domingo, 19 de fevereiro de 2012

Querida, temos um jantar

Há aquelas mulheres que, mal sabem que vão ter um jantar, uma festa ou qualquer outra ocasião especial, sabem perfeitamente aquilo que vão vestir, desde a cor das meias ao formato dos sapatos. Depois há também aquelas mulheres que, não tendo tantas certezas assim, vestem a primeira roupinha que vêem quando abrem o armário e, mais ou menos confiantes com tal vestimenta, seguem para a maquilhagem sem pensar em trocas. E depois há aquelas, como eu, que são as eternas indecisas. Inicialmente, têm uma ideia muito nebulosa daquilo que vão vestir, lembram-se daquele conjunto que foi elogiado e que podem repetir, mas nada de muito certo. Vestem a tal fatiota. Mas de todo que as convence. E então, como se tivessem todo o tempo do mundo, trocam, adaptam, pensam, tiram, põem, todo um conjunto de roupa que, uma vez excluído, se amontoa alegremente em cima de uma cama. Como se depois, quando a Cinderela sair para o seu encontro, aparecesse a madrinha da varinha mágica para arrumar tudo.

Talvez a leitora esteja a pensar que quem escreve deste lado tem uma vasta colecção de roupa, sapatos, acessórios, e afins. Nada mais errado. De facto, ainda que estranho, não é preciso que se tenha muita variedade para se criar uma tal confusão. A leitora pode também estar a pensar que quem escreve deste lado tem é tempo a mais. Nada mais errado, outra vez. Mas neste caso não tenho justificação. 

Quais as razões para tantas indecisões? O facto de gostar de ter diferentes estilos. De um dia ser clássica, no dia seguinte moderna, no dia seguinte um misto dos dois. Um dia uso a teoria das duas cores ("Três cores já é cor a mais"), e no dia seguinte já a esqueci, e quero inovar, misturar cores que nunca pensei misturar, ser diferente (e ouvir alguém a perguntar: "Onde foi a tua teoria das duas cores?").

Após a revolução que se gerou no quarto, e já pronta para sair, olho uma última vez ao espelho. E, surpreendentemente pouco espantada, vejo que acabei por escolher precisamente aquele primeiro conjunto que me tinha passado pela cabeça. A confiança chega quando, ao sair, o Príncipe, sem saber de nada disto, diz à Cinderela que nunca a viu tão bonita. E ela responde-lhe, com o olhar mais confiante do mundo: "Vesti a primeira coisa que me apareceu".