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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Feminino contemporâneo: "como de pouco vale pugnar por quotas nas empresas se aceitamos fechar os olhos a coisas como estas"



"Sei que é politicamente incorreto dizê-lo, mas indigna-me o aparente consenso com que as pessoas acolhem o "episódio" Cristiano Ronaldo e os gémeos, aceitando alegremente a versão de que foram gerados por uma barriga paga a preço de ouro. Como se não houvesse nada de chocante em que as crianças fossem entregues como se não passassem de um qualquer gadjet, encomendado pela internet, e que se espera ansiosamente tenha a nossa cara. Como se, em sendo verdade (e elas aceitam que sim) não houvesse nada de especial em mandar fabricar crianças propositadamente órfãs de mãe, exibindo-as narcisicamente como um produto exclusivo. Nem sequer vejo estranhar uma opção destas tomada por alguém que tem na própria mãe uma heroína, indispensável em todos os momentos.

Espantam-me os milhões de gostos quando alguém declara que aos filhos basta terem "pai e um pai inacreditável" como ele, como se não soubéssemos todos que é exatamente quando um dos pais se acha tão extraordinário, que a criança mais precisa do contraponto de alguém "normal" na sua vida.

Estranho porque é que tantas pessoas se calam, nomeadamente gente com responsabilidade na defesa dos direitos das crianças, e que sabem bem que o direito a uma mãe ou a um pai, não é uma prorrogativa de quem a procriou, mas da própria criança. Porque não tornam pública uma opinião fundamentada sobre o que acontece não só neste caso mas no de tantos outros "famosos" que repetidamente enchem as páginas dos media, uma opinião que nos ajude a refletir?

Deixa-me perplexa porque é que os sábios não se chegam à frente para perguntar alto se é realmente isto que queremos, um futuro onde o dinheiro compra a técnica para tornar as crianças num produto consumível, produzido cada vez mais "à carta"? Consubstanciando, além do mais, um negócio de compra e venda de seres humanos.

E, já agora, porque estão silenciosos os Historiadores, que sabem bem que embora mascarado de admirável mundo novo, o que vemos agora acontecer é, na essência, um retrocesso civilizacional. Os homens ricos e poderosos punham, sem pestanejar, o corpo das mulheres ao seu serviço. As "barregãs" que viam o filho reconhecido pelo rei, eram recompensadas "pelo uso do seu corpo" (a expressão é mesmo esta), e os infantes criados na corte, educados com todos os privilégios que o divino sangue paterno ditava. Soa familiar? Muito, mas convinha também recordar como os direitos das mulheres e das crianças evoluíram desde aí, como de pouco vale pugnar por quotas nas empresas se aceitamos fechar os olhos a coisas como estas.

E nós todos, cidadãos comuns, mas que temos voz e voto, em que é que ficamos? Basta uma vista rápida aos comentários à notícia para perceber que, para muitos, a fama e o dinheiro parecem compensar tudo. Se a criança pergunta pela mãe, que importa que lhe digam que morreu ou viaja (como li nas declarações de uma das irmãs Aveiro), se em troca pode entrar pelo campo adentro ao lado do pai mais famoso do mundo (com todo o mérito), que diferença faz que um dia deixe de perguntar por ela e se remeta a um silêncio deprimido, se pode viajar, viver numa mansão de infinitos quartos, realizar todos os desejos e herdar um dia a fortuna do craque? Decididamente, talvez tantos se calem porque, secretamente, davam a mãe para serem filhos do Cristiano Ronaldo."

quarta-feira, 8 de março de 2017

Dia internacional da mulher | O MUNDO PRECISA DE TI


"El mundo será lo que ellas sean" decía la professora Burggraf y sirve para recordar que hombre y mujer tienen la misma dignidad e idéntico compromiso de construir la sociedad y la familia.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Muito mais do que simples moda

Ainda sobre a Causa HEart: HARAMBEE
Trazemos a história da Patrícia com a moda quer ajudar África.
Vale a pena ver:
 
 

terça-feira, 17 de maio de 2016

Pela democracia | Pela Dignidade

 
Vivemos num país que não consegue legislar sobre o Uber, mas "tranquilamente" permite o aluguer das mulheres. Sim o tema das barrigas de aluguer tem de ser visto como a coisificação da mulher, é alugar parte da mulher, da sua feminilidade e da sua maternidade, é desumano e cruel, como o próprio nome indica é considerar a mulher uma mercadoria.
Tenho muita pena no rumo que estamos a levar. Mais uma vez Portugal dos Pequeninos, dos obcecados pela ideologia, sem consultar o povo, sem medir as consequências tomam conta do leme, são eles os (in)tolerantes, os filhos dos lobbys.
 
Não vamos ser fracos, desta vez não....
Por um verdadeiro debate, afinal de contas ainda vivemos numa democracias (ou não?)
 
 

 
Por um verdadeiro Debate sobre a PMA e a Gestação de Substituição
Um grupo de estudantes e jovens trabalhadores, sem qualquer filiação partidária, entendeu tomar uma posição pública sobre este assunto, com a intenção de alargar o grupo a todos os que se identificam com esta posição.
Manifestando a nossa oposição às alterações propostas, entendemos ser fundamental haver um debate alargado na sociedade portuguesa. Assim, apelamos ao Presidente da República que, ao abrigo dos se
us poderes constitucionais, vete os diplomas em causa, de forma a permitir esse debate na sociedade e a geração de um consenso alargado. AQUI

 
 

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

da série "homens a sério" #4


Porque hoje faz 40 anos que nos deixou;
 Porque nunca é demais relembrar a importância de sermos apreciadas;
 Porque o desejo de abraçar o Mistério nunca foi tão grande como o dela;
 Porque Mulheres com sentido de humor são mais bonitas;
 Porque o bigode e as maneiras do monsieur Poirot nunca sairão de moda.


Obrigada, Agatha.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Querido Pai

"Querido Pai,

Ainda não nasci, mas também eu, como a Care, te quero pedir ajuda.

Quero-te pedir ajuda para me ensinares o valor que eu tenho, e que vai muito além de qualquer palavrão que me possam chamar na escola ou na vida.

Quero que me ensines a responder à altura, sem malícia, mas com assertividade, a quem me insulte ou ofenda. E que eu saiba travar as minhas próprias lutas, interiores e exteriores.

Quero que me ajudes a falar, mesmo quando as ofensas não me forem dirigidas a mim, mas às minhas amigas ou a qualquer outra mulher, ou homem. Porque a igualdade é isso.

Quero que me ajudes a ter uma atitude digna, sempre. E que mesmo que eu falhe (e vou falhar), posso sempre recuperar a minha dignidade sem que isso me torne "incoerente", mas humilde.

Quero-te pedir ajuda para me ensinares que não preciso de estar a cair de bêbada, nunca. Que hei-de saber beber com moderação, e mesmo quando beber de mais, comportar-me adequadamente qb.

Quero que me mostres que o fundamentalismo não leva a lado nenhum. Seja na comida - a mãe sempre comeu sushi, e que bem que me sabia! -, seja nos estudos, seja com os outros.

Mas quero que me ensines a ser forte. Forte nos valores, forte nas convicções e forte na afirmação da minha identidade e dos meus desejos, nunca os resumindo apenas ao momento presente sem equacionar o futuro. Que me ensines a exigir ser respeitada, em qualquer ocasião e por qualquer pessoa, sem precisar de me moldar para agradar aos outros.

Quero que me ajudes a encontrar os critérios adequados para amar. Que queiras conhecer os meus amigos e namorados, e não lhes exijas mais do que que me ajudem no caminho rumo à felicidade. Porque esse devia ser o critério último, o único que verdadeiramente interessa.

Quero que me dês a liberdade de escolher o que vou estudar, com quem vou namorar e com quem vou casar. E que me ensines que o namoro não é mais que o discernimento aprofundado das qualidades humanas, e que até ao último segundo posso sempre mudar de ideias. Mesmo que o casamento já esteja organizado e te tenha custado uma pipa de massa. Porque me pões a mim primeiro, porque sempre puseste. É esse o meu valor para ti: infinito.

Quero que a educação que me dês não me dê desculpas para mudar a minha visão sobre mim mesma ao sabor das opiniões ou ofensas alheias, mas seja uma ajuda a um juízo verdadeiro sobre o que eu sou, o que faço bem e o que faço mal. Mas por muito mal que faça, a misericórdia espera-me sempre que eu a queira, sem que mereça ser castigada por ninguém.

Com isto tudo, espero que me ajudes a construir uma vida com uma reputação sólida, boa e da qual tu e eu nos possamos orgulhar. Não porque seja fácil ser mulher, mas porque a vida para homens e mulheres não é para ser fácil, é para ser vivida.

Por último, quero que me encorajes, repetindo-me que não está só nas mãos dos homens mudar o mundo: está também nas minhas.

Um beijinho, e até já.

AM"

Em resposta a este vídeo:




♡ ♡ ♡ ♡ 

NA: Espero sinceramente que esta venha a ser a hipotética carta da minha filha ao seu pai. Porque esta seria a minha ao meu, que - modéstia à parte - acho que fez um belíssimo trabalho. Não sou perfeita, mas não é por culpa dele. Não sou frágil, e isso é inteiramente graças a ele. 

Nascer mulher, para mim, não foi um perigo. E para ti?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Tudo bons negócios

E para não dizerem que não somos trendy aqui no estaminé, hoje recomendamos um produto da Zilian (uhhh, marca de blogger a sério, right?)

As sabrinhas matchy-matchy mãe e filha.

Não são um amor?

Se precisam de mais desculpas motivações para comprar, a marca é portuguesa e vende online.

Filha, podes crescer depressa para andarmos assim as duas? Saltavas já aí para os 5 anos, que tal? Calma, estou só a brincar...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Vamos defender os direitos das mulheres (mas a sério!)

Hoje a capa do Jornal Publico trazia a notícia que as mulheres portuguesas que optam por sair do mercado de trabalho, para cuidar dos filhos, perdem grande parte da sua reforma, sendo as mais prejudicadas dos 34 países do OCDE, sim isso mesmo somos o país da OCDE que menos cuida da mulheres que são mães.
A esquerda que necessita de ostentar a unidade, mais aquelas cadeiraszinhas da direita, mostraram a prioridade de defender os direitos das mulheres, muito bem (palmas senhores deputados), prioridade legislativa, mas agora não sei se foi de mostrar a união ou se foi mesmo prioridade nos v-e-r-d-a-d-e-i-r-o-s direitos da mulheres. Parece que a luta é pela liberdade das mulheres, mas só no conceito de liberdade do BE, porque a liberdade da maternidade ou a liberdade de querer cuidar dos filhos continua a ser castradora, antiquada, má, e há que ensinar a essas senhoras que isso não é bom...
Só queria agradecer à minha avó, que por opcção, ficou em casa, criou uma família maravilhosa, ainda cuidou dos netos, sabia fazer o melhor gelado do mundo e apesar da família ser numerosa todos traziam os amigos para jantar na varada pró quintal nas noites de verão!
A noticia, também me fez lembrar do seguinte anuncio - to think seriously -sobre o tema:
 
 

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Liga portuguesa Contra o Cancro

Recebi um mail de uma amiga - também leitora do <3 - este mail não me foi indiferente, já vivi de perto esta dura realidade do cancro, já vi partir gente a mais, já vi muitas lágrimas e muita dor..
Por isso decidi partilhar:

Queridos amigos,
Para que o acesso equitativo ao programa de rastreio de base populacional do cancro da mama em todo país seja garantido, para que exista acesso em tempo útil a um serviço hospitalar com capacidade, para que se garanta o acesso aos melhores tratamentos disponíveis, para que os doentes tenham acesso toda a informação existente sobre o cancro e para que os cidadãos, doentes ou familiares possam ter voz activa nas decisões públicas sobre o cancro assinem a petição disponível no site da LPCC (envio o link abaixo). 
 
 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Desabafos #3

Porque a nudez continua.... Depois disto AQUI
A Joana Amaral Dias não ficou contente de receber criticas por ter pousado nua na revista Cristina, pelos vistos estas criticas foram um atentado à sua liberdade.
Como protagonista de uma petite critique, em minha defesa, não posso deixar de responder.  
Raciocínio desta intolerância dos tolerantes: a Joana pode pousar nua, porque é livre, mas eu não sou livre de criticar, porque a joana é livre. Bolas,  mais uma vez a liberdade só está no lado das pessoas que aparecem nuas nas revistas, a liberdade de dar a minha opinião não existe é repugnante e castradora (resta saber se fosse a Angela Markel naquela capa, agarrada pelo Joachim Sauer, talvez já podia ser alvo de criticas?).  
Confesso que gostava de explicar à Joana que isto faz parte da beleza da liberdade: receber criticas, enfrentar ideias contrárias às suas, como o ser alvo de outras apreciações que não as suas!!!! (Quem também não gosta de criticas é o Presidente Eterno da Republica da Coreia do Norte, nem que adormeçam nas suas conferências...)
 
Não contente com a pouca ribalta Joana aparece novamente nua - e agora naquele jornal que gosta de por toda a gente nua quer queiras ou não - Correio da Manhã.
Com um target conhecidíssimo, com um sensacionalismo misturado com um enorme sensualismo o Correio da Manhã é popular pelo seu baixo nível jornalístico, recheado de verdadeiros atentados à dignidade humana.
Devem pagar bem por aquele capa... "Mas oh Joana tu vales mais do que aqueles euros, acredita em mim! Acredita em mim! Desculpa a ousadia da minha liberdade, mas gostava de poder dizer-te isto....
Já todo o Portugal viu o teu corpo espetacular, as tuas curvas bem feitas, mas Joana eu achava que tu eras mais do que um par de boas pernas, digo isto com toda a sinceridade, apesar das nossas diferenças ideológicas, politicas eu acreditava que tu tinhas alguma inteligência e que não precisavas mostrares nua para chamares atenção sobre a tua pessoa.
És uma feminista assumida, mas a tua atitude é um paradoxo, pois estás a instrumentalizar o teu corpo feminino para mostrares a tua irreverencia.  Reduziste a mulher ao seu corpo e, sem querer talvez, mostraste a  todo Portugal que o mais importante, mais mediático, do que o que tu pensas e no que tu acreditas são as tuas curvas... vendeste-te, não digo que foi por dinheiro, mas vendeste-te em nome de uma falsa liberdade feminina.
Mas eu continuo crente... e não aceito que seja preciso ficares nua para chamares atenção a ti própria.
Porém não esperes agora respeito pela tua politica, porque para teres respeito tens de te dar ao respeito, e não te admires que muitos homens não irão olhar para a tua filosofia, porque mais provavelmente olharão para o teu rabinho! Tu podes meter-te nua, mas eu não posso dizer que não te quero ver nua? Agora sou eu que te peço respeita a minha liberdade e o meu sentido critico.
Nas fotografias do CM tinhas escrito na tua barriga "é menina, oxalá que seja mulher com liberdade", muito bonito, mas as frases continuavam e nas tuas costas aparecia aquele mítico slogan das feministas pró-aborto: "quem manda no meu corpo ou na minha barriga  sou eu", pensava que querias que a tua filha Luz fosse uma mulher livre e já estás a dizer que mandas nela? Ai Joana esse conceito de liberdade está reduzido aos teus caprichos, os caprichos de apareceres nua, vestida, de pernas para ao ar ou a andar de bicicleta, liberdade é mais do que isso, liberdade é quando tens uma vida dentro de ti e sabes que ela não é tua, mesmo que mandes na tua barriga, liberdade é pousar nua numa revista de 2º categoria e receber criticas dos teus companheiros e adversários, como comentários indesejados ou até mesmo grosseiros e deselegantes, porque há consequências nos nossos actos livres, mas lembra-te a liberdade é mais do que mostrar o rabo.
Por fim, com um argumento diria sexista, defendeste que se fosses homem, o facto de estares nua, não teria sido tão mediático, mas que feminismo barato e simplório, se achas que o teu peito é igual ao do Marcelo Rebelo de Sousa enquanto este está na praia, devo dizer que estás enganada e acabo com a certeza que seria verdadeiramente um incomodo para mim ver o Dr. Mário Soares ou mesmo o nosso Primeiro-Ministro em pelota.
Tenho pena que tenhas acabado assim com a tua vida politica...."
 

 
 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Desabafos #2

A Joana, a Cristina e Eu:
Há gente na política que me faz muita confusão, falo principalmente d'aquelas meninas revolucionárias que vão para o Lux citar Noam Chomsky, enquanto seguram o seu gin cheio de bolinhas e especiarias do Martim Moniz, num copo de pé mas de balão. Acredito que estejam chateadas com as suas condições de burguesas e agora querem ser anarcossindicalistas.
Convívio bem com elas todas, mas confesso que baixo o som da televisão quando a Isabel Moreia está a falar - todavia é por causa das minhas dores de cabeça, nada contra a sua voz esganiçada a gritar pela opressão-intolerância-maus-tratos que vive por ser simplesmente mulher, ou a tortura que carrega em nome de todos os homossexuais. Também dou por mim a saltar as páginas do jornal que trazem os desabafos da Maria Filomena Mónica, naquelas longas confissões sobre a sua intelectualidade, mas isso é, novamente, minha culpa por vezes não entendo a dialética dos eruditos.
Agora Joana Amaral Dias engravidou, talvez um pouco opressivo para a sua condição feminina? Terá que se afastar da cena politica, mas a aspiração-o-poder-a-fama-e-a-ambição é muita, é neste contexto que a Joana aparece praticamente nua, agarrada pelos músculos do seu namorado, na capa da revista Cristina (para quem não conhece é uma espécie de Revista Maria mas refinada) os parceiros do seu partido não gostaram, afinal de contas esta espécie de Syriza lusitânica está a tentar ter credibilidade na arena politica.
Por fim, eu só consigo concluir  acerca do nível politico-cidadania-princípios-valores-ideias dos nossos políticos (ou  destas nossas meninas revolucionárias que gostam de brincar às políticas), quando não há argumentos sempre podemos mostrar o corpinho e como temos um namorado-todo-bom. Enquanto isso a Cristina faz uns trocos às custas das meninas que não gostam de ser burguesas e dos taxistas mais malandros.
 
 
 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Inspire #15

 
A inspiração do dia de hoje vai para as mulheres
A inspiração do dia de hoje vai para os homens
 
by Nicolas Cage
 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Aborto em Portugal: Reconhecer uma evidência

 
"Em matéria de aborto, não há boas noticias, mas há, apesar de tudo, algumas menos más e a descida do número de abortos praticados pelo terceiro ano consecutivo é uma delas. Mas isso não nos deve impedir de olhar com enorme preocupação para o absurdo de mais de 16 mil crianças impedidas de nascer num só ano. Ou para o facto, ainda mais incompreensível, de mais de trezentas mulheres terem, no espaço de doze meses, praticado mais do que um aborto.
Foram menos 3.400 do que os mais de vinte mil praticados em 2011, altura em que parecia que tínhamos entrado numa espiral imparável, traduzida em quatro anos de subidas continuas dos números de abortos praticados depois de aprovada a lei da liberalização. A tendência é já, por três anos consecutivos, decrescente. Esta é a notícia menos má.
O quadro permite-nos, no entanto, concluir que a quase totalidade dos abortos cai, afinal, no enorme saco do aborto “a pedido da mulher” até às dez semanas, sem que para isso tenham de ter evocado um qualquer motivo específico particularmente gravoso (e que representam 97% do total).
Este dado parece mostrar como haveria lugar a pensar uma política alternativa, como a praticada em vários outros países europeus, fortemente baseada na consciencialização e ajuda oferecida à mãe e na aposta da apresentação de alternativas. Mesmo os defensores da liberalização não deixam de considerar o aborto sempre um mal, quer para o não nascido quer para a própria mãe, também ela vitima da agressão física e psicológica que a perda do filho em gestação sempre representa. A causa do combate ao aborto não deve por isso ser reduzida a uma causa dita “fracturante”, mas encarada como causa comum.
Estamos a falar de 200 crianças abortadas por cada mil nascidas, o que implicaria que caso lhes tivesse sido reconhecido o seu direito a nascer o impacto no aumento do número de nascimentos se traduziria num crescimento da ordem dos 20 por cento, o que seria uma inestimável ajuda ao aumento da nossa baixíssima taxa de natalidade.
Por outro lado, os dados da DGS provam o que também já se sabia: só 432 abortos realizados se ficaram a dever à má formação fetal e 14 a violação. No fundo, foram menos de 500 os casos que se referem ao que foram os dois grandes motivos mobilizadores das discussões em torno da bondade/maldade da própria lei. Podemos ainda somar-lhes os 97 abortos realizados em prazos mais alargados, por razões “de saúde física e psíquica da mulher” (onde apenas sete foram apresentados como única forma de evitar danos irreparáveis sobre a vida e saúde da mãe).
As histórias de vida apresentadas como especialmente dramáticas e que ocuparam a quase totalidade do espaço de debate público sobre a lei representam, consistentemente, ao longo dos sete anos decorridos da sua aplicação, afinal, uma percentagem ínfima do total de abortos praticados. Mais preocupante ainda é verificar uma taxa de reincidência em torno dos 30 por cento. Só 71 por cento das mulheres que realizaram abortos em 2014 nunca tinha abortado antes. Pior ainda é verificar que em casos de reincidência gravíssima, como os da realização de mais de três abortos, a taxa não está a descer mas a subir: 220, contra 157 em 2013.
Não precisamos de pensar na mais de meia centena que fizeram quatro abortos anteriores nem nas duas dezenas que fizeram mais de cinco abortos e que configurarão casos verdadeiramente patológicos, para ver a gravidade destas repetições.Dado ainda mais grave: 303 mulheres repetiram o abortamento no curtíssimo espaço de tempo de um ano, mostrando que a intervenção do sistema de saúde foi totalmente ineficaz em todos estes casos, no que se traduz numa das suas missões prioritárias: evitar que o aborto se transforme em mais um método contraceptivo de recurso.
Alguns responsáveis, mesmo perante a evidência dos factos, continuam a argumentar que eles demonstram exactamente o oposto e a clara recusa do aborto como método contraceptivo. É caso para perguntar que tipos de números superiores seriam necessários para que finalmente reconhecessem o que parece ser uma evidência.São estas questões que o movimento de cidadãos subscritores da iniciativa “pelo direito a nascer” querem trazer de novo ao debate parlamentar, sugerindo a necessidade de rever a actual lei, designadamente defendendo a aplicação desincentivadora de taxas “moderadores” ou dos apoios específicos previstos na protecção à maternidade e que devem continuar a aplicar-se aos casos de aborto clinico ou “involuntário” e cuja filosofia, convenhamos, não se aplica manifestamente à larga maioria dos casos de aborto a pedido.
Defendem também os autores da iniciativa legislativa a necessidade de combate a este flagelo com reforço a um programa eficaz de consciencialização e ajuda às mães (com efectiva possibilidade de reencaminhamento para serviços de apoio que lhes permitam ponderar alternativas).
É legitimo dar voz ao não nascido para que ele se faça ouvir ao nível da consciência dos que sobre ele têm direito de vida e de morte. Fragilizadas e em situações particularmente dramáticas, as mulheres não podem nem devem ser sujeitas a uma pressão duplamente violentadora e estigmatizante, mas isso não deve ser compreendido como a defesa e promoção de uma falsa ignorância irresponsável. É tempo de reflectir, serenamente, de novo sobre a lei aprovada, buscando, com o desejável consenso (e este é um daqueles casos transversais à esquerda e à direita), sobre as formas concretas de, não podendo erradicar este mal, pelo menos o minorar."

segunda-feira, 8 de junho de 2015

A pílula e a mulher

 
Todas as mulheres,  hoje em dia todas as crianças que são meninas, já passaram por este processo, vamos ao médico, fazem algumas perguntas sobre a nossa saúde, sobre o nosso corpo e pronto já nos enfiaram a receita da pílula, afinal de contas somos livres e donas do nosso corpo e a pílula é a carta de alforria das mulheres, os médicos não precisam de saber se tens namorado, marido ou amantes, não precisam saber se esses namorados abusam de ti (sabia que em Portugal "Um em cada quatro jovens acredita que a violência no namoro é normal" a notícia é do Público: AQUI como as Sombras de Grey fazem agenda)
Lembro-me sempre da história desta amiga, a M. em menina foi ao centro de saúde, quando me contou a história a M. não se lembrava da sua idade, a única coisa que se lembrava é que gostava de ver filmes da Disney e tinha os cadernos da escola com desenhos animados e o quarto ainda estava cheio de peluches... A mãe não podia entrar no consultório, pela primeira vez a M. ia sozinha a uma consulta, as perguntas foram factuais, e o médico ficou admirado como é que a M. ainda não tinha tido um namorado a sério (a.k.a. como-é-que-ainda-não-tinha-ido-para-a-cama-com-um-rapaz).
A M. no fundo sabia que ainda era só uma menina e que a sua mãe tinha ensinado que na vida cada coisa se faz a seu tempo, há idade para namorar, há idade para casar e ter filhos e há idade para brincar e que muitas vezes a sociedade misturavas as idades (em velhos brincamos e em novos namoramos), a M. sabia que ainda não tinha idade para namorar, mas tinha muitos amigos, ela no fundo o que gostava era de ir ao cinema com as amigas e comer pizza a ver tv, mas a M. saiu desta consulta com a sua pilula e a partir daí esqueceu-se algumas coisas que a mãe lhe ensinou.
Como esta minha amiga M. há muitas crianças-meninas-pré-adolescentes que passam por isso, o que mais me incomoda nestas consultas rotineiras é a leveza do tratamento, no ano passado conheci uma rapariga excelente, mais velha e casada já há alguns anos, contou-me que não podia ter filhos porque durante muito tempo tomou a pilula, e eu perguntei se a sua médica a tinha informado sobre essa consequência, que é possível e que aconteceu, ela disse que na altura ninguém lhe disse nada. A mim custa-me muito pensar que esta mulher nunca poderá ser mãe porque lhe deram a pilula e nem lhe falaram das suas consequências, mas que raio de liberdade é esta? É verdade o corpo é meu e como tal as consequências são minhas, não são do médico x, y ou z. Atenção eu não estou a dizer que a pilula provoca infertilidade em todas as mulheres, mas no caso da C. foi um factor, pelas suas condições, e é uma injustiça que não lhe tenham informado disso antes.  Contudo o que me deixou mais chocada foi a investigação da TVI24 Horas sobre a pilula mais consumida em Portugal: Yasmin. Esta investigação já tem alguns meses, e foi tão pouco divulgada. 
A Carolina era uma jovem bailarina, teve uma morte súbita, mais tarde percebeu-se que foi por causa da pilula, esta é a reportagem que todas as mulheres deviam ver, porque este é um direito nosso É arrepiante perceber o poder das empresas farmacêuticas têm sobre este tema, e, nós mulheres, somos iludidas.
«A minha irmã tinha um excelente relacionamento com a minha mãe. A minha mãe tinha sempre conhecimento de todos os passos que ela dava. E, debaixo deste choque, a minha mãe disse-me “Susana, foi a pílula que matou a carolina”», diz Susana Alves, irmã da jovem. (entrevista completa: AQUI). Não sei porquê, mas parece que o filme da reportagem já não está on-line, contudo digo que é impressionante as conclusões que esta mãe retirou na morte da sua filha e o alerta que deixa a todas as mulheres. 
Como mulher só peço uma coisa aos nossos médicos, quando receitam a pilula pelo menos tenham a honestidade intelectual de informar todas as consequências às mulheres e às crianças meninas,  mostrando estes números.
Porque uma morte pode ser só uma, mas para a Carolina, e para a sua mãe foi única, foi tudo. E de quem é a culpa?

segunda-feira, 16 de março de 2015

I'm a Dolce&Gabbana


#VistoDolce&Gabbana #VistoFamília
Em resposta ao boicote...

A beleza e a força da maternidade foram o tema do último desfile de senhora de Dolce & Gabbana. 

No HEart partilhámos algumas das imagens da campanha, reconhecendo o valor e importância de associar a Moda  às Mulheres, Mães de família, Profissionais e com imenso estilo.
Os criadores Domenico Dolce e Stefano Gabbana  apresentaram também uma coleção masculina sob o tema da celebração da família. Na opinião de ambos, a mamma cheia de estilo não pode, nem deve ser substituída por um padre e vice versa. Afirmam, «Somos exclusivamente a favor da família tradicional»

Como é recorrente, depois de qualquer (muito) boa iniciativa gera-se uma onda de polémica e pressão, onde a vitimização e o boicote são as únicas formas de resposta.  Desta vez, o protagonista é um famoso músico britânico que iniciou uma campanha contra a marca, referindo que "nunca mais comprará, vestirá D&G".


Caro E. não te esforces tanto. O que estes dois criadores D&G fizeram foi realmente genial e bom de se ver, associaram a moda à maternidade, transmitindo um conceito de família que não é apenas tradicional, mas moderno e, mais ainda, intemporal. Os media até podem passar a ideia de que centenas de pessoas  apoiam esta tua onda de indignação, mas o número de pessoas que #vesteD&G (#vesteafamília) é bem maior, só não é divulgado. Mas eu confirmo!
.
Propositado ou não, a criação da D&G coincidiu com o ano em que muitos homens e mulheres por todo o mundo celebram o Ano da Família. Uma família que se quer que ilumine os caminhos da terra. 

Venham mais criações destas! 
#I'maD&G 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

orgulho e sem preconceito de ser mulher

O meu problema com a maior parte das feministas é que elas não fazem a depilação e acham que andar mal arranjadas é uma forma de se mostrarem superiores ao homem, mas irrita-me essas mulheres histéricas que se despem para marcar uma posição e irrita-me mais que o façam em nome do meu género.
Eu sou mulher e gosto de ser mulher, gosto de ser diferente do homem, gosto que me deixem passar à frente, gosto que me abram a porta do carro, gosto que seja ele a pagar a conta quando namoramos, gosto quando se levantam para me cumprimentar, faz parte do meu estatuto, gosto de ser frágil e de ter a necessidade de ser protegida, gosto de arranjar a casa, decorar a sala e ter a roupa bem passada e gosto que seja ele a por o lixo lá fora e a pegar na mala, isso não me faz inferior a ninguém até pelo o contrário.
Quando li a noticia, li o tão ridículo que é, Activistas invadem barbearia de Lisboa onde só entram homens e cães, esta barbearia um pouco hipster por acaso conheço e confesso que é um espaço muito giro, fez um jogo de marketing e brincou com a ideia que as mulheres têm o seus cabeleireiros e os homens devem ter as suas barbearias, um espaço para eles, têm toda a liberdade de o fazer e não há mal nenhum, quantos ginásio é que há por Lisboa onde só podem ir mulheres (p. ex. aqui, espero que os homens não invadem esses ginásios, é que dão muito jeito para nós pormos a conversa em dia sem eles), são conceitos que fazem parte das marcas, são jogadas de marketing, são formas de estar no mercado com originalidade, é a liberdade!
Ainda hoje li sobre a lei da paridade na Assembleia da Republica e pensei que pena que as mulheres para serem reconhecidas têm que ser obrigadas a ter representação, não será que o nosso valor profissional superior a um decreto de lei?
Depois, confesso que não resisti, dei um salto ao blog das ativistas, que invadiram o Figaros barbershop,  para além do mau gosto, do erro ideológico percebi que aquelas meninas precisavam era de arrumar a casa e fazer o buço. Quanto ao resto penso que o Figaros agradece a publicidade!
 
Qual é a mulher que não se derrete com a desigualdade no trato, representada tão bem nesta cena do Orgulho e Preconceito:
 
 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

true.

“Vista-se mal e notarão o vestido. Vista-se bem e notarão a mulher.”
Coco Chanel

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Quando bater em mulheres é giro

 
Se há coisa que eu não tenho pachorra (desculpem o termo, mas o tema exige) é para a má literatura. (pergunto-me como é que alguém pode perder o seu pouco tempo a ler um mau livro?). Mas o que me tira do sério é quando a má literatura é uma aliada do mau cinema!
Perante os grandes, perante os clássicos, perante os incríveis romances, não tenho paciência nenhuma para aqueles livros comerciais, os livros da moda em que as páginas cheias de letras significam frases cheias de nada.
No entanto, é pior quando esses livros comerciais refletem uma sociedade brega, ordinária e baixa.
Assim acontece com "As 50 sombras de Grey", e mais do que má literatura é nefasto, encobre a pornografia com tom chique de um perfume de marca (mas todas nós sabemos que o cheiro a excremento é mais forte que qualquer perfume) e assim parece que não fica tão mal ler, e eu dou por mim rodeada de mulheres fúteis, vazias que mais parecem galinhas a comentarem as sombras do tal Grey sem perceberem que não só estão a passar um atestado de burrice a si próprias, como estão a pisar na sua dignidade feminina.
E de repente parece que é giro bater em mulheres.
Não tenho pachorra nenhuma (desculpem novamente o tom) para uma sociedade que promove a toda a hora e a todos os minutos campanhas contra a violência doméstica e depois, não só vulgariza, como estimula a violência sexual.
Querem acabar com as terríveis estatísticas da violência doméstica em Portugal? Fica aqui o meu conselho: tenham cuidado com a engenheiria social da literatura da moda e sejam mulheres fortes, que se deem ao respeito.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Sobre o Syriza #2

Como é que nenhuma feminista reparou nisto? Como é que nenhuma feminista falou sobre isto?
(Ana Gomes andas a falhar)
Deve ser porque eles são de esquerda.
 


Onde estão as mulheres no Governo do Syriza?