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quarta-feira, 2 de março de 2016

Quo Vadis?

A noite de anos acabou aqui, no Coração de Roma e do Mundo
 
Voltei!
Voltei mais velha, voltei mais rica, voltei mais feliz, voltei mais gorda!
Foi sem duvida uma grande oportunidade passar uma viragem de uma década numa cidade maravilhosa, incrivelmente bonita: R O M A!
Papa, fé, arte, pizzas, massa e gelados o aniversário não podia ser melhor. Neste Ano Santo do Jubileu da Misericórdia - manda a tradição nos Anos Santos irmos a Roma, tal como os meus antepassados foram eu também fui!
 
...e de repente ali estava ele, o Caravaggio
 
Como é bom celebrar com aqueles mais amamos ao lado de um Caravaggio, é impossível não ficarmos emocionadas ao ver a "Vocação de São Mateus" (imagem#2), a sensibilidade de Caravaggio é para mim uma das formas mais vigoroso de Deus mostrar a sua Misericórdia, utilizou-se daquele instrumento inútil e arrogante para revelar o melhor da Arte Sacra.
Em Roma a arte não é só arte, é vida, é fé, é amor e é muita paixão.
Como é bom poder estar ao lado de Francisco, o nosso Papa, ver a sua humildade, contagiar-se pela sua esperança, enquanto ele gritava na audiência: "O Amor de Deus é maior do que qualquer pecado!"
Nenhum chef de cozinha atinge a combinação de uma Pizza al Metro, de melanzana, acompanhado com uma Birra Moretti, enquanto comemos sentadas nas laterais da Cidade do Vaticano.
Bolo de anos: o melhor gelado do mundo, a trufa de chocolate do Tre Scalini, saboreado na Piazza Navonna ao lado de uma mais bela escultura de Bernini!



Esta luz, a Tua Luz



Em cada esquina um pormenor
 
Roma como eu gosto de ti.
Tudo em ti transpira paixão, não existe meios termos, tudo é vivido com intensidade, não existe hipocrisia e é isso que eu desejo para a minha nova década.
Tudo em ti é especial, os pormenores nas paredes mais gastas e mais velhas da Europa, a cor, o cheiro e a luz.
Berço de artistas, coração da minha fé. Roma!
 
 
 
 
 
Tenores da Córsega cantam ao Papa
um hino à Nossa Senhora 
 
 
 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Um cansaço feliz




"Cansaço feliz" foi uma expressão que ouvi nestes últimos dias e que se adequa, de uma ou outra forma, ao ano letivo ou de trabalho já percorrido ou a percorrer e aos planos para as férias que já fizemos ou vamos fazer.
Fez-me pensar que, apesar da conotação negativa da palavra cansaço, o cansaço feliz deve ser das melhores sensações que podemos experimentar. 
Só estamos cansadas e felizes quando fizemos algo que nos saiu "da pele", que exigiu bastante de nós, que nos levou a pôr capacidades nossas a render e, talvez, até nos tenha obrigado a pôr em prática capacidades que nem sabíamos que possuíamos. Levou-nos a dar e, principalmente, a darmo-nos. Aos outros, porque o dar e o dar-se exigem, naturalmente, recetores, que não nós próprios. Foi necessário que saísse muito de nós para as outras pessoas. E, ao contrário das regras da matemática, tudo quanto subtraímos de nós, entrou, depois, às catadupas! E entrou diretamente para um armazém que fica com ainda mais capacidade para dar, dar, dar... Fica no coração! E, no final, apesar dos pesares, de nos ter custado, de nem sempre tudo ter sido um "mar de rosas", de ter havido momentos em que nos deu vontade de "hibernar"... fica aquela sensação de que valeu imenso a pena todo o cansaço, que agora nos parece uma bagatela. Que o faríamos uma e outra vez. Mil vezes, se fosse preciso.
O "cansaço infeliz" cansa muito mais, pois não é generoso, preocupa-se consigo mesmo ou com retribuições... Contudo, o cansaço feliz também exige descanso e férias, mas não "descansos infelizes", frutos de um certo egoísmo, às vezes subtil, da procura do "meu" descanso e do dolce far niente... Quando enveredamos por aqui, reparamos depois que este far niente tem muito pouco de dolce e de descanso e muito de cansaço e de efeito "miragem"... E é esta miragem que nos engana, porque não nos enche, não nos leva a lado nenhum, nem sequer ao descanso próprio, que também é necessário. Parece antagónico, mas, por vezes, descansamos mais num projeto de voluntariado do que passando dias e dias na praia! Realmente, é super verdade que o descanso próprio exige que nos preocupemos com o bem/ descanso de quem está à nossa volta.
Assim, dêmos espaço para a felicidade do nosso cansaço e do nosso descanso! :)