Mostrar mensagens com a etiqueta aprender com os grandes artistas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta aprender com os grandes artistas. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 30 de março de 2015

A beleza das coisas de sempre...


(Interpretação de aguarela de Roque Gameiro. Aguarela s/ papel, 2013. Rosarinho Morais Barbosa)



《Eu descubro sempre, mas sempre, novos motivos de interesse nestas paisagens de todos os dias, que se me apresentam com beleza diferente em cada dia que as observo. Pode crer que eu, até nas areias do deserto, consigo descobrir novos motivos de beleza. É que os meus olhos penetram na alma, na intimidade das coisas (...)》 
Roque Gameiro

terça-feira, 24 de março de 2015

Amor ao trabalho

(Graphite s/ papel. Trabalho de Rosarinho Morais Barbosa)


Será que, se for reproduzindo obras de Jules Breton, me habilito a ganhar o notório amor que tinha pelo trabalho do dia a dia e pelas tarefas simples e menosprezadas pela sociedade?


quinta-feira, 19 de março de 2015

《Eu amaria pintar como o pássaro canta.》 Claude Monet

(Desenho de Rosarinho Morais Barbosa.
Aguarela s/ papel.)



《Pintar é uma arte. E a arte é um poder que deve ser dirigido para o crescimento da alma. Se a arte não realiza esse trabalho, o abismo que nos separa de Deus permanece numa ponte.》Wassily Kandinsky 



sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Surrealismo ou extravagantismo? Salvador Dali


É inegável que foi um artista incomparável. Apesar de poder contar pelos dedos o número de obras dele que me chamam a atenção pela beleza artística, mentiria se dissesse que Dali não foi um grande pintor. Não sou uma verdadeira apreciadora da sua arte e nem gosto muito da harmonia que tentava conceder às formas extravagantes que colocava na tela. No entanto, o pintor e escultor catalão mostra um domínio do pigmento e do pincel inigualável e a maneira como foi capaz de repartir a forma, concedendo-lhe uma nova visão, deve-se à espantosa capacidade imaginativa e reconstrutiva que possuía.

Falei, noutros posts, da humildade de Gaudí e da capacidade de trabalhar de forma oculta de Morandi e de Picasso. Relativamente a Dali, os mesmos elogios não poderei fazer. 

Dali vivia para ser conhecido, trabalhava para que ninguém se esquecesse do seu nome e a sua célebre frase: "A única coisa que me interessa é que falem de mim" é comprovativa disso. Este pintor apenas se importava em ter glória e ser aplaudido. Quando lhe perguntaram, certa vez, como se considerava, a sua resposta foi: "Tal como sou. O maior génio deste século".

Costumo dizer que quem é bom não precisa de o mostrar. Quem tem uma dada qualidade não tem necessidade de a apregoar, uma vez que ela falará por si só. E Dali não teria, certamente, qualquer necessidade em afirmar "o surrealismo sou eu" nem em considerar-se o maior génio porque, a meu ver, ainda que tivesse sido capaz de manter-se no silêncio, a sua boa obra artística apresentar-se-ia a si própria e Dali teria chegado a nós, de qualquer forma O seu surrealismo teria sido transmitido, do mesmo modo, de geração em geração e eu poderia, hoje, estar a exaltar a sua humildade.


Enfim, é só a minha opinião. E como qualquer opinião, vale o que vale!










Nome de Guerra, de Almada Negreiros




Sei que a minha função neste blogue é a de comentar artistas e tirar das suas vidas algo com que possamos aprender e trazer para o nosso dia-a-dia. Também sei que a literatura está entregue às mãos da Mizé e que eu sou, de longe, a pior pessoa para falar de livros. Poderia chamar o meu irmão D. que saberia espremer o sumo de cada uma das 260 páginas do livro e tirar-lhes o sangue e a interpretação devidos, de uma forma muito mais espetacular que aquela que aqui hoje vou fazer.

O livro de que vou falar-vos foi escrito por um Pintor, razão pela qual não estou totalmente desenquadrada do meu papel de comentadora artística. Contudo, hoje não falarei das virtudes deste grande pintor, senão sobre aquilo que me transmitiu com as linhas de “Nome de Guerra”.



Veio parar-me às mãos enquanto bebia um agradável Gin Tónico e desfrutava de uma companhia ainda mais agradável. Escrevo estas linhas à lareira. Os graus negativos exteriores não convidam a sair. Bebo um Gin Tónico da mesma marca, porém não tão agradável, uma vez que agora o bebo sozinha.

Quando acabei de o ler, procurei outras críticas na Internet mas, para meu espanto, nenhuma coincidia com a imagem tão clara com que fiquei do livro. Pois bem, é caso para concordar que os livros nos falam ao coração e dão, a cada um, consoante a sua experiência. Atrevo-me a dizer que um livro tão denso como este não é de fácil interpretação e que requer uma certa bagagem, onde aquilo que temos na memória se confunde com o que está no corpo do texto e lhe dá forma.

O livro fala de um homem que está sedento de encontrar o seu amor. O facto de o ser humano não estar feito para viver sozinho vem confirmar-se neste personagem que luta incansavelmente por encontrar a mulher da sua vida. Com a história deste homem cruzam-se, também, as histórias de duas mulheres. A primeira é representada pela luz, pelo dia. É designada a mulher nua, por estar despida de todos os luxos mundanos. A segunda, alegoria da noite, é a “mulher vestida” de todos os vícios e caprichos.

Ao Antunes é apresentado, através da primeira mulher, algo puro, limpo. O próprio amor. No entanto, o homem da história acaba por escolher envolver-se com o corpo vestido. Enquanto o seu amor pela segunda mulher aumenta, a primeira vai adoecendo, até que acaba por morrer, desgostosa pela indiferença oferecida pelo seu amado.


A mulher vestida causa um mal tão grande ao homem do qual ele só se apercebe com a morte da mulher nua. Com a mulher vestida, o Antunes só pensa em si e nem sonha que a mulher não pensa nele, senão noutros mil homens ao mesmo tempo. Para ela, o Antunes não significa nada. Tanto é que, apesar de terem mantido uma relação muito duradoura, passados uns anos voltam a cruzar-se num café e ela nem o reconhece. Ele não significou nada na sua vida, não alterou em nada o seu rumo.

Para a outra mulher sim, o Antunes representa o sangue que lhe corre nas veias e lhe faz bater o coração.

Mas o personagem da história perde-se, como muitas vezes nos perdemos na vida, e deixa-se ofuscar pela aparência de beleza que o vício lhe seduz, não sendo capaz de ver a clareza da luz da primeira mulher que, tal como ele, procura o amor verdadeiro e, certa de o ter encontrado, morre por não ser correspondida.

O nome de guerra, Judite, é o nome da mulher que marcou profundamente o homem da história. O nome da outra mulher, da luz, do dia, do amor verdadeiro, é Maria; dela apenas sabemos que o amava profundamente e que tinha, para lhe oferecer, algo puro e sincero. Quando ele quis aceitar essa luz, já Maria tinha morrido. No entanto, o autor conta-nos como a vida de Maria não foi em vão, uma vez que, com a sua morte, o Antunes foi capaz de matar o amor que sentia por Judite.

Após as trágicas mortes destes dois amores, o escritor e pintor fala-nos de outros assuntos relacionados. Convido os seguidores do blogue a ler o livro e a tirar as suas conclusões. Para este post detive-me apenas nestas considerações, mas por muitos outros caminhos poderia ter envergado.

A moral que tiro de Nome de Guerra é que a procura do Bem e da Verdade é sempre mais compensadora e que, apesar do mal se apresentar, muitas vezes, com aparência de bem, o lodo acaba por vir ao de cima.


Sejamos pessoas autênticas, puras, limpas, despidas de caprichos e comodidades. Sejamos, em cada momento, capazes de morrer pela vida!


                                        

  

sábado, 20 de dezembro de 2014

Humildade de Gaudi

Um dos aspetos que considero mais importantes num artista é a humildade; e quando penso em humildade vem-me à memória, automaticamente, um dos mais espetaculares artistas do final do século XIX: Antoni Gaudi.

Gaudi é, para mim, um exemplo de persistência e perseverança no trabalho. Foi o responsável pela criação de uma das mais belas catedrais da história da humanidade, na qual trabalhou durante a maior parte da sua vida. No entanto, apesar de se ter dedicado quase em exclusivo a esta obra, Gaudi morreu antes de poder vê-la elevada, antes de poder receber todos os (merecidos) elogios por tão incrível criação.

E a constatação deste facto leva-me, repetidas vezes, a contemplar a realidade de que a maior parte das coisas de que nos ocupamos na vida e que estão cheias de sabor serão degustadas por outros e não tanto por nós próprios.

É um facto: nem sempre vemos os frutos daquilo que fazemos, nem sempre vemos a nossa obra acabada e, por muito esforço que dediquemos a alguma coisa, raras são as ocasiões em que vemos como isso foi bom e como valeu a pena não desistir.

Contudo, tal como Gaudi, também nós devemos trabalhar desinteressadamente, surpreender e pensar nos outros sem esperar ver o seu sorriso e a aplicação prática das nossas ações nas vidas alheias que nos são próximas.

Atrevo-me, até, a dizer que tudo ganha um sabor diferente quando nos importamos realmente com os outros e não tanto com a quantidade de palmas que deles podemos receber, quando damos sem esperar elogios, quando "fazemos e desaparecemos" e, principalmente, quando entendemos verdadeiramente que estamos nesta vida para servir e amar, no sentido próprio das palavras.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O exterior no interior

Ao contemplar a natureza, através da janela do quarto, ponho-me a pensar, muitas vezes, como era bom poder trazê-la para casa. 

Gosto muito de flores, e essas podemos tê-las no quarto, das mais diversas formas. Tenho, até, a sorte de saber pintar  e trazer para casa representações de montanhas, vales, rios, árvores, que ficam eternamente fixas à parede, protegidas por um vidro que conserva o pigmento artificial que as produziu. Mas, nestes casos, falta o movimento, o cheiro, o palpável, a atmosfera que sentimos quando estamos na rua, no meio da floresta, num jardim ou no rio.

Gosto muito de chuva, de molhar as botas nas poças de água e de chegar a casa encharcada e ter de trocar de roupa. Gosto destas sensações que a natureza nos traz e gostava muito de poder guardá-las no meu quarto.



Pois é... e sabem que mais? Parece que isto se tornou possível com a invenção de Berndnaut Smilde, um artista holandês que usa a quantidade essencial de humidade e luz para criar nuvens e chuva dentro de casa... ou em qualquer lugar!







Como é bonita uma sala, clássica ou contemporânea, com um pouco do exterior no seu interior. Não se torna mais natural?

domingo, 2 de novembro de 2014

Aprender com os grandes artistas

(imagem: atelier de Morandi)

Hoje quis ser como Morandi...
Nunca me interessei muito por naturezas mortas, até conhecer a obra de Giorgio Morandi.

Morandi viveu no início do século XX e a maior parte da sua vida foi dedicada a estudar garrafas que colecionava no seu atelier e pintava com um lindíssimo simplificar da forma geométrica. As garrafas eram representadas como se as olhasse sob a forma bidimensional, quase sem se preocupar com transmitir a beleza da transparência dos vidros, num jogo de luzes abstrato onde as linhas só apareciam pelo contraste luz-sombra.

Os seus quadros são, hoje em dia, muito conhecidos e estudados. No entanto, Morandi, na sua época, era uma pessoa muito simples, passava despercebido, Viveu uma vida humilde, sem excentricidades, como homem comum que dizia ser. Começou a trabalhar aos 16 anos, altura em vendia quadros de flores para ajudar a pagar as contas da casa de família numerosa. Os seus objetos de estudo eram coisas que encontrava no dia-a-dia, sendo que os seus primeiros desenhos foram representações de figuras do presépio que tinha em casa. No fim da sua vida desenhou paisagens sem se preocupar com o visual estético que pudessem apresentar, pintava aquilo que via da janela do seu quarto: um prédio e uma árvore. 

A beleza das suas obras deve-se, acima de tudo, à persistência com que sempre trabalhou. Tinha um trabalho muito metódico, fruto da vida regrada que levava. Trabalhava para aperfeiçoar a técnica, não para impressionar. 
Numa época e sociedade que consideravam a profissão de professor muito baixa para um artista, dedicou-se a dar aulas de gravura, importando-se unicamente com o aperfeiçoamento do seu rigor e com transmitir a outras pessoas aquilo que de tão especial tinha.

Acima de tudo, impressiona-me a sua capacidade de trabalho rigoroso e sistemático, persistente, a maneira como era capaz de se maravilhar todos os dias com as mesmas garrafas, transmitindo-lhes uma luz e uma beleza novas a cada pincelada na tela.

Hoje quis ser como Morandi...
Nunca me interessei muito por naturezas mortas e nem gosto especialmente de pintar a acrílico ou óleo sobre tela. Mas hoje quis ser como Morandi e beber da sua capacidade de trabalho, alheia a vontades de momento ou a sentimentos e inspirações. 
E nada melhor do que encarnar a personagem começando por interpretar uma das suas obras. 
Aqui vai:

(imagem: interpretação de natureza morta de Morandi. Rosarinho Morais Barbosa, acrílico sobre papel Fabriano A1)