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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Açorianidade

A "Açorianidade" é mais do que um conceito social, mas também é mais do que o sentimento, somente Nemésio para conseguir descrever aquilo que é básicos em nós açorianos:

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«Não sei se chego a tempo com a minha colaboração para a Insula no V centenário do descobrimento dos Açores. É uma colaboração estritamente sentimental, uma espécie de minuto de recolhimento em meia dúzia de linhas.

Entendo que uma comemoração deste vulto deve ser, mesmo quanto a palavras, rigorosamente monumental, feita de estudos e reflexões que ajudem a consciência açoriana a tomar conta de si mesma e contribuam para que os Açores, como corpo autónomo de terras portuguesas (um autêntico viveiro de lusitanidade quatrocen­tista), entrem numa fase de actividade renovada, de re­construção, de esforço humano e cívico. E neste mo­mento, é-me impossível dar a mínima contribuição nesse sentido.

Quisera poder enfeixar nesta página emotiva o essencial da minha consciência de ilhéu. Em primeiro lugar o apego à terra, este amor elementar que não conhece razões, mas impulsos; – e logo o sentimento de uma he­rança étnica que se relaciona intimamente com a grandeza do mar.

Um espírito nada tradicionalista, mas humaníssimo nas suas contradições com um temperamento e uma forma literária cépticos, – o basco espanhol Baroja, – escre­veu um livro chamado Juventud, Egolatria: «O ter nascido junto do mar agrada-me, parece-me como um augúrio de liberdade e de câmbio». Escreveu a verdade. E muito mais quando se nasce mais do que junto ao mar, no próprio seio e infinitude do mar, como as medusas e os peixes. Era este orgulho feito de singularidade e solidão que levava Antero a chamar aos portugueses da metrópole os seus «quási patrícios».

Uma espécie de embriaguez do isolamento impregna a alma e os actos de todo o ilhéu, estrutura-lhe o espírito e procura uma fórmula quase religiosa de convívio com quem não teve a fortuna de nascer, como o logos, na água. Daqui partiria o fio das reflexões que me agradaria desenvolver.

Meio milénio de existência sobre tufos vulcânicos, por baixo de nuvens que são asas e de bicharocos que são nuvens, é já uma carga respeitável de tempo, – e o tempo é espírito em fiéri. Mais outro tanto, e apenas trocaremos metade da memorialidade de Vergílio.

Somos portanto, gente nova. Mas a vida açoriana não data espiritualmente da colonização das ilhas: antes se projecta num passado telúrico que os geólogos redu­zirão a tempo, se quiserem... Como homens, estamos sol­dados historicamente ao povo de onde viemos e enraizados pelo habitat a uns montes de lava que soltam da própria entranha uma substância que nos penetra. A geografia, para nós, vale outro tanto como a história, e não é debalde que as nossas recordações escritas inserem uns cinquenta por cento de relatos de sismos e enchentes. Como as se­reias temos uma dupla natureza: somos de carne e pedra. Os nossos ossos mergulham no mar.

Mas este simbolismo está muito longe de aludir com clareza aos segredos do ser açoriano, e mais parece um entretenimento literário do que um sério propósito de pôr o problema da nossa alma. Um dia, se me puder fechar nas minhas quatro paredes da Terceira, sem obrigações para com o mundo e com a vida civil já cumprida, tentarei um ensaio sobre a minha açorianidade subjacente que o desterro afina e exacerba. Antes desse dia de libertação íntima mal poderei fazer-me entender dos outros. Um aceno de ternura, um vago protesto de solidariedade insu­lar a distância é o muito que estas linhas podem significar."»


Vitorino Nemésio, 
Coimbra (Cruz de Celas), 19 de Julho de 1932

segunda-feira, 6 de março de 2017

Como ser Feliz | Rosa e Chema Postigo

Para comprar o livro: AQUI
Quando li o livro "como ser feliz com 1, 2, 3... filhos?" delicie-me com esta família de 18 filhos! Fiquei impressionada com tamanha generosidade, e, rapidamente fui conquistada pelos Postigo's.
De facto são imagem de uma batalha, uma contradição ao egoísmo, uma esperança no mundo actual.
Hoje soubemos a que o Chema - o pai - partiu, depois de uma rápida e fulminante doença, e, esta família, mais uma vez, voltou a ser um exemplo, de fé, de crença de entrega.
Obrigada!






sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Estado d' educação

Das muitas discussões que a gerigonça nos encaminha, há uma que me é muito amada: a Educação. Não escrevi muito sobre o tema, na altura mais polémica, não foi por falta de argumentação, simplesmente não me apeteceu entrar na transvertida argumentação: Ricos vs Pobres, Betos vs Bairro, Colégios vs Escola Pública.... etc.. etc.. 

O preconceito já é velho, mais ou menos desde o século XVIII com o nosso caríssimo Marquês de Pombal,  quando expulsou "delicadamente" os Jesuítas...

Assim foi determinado o conceito "escola estado", perdão queria dizer "escola pública", como o melhor para "os pobres".



Mas vamos falar de outro assunto, a ideologização da escola do estado,  perdão queria dizer escola pública:

O Livro de Valter Hugo Mãe: "O nosso reino"  foi proposto como leitura, no Plano Ideologização de Leitura, perdão queria dizer no Plano Nacional de Leitura, para o 3º ciclo, sim aqueles meninos de 13 anos - super maduros - foram recomendados a ler  "O nosso reino" .
Atenção, nada contra o Valter Hugo Mãe (bro continuamos amigos, na boa!)

Mas o facto é que o livros não só tem vocabulário improprio, como possui apuradas passagens obscenas, perdão queria dizer passagens de "muito amor humano".

Assim deu-se a polémica, porque houve uns pais de uma escola do estado, perdão queria dizer escola pública, mas atenção é daquelas escolas, que apesar de serem públicas estão cheias de betos ricos, (sim o Liceu Pedro Nunes!) que se manifestaram, vejam lá em favor da liberdade de educação, (no meu ver estes pais esticaram completamente a corda, agora pedir liberdade de educação, mas afinal quem é que escolhe a escola? Volta Sebastião José de Carvalho e Mello, AKA Marquês de Pombal, ainda há aqui uma "espécie de Jesuítas" à solta! Agora falar de liberdade de educação ai.... calou....)

Claro que logo a seguir vieram os defensores da escola do estado, perdão queria dizer da escola pública, que são os defensores de todas as liberdades, menos da liberdade de educação, adjectivando de hipócritas estes pais: "já se sabe que os meninos com 13 anos dizem palavrões, falam de prostitutas e daquela tia que é uma pegazinha.... agora não podem ler o Valter Hugo Mãe? Hipócritas!"

Tenham juízo.

Por fim, quando eu achava que já tinha chegado ao meu ponto máximo de desconfiança, que não podia aumentar mais o meu medo em relação ao ensino em Portugal, veio a resposta, que me deixou extremamente assustada, malta eu não estou acostumada a ver filmes de terror: tanta "competência", tanta "dedicação" e  tanto "profissionalismo"  destes "reguladores" da escola do estado, perdão queria dizer da escola pública, pois afinal isto tudo não passou de um lapso, agora cá ideologização... Vejam lá foi um lapso informático!




Fim da história, e estes incompetentes, que estragam o nosso ensino, comprometendo as nossas gerações futuras, continuam no corno, perdão queria dizer no topo dos nossos órgãos administrativos. 
Revoltai-vos pais, os filhos são vossos, não são filhos (para não usar o vocabulário do livro em questão) do Estado!

Temo muito esse lápis azul, perdão queria dizer esse lápis cor-de-rosa e tenho sérias duvidas, que os reguladores do Plano Ideologização de Leitura, perdão queria dizer no Plano Nacional de Leitura, lêem os livros em questão ou somente lêem aquela critica publicada no final da "Revista Única" do Expresso.


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Imagens publicadas num Facebook, de uma mãe autoritária, que acredita na liberdade de educação:









terça-feira, 30 de agosto de 2016

O avô da Carolina

Naquele dia a Carolina tinha mandado uma mensagem aos amigos, a avisar que o seu querido avô tinha partido para junto de Deus, pediu as nossas orações.
Eu não conhecia o avô da Carolina, mas conheço a Carolina, por isso tinha a certeza que só podia ser alguém muito bom - penso que existe um provérbio que diz que conhecemos a arvore pelo fruto e, eu, fiz uma dessas deduções.
O facto é que no outro dia deparo-me, nas notícias, com a história do avó da Carolina e, a minha dedução, não só foi certa, como conheci uma vida ainda mais rica.
Por vezes precisamos de ler estas histórias de pessoas "normais" para percebermos que está no nosso alcance marcar a diferença no nosso país. Deixar rasto e de viver uma vida cheia, depende de nós e da nossa entrega aquilo que fazemos. Foi tudo isso que senti quando conheci o avó da Carolina (podíamos ter tido muitas boas conversas, afinal ele apreciava um dos meus escritores de predileção)
 
 
 
 
Jorge Colaço, Observador | 29/8/2016
 
 


 

terça-feira, 7 de junho de 2016

Os grandes amigos conhecem os teus defeitos

Mensagem de uma amiga, que me convidou para um almoço nos quiosques da Avenida da Liberdade, mas sabia que eu tinha de passar pelo Parque Eduardo VII:
 
 
 

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Ainda existe boa publicidade (XIX)

Num formato diferente  -das cronicas publicitárias que costumamos ter AQUI-  hoje trago-vos publicidade sem ser em filme, mas como estava inspirada pela Feira do Livro (atenção começa já amanhã em Lisboa) e pelos livros em geral, não podia deixar de trazer o apelo à imaginação e à animação que os livros dão na nossa vida cotidiana o design é da The Bookstore:
 
 
 


Feira do Livro 2016


Quem me conhece sabe que gosto deles, que estão presentes em todos os lugares da minha vida, tenho uns quantos sempre comigo na mala, no meu quarto, na sala, na cozinha, até na casa-de-banho.

Os livros fazem-nos voar, viver grandes aventuras, conhecer, aprender e tudo isso sem sair do nosso quentinho.
Do meu quarto já fui até à Austrália, já vivi em Hogwarts, já andei de cavalo e já bebi chá com Chesterton, do meu quarto visitei os campos de concentração da II Guerra Mundial e derrubei o Comunismo.
Os livros são incríveis, por isso não percam tempo com os livros maus que não são poucos
Para ajudar, nesta epopeia de um bom leitor a não se perder no Parque Eduardo VII:
 
*O guia Prático da Feira do Livro que começa amanhã: AQUI
*O site Oficial: AQUI
*A nossa recomendação - apropriada para o tema que foi trazido por Francisco a família- tema muito querido ao HEart:



 

quinta-feira, 5 de maio de 2016

HEart na comunicação social | Diário Insular #13

Depois de ter visto este filme:
  
Fui inspirada pela coragem destes nossos homens. Fiquei tão orgulhosa dos nossos baleiros. Não queria que esse orgulho fosse em vão, queria de alguma forma provocar mais amor às ilhas. Aqui fica uma pequenina homenagem aos homens do mar:
(Diário Insular | 5 de Maio de 2016)
 
 
 
 
 
 (para ler melhor clique na imagem)





segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

HEart na comunicação social | Diário Insular #8

O artigo, deste fim-de-semana, fala de três das minhas grandes paixões:
1) Amigos, 2) Lisboa, e 3) Livros.
O tempo em Lisboa que nos voa, mas sempre com tempo para todos os amigos.
O que andamos a ler.
Os desafios de um livro por editar.
 
(Diário Insular | 16 de Janeiro de 2016)
(para ler melhor clique na imagem)

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

da série "homens a sério" #4


Porque hoje faz 40 anos que nos deixou;
 Porque nunca é demais relembrar a importância de sermos apreciadas;
 Porque o desejo de abraçar o Mistério nunca foi tão grande como o dela;
 Porque Mulheres com sentido de humor são mais bonitas;
 Porque o bigode e as maneiras do monsieur Poirot nunca sairão de moda.


Obrigada, Agatha.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Marca n'Agenda Teologia do Corpo

Já ouviu falar em Teologia do Corpo?
Não perca esta oportunidade de conhecer a Teologia que é a verdadeira Libertação.
 
LANÇAMENTO DO LIVRO
GLORIFICAI A DEUS NO VOSSO CORPO
Conceito e perspetivas da Teologia do Corpo de
JOÃO PAULO PIMENTAL
28 DE SETEMBRO DE 2014
2F PELAS 18:00
BIBLIOTECA DA IGREJA DE SÃO NICOLAU
RUA DOS DOURADORES N'57 LISBOA



 
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+ info's clique na imagem:
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

a Vão, a Pilar e a Maria (#2)

(como muitos dos nossos leitores gostaram da entrevista da Vão no Jornal i: deixamos a 2º parte. Desta fez o programa Você na Tv)
 
Para ver: Clique AQUI
 
 
 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

a Vão, a Pilar e a Maria

Estava ainda na faculdade, a investigar para a tese, talvez pelo meu temperamento desconcentrado, andava de biblioteca-em-biblioteca, naquela manhã tinha escolhido um local calmo para estudar, era um clube de universitárias em Entrecampos, relativamente perto da Universidade, com uma optima sala de estudo.
Naquele dia - era um dia mais confuso do que habitual - estavam a decorrer aulas para todas as idades,  com mais movimento dei por mim a entrar ao mesmo tempo que uma simpática senhora acompanhada pela sua filha, mais tarde conheci-a melhor, chamava-se Maria João e todos a tratam por Vão, não demorou muito tempo para constatar que era uma grande mulher. A filha chama-se Pilar, uma menina especial, mesmo muito especial. 
A Pilar tem Trissomia 21, é uma menina delicada e alegre, naquela manhã a Pilar deu-me um dos maiores exemplos de fé que eu já tive. (fica para outro post!) por isso foi com muita, mesmo muita alegria que esbarrei com a seguinte reportagem do Jornal i,  a entrevista sobre a Vão, sobre a sua família, sobre a esperança e a felicidade que é ter uma menina tão especial como a Pilar.Fiquei mais dignificada com a coragem desta mãe.
Aliando-se a outra grande jovem, a Maria Calderón. É com muito orgulho que a Vão, a Pilar e a Maria fazem parte da minha vida, com cada uma delas aprendi coisas diferentes, por isso espero que as suas vidas sejam exemplo para + e + e + mulheres.....
 
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Maria João (Vão). Esta vida dava um livro. E deu

Reportagem Jornal i
 
Pilar é uma miúda normal com Trissomia 21. A mãe de Pilar é uma mãe anormal que tem sete filhos e move mundos para conseguir mostrar que estes miúdos são capazes se lhes derem uma hipótese. Conseguiu adaptar um livro de amor para a filha ler e montar uma exposição à séria que mostra arte para lá dos riscos.
Maria João, Vão para os amigos, trabalhava na Thompson. Quando foi à entrevista de emprego e lhe fizeram a pergunta da praxe sobre onde se imaginava daí a dez anos não respondeu, como seria de esperar, uma grande publicitária. Em vez disso, disse que se via como mãe. Pouco tempo depois os colegas faziam uma festa de despedida e entregavam-lhe um cartaz com ela montada na moto – o seu meio de transporte –, com mochila e bebé às costas e já com um enorme barrigão. Estava grávida pela segunda vez e, agora, talvez estivesse mesmo na hora de mudar de vida.
Vão tem oito filhos, a começar por Pilar, com 20, e a acabar no João, com apenas quatro. Um, o Lourenço, já está no céu e vela por todos desde os três anos de idade. Era o terceiro e a maioria dos manos nem chegou a conhecê-lo, mas Vão acredita que tem mais este anjo-da-guarda com todas as forças. Tantas que todos lhe rezam uma oração sempre que há um pedido especial. E, já se sabe, há sempre muitos pedidos especiais, sobretudo na casa de uma família numerosa. Mais recentemente foi a vez de Pilar: “Oh, Ron, dá-me um namorado!”. Pilar, a primeira filha, nasceu com Trissomia 21, uma malformação genética que afecta cerca de 15 mil pessoas em Portugal.
“Digo sempre que abri com chave de ouro. E tive sorte desde o primeiro segundo, houve muita coisa boa logo ali, de chofre”, conta Vão. “Uns amigos têm uma filha com paralisia cerebral profunda e antes de sermos pais tínhamos um exemplo de que é possível viver com naturalidade. Não tem de ser de uma forma estúpida e anormal, embora ninguém esteja à espera, e nem queira, que ela faça determinadas coisas”.
A gravidez correu normalmente. “Foi o Luís [marido] que me disse, não foram os médicos, e é logo uma forma mais suave de receber a notícia. Mal estava a acabar de me contar, já a minha mãe entrava pelo quarto a gritar “parabéns filha, foste abençoada”, e eu só pensava, “ops”. Mas mãe é mãe, se ela diz, nós confiamos. E foi tudo acontecendo fácil”.
O parto foi no Hospital São Francisco Xavier, no Restelo, em Lisboa, “mas passámos muitas horas de angústia em Santa Maria, as nossas e as dos que estavam ao nosso lado. Foram dias pesados”, relembra. “A Pilar ficou com mil tubos e 1500 maleitas, todos os dias lhe tiravam um tubinho até nos virmos embora. Mas deixou lá tudo e nunca mais teve nada”.


 
Pilar trabalha há dois anos no Lar da Criança, onde teve aulas, como auxiliar de acção educativa. Vai e volta feliz da vida com o trabalho
 
E, a lei das probabilidades tem destas coisas, o director americano de Vão na agência Thompson era padrinho de baptismo de uma miúda com Síndrome de Down e, por isso, sabia melhor do que ninguém os timings, as angústias e as necessidades por que Vão iria passar. “Deram-me uma licença sem vencimento enorme, foram extraordinários”.
Hoje, Pilar é uma mulher. Uma menina/mulher, “de uma sensibilidade enorme, a primeira a topar que estou triste, apanha tudo no ar e, como se não fosse nada, passa por mim e faz-me uma festa ou dá-me um beijinho, sem dar nas vistas, mas muito certeira”, conta a mãe. 
Vão está envolvida em muita coisa, além da família. Desde que Pilar nasceu ficou ligada à APPT21 – Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21, que faz parte do centro Diferenças, fundado pelo médico Miguel Palha (pai de Teresinha, que também tem Síndrome de Down), e que este ano faz 25 anos, celebrados com pompa e circunstância, sob sua responsabilidade.
Logo que nasceu, Pilar foi vista por Miguel Palha. “Mandou-me fazer 30 mil coisas e eu tinha acabado de ser mãe, achei que o homem estava louco, no mínimo. Voltei-me para ele e disse-lhe: desculpe lá, mas agora vou para casa processar isto tudo que me disse e depois logo vejo. Ele não ficou feliz e respondeu-me que não tinha tempo a perder e que eu queria ou não queria”, recorda. Na altura Luís ainda disse a Vão que ela ou tinha ganho um amigo para a vida ou nunca mais o iria ver. Venceu a parte do amigo.
No dia em que Lourenço morreu, num acidente na piscina, Vão tinha uma consulta com a Pilar em Lisboa e telefonou a desmarcar. Pouco tempo depois chegava ao monte, no Alentejo, uma carrinha com terapeutras do Diferenças. “Lembro-me de ele contar [emociona-se] que tinha achado curioso ver-me nessa noite ajoelhada com os meus filhos a rezar, antes de os deitar, como fazíamos sempre, e ouvir-me dizer: “Ron, uma vez que já estás aí em cima, toma conta de nós”. Aquelas coisas que nos saem... Acho que a fé tem sido sempre o que me tem ajudado a ultrapassar isto. Mas dá dores de barriga e tem dias, tem dias… Sabe, às vezes estou no monte e ando à procura de alguém, dou comigo na piscina e penso, que estúpida Maria João, não te chega um?”.

Um livro muito especial 
“A Pilar trouxe muitas coisas boas para as nossas vidas”, diz Vão enternecida. Como qualquer miúda, gosta de acompanhar e imitar as raparigas da sua idade. “Outro dia saquei-lhe da carteira o “Amor de Perdição”. Ela é muito empenhada e esforçada, mas não consegue ler aquilo e comecei a pensar o que poderia fazer para ela ler um livro até ao fim. Pensei que o ideal seria se alguém escrevesse um livro adaptado e se o pudesse lançar agora, nos 25 anos da APPT21. Mas além de precisar que me escrevessem o livro numa semana, precisava de quem o editasse”, recorda Vão. “Tudo isto tem sido uma sucessão de coincidências: uma amiga lembrou-se da Maria Calderón Pimentel, que está na faixa etária da Pilar e escreveu recentemente um livro, e outra falou-me na Chiado Editora. A Maria foi amorosa e disse apenas que o tempo era pouco, só se fosse para adaptar o livro dela... Ora adaptar sempre foi o meu objectivo, pois isso tinha a tal verdade que para mim é significativa. A Chiado Editora também aceitou logo o desafio e em duas semanas o livro estava pronto para fecharmos a exposição “Pintar Para Lá Dos Riscos”, na Galeria de São Mamede, no Chiado, em Lisboa”. Mas esta é outra aventura, já lá vamos.
A adaptação de “Ainda Bem Que Não Levei o Guarda-chuva” para miúdos com Trissomia 21 ou com outras dificuldades de aprendizagem está a ser um êxito. O corpo da letra é maior, as frases são mais curtas e menos adjectivadas e é tudo mais palpável e menos abstracto. Maria teve, por acaso, uma conversa com Pilar que lhe pediu para fazer um livro com muito romance, o que ela respeitou rigorosamente.
Logo que recebeu o primeiro capítulo, Pilar ficou tão derretida que só dizia: “Ó mãe, quando é que a Maria manda mais?”. Pouco tempo depois de ter recebido o livro completo, na praia, “achei a maior graça, porque estava ela com o seu dedinho, finalmente, a ler. Eu dizia sempre que o meu sonho é que a minha filha fosse trabalhar para o bronze a ler um livro, que não fingisse que estava a ler só para copiar as amigas: o protector solar, o bronze e um livro, que é o que elas fazem”, ri-se a mãe. “Claro, já perguntou quando vem próximo. Ainda não sei, mas vou ter de saber”.
O livro foi o corolário da exposição, o tal evento pedido por Miguel Palha para celebrar os 25 anos da APPT21. “Pediu-me para fazer um leilão de pintura, mas achei uma coisa fria, que não tem a ver comigo, e fiz uma contra-proposta. A Pilar gosta imenso de pintar e pensei que era giro pôr estes miúdos a pintar e mostrar as suas artes e os seus dotes. Além disso, para fazer a exposição, achei que pedir aos pintores uma obra era pouco – a minha mãe ensinou-me que quando pedimos, pedimos a sério [risos] – como dizia a Madre Teresa de Calcutá, só depois de doer é que estamos a dar”, conta Vão.
Dentro deste espírito, nada melhor do que, além de pedir a cada pintor uma obra, e “como retorno dessa gratidão”, pedir-lhes que recebessem os miúdos e pintassem com eles um quadro. O resultado foi um pleno. “A experiência foi fantástica para todos, mas para quem foi mais extraordinária foi para as mães. Porque as mães estavam receosas, os filhos não gostam das texturas, têm uma motricidade fina péssima, não gostam, à partida, deste género de actividades. Mas quando perceberam que estavam a criar uma coisa bela mudaram de atitude e vibraram. E com eles, vibraram as mães”.
Participaram crianças de norte a sul do país, perto de 30, bem como 30 artistas, quase todos pintores. “Não quis ficar por Lisboa, havia uma criança de Coimbra, outra do Algarve. Era uma criança por artista, para criar uma relação de um para um, porque me pareceu importante haver a tal relação, que eles se passassem a achar a maior graça uns aos outros. E acho que isso aconteceu”.

Ao longo da exposição foram acontecendo diversos eventos, como um café dos artistas, em que estes se dispunham a conversar com os visitantes, um concerto, uma sessão de esclarecimento com terapeutas do centro Diferenças, entre outros. “Nesse dia falei bastante com um miúdo que me fez perguntas curiosíssimas, porque tinha uma tia de 60 anos com Trissomia 21. Queria saber se eu achava que a Pilar ia ser como a tia, mas já tinha percebido que a minha filha fazia coisas que a tia não fazia. Expliquei-lhe que a minha preocupação em realizar dinheiro com este projecto tem a ver com a importância da intervenção precoce. Uma miúda com Síndrome de Down com 20 anos hoje não é o mesmo que há 20 anos. Reconheço que atacar desde o início é das coisas mais importantes e faz uma diferença brutal, independentemente de todas as diferenças de cada um, da família em que estão integrados. Tem um peso muito significativo no desenvolvimento”, explica Vão. Tudo o que se fizer mais cedo vai ajudar mais tarde, significa poder esperar mais e “dar a estas pessoas uma vida mais útil em todos os sentidos”.
Esta é uma lição importante. “Não queremos que as pessoas com Trissomia 21 sejam um grupo à parte, conscientes de que são diferentes. Uma das perguntas que o miúdo me fez foi: a Pilar sabe que é deficiente, disse-lhe que ela é deficiente? Sim, sabe, eu digo-lhe. Ele estava horrorizado. Mas, para mim, isso é muito importante e disse-lhe porquê, até porque em alguns momentos isso a consola, quando percebe que é diferente, que lhe são vedadas oportunidades que aos outros estão abertas. Ainda assim, em 2015, há muita coisa que não é fácil porque as pessoas não acreditam que eles são capazes. E há muita coisa de que eles são capazes. E seriam ainda mais capazes se lhes fosse dada a oportunidade de tentarem sem condescendência”. 
Um exemplo? A Pilar adora fotografia e pergunta: “Ó mãe, eu não podia ser fotógrafa de casamentos?” Vão garante que “ela tem um jeitão para fotografia, mas não é a fotografia banal, fotografa fantasticamente e nunca teve ninguém a explicar-lhe o que quer que fosse dois segundos, porque ninguém tem pachorra e não há workshops onde uma pessoa com Trissomia 21 possa, de forma séria, participar. E é este tipo de coisas que temos de ir mudando para as pessoas perceberem que é possível. Tem de se gerir a diferença com verdade. Eu gostava que este projecto ajudasse a isso, fosse uma oportunidade real. Não é irem para o jornal distribuir correio. Quer dizer, também pode ser que seja, mas não tem de ser isso”.
 
Tirada d'AQUI

quarta-feira, 13 de maio de 2015

UM FUTURO MUITO PRESENTE


Os Filhos do Homem


        A produção habitual de P. D. James são os romances policiais: romances profundos, meditados, em que a noção de culpa e de possível redenção está de uma maneira ou de outra sempre presente, a par de um intrincado mistério de crime e respectiva solução.
    Desta vez, contudo, a autora envereda por um estilo diferente: o romance futurista e catastrofista, que põe à prova os seus protagonistas.
       Estamos em Inglaterra, em 2021 (o romance foi publicado em 1992, numa altura em que a data parecia bastante mais longínqua do que nos parece hoje), e há 25 anos que não nasce uma criança; não por vontade dos adultos (pelo contrário), mas porque os seres humanos se tornaram universalmente estéreis. E com esta esterilidade veio a absoluta ausência de esperança e de humanidade, com consequências terríveis na vida das pessoas: violência gratuita sobre os mais fracos, eliminação forçada dos velhos, tratamento dos animais como se fossem pessoas, e um longo e perturbador etc…
      É então que um grupo de cinco pessoas, todas com motivações diferentes, reage contra este estado de coisas e, de repente, o futuro parece abrir uma porta. Mas tais reacções são muito mal apreciadas pelos poderes constituídos, pelo que estas cinco pessoas são implacavelmente perseguidas – e é no meio, ou no fim desta perseguição que se percebe quais delas se degradaram por completo e quais mantêm ainda a capacidade de um comportamento verdadeiramente humano.

     Trata-se de um romance intenso, muito bem escrito, que faz pensar em muitos aspectos da actualidade, e que coloca o leitor perante as dramáticas consequências do egoísmo levado ao extremo.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

UM DOS MELHORES DE SEMPRE, EM QUALQUER LATITUDE



To kill a mockingbird, de Harper Lee, é sem sombra de dúvida um dos meus romances preferidos de sempre, e não estou sozinha nesta escolha.
Atticus Finch é um jovem advogado duma cidade do sul dos Estados Unidos dos anos 30 (do século passado), a quem a mulher morreu deixando-o sozinho com a tarefa de educar dois filhos pequenos, Scout e Jem. 
Atticus (a quem os filhos tratam assim, pelo nome), que é um homem íntegro, honesto, corajoso, atento ao próximo, em suma, um cavalheiro, vê-se confrontado com a necessidade de defender um negro acusado de molestar uma rapariga branca, um crime de morte naquele tempo e naquele lugar, o que o coloca na peculiar situação de, sendo um dos homens mais admirados da cidade, ter assumido uma atitude que o coloca entre os mais desprezíveis.
Este drama, e muitos outros, é narrado pelo olhar de Scout, a filha mais nova, uma criança de dez anos, que está a aprender como se vive e que olha para as coisas com um olhar perspicaz, inteligente e sempre pronto a descobrir novas manigâncias, em cumplicidade com o irmão mais velho.
Um romance maravilhoso e insuperável.

E, claro, depois há o filme de Robert Mulligan, com o título português de Na sombra e no silêncio, que é outra pérola preciosa, embora, claro, muito menos interessante e profundo que o livro. Mas pf não troquem um pelo outro!


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

E NADA COMO UMA NOVELA RUSSA NESTES DIAS MELANCÓLICOS DE JANEIRO

A Estepe


A Estepe é a viagem de um rapazinho, desde a sua aldeia até à cidade, onde ficará a viver para poder estudar e instruir-se. Ao longo desta viagem, desfilam diante dele pessoas e circunstâncias da naturezaque são também como que personagens, em descrições de um delicioso lirismoque lhe vão dando a conhecer o mundo. É uma espécie de instrução pela experiência antes da instrução formal que a escola lhe dará. E nós vamos fazendo a viagem com ele, porque também ele é uma personagem, que se vai sentindo alternadamente triste e curiosa, assustada e perdida.
As personagens podem ser para o duro, como o tio negociante – que, contudo, amolece quando finalmente se despede do sobrinho –, ou bondosas, como o padre que os acompanha; ou melancólicas e levemente desanimadas como os carreiros a quem o miúdo é a certa altura entregue, um dos quais, Panteley, conta histórias terríveis em que o rapaz não sabe se há-de acreditar ou não; ou loucas, como o homem apaixonado que vagueia pela estepe porque não consegue estar em casa quando a mulher se ausenta.
A novela termina como começou; instalado na sua nova casa, o rapazinho despede-se do tio e do padre que regressam à terra de onde ele próprio veio, como se despedira dessa terra ao partir: em lágrimas. E a história continua, como foi até agora – é a vida, sem dramas nem enredos de maior, a simples vida que se sucede.
Esta novela poética (curtinha: 128 páginas nesta edição portuguesa – lê-se num fim-de-semana) é exemplar do estilo de Tchecov, em cujas obras não se passa propriamente nada: nãoenredo e desfecho, nãosuspense e revelação, há a simples apresentação das personagens, nas suas riquezas e misérias. Em A Estepe – escrita em 1888, aos vinte e oito anos – temos até uma espécie de brincadeira com o nosso desejo de que se passe qualquer coisa, uma partida do autor, por assim dizer: quase desde o princípio, Tchecov introduz uma personagem misteriosa, um tal Varlamoff, de quem todos andam à procura, um homem importante com quem todos querem falar. Quando finalmente conhecemos Varlamoff, é o anti-clímax…
Dizia Tchekov sobre a sua obra: "Uma pessoa tem de descrever aquilo que , aquilo que sente, de modo verdadeiro sincero. Perguntam-me muitas vezes o que queria eu dizer nesta ou naquela história, mas são perguntas para as quais não tenho resposta. Não queria dizer nada. A minha preocupação é escrever, não é ensinar." 
E sem ensinar ensina, porque não pode fazer outra coisa quem fala sinceramente da vida.

domingo, 30 de novembro de 2014

UMA ESPÉCIE DE CONTO DE NATAL

A Fada Oriana



Há muitos anos que não lia Sophia. Retomei-a recentemente por uma razão prática (ter de recomendá-la) e estou maravilhada, como não me lembro de me sentir quando a conheci. 
Hoje li A Fada Oriana, que começa desta maneira lapidar: "Há duas espécies de fadas: as fadas boas e as fadas más. As fadas boas fazem coisas boas e as fadas más fazem coisas más." E depois mostra que as fadas são estranhamente parecidas connosco: uma mistura de boas intenções, tentações subtis e decisões desastrosas. E que as condições da redenção são exigentes, e estão nos limites do risco.
Sem ser uma das obras com mais trabalho estilístico, é uma daquelas em que a moral é mais instrutiva, simples e elevada.


Outros dois livros que li recentemente são Histórias da terra e do mar e Contos exemplares, onde uma pessoa se deleita com o domínio que Sophia tem da língua e da escrita poética, com os seus ritmos, as suas pausas e as suas metáforas iluminadoras, mas também com um rigor evocativo e informativo que transforma cada um dos seus contos num verdadeiro mundo, completo, rico e intenso.

Nestas duas colectâneas, num total de doze contos, há contos narrativos e contos alegóricos, contos descritivos e contos pictóricos – quase cinematográficos –, contos exemplares e contos festivos. E encontramos em muitos deles uma inocência de criança pequena que abre os olhos ao mundo, e um veio subtil de humor quase infantil, que os torna encantadores.
Os contos de Sophia – alguns dos quais foram escritos ao longo de vários anos – são para ler devagar, saboreando as palavras, alguns mesmo em voz alta, para nos deixarmos levar pelos ritmos e a riqueza dos sons, e para aguardar na memória o que eles nos sugerem, aquilo em que nos fazem pensar. Ora vejam se não vale a pena ler uma coisa assim:
"Quando eu era pequena, passava às vezes pela praia um velho louco e vagabundo a quem chamavam o Búzio.O Búzio era como um monumento manuelino: tudo nele lembrava coisas marítimas. A sua barba branca e ondulada era igual a uma onda de espuma. As grossas veias azuis das suas pernas eram iguais a cabos de navios. O seu corpo parecia um mastro e o seu andar era baloiçado como o andar dum marinheiro ou dum barco."


Por favor, (re)leiam-nos, ofereçam-nos, façam-nos ler.

Não levam muito tempo, podem ler-se aos bocadinhos e compensam imenso!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A nossa biblioteca

Já olharam bem para o nosso blog, notam alguma diferença?
Pois é.... agora na nossa barra da direita temos um espaço para livros.
Obrigada Mizé.
 
 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

PARA LER SENTADO

Ema


Ema Woodhouse, a heroína deste romance, "é bela, inteligente e rica", tendo como únicos óbices à sua felicidade "o poder de impor em demasiadas coisas a sua própria vontade, e uma disposição para pensar bem demais de si própria". É desta maneira que se inicia este magnífico romance de Jane Austen (1775-1817), passado na Inglaterra rural de finais do século XVIII e princípios do século XIX, numa altura em que as diferenças entre as classes eram muito pronunciadas e em que as jovens ricas pouco mais tinham que fazer do que imiscuir-se na vida dos outros – sobretudo se, como a Ema desta história, tivessem tão boa opinião sobre as suas próprias capacidades.
Ema decide pois dar um rumo à vida de Harriet, uma jovem que toma sob a sua protecção, ao mesmo tempo que aprecia incorrectamente as intenções de um clérigo acabado de chegar à vila, só porque este a lisonjeia, e que se derrete com as atenções de Frank, um rapaz abastado – e bastante estouvado, diga-se – que está secretamente noivo de Jane, uma pequena que resiste às tentativas de amizade de Ema (o que não é de espantar!). Pelo meio, terá ainda de cuidar de um pai bastante idoso e cheio de maleitas, umas reais outras imaginárias, de perceber que é capaz de ser tão indelicada com os mais frágeis como qualquer pessoa, e de finalmente descobrir o amor, na pessoa de Mr. Knightley, o homem que mais críticas (sempre justas) lhe faz, sem no entanto deixar de querer fazer dela uma mulher madura.
Um romance cheio de sabedoria, com um sentido de humor subterrâneo, muito romantismo e uma série de lições subtis, tão universais hoje como o eram no tempo de Jane Austen; um romance que se lê com gosto às tardes de Inverno com uma bela chávena de chá bem quente ao lado.

Com base neste romance, realizou Douglas McGrath, em 1996, um filme com o mesmo título, protagonizado por Gwyneth Paltrow e Greta Scacchi; trata-se de um filme correcto e bem feito mas, naturalmente, muito menos rico que o livro.