quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

"Fala-me sobre ti"

Perguntas-me o meu nome e eu fico confusa e penso “o verdadeiro ou o diminutivo?”. Não demorei a responder por não o querer dizer ou por ter tido um ataque de amnésia. Depois vem aquele momento de confusão, não percebeste. Não faz mal, assim temos tema para os próximos cinco minutos. Agora diz-me o teu. Ah, muito mais simples!

Eu mexo freneticamente nos fios que trago ao pescoço para não enfiar as mãos nos bolsos. Cruzo as pernas e quase me desequilibro. Rio-me do meu jeito desajeitado. Sim, tu ainda não me conheces mas ficas a saber que eu sou quem mais se ri dos meus conflitos com a gravidade.

Se eu ficar calada não te assustes, não foi nada de errada que disseste. Mas também não te espantes se começar a falar sem me calar. E prepara-te porque provavelmente vou falar de todas as minhas amigas e tu não vais conseguir fixar nenhum nome.

Não perguntes porque é que estou tão carregada tipo feirante. Provavelmente não vais querer saber que tenho a mania de andar com a casa às costas com medo que me falte alguma coisa. Podes oferecer ajuda mas eu vou recusar à primeira. Não por teimosia, mas por vergonha do meu exagero.

Se passarmos a conversa para uma mesa de café certifica-te que não tenho nenhum papel próximo de mim. Tenho a estranha mania de os desfazer em pedacinhos e fazer um festival de confetis. E quando me perguntarem o que eu quero eu vou demorar a responder, e vou mudar o pedido umas três vezes (no mínimo). Depois o meu telefone vai tocar e é muito provável que seja de minha casa. E vais perceber que pela família pára tudo.

Se quiseres que me ria não vale a pena contares anedotas. Raramente acho piada. E se me perguntares qual o último filme que vi eu não vou saber dizer o nome porque é raro decorar os títulos. Podes tentar fazer piadas disso se ainda me quiseres fazer rir.  

Não tentes ligar-me de manhã a dar os bons dias. Só funciono depois de dois shots de café. E não quero que conheças o meu lado mal-humorado. Também não me tentes fazer surpresas, muito menos em público. Mas vais perceber que uma manifestação inesperada da tua parte me vai fazer fraquejar.

Também não vale a pena dizeres mal da minha roupa ou que visto demasiado preto. Não é por ser sombria, mas é uma cor na qual me sinto confortável.

Vais descobrir que apesar da minha falta de jeito adoro cantar no carro e que sou tão criativa que componho letras. E vais todo o tempo a agarrar o banco por causa da minha desafinação e da minha falta de jeito para conduzir.

Vais perceber que na maioria das vezes exagero nas histórias. E que sei narrar ao detalhe vários factos sobre mim, Só não sei fazer uma coisa: dizer o que quero.




1 comentário:

M. dita disse...

Niquinha nem sabes como foi bom ler-te :) Thnaks