sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Sabedoria de William Shakespeare

Depois de algum tempo percebes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto de mais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aprendes que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas de a perdoar por isso. Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Aprendes que se leva anos a construir a confiança e apenas segundos para destruí-lá, e que podes fazer coisas das quais te arrependerás para o resto da tua vida.

Aprendes que grandes amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E que o que importa não é aquilo que tens na vida mas quem tens na vida. E que bons amigos são família que pudemos escolher. E aprendes que não tens de mudar de amigos se compreenderes que os amigos mudam. Percebes que o teu melhor amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada,  e terem bons momentos juntos.

Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida são levadas de junto de ti muito depressa, por isso deves despedir-te sempre das pessoas que amas com palavras carinhosas, pode ser a última vez que as vês.


Aprendes que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começas a aprender que não deves comparar-te com os outros, mas com o melhor que podes ser. Descobres que se leva muito tempo a tornar-se a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto. Aprendes que não importa onde já chegaste mas para onde estás a ir. 

Aprendes que ou controlas os teus atos ou eles te controlarão a ti, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados. 

Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências. Aprendes que paciência requer muita prática. Aprendes que algumas vezes a pessoa que esperas que te empurre é das únicas que te ajudam a levantar.

Aprendes que a maturidade tem mais que ver com o tipo de experiências que se teve e com o que aprendeste com elas do que com quantos aniversários celebraste na vida. Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que imaginavas. 

Aprendes que quando estás com raiva tens direito a estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobres que só porque alguém não te ama da maneira como queres que te ame, não significa que essa pessoa não te ama com tudo o que tem, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como o demonstrar.

Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens de aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas poderás ser condenado. Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não para para que o consertes. E aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Portanto...planta o teu jardim e decora a tua alma, em vez de esperar que alguém te traga flores. E aprendes que realmente podes suportar, que és realmente forte, e que podes ir muito mais longe, depois de pensares que não podes mais.

Após algum tempo percebes que a vida tem valor é que tu tens valor diante dela.




É só a mim que me está a dar a preguiça de arrumar a roupa de Inverno no armário?


Morrer a lutar pela vida não é digno?

Se há assunto que é sério é a morte.
Morrer é difícil, a ideia de partir, deixar para trás tanta coisa, do desconhecido, da solidão, porque ninguém morre acompanhado, ninguém morre por ti, ninguém morre contigo.
Tu morres sempre sozinho.
Só a palavra morte arrepia, traz medo, pânico, pavor.
Ninguém quer morrer.
Nós não fomos criados para a morte, fomos criados para a vida. E nenhum niilista pode negar essa evidência, é a natureza humana. se não houvesse água eu não sentiria sede, se não houvesse vida eu não sentiria a vontade de viver eternamente.
Mas não quero falar do sofrimento das doenças terminais, nem quero falar da estupida impotência que é para as suas famílias, nem quero falar da dor física, insuportável, esgotante e sem fim, nem do vazio de quem espera pela morte.
Porque todas as palavras que posso escrever não são vividas apesar de ter acompanho, não sou eu ali.
Não quero falar da morte, quero falar da forma de morrer.
E quero dizer que há muita dignidade de quem sabe sofrer, ou melhor nunca vi maior manifestação de dignidade humana de quem aceita esse sofrimento, mesmo que isso signifique ficar sem cabelo, estar numa cama, perder a visão, deixar de andar, não saber quem é nem o que foi e o que faz, de não se reconhecer. Não é isso que te faz menos homem, nem é isso que faz a importância que tens para mim para o outro. E quem sabe agora é o momento para te amar mais, para estar contigo, para te agradecer.
Vivemos num mundo egoísta em que custa tratar dos doentes e dos mais velhos, eles normalmente cheiram mal, não sabem comer e já não são bonitos, mas é preciso de lembrar que o que nos distingue dos animais é o Amor. Fomos criados por amor, para amar e para sermos amados.
É digno a lutar pela vida até ao fim, é digno o amor de quem está à tua volta e que de repente se manifestou como nunca se tinha visto antes nem no dia do teu casamento, é digno quem se desprende de todo o material mesmo desse lindo cabelo e é digno quem sem entender e até sem querer abraça com tranquilidade o sofrimento.
A tua morte foi verdadeiramente digna, mesmo que o mundo diga o contrário.

O exterior no interior

Ao contemplar a natureza, através da janela do quarto, ponho-me a pensar, muitas vezes, como era bom poder trazê-la para casa. 

Gosto muito de flores, e essas podemos tê-las no quarto, das mais diversas formas. Tenho, até, a sorte de saber pintar  e trazer para casa representações de montanhas, vales, rios, árvores, que ficam eternamente fixas à parede, protegidas por um vidro que conserva o pigmento artificial que as produziu. Mas, nestes casos, falta o movimento, o cheiro, o palpável, a atmosfera que sentimos quando estamos na rua, no meio da floresta, num jardim ou no rio.

Gosto muito de chuva, de molhar as botas nas poças de água e de chegar a casa encharcada e ter de trocar de roupa. Gosto destas sensações que a natureza nos traz e gostava muito de poder guardá-las no meu quarto.



Pois é... e sabem que mais? Parece que isto se tornou possível com a invenção de Berndnaut Smilde, um artista holandês que usa a quantidade essencial de humidade e luz para criar nuvens e chuva dentro de casa... ou em qualquer lugar!







Como é bonita uma sala, clássica ou contemporânea, com um pouco do exterior no seu interior. Não se torna mais natural?

Gostava de saber porque raio a Angela Merkel disse que somos um país de licenciados?

Noticia AQUI


(*) Houve mais cidadãos portugueses a concorrerem à Casa dos Segredos do que ao Ensino Superior. E houve cidadãos portugueses que nem na Casa dos Segredos nem no Ensino Superior.

já me esquecia que é tão bom voltar a casa

-Mãe fazes um favor à tua filha? Podes trazer-me qualquer coisa para comer, tenho muito trabalho e não consigo  almoçar em casa?
....
(Passado 1h recebo um Tupperware com filetes, frescos comprados no Mercado, arroz salteado com legumes e salada de tomate, cenoura e beterraba, a acompanhar pão caseiro, tudo isso embrulhado com uma toalhinha simpática)

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

HEart beats slow


Looking for a job is a full time job

Disse-me um dia alguém com muita experiência e muitos anos de carreiras. Na minha ânsia por um futuro brilhante explicou-me a importância deste espaço de tempo entre terminar o curso e encontrar um trabalho. Que valia ouro porque era a altura perfeita para aprender verdadeiramente acerca de mim. Já aprendeste o suficiente sobre moléculas e doenças, agora tu. O problema das frases inspiradoras é que apesar de ficarem na cabeça demoram algum tempo a assimilar.

Passamos cinco anos da nossa airosa juventude em que o acne e as feições de adolescente já desapareceram agarrados a livros e festas académicas. Experimentamos todas as fases que vão desde: “adoro o meu curso” até “odeio o meu curso, quero mudar, já!”. E sonhamos com o dia em que acabamos e podemos escrever no facebook “Finalmente Mestre” e agradecer aos pais, familiares e amigos todo o apoio ao longo dos anos.

Mas na verdade a sensação é um bocadinho diferente, dão-te um canudo e um pontapé no rabo. Para que te serve o canudo? Das duas uma: podes usar como monóculo e tentar ver “para o infinito e mais além” ou podes espancar todos os que à tua volta não te disseram que depois de tudo ficas entregue aos bichos.

Depois começam os telefonemas, as entrevistas, as propostas, a falta de telefonemas e os “redondos não”! Ninguém te avisou que ias precisas de uma gabardine para a quantidade de baldes de água fria que para aí vem. Os consolos dos que estão à tua volta são quase iguais aos que se dá aos recém-solteiros: “não te preocupes, vai aparecer alguém melhor”. Vai-te apetecer pegar no canudo e usa-lo na funcionalidade número 2. Que horror Maria, que mau feitio!

Na verdade existe um equilíbrio entre os sonhos megalómanos e não baixar os nossos padrões por qualquer coisa que aparece (e isso aplica-se aos recém-solteiros e aos recém-desempregados). Tinha mais piada se a frase seguinte começasse com: “e esse equilíbrio chama-se….”. A verdade é que pode ter vários nomes. Por exemplo, Daquele que sabe o que é melhor para ti, agora e sempre. Só assim é que percebes que um não não é igual a “as tuas capacidades não são suficientes para atingir as tuas ambições”. Oferecer e confiar. E só assim faz sentido engolir tantos sapos. Antes sapos que chocolates, não engordam! Pões um certo sentido de humor nas coisas mesmo que sejas a única pessoa a rir-te das tuas piadas.

Só assim os conselhos de ouro fazem sentido e te consegues aperceber da sorte que tens em estar a viver este momento, agora. Pegas no canudo e, com um sorriso na cara, passas a usa-lo na funcionalidade número 1: para o infinito e mais além!


Apontamentos #1


5. V. 2014.
 Angra do Heroísmo

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

não vale a pena...

.... comprar bolachas de dieta, é que eu como logo o pacote inteiro e elas passam a não ser de dieta.

Canopy

"O “Sintra Canopy – A floresta vista de cima” é uma atividade que permite aos participantes deslizar entre plataformas junto às copas das árvores, recorrendo à técnica de slide, na encosta do Castelo dos Mouros. É uma atividade de arborismo única em Portugal, na medida em que não existe nenhum local no país que una a emoção do slide com a aprendizagem sobre um ecossistema, e numa envolvente natural tão singular como a de Sintra. Os participantes desfrutam do local, não existindo os constrangimentos de atividades que impliquem o ultrapassar de obstáculos ou o cumprimento de tempos, – trata-se de um percurso de descoberta e diversão." (Acho que melhor explicação é impossível)




Desde que o meu irmão voltou da Costa Rica com aventuras de roer de inveja que tenho vindo a ter cada vez mais vontade de experimentar canopy. Nunca tinha ouvido esta palavra antes, mas tem graça. 

Acho que à minha volta me reconheceriam mais facilmente se este post se chamasse alguma coisa como "Zara". Mas meus amigos: sou mesmo eu e neste momento estou cheia de vontade de experimentar isto do canopy. 

Só preciso de reunir duas condições:
1)Parar de chover;
2)Arranjar uma companhia que não morra de vergonha que eu possa desatar aos gritos.  

Há pessoa que falam a verdade a mentir

Artigo completo AQUI
 
 

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Caminhos

Eu sou uma pessoa desorientada por natureza. Graças a isso passei a conhecer imensos sítios novos. Tem piada voltar a passar por lá e pensar “eu conheço este sítio…ah deve ter sido de alguma vez que me perdi”.

Há caminhos engraçados e há caminhos simplesmente aborrecidos. Há caminhos que faço sozinha com a música aos gritos e a cantar super alto. Outros que faço com o pai a ouvir o mesmo cd vezes sem conta, “esta é a música que a menina gosta”. Há caminhos curtos e há caminhos compridos.

Há caminhos que são sempre iguais e nos levam sempre ao mesmo lugar mas ao mesmo tempo parece que nos levam sempre a um destino diferente. De tanto os percorrer já conhecemos os buracos na estrada, os sinais, os semáforos. Bolas, e os semáforos que ficam sempre encarnados quando estás prestes a chegar a esse destino que é sempre diferente.

Depois há caminhos que nos fazem deixar de fazer o caminho de sempre. Viras e reviras o mapa à procura do norte. Dás voltas ao mesmo quarteirão. Ainda pensas em pegar no GPS. Mas ele simplesmente já não existe. "Onde foi que eu me perdi?". Mesmo que apanhasses o metro ou o autocarro não ias voltar a chegar lá, não vale a pena tentar fintar a estrada. Porque aquele caminho não é mais o teu e não tens de esperar mais naquele sinal encarnado.

Um dia quando dás por ti estás a fazê-lo outra vez. Mas desta vez os buracos são só isso, buracos. Percebes que só na tua imaginação é que eles eram parecidos a qualquer coisa como uma arritmia. E aquele sinal encarnado não é mais que um tempo de espera até teres segurança para avançar. E o caminho passa a ser só isso: uma estrada de alcatrão. Quem sabe que te leva a um sítio para te perderes outra vez. E avanças com confiança porque o sinal está verde



"From London With Love"


E agora para uma das melhores campanhas publicitárias dos últimos tempos. A Burberry fez um vídeo publicitário de 4 minutos para esta Christmas Season protagonizado pelo piqueno Romeo Beckham. Muito bem conseguido... Quem sai aos seus, não é de Genebra, como diria o outro.

Bem-vindo, espírito Natalício!

O que é natural é melhor!

Vem ai o curso dos Métodos Naturais e como diz a sabedoria popular: o que é natural é melhor.
Para casais, noivos e médicos

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A Associação Família e Sociedade vai realizar o próximo curso de Métodos Naturais de Planeamento Familiar, nos dias 8 e 15 de Novembro (das 14h30 às 19h), em Lisboa, no Auditório da Rádio Renascença (R. Ivens 14).
Para inscrição ou mais informações clique aqui.

Once in a blue moon

Há expressões que não têm tradução. Há outras que têm, mas que perdem a graça toda com a mudança de língua. É o caso desta: once in a blue moon. Em português: “esporadicamente”, ou “muito de vez em quando”. Nada que ver com luas, nem azuis nem brancas.
Estive a pesquisar, porque gosto de conhecer a origem das expressões que regem a sabedoria popular desde que ela existe, e descobri que de três em três anos, ou a cada trinta e três meses, podemos observar a lua cheia duas vezes num mesmo mês.
A expressão faz sentido, portanto. Mas não me lembro de estar atenta e presenciar isto, nem nunca ouvi ninguém dar importância a este facto.

“De três em três anos, consegues ver a lua cheia duas vezes em pouco tempo.”
“Ah sim? E então?”

E então? Então andamos com os olhos colados ao chão. Lembras-te da tua última blue moon? Eu lembro-me da minha. Foi há três anos, e lembro-me de estar presa a mim mesma. E a única realidade que conhecia eram sombras, qual alegoria da caverna. E achava que sabia tudo. Até que, um dia, ele apareceu e, sem querer, rasgou-me a vista do chão, e passei a ver. A vê-lo, e a vê-Lo. Vi tudo, aos poucos, mas muito claramente. Um, através do Outro, tinha-me trazido a luminosidade que acompanha uma lua cheia, mas a dobrar. Passou a ser a minha luz de presença, o depósito da minha confiança. Mergulhámos juntos. Puxámos, empurrámos e desesperámos. Rimos, chorámos, e crescemos. Moldámo-nos.

O que me aconteceu, não acontece. Ou melhor, pode acontecer, uma vez muito de vez em quando. E agora, passados três anos e se Deus quiser, a minha blue moon vai voltar. Mas desta vez, vem para ficar.
George Peppard and Audrey Hepburn in "Breakfast at Tiffany's"

É tão bom quando...

No meio de uma intensa e imensa chuva, sobrecarregada de tons cinzentos e negros, avistamos um pedaço de céu azul.


E saber que há alguém que acredita e espera por nós, continuamente. Nos ama com as nossas misérias.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Welcome back, once again!

Hoje disse-te sim. Aceito-te de volta.

Para um novo começo, uma nova fase em que tu e eu estamos diferentes. Diferentes na maturidade, postura, comportamentos e timings.

Digo-te sim...

Para novos dias...Especais e menos especiais.
Para novas semanas... Com ou sem contrariedades (venham elas!!).

Para novos meses... De encontros, reencontros e desencontros, de mistérios e inconstâncias, sorrisos e lágrimas. Tudo o que justifica o meu sim de hoje.

Digo-te sim...

Apesar dos teus sinais mais ou menos óbvios a minha resistência foi sempre maior, admito. Não por aversão à mudança, mas por valorizar os meus próprios timings. Sem pressão nem ansiedade porque para mim o importante não é seguir os timings da maioria mas descobrir onde começam os meus, e principalmente: os teus!

Hoje digo-te que sim...

E, no fundo, eu sabia que ias esperar pelo meu sim que mais tarde ou mais cedo chegaria...teria eu outra hipótese? Talvez, mas prefiro pensar  no sim que dei do que nas 101 alternativas que poderia ter escolhido. Há sempre alternativas que se atravessam mas são meras ausências do que sou. Surgem para nos desviar do óbvio e dos nossos SIMs!

O meu não foi a 21 de setembro, nem a 21 de outubro, foi hoje, dia 3 de novembro: Welcome back Autumn, once again! Fica o tempo que tiveres de ficar, o sim de hoje é para o que de bom e menos bom queiras partilhar...o meu outfit está no armário já em ready to wear mood. Cedo ou tarde, não me interessa, é o meu timing !! Diferente do teu? 100% sure, não há histórias iguais!

E este ano a nossa história recomeça com o  reinicio do In HEart <3

O  timing para resistir passou e o sim de hoje vale pelas 101 alternativas que ficaram para trás! Fall in love with autumn on HEart!

"Substituiu-se a moral do conhecimento pela ética do sentimento"

 
Artigo completo AQUI

 
 
 

E em Novembro....



O HEart voltou em força

Amigas de infância

Numa entrevista de trabalho perguntaram-me “que programas gosta de fazer com os seus amigos?”. No meio de todas as respostas óbvias que podia ter dado e que me passavam pela cabeça, sorri e disse:

Sabe, eu tenho a maior sorte desta vida de ter mantido o mesmo grupo de amigas desde os 4 anos da infantil. Algumas até desde os 2/3. Além de todos os amigos que tenho vindo a conhecer ao longo dos meus 24 tenho a sorte de ter estas. Gostamos de fazer muitos programas juntas sim, principalmente tudo o que envolva refeições… Mas mais que isso, gostamos de estar simplesmente juntas e reviver, ao fim dos nossos 24, a mesma amizade da infantil.

Cada uma seguiu o seu curso, fez novos grupos de amigos, arranjou trabalho, etc etc. Mas ao longo do caminho que cada uma segue durante estes 24 temo-nos umas às outras a 100 metros de distância. Sim porque além disso temos a sorte de ser vizinhas.

Somos todas tão diferentes: umas mais viradas para as artes, outras para a gestão, eu sou a minoria da saúde. Mas ao mesmo tempo tão parecidas: vaidosas, discutimos unhas de gel, histéricas com as combinações do jantar de natal. E iguais no fundamental: a amizade.

Uma tem uns olhos de um azul-quase-impossível. Vai ser uma mulher de negócios e é incansável nas combinações. Outra aqui entre nós que ninguém nos ouve: é uma grande artista (mas ela não gosta que se diga isto). Desde pequenina que lhe basta uma folha e uma caneta. Diz-se por ai que andamos à procura de casa juntas e já temos máquina de café. Depois há aquela que faz bolos como ninguém. Vai começar agora a escrever a tese, espero que lhe sobre tempo para a cozinha! E a mais pirosa de todas? Ah essa… Tem também a mania de por etiquetas em tudo o que seja gavetas, prateleiras… Tenho inveja da organização dela. Depois juntaram-se mais três elementos et voilà: está o baile armado.

Já não usamos bata nem farda. Já não almoçamos juntas de segunda a sexta na mesa do refeitório. Os programas nem sempre tem 100% de adesão. Mas quando estamos juntas, onde quer que seja, continuamos a rir umas com as outras, umas das outras, da mesma maneira infantil de há vinte e tal anos atrás. Rir até doer a barriga.

E por isso, da próxima vez que me perguntarem “que programas gosta de fazer com os seus amigos?”, se calhar vou dar uma resposta politicamente correcta que permita mostrar com clareza os programas que gosto de fazer. Mas quando a der vou ter um sorriso na cara e aquela sensação boa no peito por pensar: “Sabe, eu tenho a maior sorte desta vida de ter mantido o mesmo grupo de amigas desde os 4 anos da infantil”.

pior que os livros de história do 12º ano


É ter em casa um irmão que veio de Cuba e acha que o Che Guevara é o maior!


O Hipster

domingo, 2 de novembro de 2014

Aprender com os grandes artistas

(imagem: atelier de Morandi)

Hoje quis ser como Morandi...
Nunca me interessei muito por naturezas mortas, até conhecer a obra de Giorgio Morandi.

Morandi viveu no início do século XX e a maior parte da sua vida foi dedicada a estudar garrafas que colecionava no seu atelier e pintava com um lindíssimo simplificar da forma geométrica. As garrafas eram representadas como se as olhasse sob a forma bidimensional, quase sem se preocupar com transmitir a beleza da transparência dos vidros, num jogo de luzes abstrato onde as linhas só apareciam pelo contraste luz-sombra.

Os seus quadros são, hoje em dia, muito conhecidos e estudados. No entanto, Morandi, na sua época, era uma pessoa muito simples, passava despercebido, Viveu uma vida humilde, sem excentricidades, como homem comum que dizia ser. Começou a trabalhar aos 16 anos, altura em vendia quadros de flores para ajudar a pagar as contas da casa de família numerosa. Os seus objetos de estudo eram coisas que encontrava no dia-a-dia, sendo que os seus primeiros desenhos foram representações de figuras do presépio que tinha em casa. No fim da sua vida desenhou paisagens sem se preocupar com o visual estético que pudessem apresentar, pintava aquilo que via da janela do seu quarto: um prédio e uma árvore. 

A beleza das suas obras deve-se, acima de tudo, à persistência com que sempre trabalhou. Tinha um trabalho muito metódico, fruto da vida regrada que levava. Trabalhava para aperfeiçoar a técnica, não para impressionar. 
Numa época e sociedade que consideravam a profissão de professor muito baixa para um artista, dedicou-se a dar aulas de gravura, importando-se unicamente com o aperfeiçoamento do seu rigor e com transmitir a outras pessoas aquilo que de tão especial tinha.

Acima de tudo, impressiona-me a sua capacidade de trabalho rigoroso e sistemático, persistente, a maneira como era capaz de se maravilhar todos os dias com as mesmas garrafas, transmitindo-lhes uma luz e uma beleza novas a cada pincelada na tela.

Hoje quis ser como Morandi...
Nunca me interessei muito por naturezas mortas e nem gosto especialmente de pintar a acrílico ou óleo sobre tela. Mas hoje quis ser como Morandi e beber da sua capacidade de trabalho, alheia a vontades de momento ou a sentimentos e inspirações. 
E nada melhor do que encarnar a personagem começando por interpretar uma das suas obras. 
Aqui vai:

(imagem: interpretação de natureza morta de Morandi. Rosarinho Morais Barbosa, acrílico sobre papel Fabriano A1)


ser careca nunca foi tão chic

Estamos nos primeiros dias de Novembro, ou seja andam aí as latinhas
do peditório da luta contra o cancro.
(photo by me)
É para pôr o autocolante no casaco!!!!
+info's: AQUI

Spotify

Há pouco tempo tornei-me fã do spotify. Não sou fã de muitas coisas. Não tenho uma banda preferida, uma atriz preferida, um filme preferido, um livro preferido, uma cor preferida… Mas sou fã do spotify.

E por isso mesmo gostava de perceber porque é que esta aplicação que me tem feito tanta e tão boa companhia cria listas como:

- Solidão portuguesa;
- Tristeza que balança;
- Sad girl song day;
- Coração partido;
- Na hora da despedida;
- E outras que tais que nem vale a pena mencionar.

Eu também fico triste às vezes. Também já passei por isso que se chama de “coração partido”. Também já tive de me despedir de alguém muito querido. Mas criar compilações de músicas que alimentem tudo isso?

Juro, que se alguém me explicar eu retiro tudo o que disse e faço um pedido de desculpas por ser inoportuna.

Ainda assim, continuo a ser fã do spotify. Se calhar não a fã nº1. A fã número qualquer-coisa.

sábado, 1 de novembro de 2014

HEart to heart


Feira das almas

Fica uma ideia para o fim-de-semana:


Eu cá vou no domingo, querem saber porque?


Porque estou desejosa de ver os novos pendentes da Lovely Breeze. Passem pela banca delas, vale mesmo imenso a pena! Tudo feito 100% à mão por duas amigas muito queridas. 

argumentos contra uma mãe niilista

-A menina já arrumou o quarto?
-Mãe, como não há verdades absolutas, do meu ponto de vista e com a tua tolerância está arrumadíssimo!

Estou farta de americanadas....

(by M.Paccetti)
Hoje não é noite halloween é a véspera do dia de todos os Santos.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

as coisas mais vulgares são as coisas que deixam saudades

  • andar no lado da janela do elétrico #28, sentir que aquilo vai-se desmanchar a qualquer momento;
  • no domingo ir a São Nicolau e se der tempo passar pelas montras Baixa-Chiado;
  • o cheiro a rio que fica muito aquém do cheiro a mar, mas tenho saudades;
  • de comer um cachorro no metro enquanto vou a correr para o trabalho;
  • lanchar à quarta-feira na Avenida Miguel Bombarda;
  • ouvir miúdas aos gritos no sábado;
  • do senhor João o porteiro da biblioteca da Universidade;
  • das meninas com laços verdes na cabeça;
  • da meia-hora antes do almoço na Universidade Católica;
  • dos jantares com nomes de capitais europeias;
  • das tostas da expo;
  • do gin tónico do Estoril;
  • das passadeiras do Cais de Sodré;
  • do Mata-Bicho do Honorato;
  • de "mirar o rio" em Belém;
  • dos pic-nic nos Jardins do Lumiar;
  • de Lisboa.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

9 motivos para ser feliz

Quando digo que tenho 9 irmãos são várias as reações e perguntas que surgem. “Como é cozinhar para tanta gente? Devem ter panelas enormes!”, “Como é que viajam todos juntos?”, “O natal lá em casa deve ser um máximo”, “És das mais velhas ou das mais novas? Sou a número 7”. Às vezes é preciso fazer a cara número 33 para responder pela milésima vez a todas as perguntas.

Eu tenho nove irmãos, mas mais que isso, eu tenho nove irmãos que são também nove amigos e a melhor coisa que os meus pais me podiam ter dado no mundo. A sério. Se alguma vez por algum motivo bizarro pudesse escolher “quero este irmão ou aquele” eu escolheria exactamente estes nove, de olhos fechados.

Eu tenho nove irmãos que às vezes são também nove dores de cabeça. Elas porque usaram aquela-camisola-que-eu-adoro-no-meio-das-trinta-que-tenho. Eles porque falam alto que dói e gritam quando o Benfica marca golo. Porque “não é a minha vez de por a loiça na máquina”. Ou porque “eu estava a ver esse filme, porque mudaste de canal?”. Mas, se alguma vez por algum motivo bizarro eu pudesse escolher os motivos das minhas dores de cabeça escolhia estes nove, de olhos fechados.

Eu tenho nove irmãos que são também nove amigos, e quando acordo tenho todos os dias 9 motivos para ser feliz, 9 motivos para agradecer, 9 motivos para rezar e 9 motivos para sorrir 9 vezes mais.


E por isso, nesta minha estreia no HEart é assim que me quero apresentar: “Olá, eu sou a Ni e tenho 9 irmãos!”. 

Dia 30 é um bom dia para recomeçar!

hoje vamos recomeçar a aventura do HEart.
depois de casamentos. de filhos. de teses. de namoros e de noivados. voltamos.
trazemos novas pessoas: Inês. Mariana. Ni. Teresa.
bem-vindas.
obrigada a todas as pessoas que estavam à nossa espera. aqui estamos de volta.
para quem não sabe quem somos. o HEart é um reação, de um conjunto de amigas, perante uma cultura feminina cada vez mais supérflua. é uma reação às modas vazias.
inHEart (porque é no coração onde está a vontade)
(HE= Ele, ou eles + art = arte, que é o bem o belo e a verdade)
por isso inHEart.


sábado, 17 de maio de 2014

- Conta-me a história do homem que falava baixinho

Hoje de manhã foi a vista da janela do meu quarto. O vale, os pássaros e a copa das árvores, os pinheiros e os ruídos imersos num nevoeiro breve. Dei dois passos lentos para trás para que tudo encaixasse numa moldura de madeira velha. Aqui e ali havia uma árvore que se destacava como que a querer tocar o ceú. Respirei aquilo largos minutos, para que entrasse cá dentro e se entranhasse. Queria dar-lhes o meu tempo, saber contemplá-lo ao ponto de me constituirem.

- Conta-me a história do homem que falava baixinho. 
Havia um homem que pedia esmola no meu caminho para o trabalho. Mas este não é o homem que falava baixinho. Esta é outra história. Nesta história o homem não fala. No início pensava-o como penso uma das árvores ou um dos passarinhos: ele preenchia o cenário do percurso que faço todos os dias e do qual, me julguei senhora. Sei quantos minutos demoro a percorrê-lo, o que vejo, do que é que tenho que me desviar e com quem me cruzo. No início pensei que aquele caminho era meu. Lá ia eu e, às tantas, lá estava ele: o homem que pedia esmola no caminho.
Hoje não o vi e todo o dia imerso numa pergunta imersa num imenso nevoeiro: “onde estará?”. Afinal o homem não vive em mim. Agora tomei consciência que ele terá o seu caminho. Aquilo chocou-me, de certa forma e fez-me diferente. Que egoísmo. Agora vou no meu caminho e penso outras coisas: olho mais para o lado onde as pessoas vão no caminho delas, faz-me falta o homem que pedia esmola – será que encontrou o seu?
Agora mudo muitas vezes de percurso porque sou eu que escolho. Às vezes, escolho perder-me por aí. Cruzar-me noutros caminhos. Faz-me falta o homem que pedia esmola e queria dar-lhe o meu tempo como à copa das árvores. Ele tinha a tez escura e nunca soube se ri ou se chora – fazia um ar estrangeiro do qual eu desviava o meu olhar. Onde estará? O homem que pedia esmola é aquele sorriso estranho, nunca lhe vi os pés, será que tem pés? Nunca vi os troncos das árvores do alto da janela do meu quarto, mas elas não são só a copa.
- Conta-me a história do homem que falava baixinho. 
São vinte doentes pela manhã. Um entra-e-sai de gente carente que transporta os corpos e as almas. Diziam-me assim quando entrei para a faculdade: “o médico deve observar o doente desde que ele põe o primeiro pé dentro do consultório até que tira o último pois tudo nos fala da sua doença, com tudo comunica, de tudo podemos tirar informação”. Queria atirar as folhas, os registos, as análises pela janela para que se perdesse no vale, no meio das árvores e dos pinheiros, e assim olhar os doentes da raiz até à copa.
- Conta-me a história do homem que falava baixinho. 
A Dona Lurdes chora. Atrás do balcão onde atende os clientes famintos, chora. Quando lhe reclamo o porquê daquele ar triste, sem nunca deixar de fazer o que devia. No mesmo minuto em que chorou aqueceu um prato, tirou dois cafés, lavou umas malgas, só não cruzou mais o olhar comigo. Devia ter transposto o balcão e agarrá-la num abraço meigo. Devia ter saído do carro e olhado os pés do homem que pedia esmola. Eu queria ter beijado aqueles pés que por não terem destino certo, só têm o destino final que é o mesmo que o meu. Mas agora ele já não está. Seguiu o seu caminho. Agora a Dona Lurdes já não chora.
- Conta-me a história do homem que falava baixinho. 
Na verdade, pouco lhe interessava se os outros ouviam ou não. Era só isso: um homem que falava baixo. Pouco lhe interessava os papéis dos registos, das análises, a próxima consulta, mais ou menos colesterol... Conversa.


Entrei no jogo: calei-me e observei-o completamente, lentamente, sem sorrisos forçados ou olhares constrangedores. Durante uns segundos, falamos a mesma língua e fui muito feliz. Era só isto que te queria tanto contar... Que durante uns segundos, foi ele o médico e eu a doente moribunda, de bata e estetoscópio ao peito. E assim devia ser, todos os dias da minha vida. 
 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

ESTRATÉGIA

há poucas pessoas a perceber a história dos horários de trabalho. eu comecei por ser uma dessas, sem limites no tempo de dedicação à profissão. tudo, e leia-se mesmo tudo, justificava as horas extra, o trabalho aos fins-de-semana, o adeus à família em prol de um ficheiro excel, o sorriso rasgado à porteira do escritório, quando tudo o resto se desmoronava fora daquelas quatro paredes. lembro-me de receber o telefonema com a notícia da minha avó-querida-Teresa ter morrido, cairem-me umas quantas lágrimas enquanto continuava o teste de auditoria que estava a fazer, secar o que restava e continuar. o importante era não parar. estava a 200km de distância de casa e voltar não me parecia sequer solução. não tinha carro, não tinha tempo, não tinha.. coração. e como existem pessoas que nos trazem os pés de volta à terra, como era o caso da minha chefe nessa altura, voltei à força de boleia e fiquei três dias em casa. foram dos três dias mais importantes que vivi até hoje. estar com a mãe e despedir-me da avó, estar com primos e relembrarmos os bons tempos passados em Sintra, com a avó-querida-Teresa a comprar o gelado das três cores da marca barata do Mini Preço, a beber chá todas as tardes, a dizer tudo sem filtro e com uma Graça superior à média das avós-queridas. e lembro-me de deixar à minha espera durante três horas que pareceram séculos, as pessoas que me eram mais próximas, tudo porque afinal tinha aparecido um pedido mais importante para fazer. mais importante do que quê? foi isto que vi toda a vida, foi isto que quis ser desde sempre. uma mulher de negócios, sem tempo para nada, a atender mil e duzentas chamadas em três minutos. show!

mas a vida mostra-nos, através de quem é diferente e nos descalça, que aquilo que a sociedade classifica de uhuh, muitas vezes é tão simplesmente a forma mais fácil de chegar ao limite, ao limite inferior da resistência humana. não é tanto o problema da vida nos ocupar 300% do nosso tempo, é a forma como esses 300% serão um dia espremidos em utilidade, amor aos outros e marca real na vida de terceiros. comecei a tentar sair da redoma onde me meti, para poder analisar o impacto que viver assim tinha na vida das pessoas à minha volta. quis avaliar os seus graus de felicidade, medir os seus níveis de libertação. e as conclusões foram extremas: quem escolhe viver dedicado totalmente à profissão, principalmente as mulheres, consegue tão somente acrescentar 7kgs de infelicidade por cada ano de vida.

quando conheci o B, andava com um horário de comover sardinhas: eram seis e meia e estava a pôr um pé no elevador a caminho de casa, eram sete e pouco e estávamos juntos na Missa, eram oito e pouco e estávamos a ir jantar e namorar, eram onze e muito e estava a deitar-me. depois tinha o dia das amigas, o dia da família, o dia de ir beber um copo à tarde: havia dias para tudo, viver tudo e fazer tudo. passado pouco tempo, cinco semanas parece-me, as coisas voltaram ao “normal”: saídas às oito da noite, às nove e às dez. as nossas conversas passaram a ser tidas à meia noite, quando o metro me deixava em casa para mergulhar diretamente na cama. os tempos de qualidade reduziram-se a um terço e os almoços à semana caíram no grupo das raridades. o conteúdo dessas conversas passou a ser baseado nos horários de trabalho e no dificíl que seria um dia, quando fossemos família. comecei, pouco a pouco e com toda a paciência dele, a mudar a maneira de olhar para a forma certa de dedicação profissional. comecei, pouco a pouco e com todo o amor dele, a mudar os meus projetos para o futuro. arrumei a ideia da mulher-de-negócios no baú das recordações para, um dia, mostrar às minhas filhas aquilo que eu não me orgulharia que elas viessem a ser. comecei a ser, verdadeiramente, normal.

estou agora com um horário de 9h-00h. consegui chegar ao pico daquilo que a sociedade classificaria com uma mulher útil. mas agora, vivo tudo isto com uma paz interior boa, mas boa. porque agora sei o que não quero. e sei por onde quero subir os próximos sete degraus positivos. só me falta encontrar o primeiro :)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Beleza interior e exterior


Vale muito a pena ir aqui e ver e ouvir uma entrevista feita à Miss Mundo 2013, que, além da beleza exterior, revela também beleza interior.
(entrevista em vídeo (1'30'') e por escrito)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

acreditaram que valerias ouro

in http://setegrausnegativos.blogspot.pt/


é como se fosse ontem. foi onde tudo começou. ia a caminho da praia grande na carrinha encarnada gigante com manas, primas e tia T. estávamos a passar um dias na serra de sintra, em casa da avó. ia perdida a olhar para as árvores de outono e decidi abrir a janela porque as curvas da serra deixavam-me a ver a dobrar. cabeça de fora e foi quando aconteceu: caí em mim. comecei a pensar no mundo, olhando-o de fora. como quem assiste a um filme. e tentei andar para trás, chegar a respostas de "quem foi o primeiro". o primeiro que por aqui andou e que tudo começou. o arquiteto da maravilha que era tudo aquilo. depois de um esforço real, não consegui. passei à pergunta seguinte, tentando imaginar como é que tudo seria se não houvesse mundo. mas isso implicava que tudo aquilo que conhecia e que tinha como certo, certíssimo, não existiria. nada, nada. a praia grande, a piriquita, os meus pais, os meus irmãos: nada, ninguém. a sensação de vazio começava a aterrar e a gelar-me. e foi quando me lembrei disso: o sítio onde, nos últimos 24 anos, marquei presença a cada domingo. tinha que existir alguém que me queria ali, alguém que me criara porque sim, sem complicações. para ser amada e para amar os que me fossem dados. alguém que me enviaria em viagem, esperando-me anos mais tarde com uma mochila cheia daquilo que foram os tempos passados por aqui. nessa noite, dormi descansada. não só por saber que este caminho era um enorme presentão, mas por saber de onde vinha e para onde iria. na mais pura liberdade dos filhos de Deus, subiria os sete degraus de mão dada a um Pai que agora sabia como meu.

e agora, passados alguns anos, vejo a cara de radiante dela ao saber que ele, de centímetros, está ali. está nela e com ela. está neles. e é deles. e porque sei que para ela, ele, de centímetros, é um dom. um tesouro daqueles irreplicáveis, por ser demasiado bom para ser verdade. e porque percebo que para ele, ser pai é mais do que uma eventualidade: é o resultado físico e visível de um amor maior, que vivem os dois. é a personificação desse amor, daqueles que queremos para toda a vida.

e agora, passados alguns anos, reconheço que a vida é vida desde antes sequer de o ser. e que é 300% vida desde o primeiríssimo momento da conceção de uma criança. não há idades, horas ou segundos. a lógica, neste caso, não é matemática: é de amor. se nos é dado, então venha a capacidade de reconhecer a maravilha desse bem. agradecer, agradecer. e agradecer. e amá-lo, sem regatear. ser, simplesmente, simples. simples é algo que deixámos de conseguir ser, num mundo em que tudo pretende facilitar-nos a vida. perdemos a capacidade de descomplicar e aceitar que a vida é boa e simples e que a liberdade serve para decidir com vista a um bem maior, sempre. sem altruísmos ou egoísmos. e simples são as vidas humanas, desde a sua conceção. e complicados somos nós que nos esquecemos que "cada criança que vem traz um pão debaixo do braço".


CAMINHADA PELA VIDA 5 de Outubro 2013 15h Marquês de Pombal - Praça do Rossio
e aproveitar, de sorrisão, a alegria dos 22ºC e de termos os nossos pais, que souberam dizer que sim e por isso estamos aqui, com capacidade para escrevermos a nossa própria história

domingo, 18 de agosto de 2013

A caríssima Judite e o pobre Lorenzo


Caríssima Judite,
 
Começo a acreditar que o comunismo é um vírus e que boa parte dos portugueses foram terrivelmente atacados.
A Judite, já se vê, também não escapou à praga.
Com que então só somos um país livre se formos todos pobres?

Ora vejamos que disse a caríssima Judite com as perguntas que fez:
- Que não se deve ser rico. É feio para com os outros.
- Que quem não se importa com esta primeira premissa e é rico não pode usar o seu dinheiro livremente. O seu dinheiro. Porque pode ofender os outros, os menos ricos, os remediados e os pobres.
- Que os ricos que possuam qualquer ligação a Portugal, por remota que seja, têm a obrigação moral de participar na recuperação financeira do país. Como é que a troika não pensou nisto? Genial.
- Que um miúdo com a minha idade não pode ter uma festa a celebrar o dom da sua vida da maneira como acha que deve ser celebrada. Mesmo que isso implique não roubar, não matar, não transgredir nenhuma lei. Porque miúdo que faz uma festa de 300 mil euros, em vez de uma celebração com um bolo de arroz de 3 euros e um fósforo num qualquer jardim público com meia dúzia de amigos, merece ser enxovalhado na televisão nacional
- Quem tem mais dinheiro do que os outros, não obstante tal dever-se ao facto de ter gerado alguma forma de riqueza para a sociedade e ter sido desta forma recompensado, deve-se sentir culpado e ter a consciência pesada por não ser pobrezinho, por não estar a viver num T1 arrendado sem elevador em Rio de Mouro, por não ter que ir ao minipreço e usar os cupões de descontos ou andar de autocarro, metro, ou até mesmo sentir-se culpado por não ter os pés calejados e os sapatos rotos de tanto andar a pé nos dias de greve.

Pois, caríssima Judite, as suas teorias têm um preço elevadíssimo: a própria liberdade e o direito à autodeterminação de uma Pessoa. E já foram testadas na União Soviética, como devia saber. O resultado não foi positivo. Aliás, também queriam fazer o mesmo em Portugal...mas bons e ricos homens não deixaram que tal acontecesse!

Seguindo a sua linha de pensamento, caríssima Judite, para quê que vai de férias para o Algarve, podendo usufruir das praias de Carcavelos, da Parede, do Estoril..? Não acha ofensivo para todos aqueles que ganham o seu bronze nas paragens de autocarro? Em quê que fica a sua "obrigação moral"?

Talvez no esforço por um exercício mais cuidado e digno da sua profissão?

E, já agora, a caríssima Judite é com certeza mais rica que eu. Se estiver de boa vontade em partilhar a sua riqueza comigo e com mais uns quantos, julgo que nenhum de nós se importará.

Catarina Nicolau Campos

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Acabei o curso de medicina

 
 


e tenho que fazer um relatório final. Trata-se, basicamente, de resumir em oito páginas, com tipo de letra arial, tamanho doze, espaçamento dois, o percurso que fiz durante estes últimos anos. Passo os olhos pelos relatórios de colegas de anos passados em busca de alguma inspiração para esta árdua tarefa. E o que vejo é tão imenso quanto minucioso, tão rigoroso quando poético, tão adulador quanto inspirador que só me apetece escrever assim:
‘No dia dez de maio do ano de dois mil e treze, às doze horas e quarenta e dois minutos, ao décimo terceiro dia do meu estágio de pediatria no hospital dona estefânia, fui ao bar e pedi uma sandes de leitão. Apesar de se encontrar ligeiramente gordurosa e de lhe faltar uma folhinha de alface, esta situação foi colmatada pelo facto de ter sido prontamente atendida por uma senhora extremamente simpática que proferiu um rol de palavras agradáveis que passarei a citar tal e qual foram verbalizadas uma vez que, como boa estagiária, as registei cuidadosamente no meu caderno:

1.      Bom dia doutora.
2.      O que vai ser hoje?
3.      Lurdes, sai sandocha de leitão
4.      Quer que corte ao meio?
5.      É para levar ou comer já?
6.      São dois euros, por favor
7.      Paga na caixa, está bem?
8.      Próximo!

Posto isto, encaminhei-me para uma mesa e sentei-me de fronte da televisão onde passava um programa sobre o tigre da sibéria. Do programa em questão, recordo-me apenas vagamente porque a verdade é que, nesse momento, eu já estava de tal forma alheada na envolvência da contemplação do sucedido que, à terceira dentada, não consegui conter a emoção e derramei lágrimas no pires da sandes, ensopando todo o guardanapo de papel que o cobria. O que tinha significado todo aquele episódio afinal? Uma ida à cafetaria que me parecia aterradoramente simples, rotineira e monótona revestia-se agora de um significado imenso: a sandes gordurosa era para mim a imagem do doente enfermo; a senhora da cafetaria era a lembrança da vertente humanista que nunca deveria descurar na minha prática médica. E eu: a doutora kika. Nada mais que uma simples jovem médica comendo a sua sandes de leitão! Não consigo exprimir, dentro do limite de páginas deste relatório, o significado deste episódio bem como todos os sentimentos que ele me causou. Neste momento as recordações a traduzirem-se por palavras, linha após linha, são tão intensas que não chega a fazer sentido escrevê-las com letra doze e espaçamento dois. Tudo isto deveria estar apertadinho, apertadinho…, como ficou o meu coração…! Porém, confesso que me ajuda escrevê-las a tipo de letra arial, uma vez que esta é uma letra fria e impessoal. Neste ponto, não posso deixar de louvar a alma perspicaz que se decidiu por este estilo de formatação. A letra arial, ajuda a distanciar-me dos acontecimentos, a respirar fundo e a manter a calma; ajuda-me a consolidar parte dos conhecimentos que adquiri ao fim de seis anos de licenciatura: a transferência e a contra-transferência na relação médico-doente. Que deve ser garantido um distanciamento terapêutico sem nos deixarmos de envolver. Sobre isto que estudei tão bem (porque o meu percurso académico foi pautado pela organização e eficácia) podia escrever cem páginas, mas de tanto estudá-las também aprendi a resumi-las numa palavra. E a palavra é só uma: amor.’
Desculpem-me tanto disparate. Não se preocupem. Não escrevi nada disto, nunca tive visões deste calibre nem, tampouco, me lembro de alguma vez comer uma sandes de leitão na vida.
A única coisa real é que, finalmente, acabei este curso interminável. E isso é mesmo muito bom.
 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O que é a felicidade?







Interessante a definição de felicidade de Bento Amaral, que ficou tetraplégico aos 25 anos, e que acaba de escrever um livro cujo título é "SobreViver". 

Vale a pena ver e ouvir aqui.