domingo, 10 de maio de 2015

Há dias que ficam na história da história da gente

Há dias que não se esquecem. Um deles foi o dia 26/05/2015. Talvez daqui a uns tempos me esqueça da data. Mas do dia nunca me vou esquecer.

Desde que a minha vinda ficou decidida que a minha vida sofreu uma reviravolta. 
Por esta é que não esperavas. 
Os meus dias que até então tinham uma rotina mais ou menos estabelecida foram achincalhados. 
Primeiro as burocracias.
Tem paciência, engole os sapos e deixa a senhora das finanças ficar arrogantemente feliz porque ela é percebe do assunto.
Fazer as malas.
E agora? Como é que vou levar o meu armário às costas?
Horas de sono reduzidas com festas de despedida.
Fiquei completamente mimada com tantos abraços. 

Dia 25. Dei as últimas voltas. Fechei a mala.
Percebi que a partir de agora simplificar ia ter de constar muito mais no meu vocabulário.
Fui com a mãe ao Jumbo.
Enquanto ela explorava todas as prateleiras do super-mercado eu chorava pelos corredores.
A T apareceu lá em casa para almoçar.
Habituada à confusão do costume de uma casa de família numerosa.
A caminho do aeroporto passei em Alvalade para um último adeus à S.
Desculpa, vamos ter de adiar o sonho da nossa casinha.
Bebemos uma coca-cola no parque das nações.
E a mãe obrigou-me a comer, coisa que estava difícil há vários dias. 
Na fila para o check-in reconheço ao longe três cabecinhas.
Os meus olhos enchem-se de lágrimas, não posso acreditar que se vieram despedir de mim.
Furo a fila sem pensar nem pedir desculpa.
Vai ter de me deixar passar, é que tenho ali três amigas!
Num passo lento pelo aeroporto a R dizia umas piadas. 
Por favor, vão me visitar rápido. Eu vou tentar vir muitas vezes!
E por fim o último passo. 
Aquele que marcou o primeiro passo do princípio de uma grande aventura.
A partir daquela linha já ninguém pode passar.
As lágrimas romperam quando parei e olhei para trás para dizer adeus. E desde aí só pararam quando me sentei no avião.
Finalmente aterrei.
E aqui está a minha nova casa.


3 comentários:

Rita Ferrito disse...

=') miss you so...! És linda a escrever minha aventureira. E és linda a viver!

Ni disse...

querida! que sorte em ter uma amiga como tu! e em relação ao aventureira: olha quem fala!

Leonor disse...

Ni quando voltas aqui????