, a forma como o escreveste, tão cheio. Parabéns! E obrigada!

Teresa Flores disse...

Oh obrigada eu! E obrigada também pelos teus textos de que gosto sempre tanto!

Ana Ulrich disse...

querida :)

Anónimo disse...

Sim, nem sempre é fácil mas é possível. Gostei muito deste post, cheio de coisas boas para nos deixar a pensar. Continue a escrever!
Fica a sugestão: As casadas que dêm dicas sobre relações, sobre paciência, sobre o amor, o respeito... Sim, sim, sei que cada caso é um caso, mas há tantas pessoas que precisam de ler... e esquecer as (porcarias!) das telenovelas e casa dos "Degredos".

Obrigada!

Maria disse...

Para corresponder à sugestão do "Anónimo", deixo aqui a minha confidência (!): http://fashionstatement-mulherescomestilo.blogspot.pt/2012/06/hoje-o-meu-casamento.html~
Um beijinho da Maria

Maria disse...

Aqui vai lá directo:
http://fashionstatement-mulherescomestilo.blogspot.pt/2012/06/hoje-o-meu-casamento.html