segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Tenho uma dúvida

Prejuízo de 796,3 milhões de euros.
São estes os resultados do BCP, esta semana apresentados, para os primeiros nove meses do ano.

Principais razões: imparidade e operações do BCP na Grécia.
Mas.. estas razões explicam apenas 531,6 milhões de euros, 67% do prejuízo total.

A acrescer a tudo isto, está um resultado líquido que aumenta (é bom!) pelas operações na Polónia (who would say?), Moçambique (óbvio) e Angola (óbvio ao quadrado).

Os factos: core tier 1. O rácio que devolve o nível de solvabilidade de uma Instituição, pertencente ao setor financeiro.

Um bocadinho atrás: na estrutura que compõe um banco, temos vários tipos de ativos, tal como num supermercado. Temos as cenouras, que sabemos serem sempre boas e fazerem bem aos olhos e os cogumelos*, que têm o risco de poderem ser venenosos. Temos ainda as maçãs bonitas, que podem ser as melhores que já comemos ou percebermos, à primeira dentada, que estão podres por dentro.

Sim, os bancos e os seus ativos são parecidos. Temos produtos com várias formas e preços: os disponíveis para venda, os estruturados (combinações de produtos com diferentes níveis de risco, tal e qual um cabaz de Natal), os detidos para negociação, os detidos até à maturidade, etc. Traga o carrinho das compras e escolha.

Cada um destes produtos apresenta uma maior ou menor solidez em termos de risco. Não podemos calcular o peso destes ativos na estrutura total do banco, juntando tudo no mesmo saco. Não. Temos que ponderar cada produto pelo nível de risco que lhe está associado. E perceber quais destes ativos são os tão conhecidos e temidos "tóxicos", que estiveram na base desta Grrrise.

Assim, o rácio core tier 1, vem estabelecer um mínimo de capital que as Instituições devem ter, em função dos requisitos de fundos próprios decorrentes dos riscos associados à sua atividade. Respirar fundo e voltar a ler. Complexo mas claríssimo. Ou seja, o rácio é dado pela proporção de fundos próprios "core" (essenciais e diretamente ligados à atividade da Instituição em questão) e as posições (ativos) ponderados pelo seu risco.

Deverá ser, no mínimo, de 8%. O BCP apresenta um rácio muito mais positivo, de 12,8%.
Há coisas por explicar.

* Continue a comprar cogumelos no supermercado! Os venenosos estão na serra de Sintra.

2 comentários:

hlx disse...

Gostei do teu texto. Sinceramente, acho que os resultados negativos do BCP se devem sobretudo a maus actos de gestão no passado! Esta nova equipa de gestão parece-me competente, ficando também por explicar como é possível que existam pensões de reforma superiores ao ordenado do presidente do banco!

Henrique LX

Ana Ulrich disse...

Olá Henrique, tens sempre tanta razão. Obrigada pelo feedback. É incrível o montante que essas pensões de reforma atingem, mas com elas aumentam também os impostos, pelo que me parece que eles acabam por não receber o mesmo que tinha sido, em tempos, acordado. Mas sim, é muito..

Um beijinho,
Ana