Mostrar mensagens com a etiqueta doença. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta doença. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Margarida Sousa Uva

Eu tenho uma filosofia, que pode parecer um cliché e dos baratos, contudo eu penso que tenho uma certa razão um grande político tem sempre uma grande mulher, posso estar a exagerar ou até mesmo a circunscrever uma enorme realidade, mas o facto é que eu vejo muito de Eleonor em Roosevelt, e o que seria de Reagan sem Nancy como é impossível ler a história de Balduíno da Bélgica sem perceber que ele foi quem foi graças à Rainha Fabíola...
 
Quando percebi que Margarida Sousa Uva, mulher de Durão Barroso morreu, veio à cabeça esse raciocínio: uma grande mulher, apesar de estar à sombra de um marido político. Margarida morreu a lutar, como era típico da sua personalidade.
Aqui gostava de escrever sobre o seu caracter, a sua pessoa, as suas lutas, mas acredito que o melhor mesmo é citar palavras próprias, que refletem tudo isso, uma artigo escrito por Margarida sobre a  morte da Maria José Barroso.
 
Com as suas palavras podemos conhecer a grande alma, a sensibilidade e a feminilidade de Margarida Sousa Uva e perceber que perdemos uma grande mulher.
 
 
______________________________
Minha querida Senhora
(Margarida Sousa Uva, DN 2015 07 16 )

É não apenas difícil mas talvez absurdo até escrever--lhe agora que já não está entre nós. A verdade é que, tendo podido, não fui ao seu funeral. Não foi o cancro, que já é do domínio público, o cansaço ou os quilos a mais, o cabelo mais embranquecido e curto que me travaram. Mas sou muito avessa a enchentes desta natureza e, embora nada tenha seguido nem pela televisão (também não a ligo muitas vezes), estou certa de que havia uma multidão a acompanhá-la. Também não sou próxima da sua família, apesar de conhecer o seu marido, melhor, os seus filhos, menos bem. Não me pareceu ser lá o meu lugar. Não tive vontade de a chorar diante de outros. E a verdade é que só ontem, dias depois da sua partida, se abateu com toda a força sobre mim a verdade dura de que não mais a verei, nem ao seu sorriso, não mais ouvirei a sua voz nem as palavras amáveis que sempre me reservava ao ver-me "Gosto muito de si", enquanto a suas mãos, calorosas, apertavam as minhas com força. Acabou. Foi lendo um jornal do passado fim de semana que me dei realmente conta desse facto irreversível. Acabou. Não mais a verei, nem à sua frágil silhueta dos últimos anos. Julguei-a eterna, imortal, uma rocha firme, uma árvore estranhamente alta tendo em conta a sua pequena estatura física, árvore de raízes fundas, que, vagamente sentia, havia de nos sobreviver a todos.

Primeiro contou-me o meu marido que, numa ocasião recente em que estiveram lado a lado, tinha sido ele a segurá-la, a impedi-la de cair. A seguir ao "obrigada" (por ter impedido a queda), seguiu-se o "Sabe que gosto muito da sua mulher". Depois chegou a notícia do coma irreversível. Eu estava então em Bruxelas atarefada com mil coisas, médicos, fisioterapeutas, papelada que restava de uma mudança a que não conseguia vislumbrar o fim. Chegada de longe, a notícia parecia um boato. Não seria assim, ela resistiria, pensava um tanto distraidamente enquanto corria de um lado para o outro com a ajuda de um familiar. Veio-me à cabeça o "São loucas! São loucas!", grito de Amália. E agora mesmo, sentada neste fim de tarde numa bonita varanda diante de dois gigantes, uma araucária e um cipreste, que se dividem entre o mar e o céu que têm por fundo, vejo claramente quão grande é a sombra que projeta ainda a diminuta figura que os anos lhe conferiram e como nos fará falta a todos. Aqui, preciso de lhe fazer uma confissão. Vezes houve em que julguei existir uma pontinha de vaidade a motivar algumas aparições públicas suas que fui presenciando de há tempos para cá. Julguei-a mal. Não queria ficar sentada em casa, como uma inútil, a ver televisão. Tinha toda a razão. Velhos são os trapos. Nós, quando a lucidez não nos deserta, somos sempre os mesmos, no princípio e no fim. O corpo velho contém ainda todos os desejos, todos os entusiasmos da juventude. Só o sonho se esbate por sabermos que o tempo que nos resta é menor e, assim mesmo, há quem continue a sonhar até ao fim.

Dou-me mais uma vez conta de que tendo, durante muito tempo, invejado terrivelmente a posição do homem, ser masculino, na sociedade em que vivo, sinto hoje um particular orgulho pelo facto de ter nascido mulher. Foram mulheres que ao longo de milénios e de incontáveis gerações cuidaram dos outros, cuidaram dos seus, cuidaram da família, dos amigos e dos doentes e dos mais velhos, sem disso fazerem alarido, como a minha amiga soube fazê-lo. E se me consola ver que lentamente (quão lentamente e a que preço!) nos aproximamos de uma igualdade de direitos efetiva relativamente ao homem (o respeito, esse pequenino pormenor, por aquilo que é uma mulher, esse ainda tem léguas para andar...), se me apraz ver um cada vez maior número de mulheres a desempenhar funções com impacto no nosso viver comum e no dia-a-dia de todos, sofro com e preocupa-me o abandono em que vivem tantas crianças e tantos adolescentes. E pergunto--me: como podem as sociedades ser tão estúpidas a ponto de não perceberem que crianças e adolescentes entregues a si mesmos, ou a quem não os ama, não poderão senão crescer ervas daninhas ou plantas tortas e doentes, que a comparação com um jardim se aplica? O que impede a compreensão por parte de quem decide (governos, empresas) que crianças e adolescentes não são "eles" mas sim "nós"? Que os mais velhos, a quem devemos respeito e uma vida digna por tudo o que entretanto fizeram, não são apenas os "eles" de hoje, serão (não é claro?) os "nós" de amanhã? Não, não estou, afinal, a dizer que as mulheres têm de ficar em casa a tratar dos filhos que os casais decidem ter e mais tarde também dos pais que vão envelhecendo. A função de cuidador pode ser desempenhada tanto pela mulher como pelo homem, é uma questão de cultura, uma questão de hábito, uma questão de legislar em conformidade com esse princípio. Mas quero agradecer a todas as mulheres que amaram o suficiente para se conformar, quando isso se tornou necessário, com aquela que é ainda vista como uma função menor e tão subvalorizada. A si, muito em particular, o meu obrigado por, tão só e tão sofridamente, ter cumprido esse dever que todos temos de ajudar o ser humano no começo da sua vida a crescer "direito", a crescer saudável, a descobrir os seus talentos, a compreender o sentido e a importância do amor. E recordo o que um dia, num avião rumo a África em que todos viajávamos, um amigo que vos é próximo me confidenciou: "Se soubesse o que esta senhora sofreu, o marido exilado em Paris, ela sozinha em Lisboa com os filhos, o colégio, as compras na praça às cinco da manhã para gastar menos..." Via-se que sabia do que falava e não mais esqueci esse curto relato.

Vejo-a ainda, e também com nitidez, no tempo em que me foi dado conviver consigo em funções oficiais, particularmente fora de Portugal. Lembro-me de me ter impressionado a sua energia e a frescura com que, de manhã à noite, sabia reservar um sorriso amável a quem vinha ao seu encontro. Nessas ocasiões, e em conversas que fomos tendo, mais de uma vez a vi indignar-se e perguntar: "Mas porque hão de dizer que atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher? Porquê atrás? Porque não ao lado?" Mas... o povo lá sabe o que diz. Eu era nova na altura. Hoje ter-lhe-ia respondido assim: ao lado é só para a fotografia. Na realidade é mesmo atrás, atrás das cortinas, fora do palco, que o amor atua e o mais importante se passa. O amor que, como dizia São Paulo na sua carta ao Coríntios (13), "tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta". Por mais de uma vez a vi chorar, na igreja do Campo Grande, enquanto se dirigia à comunhão. Custou-me vê-la assim. E se é mais fácil compreender o sentido do amor, já é um desafio bem maior procurar compreender o sentido do sofrimento e aceitá-lo.

Nesta ilha portuguesa onde descanso uns dias, oiço o mar e as gaivotas, vejo as nuvens deslizarem no céu empurradas pelo vento e penso em si como estando aqui presente enquanto escrevo, entre o jardim, as aves e o céu. Também gosto muito de si. É tarde para lho dizer. Não sei se o seu coração me consegue ainda ouvir. Gosto de pensar que sim.

Alzheimer (I)


 
 
Combater o  Alzheimer com musica: contudo para mim o melhor deste filme é o carinho do filho para com o pai. Penso que vem daí o seu sucesso nas redes sociais, nós não estamos habituados a ver as gerações mais novas a cuidar dos seus, o discurso e as agendas politicas demonstram o contrário, aqui o amor prevalece. Obrigada Simon por mostrares que é possível e é muito bom!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

11 de Fevereiro: Porque hoje é o dia do Doente


Hoje é o dia do doente
 
A nossa Sociedade tem aversão a esta espécie de homens: os doentes e os velhos. Rotulados como inúteis criaturas, pobres almas de Cristo.
Somos egoístas, mas também somos cegos, não percebemos que na doença - nossa e dos outros - há um oportunidade incrível de conversão, de sermos melhores, uma oportunidade de construção de uma sociedade mais humana, mais generosa, oportunidade de viver o Amor no seu total sentido.
Podemos acompanhar, acarinhar, cuidar, amar, tratar, mas tudo o que ganhamos com eles é sempre mais e melhor. Fazem-nos melhores pessoas, mais generosos, mais humanos, ajudam-nos a centrar o que é importante na vida e a relativizar o que não é, ensinam-nos a sermos descomplicados e simples. 
Tema complexo, tema com muito sofrimento, tema com lágrimas: a doença.
Por isso neste dia não queria deixar de apresentar três bons textos sobre a Eutanásia, um jurista, um psiquiatra e uma jornalista.
Depois de legislar sobre a vida, agora "eles" também querem legislar sobre a morte, vale a pena reflectir, pensar e ponderar, porque a doença toca a todos:
 
 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Tudo parecia estar bem...

Eu já tinha estado constipada, neste ano civil, eu pensava que o inverno já estava a acabar, afinal já mudou a hora, eu já sentia o bater do sol para os lados da marina, e correr contra o vento é tão bom, houve até um dia que me perguntaram se eu queria ir dar um mergulho, eu gosto de ir passear o cão à noite, mesmo sabendo que ele tem um quintal enorme, é tão bom abrir a janela do gabinete e sentir a corrente d'ar, é que ouvir o barulho da cidade património mundial distrair-me do barulho das teclas.... Tudo parceria estar bem...

(É chato quando uma gripe nos faz adiar uma viagem, mas pior é quando essa gripe nos faz deixar alguém à espera.... desculpa mas tudo parecia estar bem)

domingo, 2 de novembro de 2014

ser careca nunca foi tão chic

Estamos nos primeiros dias de Novembro, ou seja andam aí as latinhas
do peditório da luta contra o cancro.
(photo by me)
É para pôr o autocolante no casaco!!!!
+info's: AQUI

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O dia D(oente)


Uma pessoa apanha um pouco mais de chuva, depois estava frio, também estava vento e a roupa estava molhada, e depois continuava o frio... e voilá no outro dia tem uma constipação.
Uma constipação traz consigo, não só dores de garganta, mas febre, assim sendo essa pessoa tem de ficar em casa.

Ficar em casa, para quem trabalha fora dela, para quem estuda fora dela, ou melhor para quem não pára dentro dela é difícil (excluí-se aqui todas as mães de família ou mulheres casadas...)!
Mas uma pessoa aprende, no primeiro dia aproveita e arruma tudo o que faltava ou que queria arrumar, mas que nunca teve tempo, até faz uma sopa para o resto da semana! No segundo dia aproveita e sempre pode ler aquele livro (porque não Chesterton?), pode escrever cartas à mão (como eu gosto de escrever cartas e levar ao correio... ), pode pintar, pode desenhar.... sobretudo pode riscar as coisas da sua lista "things i have to do!"
Aquele que é o dia, o dia de ficar em casa doente, é sempre o dia chato, com queixas, as coisas não são como planeamos etc... Mas isso mudou quando a pessoa pensa Omnia in Bonum :)
Terceiro dia escrever um post no blog!

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Não perguntes porquê, mas para quê...

Ontem fui ao hospital, não era nada de especial, mas precisei de ir ao hospital e fui ao hospital. 
O bom de precisar de ir ao hospital é que apercebemos daquilo que é óbvio, que os amigos são das coisas mais importantes desta vida, que esperam connosco pacientemente, mais de 4 horas, numa sala que se chama "espera", e ali fazem companhia, conseguindo a proeza de nos distrair, e de nos tirar daquele sitio... (podia escrever muito sobre a amizade com este exemplo!)
Mas essas 4 horas numa sala de espera improvisada nas obras do Santa Maria deu-me para muita coisa, essencialmente para perceber que o estado da saúde em Portugal é um reflexo de uma degradação moral. É desumana a forma como os doentes são tratados, não falo por mim, que não gosto de me queixar, mas falo por aquela senhora acamada, mais velha que a minha avó, com um olhar poderoso, nitidamente estava nos últimos dias da sua passagem por este desterro, ali numa cama, numa sala de espera rodeada de barulhos e de muita gente, mas  ali estava sozinha, e quando dirigiam-se a ela (enfermeiros e auxiliares), falavam de um modo tão brusco como a própria senhora tivesse a culpa de estar doente. Falo também por aquele rapaz, um pouco mais velho do que eu, que lia enquanto esperava, era toxicodependente, mas não parecia, de repente descobre que tem uma infecção nos pulmões, meteram-no numa maca, para ficar internado, e enquanto se discutia quem o levava para o piso de cima o rapaz começou a chorar, sem ninguém dar por isso as lágrimas caiam silenciosamente, como silenciosamente lhe tinha passado a vida. Outro caso de um senhor que já estava senil e acamado, que não largava a mão da mulher, aquela pobre senhora, que outro dia tinha casado com o jovem senhor, mas via-se igualmente apaixonada, pois estava persistentemente ali desde as 3h da tarde (eram já 23h) sem ninguém dar a atenção suficiente....
As camas acumulavam-se nos corredores, tudo porque as ambulâncias não trabalham numa forma humana, mas trabalham numa forma rentável!
Eu percebo que esta área tem um trato difícil, um trabalho com uma entrega especial, mas não podemos esquecer que são seres humanos e não números, e não senhas e não pulseiras, são pessoas, almas, pais, mães.... cada médico, cada enfermeiro  cada auxiliar mais do que formação académica deve ter uma forte formação humana (QUE FALTA FAZ!), não pode cair na rotina, não pode habituar-se ao sofrimento, tem de tratar cada doente como fosse o primeiro, ou melhor como fosse ele próprio.
A maior lição que tirei desta sala de espera, é que a existência do sofrimento não é em vão...
Depois de uma injecção, soro (+ remédio) fui embora, sem dores mas com uma grande dor!