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terça-feira, 21 de março de 2017

Escolho viver | Marta d'Orey

Eu sei, eu sei que este texto já surgiu há muito tempo, vi em muitos perfis do Facebook de muitos amigos, muitos desses muitos amigos conhecem a Marta e não só partilharam o texto, como uma experiência de alegria e de fé.
Tenho ouvido tantas -como se diz na minha terra- tolices  sobre a vida e sobretudo sobre a morte, nestes debates fracturantes, por isso apeteceu-me (re)publicar o testemunho da Marta, que pelos vistos, só com 19 anos sabe muito sobre vida e sobre a morte.

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Marta d’Orey, 19 anos, estudante de publicidade e marketing no IADE. Moro no Estoril com dois pais à maneira e três irmãos menos maus. Quanto a mim, sou a balança desequilibrada do meio. Gosto: de areia quente e gelados para refrescar; de mar salgado e de ondas com caminho para passear numa prancha; de pastéis de nata com canela, queijo da ilha, da serra, e do rio, massa pizza e massapão, e chocolate de todos os tamanhos e feitios; do clique do botão de disparo de uma máquina quando o dedo manda contar histórias com imagens; de livros com cheiro a papel e palavras rabiscadas na ponta de um guardanapo.
Esta é a minha história. Não toda, mas um capítulo de mim: Em janeiro de 2016 fui para Londres fazer um ano sabático. Pus a mochila às costas porque quis enchê-la com bocadinhos de chão pra lá da porta de casa, aprender a crescer sozinha e correr pelo mundo sem me desorientar na falta de GPS. Tinha 6 meses traçados em planos. Ia conhecer pessoas, trabalhar, fazer um curso aqui e ali, ir a museus onde a arte cresce dentro de quem a olha, passear em ruas desenhadas em tijolo, beber chá e comer scones fora d’horas, fugir do céu cinzento da cidade e escalar as montanhas verdes que trepam Reino Unido acima. E, em julho, fazer uma mala mais cheia de mim, e voar até Lisboa com a certeza de ter feito casa num planisfério maior.
E voltei. Com a mesma mala a transbordar em excesso de peso, com o estômago confortado em scones e panquecas, e a lista de contactos preenchida com nomes novos. Voltei, mas deixei dias por viver com o regresso antecipado. Começou por ser só uma gripe. Depois vestiu-se de pneumonia com passe direto para um internamento de duas semanas. Comecei a perceber que alguma coisa não estava bem quando dei por mim a subir um lanço de escadas para acabar a arfar como se tivesse corrido a maratona; quando apanhava táxis em vez de andar de transportes ou mesmo quando não ia a lado algum porque o sofá era um destino mais agradável. Qual quer que fosse o nome da praga tinha o apelido de parasita porque veio para ficar.
Assim, tomei as medidas entre o certo e o errado, e o bom senso fez as malas para Portugal. Quando cá cheguei fui imediatamente internada, sem perceber bem o que se passava, e, verdade seja dita, pouco confiante de prolongar a estada para lá da primeira semana. Mas possibilidades de diagnóstico estavam contra mim e o leque de exames a fazer era infindável. Foram dias a especular suspeitas para deixar de as ter quando os resultados tornavam claro que o caminho era no sentido oposto.
E a primeira semana passou, e depois veio a segunda, a terceira e a quarta. E o nome não era mais do que “o problema”. Vários médicos o viram, vários opinaram, e poucos acertaram. Depois vinte e cinco dias riscados no calendário, saí pelas portas do hospital para encontrar uma vida totalmente diferente da que tinha deixado cá fora. Sem diagnóstico e qualquer tipo de certeza.
Era verão, mas eu tinha indicações apertadas que não me davam férias. Não podia ir à praia sozinha, mergulhar era a cuidado, o surf estava a aguardar vez, e os passeios tinham início num sinal de STOP. Cansava-me rápido, sim, mas em que parte é que o cansaço deixava de ser resposta natural do comum mortal ao estímulo físico e passava a ser a doença a falar? Onde não podia ir eu sabia, mas afinal qual podia ser o caminho? Ficar parada não era resposta.
Como nunca fui muito dada a máscaras, não me quis vestir de doença, e, por isso, brinquei aos “elásticos”. Com inteligência ora para não pisar a linha ora para não me esconder na sombra, aprendi a ser flexível quando readaptei as prioridades. Respondi à vida com jeito de cintura, e um “não” vinha sempre acompanhado de um ponto final, parágrafo, travessão. Se não podia fazer surf, podia apanhar ondas com o olhar; se não podia andar sozinha, podia estar rodeada de amigos; se não podia sair à noite, podia comer gelados ao fim do dia. Passou a ser um contrato com negociação inerente. Costumo dizer que tenho uma costela marroquina.
Entretanto, o diagnóstico continuava anónimo e, na ausência de respostas, fiz mais perguntas. Encontrei um médico que me soube falar com nexo, e me escreveu um nome que explicava a minha incompetência no que toca ao simples ato de respirar. Bronquiolite obliterante pós-infecciosa. Uma sequela da pneumonia que veio a reboque da Gripe A. Uma doença rara, difícil de apanhar em falso. Uma doença sem tratamento específico, porque os casos registados foram poucos e as estatísticas quase nulas. Uma doença que me reduziu a função respiratória a números ridículos (menos de 15%), e sugou o oxigénio que me alimentava os pulmões e os deixou rendidos ao esforço insuficiente da súplica ignorada. Uma doença que tornou o imprevisível visível num curto-circuito estremecido na escuridão apalpada às cegas, e trocou o certo garantido pelo incerto adquirido. Uma doença que me trocou as voltas e os pesos, no dia em que arrumou os livros na prateleira para dar lugar à botija de oxigênio embalada na mochila presa às costas. Uma doença que me apresentou a morte pelo nome sem me dar tempo para o “passou-bem” quando dispensei o “prazer em vê-la”. Uma doença que fez com que tivessem de me reanimar quando abrandou o ritmo do coração que me bate no peito.
A primeira resposta foi um transplante pulmonar, indicado para doentes com funções respiratórias tão comprometidas como a minha. A segunda, para fugir à primeira que não é de todo tão agradável como parece, foi um tratamento que, no meu caso, apesar de viável, não tinha qualquer expectativa de resultado fosse ele positivo ou negativo.
E, por isso, estou às cegas. À espera de dar tempo à semente para se fazer árvore, a deixar que os dias se vivam à vez e a vivê-los como se fossem os primeiros. Mas as minhas pegadas marcam-se firmes na areia deserta. O terreno é incerto, mas o caminho é feito com pés e cabeça.
Escolho escolher. Passei a saber onde posso ser agente, e onde tenho voz passiva. Aprendi que pouca é a opção que temos, para além da resposta que damos às questões que nos põem. Não decidimos se cá estamos, mas sim, como estamos. E se assim o é, eu escolho estar a 1000%. Escolho andar no hospital como se passeasse na serra de Sintra, e abrir a porta do quarto para quem se quiser juntar à festa do pijama. Escolho que a relação com os enfermeiros não tenha direito a título e se espelhe no ecrã de uma selfie enquadrada entre a palhaçada e o riso fácil. Escolho chamar “casa” às paredes brancas e “família” ao pessoal vestido de azul. Escolho brindar o pôr do Sol com amigos e conversas triviais, e abraçar a noite sem todas as certezas do mundo, mas com a sede nunca hidratada de beber mais amanhãs.
Porque tenho um metro e oitenta e sou maior do que isto; porque sou a Marta d’Orey, tenho 19 anos, sou estudante, sou a balança desequilibrada do meio, gosto do mar e de pastéis de nata, e acordo de manhã irritantemente bem-disposta para gritar ao mundo um segredo ao ouvido.... Sabem uma coisa? A vida é extraordinariamente maravilhosa. E sabem outra coisa? Não dura para sempre. E sabem que mais? É quando concebemos o fim que encontramos o nosso início.

quarta-feira, 15 de março de 2017

[literalmente] Assisted Suicide




"Em Janeiro desde ano estreou em Londres, um musical chamado : "Assisted Suicide: The Musical" (Suicídio Assistido- o musical ). O espectáculo tem vindo a receber elogios e ovações de pé, apesar do tema ser tão dramático. 
Por isso antes de assumir que é crítico da perspectiva pró-vida, saiba que a criador do musical - Liz Carr -é uma mulher que sofre de uma doença genética que a impede de se mexer, pois é uma doença que ataca os músculos, bem como provoca outras limitações. Mas apesar dessas suas limitações físicas, ela sente-se tão frustrada com a atitude agressiva da cultura promovendo o suicídio assistido, que decidiu escrever um musical para oferecer uma outra perspectiva.
Entrevistada pelo Wall Street Journal, Liz Carr ridicularizou todos os clichês que podemos encontrar em filmes e documentários típicos que promovem a agenda do suicídio assistido: "A música é sempre usada de maneira muito manipuladora. A música alimenta o nosso estado emocional. E pode dizer-lhe: 'Isto é uma tragédia e tem um caminho a optar: O objetivo é normalizar uma escolha que era impensável há uma geração, com o resultado que leva as a concluir:" Sabe, minha vida não vale a pena viver ".
Assim, em vez de organizar um debate, escrever um artigo, ou participar numa conferência, ela decidiu criar um musical onde expõe a hipocrisia e a tragédia do movimento a favor de suicídio assistido. Ela contraria a ideia de "morte com dignidade", porque nada tem a ver com dignidade."

quinta-feira, 9 de março de 2017

Com o nosso dinheiro NÃO






Porque o fiz? Não podia explicar melhor que o Francisco Alvim, num artigo para o Observador no dia 28 de Fevereiro, por isso aqui fica - vale muito a pena ler - :

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Para muitos terá passado despercebido, mas tudo aconteceu esta semana: na segunda-feira, o Público noticiava que vários países se juntaram à campanha She Decides (“Ela Decide”) que pretende servir como um fundo para promover o aborto em todo o mundo e, em particular, nos países em vias de desenvolvimento.

A iniciativa foi lançada há precisamente um mês pela ministra do Comércio Externo holandesa, Lilianne Ploumen, e surgiu como resposta à recuperação da Mexico City Policy (“Política da Cidade do México”) imposta por Donald Trump nos Estados Unidos, que levou ao corte do financiamento concedido por este país a organizações não-governamentais internacionais que realizam abortos ou prestam aconselhamento sobre o tema.

Sem aviso prévio e evitando o debate na opinião pública, eis que a iniciativa holandesa recolheu quarta-feira mais um apoio: o de Portugal.

A fazer fé no comunicado enviado às redacções e entretanto divulgado, “o Governo português, através da Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, informou as autoridades holandesas do seu apoio à iniciativa global She Decides”.

Vejamos então com mais atenção o que pretende este Governo apoiar:
Em traços gerais, a She Decides apresenta-se como uma iniciativa global que quer que as mulheres em todo o mundo possam exercer o direito de decidir se querem ter filhos, quando os querem ter e com quem.

Estranhamente, a ideia de saúde sexual e o modelo de planeamento familiar propostos assentam exclusivamente no direito (dito) fundamental da mulher a matar os próprios filhos.

Esquece-se que, pelo menos na maioria dos casos – porque, infelizmente, sempre existirão excepções –, a mulher pode decidir se quer ou não ter relações sexuais, quando as quer ter e com quem. O resultado é simples: permite-se a desresponsabilização, com o intuito de evitar as consequências naturais decorrentes de uma decisão que já se encontra, à partida, na esfera da mulher. É querer decidir a posteriori o que se fez antes.

Ao invés, os esforços deveriam concentrar-se na preparação e adopção de medidas para apoiar os casos de maternidade precoce e vulnerável, bem como os abrangidos pelas excepções referidas em cima, como sejam as gravidezes resultantes de relações sexuais forçadas ou não consentidas. É aqui que o trabalho tem de ser feito.

De igual modo, a proposta negligencia em absoluto o elemento masculino, o que não deixa de ser revelador da agenda ideológica por detrás de tal narrativa. Não fará mais sentido investir na formação em modelos de paternidade responsável, envolvendo globalmente as populações e membros de ambos os sexos? Ou será que só as mulheres é que têm direitos? E os direitos das crianças?

Por outro lado, convém esclarecer que a promoção do aborto seguro apenas leva uma ideia de relativa segurança à mãe que decide matar o seu filho. Para o ser indefeso que morre, não só se trata de um procedimento pouco seguro e doloroso como significa um vil ataque ao seu direito – esse, sim, fundamental – à vida. E as consequências psíquicas e físicas para a mulher que aborta?

Quanto ao apoio do Estado português, importa perceber se se trata apenas de apoio moral ou se há dinheiro dos contribuintes envolvido nesta simpatia lusitana. É que, mais do que granjear apoios políticos, o fundo She Decides tenciona angariar avultadas quantias para suprir as necessidades de organizações afectadas pelo recuo do financiamento americano. Se for o caso, com quanto pretende o Estado português contribuir? E nesse cenário, como será feito o controlo da aplicação desse dinheiro?

Os nossos impostos não podem servir para matar inocentes lá fora, além dos que já morrem cá dentro com medidas idênticas. Nem pode isso ser imposto aos portugueses por um governo minoritário e sem mandato para o efeito, já que – com excepção do fim das taxas moderadoras para quem recorre a aborto em Portugal – o programa de governo do PS não continha uma única palavra sobre este tema.

Já sabemos que vários países apoiam a iniciativa. E sabemos que muitos deles o fazem com uma intenção clara: para retaliar perante a tomada de posição de Trump. Sendo esse o caso, e numa fase em que a situação geopolítica mundial atravessa um período tão interessante quanto difícil, quererá o Estado Português ficar associado a um protesto internacional contra um presidente democraticamente eleito? Há coisas em que não convém mesmo ser uma maria vai com as outras.

Ou será que estamos perante mais um caso de favor à cartilha ideológica imposta por uma certa esquerda que vive agora deslumbrada com o poder? Será este o preço a pagar a Catarina Martins pela conivência hipócrita do Bloco de Esquerda no caso da CGD e dos SMS de Centeno? Se assim for, é triste, mas é o irónico desgoverno que temos: ela decide; ele sujeita-se.

Em qualquer dos casos, Costa não fica bem na fotografia. E isto é tão mais grave quando estamos a falar daquela que devia ser a primeira preocupação de qualquer estado de direito democrático: a defesa da vida.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Morte assistida (?)

José Ribeiro e Castro, comentando as notícias, escreveu no seu FB um testemunho sobre a "morte assistida", ele que acompanhou por perto a incrível história do seu irmão Fernando, doente oncológico, fundador da Associação das Famílias numerosas e mentor do dia Nacional do Irmão, a história de um homem generoso que, pelo visto, teve uma "morte assistida":

Isto da "morte assistida" é uma hipocrisia e uma mentira pegada. Uma fraude deliberada de linguagem.
Morte assistida é o que se passa todos os dias nos hospitais, com os doentes que são cuidados clinicamente até ao último momento. Morte assistida é o que se passa naquelas famílias que assistem e acompanham, com carinho, os seus familiares nos últimos dias e momentos de vida. O meu irmão morreu, há pouco, assistido, no hospital. A minha avó paterna morreu, assistida, em casa, quando eu era criança. É a primeira morte de que me lembro. O meu avô materno morreu, assistido, no hospital. O meu avô paterno morreu, assistido e acarinhado, em casa de meus pais. A minha mãe, a minha avó materna e o meu pai morreram todos subitamente, pelo que não foram assistidos. O médico e a família apenas puderam constatar os óbitos.
Não se pode despenalizar a morte assistida, porque a morte assistida não está penalizada. A assistência na morte é um dever de todos os próximos dos moribundos: médicos, familiares, outros profissionais de saúde, cuidadores em geral. Não só é legal, como é devida.
Este debate não é sobre morte assistida. Este debate é sobre eutanásia, isto é, sobre morte provocada.
Também eu, se não morrer de morte súbita, ou violenta, ou de acidente, terei certamente uma morte assistida: ou em estabelecimento de saúde ou social, ou em minha casa com a família. Não temos que nos preocupar com isso. Já é assim.
José Ribeiro e Castro




terça-feira, 31 de janeiro de 2017

STOP Eutanásia

O PAN é aquele partido que luta pelo fim do abate dos animais nos canis, mas defende a Eutanásia. Isto tudo na mesma semana. 
Não deixes que eles decidem por ti.... Ninguém pode escrutinar a vida, ninguém pode decidir quem deve viver.
|||AMANHÃ LEVANTA A TUA VOZ|||





segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Pro-Life

Incrível a grande marcha Pro-Life nos EUA (claro, mais uma vez, os nossos meios de comunicação, não mostraram as imagens de uma das maiores manifestações do ocidente)
Milhares na rua - pretos, brancos, amarelos, muçulmanos, cristãos, ateus, mexicanos e americanos - 1 só objectivo: a Vida!
 


I´m not pro-Trump, but I´m pro-Life. 
#letsmakeamericaprolifeagain #aquiloqueosmedianaomostraram


Lembrei-me do que ouvi ontem:
"Beati qui persecutionem patiuntur propter iustitiam, quoniam ipsorum est regnum caelorum"


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Don’t euthanize me

Nasceu um blog, que é mais uma plataforma multidisciplinar, criado por cidadãos portugueses preocupados, com a necessidade de esclarecer a cerca do tema que a gerigonça nos quer impor: a eutanásia.
Esta plataforma fala-nos dos números, conta-nos histórias que são consequências reais, transmite a opinião de médicos e doentes.

Num país em que o governo não apoia suficientemente os cuidados paliativos, torna-se "óbvio" que a resposta mais fácil é a eutanásia, mas será a mais digna e a mais humana?

Assim o blog HEart vem prestar o apoio:

STOP eutanásia



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Enquanto passeava pelos textos do blog encontrei uma história que me deixou-me inquieta.
Christine Nagel, uma cidadã idosa, que teve de tatuar um apelo que em tempos era senso comum: para que os médicos não a matem caso chegue ao hospital inconsciente.
Sim chegamos a este ponto de medo e de insegurança, a medicina para tratar tornou-se selectiva, pela idade e sei lá mais o quê...
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Depois de em Junho de 2016 ter entrado em vigor legislação federal no Canadá que cria um novo quadro regulamentar para assistência médica na morte, o suicídio assistido passou a ser legal naquele país. Foi então que a canadiana Christine Nagel, uma avó de 81 anos que vive em Calgary, se fez fotografar exibindo uma tatuagem no braço com a frase “Don’t euthanize me”, “Não me apliquem a eutanásia”. Em declarações à imprensa local, Nagel diz tratar-se de um "sério alerta" para evitar que a medicina "se furte ao cuidado dos doentes, deficientes e idosos".

Na mesma linha, em Dezembro passado, a Associação Americana de Psiquiatria (APA) tomou posição contra a eutanásia, sustentando que "um psiquiatra não deve prescrever ou realizar qualquer intervenção que conduza à morte uma pessoa não-terminal. Isto implica considerar não-ético para um psiquiatra ajudar uma pessoa não-terminal a cometer suicídio, quer fornecendo os meios, quer por injecção letal directa, como é actualmente praticado na Holanda e na Bélgica". A APA teme que o Canadá e vários estados dos EUA estejam a caminhar naquela direcção. Vários pacientes psiquiátricos estão a ser ajudados a cometer suicídio por organizações activistas como a Final Exit.
Fonte: Aleteia.org

Marque n'Agenda


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Mário


"Somos livres porque Mário Soares esteve do nosso lado contra os comunistas. Não tivesse tido o discernimento e a coragem de o fazer, e a vida da geração dos meus avós, dos meus pais, e a minha, teria sido desgraçada. Por isso estou-lhe profundamente grato.
Mas Mário Soares foi muito mais que esse momento. Era o ‘bochechas’ que perdeu para Sá Carneiro e para quem ia perdendo o centro político. Não fosse Camarate como teria sido a carreira política do então líder do PS?
Soares foi o primeiro-ministro da austeridade que, 30 anos depois, criticou em nome de interesses que, quando necessário, combateu. Ganhou a presidência com coragem e 8% nas sondagens. Mas teve azar com as duas maiorias absolutas de Cavaco.
Implacável, não aceitou que o país não precisasse dele. Entrincheirado numa esquerda à qual não pertencia, defendeu um mundo diferente daquele que ajudou a fazer. O último Soares combatia ainda, mas contra a inevitabilidade do fim, luta para a qual qualquer coisa servia."

Jornal Económico, André Abrantes Amaral

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Marca n' Agenda | 11 de Julho Sunset Wine Tasting & Party | Apoio à Vida

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Causa HEart
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As festas de verão fazem parte das coisas boas da estação, melhor ainda é quando podemos juntar uma festa ajudando uma óptima associação!
O Apoio à Vida (para quem não conhece o extraordinário trabalho pode meter like AQUI) está a organizar um Sunset na esplanada do  Monte Mar em Lisboa.
Mas esta não será uma festa qualquer, para além de ser um lugar fantástico, vamos ajudar as mães e as famílias em dificuldades, mas com uma optima casta de vinhos ( Quinta do Pinto vinhos/wines, Herdade da Mingorra, Argilla e Quinta Vale D. Maria.),  muito Jazz e o Bernardo Pinto Coelho como DJ!
!!!é que não há desculpas para não ir!!!!!


segunda-feira, 27 de junho de 2016

Marca n'Agenda

Em Portugal, tal como na Europa, estamos a sofrer alterações antropológicas, científicas e sociais muito profundas, é urgente refletir para onde queremos ir.
Por isso, não perca esta conferência, onde terão oportunidade de ouvir especialistas da Bélgica e da França, com experiência nesta matéria.
 
 
 
Para se inscreverem ou + info's: plataforma.pensar.debater@gmail.com

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Há vida para além da barriga da mãe

 
A incrível história do Lourenço, o bebé milagre veio trazer a Portugal [e ao mundo] alegria, esperança e maior confiança no progresso cientifico.
Quando Lourenço olhar para a sua história vai perceber que teve uma mãe corajosa, lutadora que até depois de morrer deu tudo pela vida do seu filho - afinal de contas as mães são assim, zelosas pelas suas crias.

Uma vitória da vida, da ética e uma derrota das mentes obscurantistas:

sábado, 30 de abril de 2016

Enquanto estou vivo não estou morto

A 10 de Abril de 2015, há pouco mais de um ano, o historiador Paulo Varela Gomes dava um testemunho incrível sobre a sua vida, a sua doença e as suas fragilidades. Sem floreados, com os medos próprios de um homem falível, demonstra que mesmo assim é possível ter esperança e viver plenamente. Até hoje. Morreu o autor destas palavras:

"Cheguei à mais simples conclusão do mundo: estava vivo e, enquanto assim estivesse, não estava morto. "

Hoje está morto, mas estas palavras podem ajudar muitos outros a viver.
Leiam o seu testemunho humaníssimo aqui.

terça-feira, 12 de abril de 2016

A experiência da Eutanásia

A TSF passou um testemunho intenso e bastante arrepiante de uma enfermeira portuguesa em Bruxelas. Vale a pena ler este depoimento tão real e tão próximo de nós. Vale a pena perceber o que é a verdade da eutanásia.
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Uma enfermeira portuguesa relata a experiência "traumatizante" que viveu num caso de eutanásia a uma mulher saudável na Bélgica, onde a prática é autorizada.

A eutanásia "é simplesmente uma forma de desistência [da vida]". É a opinião da enfermeira portuguesa Verónica Rocha, com quem a TSF conversou em Bruxelas. Ela viu-se envolvida num caso de eutanásia de uma mulher saudável. Descreve esta prática, autorizada na Bélgica, como uma experiência que a traumatizou. Considera que, uma vez autorizada a lei, é difícil um profissional recusar-se a colaborar. Mas, é isso que promete fazer, caso apareça outra situação de eutanásia, na casa de repouso onde trabalha como enfermeira, em Bruxelas.
As palavras saem-lhe em catadupa, quando fala da eutanásia que foi obrigada a preparar."Comecei a ficar mal, desde o dia em que soube que iria existir [um caso de] eutanásia [na casa de repouso], porque sabia que o único problema daquela pessoa era a solidão", confessa a enfermeira portuguesa, a quem tinham dito que "não teria de fazer parte da equipa" nem teria de "assistir". Mas, não foi o que aconteceu.
 
Verónica Rocha soube, em cima da hora, que faria parte da equipa responsável pela eutanásia de uma das utentes da casa de repouso onde trabalha. Foi informada com a chegada do médico."Ele diz-me: estou no elevador à sua espera. E eu perguntei: como assim? "Vamos subir, foi a resposta"", disse a enfermeira, que ainda ainda questionou o médico se teria mesmo de subir, uma vez que não se sentia "preparada".
 
Minutos depois estava no quarto da mulher, "saudável" de 70 anos. Com "a filha em lágrimas", o médico deu a ordem para o início do processo.
"Não se importa de meter o soro a profundir?", pediu o médico e a enfermeira, "muito nervosa", procurou a veia e apontou a agulha. "Estava bastante nervosa. Acho que nunca me custou tanto picar uma pessoa como naquele dia (e era uma mera profusão)", disse à TSF, confessando ainda que, já com a eutanásia em curso, começou "a chorar".
 
"A senhora limpou-me as lágrimas e disse-me: "Verónica, não chores, porque eu estou feliz". Perguntei-lhe como pode estar feliz com uma decisão destas? Ela diz que "é o melhor e o que mais deseja".
 
A enfermeira conta que a mulher ainda lhe disse que ela "sempre a cuidou bem" e que "sempre gostou" da portuguesa, que acabou por lhe confessar que "não concordava" com a eutanásia de um modo geral, mas especialmente com aquela, por se tratar de uma pessoa que "não tinha nenhuma doença".
 
"A chorar disse-lhe obrigado, mas não lhe poderia desejar boa sorte porque eu era contra aquilo que ela estava a fazer. Ela respondeu: "penso que a minha filha também"", contou a enfermeira, relatando um momento em que o processo de eutanásia está prestes a tornar-se irreversível.
 
"[A filha] dizia: "mãe, recusa. Por favor. Eu venho aqui todos os dias. Levo-te para minha casa. Entretanto, (...) ouço o médico a dizer à filha: "chegou a hora. Despeça-se da sua mãe. Deram um beijo. A filha disse: "amo-te". Amo-te, foi a resposta da mãe", conta a enfermeira, que "preferia não ter assistido a nada daquilo".
 
"O médico injetou duas ampolas de 05 ml de uma substância. Começou a profundir e só lhe pergunta "está bem?" e ela [responde] "muito bem". Não tirei os olhos da senhora. Vejo-a tranquila", contou Verónica Rocha, explicando ainda que quando restavam "três mililitros" da substância usada pelo médico a senhora começou "a ir" e, no final dos 10 mililitros "já não tinha vida". O processo final durou menos de "um minuto".
 
"Ele [o médico] fechou-lhe os olhos. Colocou-lhe a mão sobre o coração, não há batimentos. E, a pessoa começa a arrefecer instantaneamente", contou a enfermeira portuguesa, garantindo ainda que "recusará participar numa próxima eutanásia", embora saiba que está "num país em que a qualquer momento podem dizer: tens que subir de novo" para o piso onde o doente estiver instalado.
 
Verónica Rocha expressa uma opinião muito negativa, que "já tinha antes", contra a eutanásia. Mas, a sua convicção tornou-se "mais forte", depois da experiência que viveu.
 
"As pessoas só têm noção do que é eutanásia, depois de assistirem à eutanásia. [Diz-se que] é uma morte digna ou uma morte sem sofrimento e uma morte rápida. Mas, simplesmente, é um método fácil de desistência", considera a enfermeira que terminou o curso há dois anos, chegou a Bruxelas há ano e meio, para trabalhar numa enfermaria geriátrica, depois de não ter conseguido emprego em Portugal.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Tia

Árvores de Oliveira por Vicent Van Gogh
 
Hoje fazia anos uma pessoa importante para mim.
Importante porque foi graças a ela que eu sou quem sou.
Há pessoas assim, que nos ajudam a ser:
Com elas definimos gostos, aprendemos conceitos, interiorizamos a lógica das coisas.
Aprendemos a dar importância ao que é importante e aprendemos o que é importante.
O resto resolve-se.
Hoje fazia anos essa pessoa.
Que me ensinou sem palavras, com actos, com atitudes virtuosas, coerentes e corajosas.
É o primeiro aniversário que ela passa no Céu.
Mesmo com fé, custa tanto a distancia e a partida faz sofrer.
Hoje vou festejar.
Porque hoje fazia anos a pessoa que me deixou saudades, é tão bom e tão cruel deixar saudades.
Hoje vou festejar tal como estivesse cá.
Porque ela está mesmo aqui, dentro de mim, porque graças a ela sou quem sou.
Hoje na minha agenda está marcado os 82 anos que fazia.
82 era nada perante a sua juventude.
Hoje agradeço a oportunidade de ter lutado com ela, de ter vivido com ela, de ter aprendido com ela e de ter cuidado dela.
Hoje fazia anos uma pessoa que me ensinou o mais difícil de ensinar, o mais difícil de compreender e o mais difícil de Amar.
Hoje fazia anos a pessoa que me mostrou Deus.
Hoje não fazia anos, faz anos a minha Tia-avó que foi uma espécie de "Tia-mãe".
Parabéns minha querida Tia Alice Helena.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Ainda existe boa publicidade (IX)

Irreverente, criativa, algo irreal, mas sobretudo divertida.


Excelente anúncio da Doritos que passou no SuperBowl, que talvez tivesse passado despercebido, não fosse a NARAL Pro-Choice America ter ficado ofendida por, cito, "terem humanizado os fetos" e estereotipado homens e mulheres. Q'horror... 

#NotBuyingIt - that @Doritos ad using #antichoice tactic of humanizing fetuses & sexist tropes of dads as clueless & moms as uptight. #SB50
Felizmente, já houve quem lhes respondesse à altura.

E é isto que boa publicidade faz: pensar, discutir conceitos e falar da marca. Up top, Doritos!

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Uma interrupção que não se retoma

Nota: Já só inclui IVG por opção da mulher, isto é,
exclui IVGs por motivos médicos e de saúde.

Fonte: Direcção-Geral de Saúde
71% das "interrupções" "voluntárias" de gravidez (a única palavra incontestável) em 2014 foram as primeiras que aquelas mães faziam. Pode-se considerar que tenham ido "corrigir um erro".

Mas isso significa que 29% foram segundas IVG's (com as devidas aspas lá dentro). Quase um terço das pessoas que recorrem ao aborto - ai, desculpem, - à IVG, fê-lo repetidamente.

Pior: 8 mulheres fizeram pelo menos 10 IVGs. 80 abortos no total (no mínimo, não se esqueçam que está ali um 10+). 17 mulheres fizeram, somando, 143 IVGs pagas pelo contribuinte (eu e você).

Cada IVG custa ao Estado 700€.
O Estado gastou, em 2014, 11 mihões de euros em IVGs.
O Estado gastou, em IVGs repetidas, 3 milhões de euros.

Não me venham dizer que ter uma taxa moderadora de 7,75€ não faz falta.

Não discuto que muitos destes "números" se tratem de mães com uma história e circunstância difícil, que tenham vertido lágrimas, que lhes tenha custado, sendo mais ou menos "voluntária" a sua interrupção. Mas isso não invalida que haja uma facilidade de acesso e repetição que não foi votada em referendo.

A ILC Pelo Direito a Nascer, com mais de 50.000 eleitores subscritores, pedia apenas que se olhasse para esta realidade a que chegámos, e fosse consequente com as promessas de 2011: as mulheres devem ser despenalizadas, sim, mas também acompanhadas e ajudadas.

A ILC passou na Assembleia, para logo vir a Frente de Esquerda e ignorar 50.000 eleitores e desfazer a alteração, sem argumentos nem análises.

Tal como a esquerda quer "interromper" a discussão com um rotundo "está bem como está", estas "interrupções" de vidas, nunca são retomadas. Na verdade, o que se pretender é terminar as vidas, e terminar a discussão.

Mas isso não vai acontecer, não enquanto houver coragem na Presidência e voz no HEart.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

ouvido no supermercado

Ontem, no documentário "Três Dias Que Chocaram Paris", que passou na RTP1, ouvi este relato espantoso*:

[No supermercado kosher onde fez 8 reféns, diz o terrorista Coulibaly]
"Sabem, é que vocês, judeus, vocês gostam de viver, têm prazer nisso, batem-se por isso. Nós, muçulmanos, preferimos a morte."
Ainda que saiba que isto não é representativo do islão, é o pensamento deste muçulmano em particular. E isso é aterrador.
Mas a capacidade que este homem teve de perceber que as religiões judaico-cristãs são religiões de vida, de paz, de felicidade - é em si um elogio fortíssimo. Diz a testemunha que "nesse momento, eu soube que queria viver". 



Ide ver, vós que tendes possibilidade de ver as gravações dos últimos 7 dias!

* Cito de memória, perdoem incorrecções