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sábado, 29 de julho de 2017

A açorianidade saboreia-se | Por Patrícia Foodwithameaning

Encontrei-me com esta receita, duvido que tenha sido por acaso:

A açorianidade saboreia-se

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É raro o domingo que eu não dê um saltinho à Feira do Gado na Vinha Brava, da qual já falei aqui anteriormente. De facto, esta rotina dominical tem contribuído para que abasteçamos a casa semanalmente de legumes e frutas frescas, regionais e biológicas. Naquele espaço reside a alma e o trabalho árduo de muita gente, a génese da ilha e uma fração da açorianidade, que eu faço questão de enaltecer sempre que posso.
Seguindo esta linha de pensamento, de que os produtos locais e estivais são os mais saudáveis e saborosos, decidi aceitar o convite da empresa EMATER para dinamizar, nos quatro supermercados Guarita e no mês de junho, oito showcookings totalmente dedicados aos produtos regionais. Nesta receita está a prova de que nem tudo o que é tradicional tem de ser calórico e açucarado. Esta é uma receita vegetariana saudável e repleta de sabor.


Legumes assados com azeitonas do Porto Martins, Tomilho e Rosmaninho
Ingredientes
  • cenoura
  • alho-francês
  • curgetes pequenas
  • cebola roxa
  • pimento amarelo
  • pimento encarnado
  • azeitonas em salmoura do Porto Martins
  • Tomilho e rosmaninho fresco
  • sal
  • moinho de pimentas
  • azeite
Preparação
Lavar e picar os legumes a gosto, temperar com sal, moinho de pimentas, azeite, ramos de tomilho e de rosmaninho, juntar as azeitonas e levar ao forno a assar.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Açorianidade

A "Açorianidade" é mais do que um conceito social, mas também é mais do que o sentimento, somente Nemésio para conseguir descrever aquilo que é básicos em nós açorianos:

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«Não sei se chego a tempo com a minha colaboração para a Insula no V centenário do descobrimento dos Açores. É uma colaboração estritamente sentimental, uma espécie de minuto de recolhimento em meia dúzia de linhas.

Entendo que uma comemoração deste vulto deve ser, mesmo quanto a palavras, rigorosamente monumental, feita de estudos e reflexões que ajudem a consciência açoriana a tomar conta de si mesma e contribuam para que os Açores, como corpo autónomo de terras portuguesas (um autêntico viveiro de lusitanidade quatrocen­tista), entrem numa fase de actividade renovada, de re­construção, de esforço humano e cívico. E neste mo­mento, é-me impossível dar a mínima contribuição nesse sentido.

Quisera poder enfeixar nesta página emotiva o essencial da minha consciência de ilhéu. Em primeiro lugar o apego à terra, este amor elementar que não conhece razões, mas impulsos; – e logo o sentimento de uma he­rança étnica que se relaciona intimamente com a grandeza do mar.

Um espírito nada tradicionalista, mas humaníssimo nas suas contradições com um temperamento e uma forma literária cépticos, – o basco espanhol Baroja, – escre­veu um livro chamado Juventud, Egolatria: «O ter nascido junto do mar agrada-me, parece-me como um augúrio de liberdade e de câmbio». Escreveu a verdade. E muito mais quando se nasce mais do que junto ao mar, no próprio seio e infinitude do mar, como as medusas e os peixes. Era este orgulho feito de singularidade e solidão que levava Antero a chamar aos portugueses da metrópole os seus «quási patrícios».

Uma espécie de embriaguez do isolamento impregna a alma e os actos de todo o ilhéu, estrutura-lhe o espírito e procura uma fórmula quase religiosa de convívio com quem não teve a fortuna de nascer, como o logos, na água. Daqui partiria o fio das reflexões que me agradaria desenvolver.

Meio milénio de existência sobre tufos vulcânicos, por baixo de nuvens que são asas e de bicharocos que são nuvens, é já uma carga respeitável de tempo, – e o tempo é espírito em fiéri. Mais outro tanto, e apenas trocaremos metade da memorialidade de Vergílio.

Somos portanto, gente nova. Mas a vida açoriana não data espiritualmente da colonização das ilhas: antes se projecta num passado telúrico que os geólogos redu­zirão a tempo, se quiserem... Como homens, estamos sol­dados historicamente ao povo de onde viemos e enraizados pelo habitat a uns montes de lava que soltam da própria entranha uma substância que nos penetra. A geografia, para nós, vale outro tanto como a história, e não é debalde que as nossas recordações escritas inserem uns cinquenta por cento de relatos de sismos e enchentes. Como as se­reias temos uma dupla natureza: somos de carne e pedra. Os nossos ossos mergulham no mar.

Mas este simbolismo está muito longe de aludir com clareza aos segredos do ser açoriano, e mais parece um entretenimento literário do que um sério propósito de pôr o problema da nossa alma. Um dia, se me puder fechar nas minhas quatro paredes da Terceira, sem obrigações para com o mundo e com a vida civil já cumprida, tentarei um ensaio sobre a minha açorianidade subjacente que o desterro afina e exacerba. Antes desse dia de libertação íntima mal poderei fazer-me entender dos outros. Um aceno de ternura, um vago protesto de solidariedade insu­lar a distância é o muito que estas linhas podem significar."»


Vitorino Nemésio, 
Coimbra (Cruz de Celas), 19 de Julho de 1932

quarta-feira, 12 de julho de 2017

HEart na comunicação social | Diário Insular #19

Ultimamente tenho sido abordada na rua - vantagens de viver num meio pequeno - para escrever sobre a nossa insularidade, contaram-me algumas histórias com graça (muitas delas estão aqui), são tantas as coisas para escrever e aprofundar, mas em jeito de "resumo" decidi fazer uma espécie de "lista" no artigo desta semana:  para quem é de fora pode parecer estranho, mas para quem é da ilha é normal. (uma coisa é certa: pelo estranho ser tão normal, faz de mim mais terceirense.)







É normal e é na Terceira
Margarida B. Martins Machado – Crónicas da rapariga do sótão


-Meter uma corda a um touro e correr à frente dele.
-A colega no trabalho dizer que não dormiu na última noite porque as vacas do vizinho entraram pela casa a dentro e comeram a horta do marido.
-Estar no avião que demora mais de 30 minutos para aterrar porque há um animal à solta a correr na pista do aeroporto (quais drones…).
-Ir correr para o Monte Brasil, sair de lá com uma Massa Sovada - porque havia festa na ermida do Santo António - e, mesmo com o pão nas mãos, continuar a correr.
-Contar o tempo com a seguinte expressão: “antes ou depois do sismo?”.
-Ficar ofendido quando no 5º touro não entraram lá em casa.
-Encher a rua principal e mais movimentada da cidade com cadeiras, como se não houvesse mais vida para além do desfile e das marchas de São João.
-Chegar atrasada ao trabalho porque é obrigatório cumprimentar todas as pessoas conhecidas que estão na rua.
-Pensar que o tempo da reforma será gasto num banco no Alto das Covas.
-Os pastores são homens rijos, não tomam conta de ovelhas, agarram é a corda ao touro.
-Beber café todos os dias no mesmo café e, passados uns meses, ser convidada para a função da coroação do empregado do balcão.
-Achar que só se vai ali num instantinho beber um copo depois do trabalho e chegar a casa depois da meia noite.
-Estar alerta vermelho com a possibilidade de passar um furacão e, ainda assim, decidir fazer um churrasco porque o tempo está “abafado”.
-Reencontrar a amiga, que há mais de 10 anos migrou para o continente, falar com ela como se a tivesse visto ontem.
-Chegar ao carro e ter o parquímetro pago por um desconhecido, metido no para-brisas.
-Dar nomes às vacas e falar-lhes como fossem cães: “senta Mimosa!”.
-Convencer-se que roubar a americanos não é pecado.
-Quando ouve um barulho de uma ambulância ligar a todos os filhos/netos para perceber se não foi com eles.
-Falar mal de alguém ao parente desse alguém.
-Atravessar fora da passadeira na rua da Sé, mesmo com as centenas de passadeiras que a rua da Sé tem.
-Achar que é primo de toda a gente.
-Tratar os políticos importantes com as alcunhas do tempo do liceu.
-Ir dar um recado à vizinha e sair de lá passadas três horas com as novidades de toda a rua.
-Dar mais importância às rivalidades das ganadarias do que às dos partidos políticos ou do futebol.
-Jogar golfe, porque aqui é um desporto de massas e não de elites.
-Fechar uma rua para um casamento.
-Não haver nenhum dia de verão sem festas.
-Ter que tirar férias depois das festas.
-Cumprimentar e falar com os turistas, tentar explicar as nossas tradições, mesmo quando não se sabe falar inglês (atenção falar mais alto não significa que te compreendem melhor).
-Passar os dias de carnaval sentados numa sociedade, apanhar constipações, mas nunca se levantar da cadeira, nem mesmo quando se está aflito para ir à casa de banho.
-Mandar foguetes para o ar em sinal de aviso que há touro na rua.

Por vezes dou por mim a pensar na nossa incomum normalidade e é por isso que sou apaixonada pela Terceira.
http://no-teu- coracao.blogspot.pt/

margaridabenedita@gmail.com


terça-feira, 27 de junho de 2017

HEart na comunicação social | Diário Insular #18


Margarida B. Martins Machado – Crónicas da rapariga do sótão

Não muito longe na História, em 2015, a nossa mui nobre, leal e sempre constante cidade foi invadida por famosas placas toponímicas (famosas, não pelas melhores razões, mas pela polémica linguística).

Este artigo não pretende renascer a controvérsia, nem muito menos comentar o facto de o senhor presidente. Álamo de Meneses, na altura, ter respondido à Agência Lusa que um dos problemas era estarmos habituados ao inglês americano ou que “o gosto de cada um não pode ser aferido por estas coisas". Contudo “Straight Street is not a matter of taste!” Não querendo encontrar culpados. Foi um erro e por muitas coisas boas que a Câmara de Angra faça, que o faz, também está passível de errar pois, afinal de contas, “all men make mistakes!”

Contudo, esta semana, estava a descer a rua da Sé, que sem dúvida alguma está lindíssima, (arrisco a dizer que Angra é a cidade mais bonita do mundo!), vejo em cada poste de iluminação uma bandeira a anunciar o nosso orgulho: somos a primeira cidade portuguesa a ser Património Mundial! Dei por mim a ler a tradução das dezenas (posso arriscar centenas?) de bandeiras a anunciar o nosso Wolrd Heritage – sim wolrd e não world! A pergunta que mais me interpela é a seguinte: como foi possível imprimirem, em série, esta expressão, colocarem-na num poste e ninguém ter reparado no erro?

Eu sei que errar é humano – aqui entre nós, também nunca fui boa aluna a inglês - “But you have to make an effort” - por isso se algum dia me pedirem para traduzir alguma coisa (por favor nunca o peçam!) terei que reconhecer as minhas limitações e de imediato recusar tal trabalho.

Ainda me lembro que, uma semana depois da comunicação social divulgar o caso das placas mal traduzidas na rua desta cidade, a British School apresentar a melhor aluna, não só dos Açores, mas do mundo inteiro: a terceirense Mariana Coelho. Foi também no início do mês de Agosto de 2015, que este mesmo jornal, noticiou o facto de os alunos açorianos terem sido os que mais se destacaram na língua inglesa nos exames internacionais. Nós também temos a Teresa Silva Ribeiro, para quem não sabe, uma famosa angrense – nascida e vivida – mas figura nacional na área da tradução (é graças à Teresa que há legendas nos épicos: “O Senhor dos Anéis”, “Braveheart”, “Os Miseráveis”…entre muitos outros e, claro, “Guerra e Paz” da BBC). Como é possível esta incongruência? Então nós temos gente muito, mas muito boa a inglês e apresentamos esta disgrace? Why?

Sim, nos terceirenses possuímos o potencial para “speak english, as it should be”, mas mais uma vez estão desaproveitados. Não só nas instituições públicas, mas de uma maneira geral, nas empresas, organizações, escolas…existe uma dificuldade em investir no que é bom e no que é nosso. Fomos nós que criámos a máxima: “It is good, because it is american”. Quantas vezes foi preciso ir para fora para perceber que afinal aquele açoriano tem jeito com os cavalos, percebe de música, cozinha e escreve muito bem? Não investir no potencial dos nossos jovens tem sido um preconceito perigosíssimo no desenvolvimento regional. Por um lado, incentivamos a emigração de mão de obra qualificadíssima, em contrapartida baixamos o nível de exigência dos que ficam e, não obstante, enchemos a cidade de “bad writings”.

Esta disposição conservadora traduz-se em vícios e trabalhos mal feitos e, isso sim é o “top of the holes”. É urgente promover quem merece ser promovido, quem é realmente bom. Por fim, gosto muito, mesmo muito da minha cidade, ao ponto de não aceitar que nenhum turista britânico se ria dela. “It is not fair”!
http://no-teu- coracao.blogspot.pt/
margaridabenedita@gmail.com




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(Diário Insular | 27 de Junho de 2017)

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Porque somos todos Emigrantes

Os Emigrantes, Domingos Rebelo
 
Com os refugiados estamos a ganhar uma visão sobre a imigração, infelizmente muitos caíram no erro da arrogância e, ouso em dizer, da estupidez, do discurso racista. Afinal de contas nós também somos um povo de emigrantes. Sempre cresci com a máxima, há mais açorianos na América do que nos Açores, isso ajudou-me a ser uma pessoa aberta: muito patriota e pouco nacionalista.
Os Açorianos são um povo de aventureiros e por vezes as ilhas tornaram-se pequenas, a ida para os EUA era não só uma fuga para a aventura como uma tentativa de melhorar a vida das suas famílias.
Hoje li a histórias de Evaristo Gaspar e de Vítor Caetano e não consegui deixar de ver algumas histórias contemporâneas de quem foge do seu país e de quem é bem recebido.

#OrgulhoDeSerAçoriana #OrgulhoDeSerUmPovoDeEmigrantes
 
 
 
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Açoriano Oriental,


Dois açorianos construíram há 65 anos um barco para emigrar para os Estados Unidos da América (EUA), conseguindo obter a cidadania deste país com a ajuda de John F. Kennedy, que viria a tornar-se presidente.
"John F. Kennedy tinha-se empenhado na construção da igreja portuguesa de Cambridge e promoveu uma grande festa para assinalar o aniversário da instituição, num dos maiores hotéis de Boston, onde também estive presente e lhe fui apresentado", disse à agência Lusa Vítor Manuel Caetano (na foto), de 91 anos, o único sobrevivente desta aventura.
Evaristo Gaspar, já falecido, e Vítor Caetano, partiram de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, a 28 de junho de 1951 e chegaram a 23 de agosto aos Estados Unidos, onde foram recebidos como heróis, depois de terem sido dados como mortos.
Os dois foram recolhidos ao largo das ilhas Bermudas por um navio, quando a sua embarcação se encontrava à deriva e estavam sem alimentos há cerca de uma semana.
Vítor Caetano, que tinha 26 anos, afirmou que quando se encontrou com John F. Kennedy este encontrava-se de muletas na sequência de uma cirurgia à coluna, da qual "muito se queixava".
Segundo o açoriano, John F. Kennedy, à data congressista pelo estado de Massachusetts, ficou fascinado com a sua aventura marítima e assegurou-lhe que iria empenhar-se na sua legalização para ficarem no país.
"Ele ficou admirado com a nossa história. Ele próprio contou-me como ficou ferido durante a II Guerra Mundial, num barco de patrulha. Todos os anos, graças a JFK, eu renovava os meus documentos e, quando faltavam sete dias para os cinco anos (período necessário para obter a cidadania), tornei-me cidadão americano", declarou Vítor Caetano, recordando que o congressista "mandava sempre cumprimentos" por via de um português que trabalhava numa das residências do clã Kennedy na Nova Inglaterra.
Quando o político de origem irlandesa chegou à presidência dos EUA, Vítor Caetano enviou-lhe uma carta a dar os parabéns "por ser presidente de um grande país como a América", tendo este retribuído com um agradecimento.
John F. Kennedy, cuja relação com a comunidade de emigrantes açorianos na costa leste dos Estados Unidos é conhecida, foi um dos responsáveis pelo 'Azorean Refugee Act', em 1958, a par de outro senador, John Pastore.
Esta foi uma legislação aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos que permitiu às vítimas do vulcão dos Capelinhos, ocorrido na ilha do Faial em 1957, emigrarem para os Estados Unidos.
Vítor Caetano teve de abdicar do seu barco quando foi recolhido pelo navio, mas não antes de retirar de bordo a bandeira portuguesa, uma imagem da Virgem de Fátima e outra de São José, nome com que foi batizada a embarcação.
Mais tarde construiu uma réplica em miniatura, que ostenta "com orgulho" na sua residência.
A aventura dos dois açorianos inspirou uma obra de ficção do escritor Manuel Ferreira, denominada "O barco e o sonho", que foi adaptada para televisão
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Podem ver o filme: "O Barco e o sonho" AQUI

segunda-feira, 11 de abril de 2016

(ouvindo no café #19)


"Só para avisar aos meus amigos, pois esta notícia pode confundir algumas almas, mas a única coisa que eu tenho do Panama é isto:

terça-feira, 6 de outubro de 2015

HEart na comunicação social | Diário Insular #2

O segundo artigo de opinião está aí... fresquinho...
Mais uma vez o HEart está no Diário Insular, o tema é bastante açoriano.
Porque esta é a semana dos Açores no Mercado da Ribeira...
Porque vale a pena provar...
Porque eu gosto mais do nevoeiro açoriano do que o sol do Algarve!
 
(para ler melhor clique na imagem)

Marca n'Agenda | Passatempo Marc'Açores


Marca n'Agenda | Semana Açores | 5 a 11 de Outubro prov'AÇORES

 
Amigos do continente, mais propriamente da capital, convido-vos a terem o prazer de provarem um gostinho açoriano. Começa hoje no Mercado da Ribeira, sushi de chicharro, já alguma vez imaginaste?
Não deixes de passar no Caís Sodré, haverá queijadas da Graciosa, ananás de São Miguel, doce de maracujá, massa malagueta e cornucópias.... Melhor do que isto é apanhar um avião e visitar as ilhas!

 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

wild walk with conservatism


Acordei com essa vontade. Fui dar uma caminhada à noite por Angra. Queria ver a cidade com os seus tons naturais. Queria ver o céu com as luzes das estrelas, não aquelas luzes adulteradas. Queria cheirar as folhas das cryptomerias húmidas.
Mas numa aventura por caminhos desconhecidos, escarpados e árduos percebi que precisava de uma lanterna, daquelas lanternas que tínhamos em casa por causa dos abalos de terra ou porque a chuva de verão iria trazer trovoada com a possibilidade de ficarmos sem eletricidade. Não sou muito velha, mas sou desse tempo, do tempo que o mais útil e precioso instrumento não era um smartphone, mas sim uma lanterna e uma canivete suíço.
A verdade é que deixei-me levar pela espuma dos tempos, e o meu canivete enferrujou, como já nem sei onde está o indispensável foco.
No entanto aquela caminhada despertou-me, percebi que a luz do smartphone não era suficiente, que o smartphone apesar de muitas capacidades não consegue tirar aqueles espinhos do caminho, que o smartphone não mata a sede, que o smartphone fica rapidamente sem bateria - e normalmente é quando mais preciso dele - que a camara fotográfica do smartphone nem de perto nem de longe, nem com filtros, consegue captar a beleza daquele silêncio, daquela luz de São Jorge que estava a km e km e km de distância da minha ilha Terceira, mas era refletida na escuridão do oceano...
Volta seu instrumento regressista, volta seu objecto obsoleto, volta sua mentalidade retrógrado, porque eu com um smartphone não consigo sobreviver à  natureza, nem consigo fazer uma simples caminhada à noite pelos misteriosos caminhos do Monte Brasil.
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Paradoxalmente assim também se vive a politica, percebemos que os jovens smart-ideológicos ficam vazios perante um momento de crise, porque com a sua irreverência mudaram abruptamente a sociedade, trocaram a dignidade pela livre-rebeldia,  não quiseram ouvir os velhos, porque eram velhos.
Substituíram o básico, o essencial da tradição pelo frivolíssimo do modernismo.
E agora onde podemos comprar canivetes e lanternas? Quero-as de volta na minha vida...
Porque  foi com as simples bussolas, sem gps's, que aprendi que o  sol nasce a leste.
E foi com a tradição dos-velhos-dos-velhos que percebi que o Amor não é um simples sentimento, e isso é  realmente o básico para a sobrevivência humana.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

tubarões. assaltos. pancadaria (põe a "Marca Açores" aí)

 
O que eu mais gosto dos filmes indianos são aquelas incríveis confusões e os absurdos cheios de cor e de paixão, uma espécie de surrealismo cultural. Por isso eu gosto de viver os filmes indianos.
O meu sábado foi mais ou menos assim, um intenso filme indiano mas com sotaque açoriano.
Era sábado, podia dar-me ao luxo logo de manhã ir subir o Monte Brasil (para quem não conhece: CLIQUE AQUI) e depois dar aquele mergulho na silveira (para quem não conhece: CLIQUE AQUI).
Era sábado, gosto daquele sossego de não ter horário e poder almoçar à hora do jantar.
 
Chego à Silveira, preparada para o tal mergulho, esperava-me o livro e o sol, mas quis o destino dar-me outros planos, viver um verdadeiro filme indiano, o argumento: tubarões; assaltos e pancadaria.
Quando saí do mar ouvi logo os gritos "tubarão, tubarão", percebi que não era uma brincadeira, o salva-vidas começa a apitar "saiam todos da água", os que não conseguiam chegar à costa meteram-se em cima das pedras, como estivessem a fugir dos touros, os mais corajosos saltaram para ir buscar as crianças e em segundos mudaram a bandeira para vermelho...
 
De repente ficamos em silêncio, todos debruçados na costa, todos queriam ver, todos olhavam para o mar, e lá apareceu uma sombra a rastejar no fundo, tinha o peito acinzentado ainda era pequeno mas era efetivamente um tubarão, um não 3.... deviam estar perdidos, estamos na época da desova dos tubarões, mas atrás de um tubarão pequeno há sempre uma mãe tubarão (diz a lenda).
Satisfizeram a curiosidade dos humanos, mostram as suas barbatanas e aquela cauda pontiaguda... nesse momento uma senhora do continente desabafa-me: "esta baía é tão bonita, se agora chega tubarões as pessoas deixam de cá vir." Achei que não conseguia explicar que nunca ninguém vai deixar de ir à Silveira e que os Tubarões fazem parte da vida "daqueles que se dividem" com o mar, limitei a responder: "isto é uma história para contar", continuou ela "pois dizem que não se passa nada aqui na ilha, estou a ver que já se passa alguma coisinha" disse-me toda contente, como se tivesse a viver um programa do BBC-Vida Selvagem. Pensei para mim, não se passa nada? De certeza que acabou de chegar.
Mas a história não fica por aqui....
Enquanto se via o Tubarão há um i-phone que é roubado, e num instante as atenções deixaram de ir para o mar, passaram para a cena de pancadaria, e como um rapazinho nunca vem só (diz a lenda), foi rápida a passagem para a cena seguinte respectivas famílias a discutir, mães, pais, tios e primas, o i-phone não aparece e a bandeira passou para verde, os tubarões deixaram-nos, viram que a nossa raça também é tramada e preferiaram o alto-mar.
 
E eu dei mais um mergulho, porque dar um mergulho antes do perigo não tem piada nenhuma!
Só faltou a dança típica de bollywood, mas estou feliz porque não paguei bilhete para este filme indiano.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Chuva de Verão | Some people feel the rain. Others just get wet

 
Bob Marley disse uma vez: "Some people feel the rain. Others just get wet!" Eu acho que sou daquele primeiro grupo de pessoas: os que sentem a chuva.
 
Para um açoriano a chuva faz parte da sua entidade, "num dia só, faz as 4 estações do ano" dizem os velhos ilhéus. E eu gosto da chuva. Gosto do barulho quando bate nos vidros. Gosto quando entra pelas gretas das pedras e pelas beiras das janelas. Gosto quando vem sem avisar, e eu só percebi depois que aquele era o melhor momento para refrescar as ideias.
 
 
Gosto do arco-íris que vem depois da chuva. Gosto daquele cheiro a petrichor (em grego: πέτρᾱ; transl.: pétrā, trad.: "pedra" + em grego: ἰχώρ; transl.: ichṓr; trad.: "fluido eterno", "sangue dos deuses" é o nome do aroma que a chuva provoca ao cair em solo seco.) Gosto daquele ducho de água quente depois de ter sido apanhada no meio da tempestade. Gosto de me sentir segura em casa enquanto chove. Gosto de estar a ler ao som do barulho dos pingos. Gosto de beber um chá enquanto chove, porque o chá fica com mais sabor.
 
 
Mas ontem a aventura foi maior, correr com a chuva, era de noite sem ninguém na cidade, que sorte, tinha Angra do Heroísmo só para mim, musica a minha companhia, com a certeza que os poucos a passar de carro duvidavam da minha lucidez,  e a chuva batia-me, disfarçava o esforço, dando vontade de aumentar a velocidade, "só vou dar uma volta pequenina, só mesmo para desanuviar" - mas estava bom de mais e não há nada melhor do que ir ver a chuva bater no mar, aquele cheiro aquela imagem, "vamos até à costa", mais uma corrida, ainda por cima os barcos não partiram para o mar-alto, os pescadores não arriscaram as inchas de Agosto, e a cidade era só minha.... e da chuva... porque Bob Marley disse uma vez: "algumas pessoas sentem a chuva. Outras apenas se molham!"



 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Açorianidades #1

imagem tirada d'aqui
 
 
...e depois há aquele estranho momento.... em que tu percebes que tens tanto gosto em, numa só grafada, meter um habitat de 190 espécies de seres vivos na tua boca acompanhados por uma cervejinha. AQUI