sexta-feira, 14 de novembro de 2014

PARA LER SENTADO

Ema


Ema Woodhouse, a heroína deste romance, "é bela, inteligente e rica", tendo como únicos óbices à sua felicidade "o poder de impor em demasiadas coisas a sua própria vontade, e uma disposição para pensar bem demais de si própria". É desta maneira que se inicia este magnífico romance de Jane Austen (1775-1817), passado na Inglaterra rural de finais do século XVIII e princípios do século XIX, numa altura em que as diferenças entre as classes eram muito pronunciadas e em que as jovens ricas pouco mais tinham que fazer do que imiscuir-se na vida dos outros – sobretudo se, como a Ema desta história, tivessem tão boa opinião sobre as suas próprias capacidades.
Ema decide pois dar um rumo à vida de Harriet, uma jovem que toma sob a sua protecção, ao mesmo tempo que aprecia incorrectamente as intenções de um clérigo acabado de chegar à vila, só porque este a lisonjeia, e que se derrete com as atenções de Frank, um rapaz abastado – e bastante estouvado, diga-se – que está secretamente noivo de Jane, uma pequena que resiste às tentativas de amizade de Ema (o que não é de espantar!). Pelo meio, terá ainda de cuidar de um pai bastante idoso e cheio de maleitas, umas reais outras imaginárias, de perceber que é capaz de ser tão indelicada com os mais frágeis como qualquer pessoa, e de finalmente descobrir o amor, na pessoa de Mr. Knightley, o homem que mais críticas (sempre justas) lhe faz, sem no entanto deixar de querer fazer dela uma mulher madura.
Um romance cheio de sabedoria, com um sentido de humor subterrâneo, muito romantismo e uma série de lições subtis, tão universais hoje como o eram no tempo de Jane Austen; um romance que se lê com gosto às tardes de Inverno com uma bela chávena de chá bem quente ao lado.

Com base neste romance, realizou Douglas McGrath, em 1996, um filme com o mesmo título, protagonizado por Gwyneth Paltrow e Greta Scacchi; trata-se de um filme correcto e bem feito mas, naturalmente, muito menos rico que o livro.

1 comentário:

M. dita disse...

Mas que boa estreia Mizé!