domingo, 1 de março de 2015

Eu não virei hippie

Sem Meo, sem Zon, sem wifi, sem 3G, sem rooter, sem proxy.
Sem whatsapp, sem telegram, sem iMessage, sem e-mail.
Sem facebook, sem instagram, sem linkedin, sem snapchat.
Sem iPhone, sem tablet, sem pc.
(Não me lembro da última vez que a bateria do meu telefone durou 3 dias)
Sem ginásio, sem carros, sem metro, sem escritórios.
(Sem entrevistas à volta de um eu que se finge tão grande só por estar de blaser e com um curriculo cheio de actividades)

Não, eu não virei hippie.

Foram três dias de silencio numa altura em que o silêncio é aborrecido. Em que quem não é tagarela não é boa companhia. Quem não responde no whatsapp está contra o mundo. Quem não faz login não sabe das novidades.

Não, eu não virei hippie.

Foram três dias de silêncio. Em que o centro de massa deixou de ser um qualquer objeto pequeno (por vezes rectangular e de contornos redondos) para tomar lugar no mais fundo do coração. Foram três dias de silêncio na mais profunda das conversas. Três dias de silêncio em que todas as dúvidas vieram ao de cima e em que todo o cenário foi exposto (ou pelo menos grande parte dele).

Três dias para ver à distância todo o panorama do que se passou. De compreender hoje o que parecia impossível ontem. De extrair o eu na equação do que mais magoa, e ver como dá igual ao amor.

Perceber que nada foi injusto, ou pelo menos, nada foi em vão. Que aquele trabalho que parecia óptimo não era para mim. Sim, era ao pé de uma lagoa e tudo mais, mas não era por ali. Ver como fui injusta só porque alguém não se lembrou de perguntar como correu uma entrevista ou se esqueceu de me dar os parabéns. Ou como podia ter sido mais simpática quando o pai falava logo de manhã. De compreender que ele não era a minha cara metade apesar da sua enorme cultura em matéria de cinema. 

Ele tem as mãos na massa e vai fazendo as coisas com o Seu sentido de humor (apurado). Mas é um mãos largas, disso não tenho dúvida!

Foram dias de silêncio no mais profundo dos diálogos, nas mais extensas das conversas, com as mais doces e as mais duras das palavras. É verdade, por várias vezes tirou-me o tapete. Mas não me deixou sem chão. 

Sem whatsapp, sem telegram, sem iMessage, sem e-mail.
Sem facebook, sem instagram, sem linkedin, sem snapchat.
Sem iPhone, sem tablet, sem pc.

Não, eu não virei hippie. Mas ao escrever esta lista apercebi-me da quantidade de solicitações a que estou sujeita. Não me tirará isto alguma atenção? Verdadeira atenção.

Com um bloco de notas e uma caneta.

Conversas de "rapar o tacho".


2 comentários:

Rosarinho MB disse...

Lindo lindo. Vejo logo quando os textos são teus! ;)

M. dita disse...

rapar o tachooooooo