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sábado, 29 de julho de 2017

A açorianidade saboreia-se | Por Patrícia Foodwithameaning

Encontrei-me com esta receita, duvido que tenha sido por acaso:

A açorianidade saboreia-se

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É raro o domingo que eu não dê um saltinho à Feira do Gado na Vinha Brava, da qual já falei aqui anteriormente. De facto, esta rotina dominical tem contribuído para que abasteçamos a casa semanalmente de legumes e frutas frescas, regionais e biológicas. Naquele espaço reside a alma e o trabalho árduo de muita gente, a génese da ilha e uma fração da açorianidade, que eu faço questão de enaltecer sempre que posso.
Seguindo esta linha de pensamento, de que os produtos locais e estivais são os mais saudáveis e saborosos, decidi aceitar o convite da empresa EMATER para dinamizar, nos quatro supermercados Guarita e no mês de junho, oito showcookings totalmente dedicados aos produtos regionais. Nesta receita está a prova de que nem tudo o que é tradicional tem de ser calórico e açucarado. Esta é uma receita vegetariana saudável e repleta de sabor.


Legumes assados com azeitonas do Porto Martins, Tomilho e Rosmaninho
Ingredientes
  • cenoura
  • alho-francês
  • curgetes pequenas
  • cebola roxa
  • pimento amarelo
  • pimento encarnado
  • azeitonas em salmoura do Porto Martins
  • Tomilho e rosmaninho fresco
  • sal
  • moinho de pimentas
  • azeite
Preparação
Lavar e picar os legumes a gosto, temperar com sal, moinho de pimentas, azeite, ramos de tomilho e de rosmaninho, juntar as azeitonas e levar ao forno a assar.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Açorianidade

A "Açorianidade" é mais do que um conceito social, mas também é mais do que o sentimento, somente Nemésio para conseguir descrever aquilo que é básicos em nós açorianos:

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«Não sei se chego a tempo com a minha colaboração para a Insula no V centenário do descobrimento dos Açores. É uma colaboração estritamente sentimental, uma espécie de minuto de recolhimento em meia dúzia de linhas.

Entendo que uma comemoração deste vulto deve ser, mesmo quanto a palavras, rigorosamente monumental, feita de estudos e reflexões que ajudem a consciência açoriana a tomar conta de si mesma e contribuam para que os Açores, como corpo autónomo de terras portuguesas (um autêntico viveiro de lusitanidade quatrocen­tista), entrem numa fase de actividade renovada, de re­construção, de esforço humano e cívico. E neste mo­mento, é-me impossível dar a mínima contribuição nesse sentido.

Quisera poder enfeixar nesta página emotiva o essencial da minha consciência de ilhéu. Em primeiro lugar o apego à terra, este amor elementar que não conhece razões, mas impulsos; – e logo o sentimento de uma he­rança étnica que se relaciona intimamente com a grandeza do mar.

Um espírito nada tradicionalista, mas humaníssimo nas suas contradições com um temperamento e uma forma literária cépticos, – o basco espanhol Baroja, – escre­veu um livro chamado Juventud, Egolatria: «O ter nascido junto do mar agrada-me, parece-me como um augúrio de liberdade e de câmbio». Escreveu a verdade. E muito mais quando se nasce mais do que junto ao mar, no próprio seio e infinitude do mar, como as medusas e os peixes. Era este orgulho feito de singularidade e solidão que levava Antero a chamar aos portugueses da metrópole os seus «quási patrícios».

Uma espécie de embriaguez do isolamento impregna a alma e os actos de todo o ilhéu, estrutura-lhe o espírito e procura uma fórmula quase religiosa de convívio com quem não teve a fortuna de nascer, como o logos, na água. Daqui partiria o fio das reflexões que me agradaria desenvolver.

Meio milénio de existência sobre tufos vulcânicos, por baixo de nuvens que são asas e de bicharocos que são nuvens, é já uma carga respeitável de tempo, – e o tempo é espírito em fiéri. Mais outro tanto, e apenas trocaremos metade da memorialidade de Vergílio.

Somos portanto, gente nova. Mas a vida açoriana não data espiritualmente da colonização das ilhas: antes se projecta num passado telúrico que os geólogos redu­zirão a tempo, se quiserem... Como homens, estamos sol­dados historicamente ao povo de onde viemos e enraizados pelo habitat a uns montes de lava que soltam da própria entranha uma substância que nos penetra. A geografia, para nós, vale outro tanto como a história, e não é debalde que as nossas recordações escritas inserem uns cinquenta por cento de relatos de sismos e enchentes. Como as se­reias temos uma dupla natureza: somos de carne e pedra. Os nossos ossos mergulham no mar.

Mas este simbolismo está muito longe de aludir com clareza aos segredos do ser açoriano, e mais parece um entretenimento literário do que um sério propósito de pôr o problema da nossa alma. Um dia, se me puder fechar nas minhas quatro paredes da Terceira, sem obrigações para com o mundo e com a vida civil já cumprida, tentarei um ensaio sobre a minha açorianidade subjacente que o desterro afina e exacerba. Antes desse dia de libertação íntima mal poderei fazer-me entender dos outros. Um aceno de ternura, um vago protesto de solidariedade insu­lar a distância é o muito que estas linhas podem significar."»


Vitorino Nemésio, 
Coimbra (Cruz de Celas), 19 de Julho de 1932

quarta-feira, 12 de julho de 2017

HEart na comunicação social | Diário Insular #19

Ultimamente tenho sido abordada na rua - vantagens de viver num meio pequeno - para escrever sobre a nossa insularidade, contaram-me algumas histórias com graça (muitas delas estão aqui), são tantas as coisas para escrever e aprofundar, mas em jeito de "resumo" decidi fazer uma espécie de "lista" no artigo desta semana:  para quem é de fora pode parecer estranho, mas para quem é da ilha é normal. (uma coisa é certa: pelo estranho ser tão normal, faz de mim mais terceirense.)







É normal e é na Terceira
Margarida B. Martins Machado – Crónicas da rapariga do sótão


-Meter uma corda a um touro e correr à frente dele.
-A colega no trabalho dizer que não dormiu na última noite porque as vacas do vizinho entraram pela casa a dentro e comeram a horta do marido.
-Estar no avião que demora mais de 30 minutos para aterrar porque há um animal à solta a correr na pista do aeroporto (quais drones…).
-Ir correr para o Monte Brasil, sair de lá com uma Massa Sovada - porque havia festa na ermida do Santo António - e, mesmo com o pão nas mãos, continuar a correr.
-Contar o tempo com a seguinte expressão: “antes ou depois do sismo?”.
-Ficar ofendido quando no 5º touro não entraram lá em casa.
-Encher a rua principal e mais movimentada da cidade com cadeiras, como se não houvesse mais vida para além do desfile e das marchas de São João.
-Chegar atrasada ao trabalho porque é obrigatório cumprimentar todas as pessoas conhecidas que estão na rua.
-Pensar que o tempo da reforma será gasto num banco no Alto das Covas.
-Os pastores são homens rijos, não tomam conta de ovelhas, agarram é a corda ao touro.
-Beber café todos os dias no mesmo café e, passados uns meses, ser convidada para a função da coroação do empregado do balcão.
-Achar que só se vai ali num instantinho beber um copo depois do trabalho e chegar a casa depois da meia noite.
-Estar alerta vermelho com a possibilidade de passar um furacão e, ainda assim, decidir fazer um churrasco porque o tempo está “abafado”.
-Reencontrar a amiga, que há mais de 10 anos migrou para o continente, falar com ela como se a tivesse visto ontem.
-Chegar ao carro e ter o parquímetro pago por um desconhecido, metido no para-brisas.
-Dar nomes às vacas e falar-lhes como fossem cães: “senta Mimosa!”.
-Convencer-se que roubar a americanos não é pecado.
-Quando ouve um barulho de uma ambulância ligar a todos os filhos/netos para perceber se não foi com eles.
-Falar mal de alguém ao parente desse alguém.
-Atravessar fora da passadeira na rua da Sé, mesmo com as centenas de passadeiras que a rua da Sé tem.
-Achar que é primo de toda a gente.
-Tratar os políticos importantes com as alcunhas do tempo do liceu.
-Ir dar um recado à vizinha e sair de lá passadas três horas com as novidades de toda a rua.
-Dar mais importância às rivalidades das ganadarias do que às dos partidos políticos ou do futebol.
-Jogar golfe, porque aqui é um desporto de massas e não de elites.
-Fechar uma rua para um casamento.
-Não haver nenhum dia de verão sem festas.
-Ter que tirar férias depois das festas.
-Cumprimentar e falar com os turistas, tentar explicar as nossas tradições, mesmo quando não se sabe falar inglês (atenção falar mais alto não significa que te compreendem melhor).
-Passar os dias de carnaval sentados numa sociedade, apanhar constipações, mas nunca se levantar da cadeira, nem mesmo quando se está aflito para ir à casa de banho.
-Mandar foguetes para o ar em sinal de aviso que há touro na rua.

Por vezes dou por mim a pensar na nossa incomum normalidade e é por isso que sou apaixonada pela Terceira.
http://no-teu- coracao.blogspot.pt/

margaridabenedita@gmail.com


terça-feira, 27 de junho de 2017

HEart na comunicação social | Diário Insular #18


Margarida B. Martins Machado – Crónicas da rapariga do sótão

Não muito longe na História, em 2015, a nossa mui nobre, leal e sempre constante cidade foi invadida por famosas placas toponímicas (famosas, não pelas melhores razões, mas pela polémica linguística).

Este artigo não pretende renascer a controvérsia, nem muito menos comentar o facto de o senhor presidente. Álamo de Meneses, na altura, ter respondido à Agência Lusa que um dos problemas era estarmos habituados ao inglês americano ou que “o gosto de cada um não pode ser aferido por estas coisas". Contudo “Straight Street is not a matter of taste!” Não querendo encontrar culpados. Foi um erro e por muitas coisas boas que a Câmara de Angra faça, que o faz, também está passível de errar pois, afinal de contas, “all men make mistakes!”

Contudo, esta semana, estava a descer a rua da Sé, que sem dúvida alguma está lindíssima, (arrisco a dizer que Angra é a cidade mais bonita do mundo!), vejo em cada poste de iluminação uma bandeira a anunciar o nosso orgulho: somos a primeira cidade portuguesa a ser Património Mundial! Dei por mim a ler a tradução das dezenas (posso arriscar centenas?) de bandeiras a anunciar o nosso Wolrd Heritage – sim wolrd e não world! A pergunta que mais me interpela é a seguinte: como foi possível imprimirem, em série, esta expressão, colocarem-na num poste e ninguém ter reparado no erro?

Eu sei que errar é humano – aqui entre nós, também nunca fui boa aluna a inglês - “But you have to make an effort” - por isso se algum dia me pedirem para traduzir alguma coisa (por favor nunca o peçam!) terei que reconhecer as minhas limitações e de imediato recusar tal trabalho.

Ainda me lembro que, uma semana depois da comunicação social divulgar o caso das placas mal traduzidas na rua desta cidade, a British School apresentar a melhor aluna, não só dos Açores, mas do mundo inteiro: a terceirense Mariana Coelho. Foi também no início do mês de Agosto de 2015, que este mesmo jornal, noticiou o facto de os alunos açorianos terem sido os que mais se destacaram na língua inglesa nos exames internacionais. Nós também temos a Teresa Silva Ribeiro, para quem não sabe, uma famosa angrense – nascida e vivida – mas figura nacional na área da tradução (é graças à Teresa que há legendas nos épicos: “O Senhor dos Anéis”, “Braveheart”, “Os Miseráveis”…entre muitos outros e, claro, “Guerra e Paz” da BBC). Como é possível esta incongruência? Então nós temos gente muito, mas muito boa a inglês e apresentamos esta disgrace? Why?

Sim, nos terceirenses possuímos o potencial para “speak english, as it should be”, mas mais uma vez estão desaproveitados. Não só nas instituições públicas, mas de uma maneira geral, nas empresas, organizações, escolas…existe uma dificuldade em investir no que é bom e no que é nosso. Fomos nós que criámos a máxima: “It is good, because it is american”. Quantas vezes foi preciso ir para fora para perceber que afinal aquele açoriano tem jeito com os cavalos, percebe de música, cozinha e escreve muito bem? Não investir no potencial dos nossos jovens tem sido um preconceito perigosíssimo no desenvolvimento regional. Por um lado, incentivamos a emigração de mão de obra qualificadíssima, em contrapartida baixamos o nível de exigência dos que ficam e, não obstante, enchemos a cidade de “bad writings”.

Esta disposição conservadora traduz-se em vícios e trabalhos mal feitos e, isso sim é o “top of the holes”. É urgente promover quem merece ser promovido, quem é realmente bom. Por fim, gosto muito, mesmo muito da minha cidade, ao ponto de não aceitar que nenhum turista britânico se ria dela. “It is not fair”!
http://no-teu- coracao.blogspot.pt/
margaridabenedita@gmail.com




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(Diário Insular | 27 de Junho de 2017)

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Sanjoaninas 2017

As sanjoaninas são (as minhas) festas especiais. Enquanto não escrevo o meu aqui fica o artigo do meu companheiro das touradas, Miguel de Sousa Azevedo, do famoso Blogue Porto das Pipas:





Dias de Festa

Angra do Heroísmo fervilha por estes dias. Ano após ano é assim, e até o tempo tem ajudado aos contrastes, com manhãs sombrias e tardes de verão puro, daquelas em que rogamos pragas ao facto de estarmos a trabalhar...

O São João é já bem mais que uma espécie de padroeiro da nossa cidade património mundial - a única nos Açores e a primeira de Portugal, só para relembrar alguns... -, é uma instituição. Se os folguedos demonstram bem o espírito do nosso povo, nunca é demais frisar que as Sanjoaninas marcam o calendário a vários níveis: Político, económico e social. E de forma cada vez mais vincada.
Na Política, e especialmente em ano de Autárquicas como o presente, porque são o período latente para limpar armas e começar a esgrimir argumentos. Isto para os que se lançam na busca da eleição. Para o poder instalado, há que lançar também...mas alguns concursos - quase todos - e autorizações, e programas, de forma a parecer que quase tudo foi feito a tempo e horas. Também em tempo de festas, o povo leva passes e escorrega...

Na Economia, porque é inegável o impacto que as festas têm. Vem gente de fora, vem gente de perto, e sai de casa gente aqui do lado, que no restante ano nem sequer costumamos ver. As tascas e tasquinhas surgem em cada canto, os hotéis enchem, a cerveja corre pela cidade voraz como um tsunami.

Na vertente social nem é preciso explicar. Há uma disposição diferente nas pessoas durante estes dez dias - que este ano até são onze... -. É fácil sorrir, é fácil esquecer os impostos e as agruras da vida terrena. É fácil despejar a carteira e chegar a casa sem sentir remorsos. Até é fácil aceitar que uns espertalhões tenham acorrentado cadeiras no passeio para verem as festas. Tudo se facilita em tempos de São João, na cidade património mundial dos Açores. São tempos que se escondem das crises, arreganhando os dentes numa descarada satisfação.

Valha-nos este santo. Que ele nunca nos falte. Porque é tão bom conviver com ele.
Boas festas, Angra. Afinal e sempre a cidade dos nossos encantos.



domingo, 5 de fevereiro de 2017

Por mais escura que seja a noite…amanhã é outro dia

Uma história de esperança


Fundação Calouste Gulbenkian conta história de jovem açoriano em livro
"A história de Josselino “é simples”, refere Rui Drumond, do Centro de inclusão juvenil da Cáritas da ilha Terceira, pois é a história “infelizmente de tantos jovens a que a escola não soube ser a resposta e as dificuldades familiares e pessoais arrastou para o mundo do trabalho sem qualificações”.
“Esta é de facto uma história bonita porque acaba bem e o Josselino conseguiu depois de muitas dificuldades agarrar esta oportunidade com um percurso ascendente”, refere o responsável da Cáritas."

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Aviso vermelho


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Hoje, quando cheguei a casa, trazia a notícia que está próximo da ilha uma tempestade, de facto já se sente o vento, estamos de alerta vermelho, a polícia marítima pediu para não nós aproximarmos da costa, mas a Terceira é uma ilha relativamente redonda, estar no centro da cidade, no meu trabalho, é estar ao pé do mar.
Comentava isto com a minha mãe, pois tinha sido tema no trabalho, talvez para desanuviar as conversas gastas sobre o Trump, eis quando a minha mãe me manda estender 2/3 peças de roupa, "podes por lá fora na varanda?"
Eu voltei a repetir: "esta noite vai estar uma tempestade em alerta vermelho", e a mãe responde: "então encosta as calças à parede..." Que indiferença, não sei se é o habito, se isto faz parte do nosso ser ilhéu ou se já temos tanto convívio com ciclones, tempestades e tremores de terra que não deixamos de fazer a vida normal.... gostei! Digo que até vou gostar mais de ter a roupa - seca não - mas arejada, para amanhã!

Algumas fotos dos meus lugares especiais, o mau tempo na minha ilha pelo António Araújo:
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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Porque somos todos Emigrantes

Os Emigrantes, Domingos Rebelo
 
Com os refugiados estamos a ganhar uma visão sobre a imigração, infelizmente muitos caíram no erro da arrogância e, ouso em dizer, da estupidez, do discurso racista. Afinal de contas nós também somos um povo de emigrantes. Sempre cresci com a máxima, há mais açorianos na América do que nos Açores, isso ajudou-me a ser uma pessoa aberta: muito patriota e pouco nacionalista.
Os Açorianos são um povo de aventureiros e por vezes as ilhas tornaram-se pequenas, a ida para os EUA era não só uma fuga para a aventura como uma tentativa de melhorar a vida das suas famílias.
Hoje li a histórias de Evaristo Gaspar e de Vítor Caetano e não consegui deixar de ver algumas histórias contemporâneas de quem foge do seu país e de quem é bem recebido.

#OrgulhoDeSerAçoriana #OrgulhoDeSerUmPovoDeEmigrantes
 
 
 
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Açoriano Oriental,


Dois açorianos construíram há 65 anos um barco para emigrar para os Estados Unidos da América (EUA), conseguindo obter a cidadania deste país com a ajuda de John F. Kennedy, que viria a tornar-se presidente.
"John F. Kennedy tinha-se empenhado na construção da igreja portuguesa de Cambridge e promoveu uma grande festa para assinalar o aniversário da instituição, num dos maiores hotéis de Boston, onde também estive presente e lhe fui apresentado", disse à agência Lusa Vítor Manuel Caetano (na foto), de 91 anos, o único sobrevivente desta aventura.
Evaristo Gaspar, já falecido, e Vítor Caetano, partiram de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, a 28 de junho de 1951 e chegaram a 23 de agosto aos Estados Unidos, onde foram recebidos como heróis, depois de terem sido dados como mortos.
Os dois foram recolhidos ao largo das ilhas Bermudas por um navio, quando a sua embarcação se encontrava à deriva e estavam sem alimentos há cerca de uma semana.
Vítor Caetano, que tinha 26 anos, afirmou que quando se encontrou com John F. Kennedy este encontrava-se de muletas na sequência de uma cirurgia à coluna, da qual "muito se queixava".
Segundo o açoriano, John F. Kennedy, à data congressista pelo estado de Massachusetts, ficou fascinado com a sua aventura marítima e assegurou-lhe que iria empenhar-se na sua legalização para ficarem no país.
"Ele ficou admirado com a nossa história. Ele próprio contou-me como ficou ferido durante a II Guerra Mundial, num barco de patrulha. Todos os anos, graças a JFK, eu renovava os meus documentos e, quando faltavam sete dias para os cinco anos (período necessário para obter a cidadania), tornei-me cidadão americano", declarou Vítor Caetano, recordando que o congressista "mandava sempre cumprimentos" por via de um português que trabalhava numa das residências do clã Kennedy na Nova Inglaterra.
Quando o político de origem irlandesa chegou à presidência dos EUA, Vítor Caetano enviou-lhe uma carta a dar os parabéns "por ser presidente de um grande país como a América", tendo este retribuído com um agradecimento.
John F. Kennedy, cuja relação com a comunidade de emigrantes açorianos na costa leste dos Estados Unidos é conhecida, foi um dos responsáveis pelo 'Azorean Refugee Act', em 1958, a par de outro senador, John Pastore.
Esta foi uma legislação aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos que permitiu às vítimas do vulcão dos Capelinhos, ocorrido na ilha do Faial em 1957, emigrarem para os Estados Unidos.
Vítor Caetano teve de abdicar do seu barco quando foi recolhido pelo navio, mas não antes de retirar de bordo a bandeira portuguesa, uma imagem da Virgem de Fátima e outra de São José, nome com que foi batizada a embarcação.
Mais tarde construiu uma réplica em miniatura, que ostenta "com orgulho" na sua residência.
A aventura dos dois açorianos inspirou uma obra de ficção do escritor Manuel Ferreira, denominada "O barco e o sonho", que foi adaptada para televisão
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Podem ver o filme: "O Barco e o sonho" AQUI

sábado, 30 de julho de 2016

My home

[É tão bom ler o Sebastião Bugalho, mas desta vez foi bem melhor!!!!]
Uma ode à minha terra | Crónica de viagem: Açores | Jornal i
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ilha das Flores
 
Tive a sorte de a minha viagem para os Açores ser tão curiosa quanto a minha viagem nos Açores.
Entre as ilhas, descolei e aterrei no cockpit. Um dos copilotos viu-me murmurar uma prece antes de levantarmos voo e perguntou-me:
- Não sabes que a probabilidade de teres um acidente de carro é muito maior que a de teres um acidente aqui? 
- Ah, mas eu também rezo antes de viajar de carro -, respondi. 
O comandante, um tipo baixinho e bem--disposto, riu-se e contou-me que também era católico, que se tinha convertido tarde. 
- Acreditas que só tive a certeza quando olhei para a terra daqui de cima? Tinha de haver qualquer coisa maior para fazer isto tão bonito. 
Achei que o padre Jacques Hamel, assassinado esta semana em França enquanto celebrava a missa, teria gostado de ouvir isto. Por mais que se tente laicizar o Ocidente, ocultando a culpa islâmica e o luto cristão, ainda há dois gajos que se podem cruzar a 15 mil pés de altitude e, por acaso, conversar sobre a fé. 
Um miúdo que também vinha no cockpit perguntou se as nuvens existiam por Deus fumar muito, e lá nos rimos todos. 
Eu perguntei ao comandante se conhecia a ode do William Butler Yeats aos aviadores irlandeses. “I know that I shall meet my fate/ Somewhere among the clouds above;/ Those that I fight I do not hate/ Those that I guard I do not love”. 
Coincidentemente, a minha fé também tinha uma causa voadora. 
Lembrei-me do meu avô, que era piloto e gostava do Yeats. Que me converti depois de ele voar lá acima uma última vez. 
Depois cheguei aos Açores e toda a gente que me avisou tinha razão. É lindo. 
Uma velhinha da minha aldeia costuma dizer que não se escolhe país nem família; só amigos e destinos. 
Os Açores dão-nos um sentimento misto em que mudamos de mundo dentro do nosso próprio país. Têm as montanhas em neblina da Escócia, o pôr-do- -sol à beira-mar de Veneza e as fajãs que fazem lembrar Bali. São realmente únicos. Cada ilha, cada praia, cada miradouro. Não admira que Júlio Verne tenha escolhido o arquipélago como entrada para a sua “Viagem ao Centro da Terra”. Não admiraria até que alguém se lembrasse de proclamar que, afinal, a Atlântida não se perdeu e que os portugueses sempre a tiveram sua.
Se o meu caro leitor gostar de desafios, suba o Pico, o ponto mais alto de Portugal. Não é uma montanha que se vença, mas é uma aventura possível de não se sair vencido. Nós demorámos nove horas a completar o percurso e, eventualmente, só chegámos ao nascer do sol por estar demasiado escuro para vermos quanto faltava. Faziam cinco graus ao amanhecer.
Mais importante: se o meu caro leitor vier aos Açores, traga a namorada ou a máquina fotográfica. Sem uma delas, sentir-se-á perdido e um bocadinho parvo. 
É necessário - até aconselhável - entrar em processo de descompressão. Ao jantar, o pão e a manteiga não chegam logo que nos sentamos, mas temos uma vista que nos entretém como em nenhum outro sítio. 
O jornal só chega depois de almoço e eu, depois de almoço, não leio. Na verdade, não lia tão poucas notícias desde que estava a caminho daquela aldeia com alguém que me faz conduzir só com uma mão por estar com a outra na dela. 
Aqui não se trancam portões na rua e podemos beber vinho à beira da piscina municipal até de manhã. Aqui há restaurantes sem password na internet porque “isso não se rouba”. Aqui, os taxistas são uns porreiros. Aqui pagam-se 15 euros por uma refeição cheia de marisco e cerveja. Do queijo às sopas, é tudo bom. 
Sobretudo, aqui não é só um paraíso na terra. É o paraíso da nossa terra. 
À Catarina e à Inês

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Sexta-feira nas ilhas

é um bom dia para ouvir o barulho do mar:
 


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put this on
 
 
 

terça-feira, 14 de junho de 2016

amizade.

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"Entre muitas outras coisas, tu eras para mim uma janela através da qual podia ver as ruas. Sozinho não o podia fazer."
 Kafka, Carta a Pollak
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Janelas dos meus Açores
 
Windows of the World - Ponta Delgada, Portugal
By André Vicente Gonçalves AQUI

segunda-feira, 23 de maio de 2016

não, não são vacas que voam, são mesmo vacas felizes:

 
 
 
Temos um leite [manteiga, queijo, natas, iogurtes] com uma qualidade incrível, feito por nós, produzido nas nossas terras. Sim, temos de ser mais patriotas, defensores do nosso mercado, comprar o que é nosso é também fazer cidadania (peço desculpa à escola liberal!).
Um copo de leite significa árduo trabalho, acordar às 6h da manhã para ordenhar as vacas, enfrentar o frio, significa pastagens bem trabalhadas, mãos inchadas, são famílias inteiras.
Enfrentamos uma crise, mas não há cotas que nos pare, porque temos qualidade!
E no fim de um dia de trabalho, ninguém me tira o prazer, de comer o tal queijinho (AQUI) acompanhado com uma cervejinha.
 
#SóComproLeiteAçoriano

quinta-feira, 12 de maio de 2016

quinta-feira, 5 de maio de 2016

HEart na comunicação social | Diário Insular #13

Depois de ter visto este filme:
  
Fui inspirada pela coragem destes nossos homens. Fiquei tão orgulhosa dos nossos baleiros. Não queria que esse orgulho fosse em vão, queria de alguma forma provocar mais amor às ilhas. Aqui fica uma pequenina homenagem aos homens do mar:
(Diário Insular | 5 de Maio de 2016)
 
 
 
 
 
 (para ler melhor clique na imagem)





quinta-feira, 21 de abril de 2016

Existe e é na minha terra

Na ilha Terceira - Algar do carvão
Nós somos portadores de grande belezas, temos tesouros, muitas vezes nem sabemos que os possuímos.
São nossos por natureza, são nossos desde sempre, são tão nossos que nem percebemos que são assim tão especiais, tão diferentes, tão bonitos. Isto define um açoriano. Por outras palavras. É na terra não á lua.
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 19 de abril de 2016

Mais um dia normal nas ilhas.

Já todos sabem, é assumidíssimo q' eu tenho medo de andar de avião... Sim sou dos Açores e não gosto da máquina, ela é inevitável na minha vida, contudo não significa que tenha mais carinho por ela, pior era se um russo não gostasse da neve.

Não queria lá estar, mas  esta viagem deve ter sido inesquecível:
 
 

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

HEart na comunicação social | Diário Insular #7

O meu primeiro artigo de 2016 fala sobre este desejo, um país melhor e políticos conscientes da importância do trabalho.
Com a prespectiva da elite politica açoriana, que nesta área tem mostrado um enorme empenho.
(Diário Insular | 12 de Janeiro de 2016)

 
(para ler melhor clique na imagem)
 
 
Aqui está a minha inspiração do texto: