segunda-feira, 4 de junho de 2012

Made in India #1


Há dois anos mudei-me, durante um mês e meio, para a Índia. Mal aterrei, comecei a contar em segredo os dias - ás vezes até as horas - para voltar para Portugal. 

Um bafo insuportável + uma capital desmoronada com construções inacabadas + chuvas intensas + total desconhecimento do sítio para onde ia = muitas saudades de Portugal.

Depois de voltar à civilização europeia, e de por cá passar uns meses, comecei a sentir falta de um país tão intenso quanto diferente e a olhar de uma maneira muito diferente para uma Índia à qual havia secretamente prometido nunca mais voltar. 

Foi a viagem de uma vida. Viajei que me fartei. Um dia estava no Norte, dois dias depois (dentro de comboios e sob a ameaça de ataques terroristas) estava a milhares de Kms, mas ainda no mesmo país. Vi sítios lindos, exóticos, tão diferentes que nos fazem parecer que estamos noutro mundo. Estive quase sempre perdida, mas no fim do dia sempre encontrava o hotel manhoso de onde saíra de manhã. 


Conheci homens e mulheres felizes. Felizes que só eles. Gente que acordava de manhã sem saber se chegaria vivo ao dia seguinte (na verdade, esta questão devia pôr-se a toda a gente), que olhava para mim como se fosse um autêntico ET, que dançava à chuva e sorria - um sorriso tão bondoso - com a maior facilidade. Ainda hoje penso muito em todos eles, no que será feito daquelas vidas. Onde andará o Proud, a quem batizámos assim por não percebermos o nome indiano dele? E a Loki, uma velhinha que devia pesar uns quinze quilos e entertia os seus dias a contar e armazenar os cereais que lhe punham no prato (em vez de os comer e ganhar uns kg que bem precisava)? E a Kamela, que um dia acordou e não via, nem andava, nem falava?

Continua...

1 comentário:

Ana Ulrich disse...

Que saudades de todos eles.. Vidas que passam pelas nossas. Já se percebe porque voltei?