quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Os corredores


são compridos. Há pessoas a passar, muitas, às vezes demais, mas é quase sempre pior quando são de menos. Há outras paradas, de caras inquietas viradas para a janela (à espera do horário das visitas). Há umas batas brancas que passam sozinhas ou em grupo, devagar ou apressadas, a falar ao telefone ou a falar com os botões. Há doentes que vão para o corredor, andá-lo de uma ponta à outra. Uns porque querem, outros por obrigação. Há uns que passam sobre rodas e há o que vem lá ao fundo, pequenino, de pijama, com o soro atrás dele. Depois chega ao pé de nós (quando esperamos) e afinal ele é grande e o soro é ainda maior.

Nas paredes dos corredores há coisas que mudam, mas há outras que ficam. Mudaram agora os enfeites de Natal, arrumaram-nos. Mudam os posters com os trabalhos dos alunos, os casos interessantes dos doutores, os casos raros do Serviço. Volta e meia pintam-nas, mudam-lhes a cor. Mas ficam as notícias, o inesperado, aquilo que nos disseram (ou que dissemos) e que não queríamos ouvir (mas principalmente, a forma como nos disseram – a forma como eu o digo), a dor que isso provocou, a incerteza, o abandono. Fica o dia em que começou a doer menos. O dia em que descobriram a cura. O momento em que se lhes diz adeus e se vai para casa, de preferência, para não mais voltar. Fica aquela pequena conversa que fez a grande diferença. Fica ele, terno, meigo, enquanto esperamos que chegue, antes pequenino agora grande, de pijama: dá-se uma palavra amiga e aproveita-se para ajustar o soro.

Olá a todas e, embora não tenha conseguido sair do corredor, benvindas ao hospital :)
 

7 comentários:

TeresaHU disse...

Lindo Kikinha! Bem vinda :)

Rosarinho MB disse...

Que lindo, Kiki!!!!
Que texto!
Estou a ver que isto promete.... ;) o nosso blogue está cada vez melhor.
beijinhos

kika disse...

teresa e rosarinho! agora esta casa também é minha :) espero não baixar a fasquia que voçês sobem todos os dias. mil beijinhos

Ana Ulrich disse...

Bem vinda Kika querida!! Fasquia tão alta, meu Deus. É assim mesmo!

Maria disse...

Kika! Que BOM encontrar-te AQUI!
REVI-ME e ENCONTREI-ME em cada uma das palavras que escreveste. E as minhas visitas ao hospital não têm a mesma natureza que as tuas. E ainda bem que as consegues ver do "lado de cá". Se for sempre assim, serás uma profissional de excelência e eu quero encontrar-te lá quando estiver à espera no corredor.

Teresa Flores disse...

Querida Kika, grande estreia, gostei muito! WELCOME!!!!!! :)

kika disse...

Ana, Maria e Teresinha, que queridas! obrigado pelo incentivo!! Um beijinho grande