sexta-feira, 11 de maio de 2012

Pipoca

Hoje falo-vos do coração. A Pilar faz um ano.
Nasceu no dia 11 de Maio, e no ano anterior, no mesmo dia, nas mesmas horas, tive a graça de estar side by side com o Papa Bento XVI. Eu, o padrinho da Pilar, e muitos outros nossos amigos, que por terem certas funções nessa visita, puderam usufruir de uma situação privilegiada. Foram dias únicos, esses.
E este, o ano passado, voltou a ser um dia único. Num parto que, à distância, posso dizer que foi difícil, doloroso e deixou sequelas. Mas nada se passou assim. Para mim, tudo foi mágico. Aconteceu com o timing certo, tudo concorreu para o nosso bem estar físico e psicológico, e não podia ter sido melhor. Às 16h21, numa cesariana complicada, a nossa bebé nasceu. E tudo mudou.

O Miguel acompanhou sempre todo o processo. E enquanto eu, tremendo de medo e descompensada, era aberta, segurou-me nas mãos e disse-me coisas lindíssimas que a anestesia não permitiu recordar em bloco. Mas lembro-me das ideias principais: que a Pilar era personificação do amor que tínhamos um pelo outro, mas que eu era a sua mulher e portanto seria sempre a sua prioridade. Porque sem um dos dois, deixa de haver frutos. Que era a primeira de muitos, se Deus quiser. Que amava desde logo o amor que tinha por mim, o nosso amor, a Pi. E que vê-la nascer e crescer seria como ver o nosso amor a nascer e crescer também.
Assim que ouvi o choro da bebé, sorri espontâneamente e não voltei a tirar-lhe a vista de cima.

Por isso, deixem-me falar-vos da minha filha.
Pilar, Maria do Pilar, em honra de Nossa Senhora do Pilar, a quem fui devotamente consagrada, em Saragoça, quando era pequena. Nasceu e no mesmo dia fez saber que quando chorava e dizia "Nanh" queria leitinho. É assim até hoje. "Nanh" ficou leitinho. No dia 2 já franzia o sobrolho, com ar zangado. Antes de fazer um mês já estava baptizada, e talvez por essa razão o afecto que hoje tem pela Cruz lhe seja tão genuíno. E aos 4 meses atirou pela primeira vez os óculos do avô ao chão. Aos 6 já gatinhava e no dia 6 de Janeiro de 2012 disse: "Maaa-maaa". Agora já diz muito mais, quase anda e está a formar a sua personalidade. Extremamente teatral, devo dizer. E por isso, com montes de graça.
É o nosso pequeno tesouro, o primeiro de muitos, esperamos, porque a grandeza deste nosso amor tende necessariamente a perpetuar-se. Transborda qual copo de água cheio. Cheio de alegria, felicidade, dificuldades, dor, VIDA! Cheio de amor e, no nosso caso, isso significa que está cheio de Deus.
E por isso a Ele agradeço os dons que temos recebido -a vida da Pilar, o nosso casamento, os nossos amigos.

7 comentários:

Teresa Flores disse...

Muiiiiiiitos PARABÉNS! :)

CM disse...

E é tão bom, mesmo sem a conhecer, saber que dá graças pela Vida :)
Parabéns!
Nos dias de hoje, por vezes sinto, que poucas pessoas falam tão abertamente da felicidade. É bom de ler :)
Muitas Felicidades :)

TeresaHU disse...

Querida Cate, adorei a forma como falas sobre a Pilar e sobre o teu casamento! Sabes tantos pormenores sobre o crescimento dela, que hoje em dia vejo em poucas mães: parece que a maternidade não as pode afetar, não podem deixar-se enternecer pelas palavras ou pelos gestos daquele bebé que, no entanto, é seu para tratar e educar. Parece que não podem engordar um kg a mais que seja, e que os que ganham têm de ser perdidos antes de o bebé nascer. Para depois serem aplaudidas por "nem se notar que tiveram um filho". Queremos ser mulheres bonitas, mulheres elegantes, mulheres interessantes. E a maternidade é um mais em tudo isso. Parabéns por uma filha tão querida que é reflexo dos pais que tem!

TeresaHU disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Catarina Nicolau Campos disse...

Obrigada, Teresa!!

Catarina Nicolau Campos disse...

Obrigada! Temos mesmo que dar graças pela Vida e não nos queixarmos só; há que dar graças pelas coisas boas que vamos vivendo!
Um beijinho grande!

Catarina Nicolau Campos disse...

Querida Padrinha, este teu comentário dava um post.
É mesmo verdade: há cada vez mais falta de generosidade. E as pessoas esquecem-se de que para amar verdadeiramente, é preciso conhecer. É simultaneamente causa e efeito, porque o amor pede sempre mais conhecimento, mais tempo, mais de nós.
Um beijinho grande!