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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A Matilde

Não conheço a Matilde.

Tropecei no blogue dela por acaso. Ou talvez não.

A Matilde foi para a Grécia ajudar num campo de refugiados. A Matilde perdeu o Pai. A Matilde deve ser jovem. A Matilde é jovial. A Matilde tem imensa graça. A Matilde faz pensar. A Matilde é honesta e é verdadeira, vê-se na sua escrita.

Gostei da Matilde. Hei-de ir visitá-la à sua casa virtual.

Que corra tudo bem, Matilde. Até já.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

“Este cancro salvou-me a vida”

Numa altura em que Sofia Ribeiro assumiu publicamente querer "seguir o exemplo dos milhares de Mulheres, guerreiras, que conseguiram ganhar ao cancro", a pergunta torna-se inevitável: Afinal, a batalha só é ganha se se sobreviver? Ou a vida pode ser salva de outra forma?
26-11-2015 - Um médico oncologista do hospital hebraico de Montreal recorda a amizade que nasceu com Carla, uma doente, nos meses antes de sua morte. As férias com a comunidade e “o enamoramento” que a fez sentir-se mais viva que nunca
Pode um homem nascer de novo sendo velho? Estarei para sempre agradecido pela possibilidade de lembrar a minha amizade com a Carla, que me põe em condições de responder a essa pergunta. Eu sou médico oncologista no hospital hebraico de Montreal e conheci a Carla há dois anos, quando lhe foi diagnosticado um cancro da mama em estado avançado.

(...) Ela tinha criado uma espécie de carapaça, dedicando muito do seu tempo ao trabalho numa instituição de Protecção da Infância num cargo de responsabilidade e enfrentando muitos casos difíceis. Nunca tinha casado e estava acostumada a dar ordens e a ter o comando. Mas é um grande problema quando se tem um diagnóstico de cancro em estado avançado, porque isso despedaça completamente a sensação de teres o controlo das coisas e te obriga a cuidar de ti próprio em e não dos outros, fazendo-te sentir de certo modo mais vulnerável.

(...) Era evidente que ela estava a lutar contra a sensação de não ter o controlo e ia aos poucos aceitando os seus novos limites físicos. Além dos sintomas do cancro e dos efeitos secundários das terapias, discutíamos muitas vezes sobre a liberdade e a dependência, sobre aceitar o facto de termos sido amados primeiro e sobre o reconhecimento da presença de Deus em cada circunstância. As perguntas dela eram as mesmas que eu tinha e eu não podia mentir. Conversando sobre o seu trabalho na Protecção da Infância, eu falei-lhe nos dois irmãozinhos que adoptei. Perante aquelas perguntas eu só podia falar da minha experiência e dos meus amigos: os mesmos amigos que ela conheceu pela primeira vez no nosso concerto de Natal, no qual participou com a sua irmã e familiares.

Lentamente o rosto dela começou a mudar, assim como a sua atitude. Livre. Com a liberdade que vem duma gratidão. O ponto de não retorno para ela foram as férias com os adultos e as famílias de CL, em que ela participou com a sua bengala e uma grande curiosidade. É difícil descrever o que lhe aconteceu lá a não ser com o termo “enamoramento”. Na volta das férias ela começou a ler e a informar-se sobre o Movimento e a perguntar à Paula sobre a nossa história e a nossa amizade. A par da beleza que ela tinha visto, aquilo que tinha conquistado a Carla era o facto de que a sua liberdade era continuamente provocada e jamais forçada. Quando a irmã dela lhe começou a fazer perguntas, mostrando uma certa curiosidade pelo Movimento, a Carla disse: “Eu nunca vi nada parecido. Nas férias eu chorava todos os dias no meu quarto, de tal maneira me sentia arrebatada por tudo aquilo... Não tenho certeza de que estejas realmente pronta para isso!”... Não era exatamente o “Vinde e vede” do Evangelho, mas felizmente isso não desencorajou a irmã de Carla, que em Setembro começou a frequentar a Escola de Comunidade com ela.

(...) Poucas semanas antes de morrer, Carla teve a possibilidade de participar num casamento, acompanhada por um amigo da comunidade. À mesa, radiosa com a sua peruca, que ela na realidade odiava, tinha começado a contar a todos os seus velhos amigos – entre os quais muitos judeus – o seu encontro com o Movimento. “Este cancro salvou-me a vida. Digo realmente. Não sou ingénua, sei muito bem que vou morrer em breve, mas nunca estive tão viva. Vocês também precisam de ver o que eu vi, nunca vi nada parecido”.
Podem ler este fortíssimo testemunho na íntegra aqui.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

"Desculpa, mas não era suposto"

É impossível não ficar revoltada com as noticias de violência doméstica e de violência infantil, isto tudo no meu país, não é na China, não é na Rússia, é aqui, ao meu lado. Sim estou escandalizada, não compreendo e não quero compreender. Como é que uma instituição do Estado a Assistência Social é tão impotente, será que funciona verdadeiramente para o bem, ou descentralizou-se dos seus objetivos? Quantas crianças mais é preciso que morram, para esta violência ter um fim? A lei existe para nos servir, por isso só há justiça se a lei for intransigente na defesa da vida humana, mas não é só a lei,  sobretudo são necessárias consciências bem formadas a servir o meu país.
Desde que li a noticia, que uma menina está grávida de uma violação, estas duas crianças, a mãe e o bebé, estão presentes no meu coração - como quem diz na minha oração - nem de perto nem de longe posso imaginar a dor, mas quero carregar um pouco desta injustiça para não desistir de lutar pelo meu país.
 
Deixo a alegria de uma instituição que não se limitou a ler a noticia e a comentar, oferece-se para apoiar esta menina grávida AQUI.
José Maria Duque retrata bem como "Diante do Mal, Só o Bem Pode Salvar". Estamos a falar de duas vidas, a "outra criança", este é o testemunho de uma médica que se preocupa verdadeiramente com os seus doentes, no site da Maria Capaz uma crónica tocante não deixem de ler: “MÃE AOS 11 ANOS? QUE INCONSCIÊNCIA! QUE BARBARIDADE!”
Acabo com a carta que a nossa blogger Catarina Nicolau Campos escreveu AQUI.
A recolha de alguns destes textos foi feita pelo blog o Povo, que ainda hoje enviou por mail a frase de Antoine Saint-Exupéry, selecionada pelo jornal Publico para o dia de hoje: "Se a vida humana não tem preço, nós comportamo-nos sempre como se alguma coisa ultrapassasse, em valor, a vida humana, mas o quê?"
 
Não podia deixar de escrever sobre ti, sobre a tua história, és  uma criança, só tens 12 anos, devias estar a brincar, a aprender a dividir, não devias estar gravida,  deste violador, que era o teu padrasto, que morava contigo, na tua casa, supostamente a nossa casas é um lugar seguro, mas tu agora não estás sozinha...
Desculpa pelo meu país, desculpa só termos agido agora,  desculpa mas não era suposto...

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Jean Vanier: Prémio Templeton | 2015

Conhece Jean Vanier? Infelizmente são poucos os que ouviram falar do seu nome, mas o seu trabalho é simplesmente i n c r í v e l
(para mim a melhor definição de um pacifista)
Changing the world, one heart at a time!
Com um sorriso contagiante, Jean Vanier é um exemplo, pessoalmente dá-me muita esperança conhecer vidas assim!!!
Depois da Order of Canada, National Order of Québec, Legion of Honour (2003), Humanitarian Award (2001), Pacem in Terra Award (2013), foi o merecido vencedor do Templeton Prize 2015. (mais aqui)
Não resisti em publicar um pouco da sua história (créditos Aceprensa)

 
"Desde que em 1964 Vanier acolhera dois doentes na sua pequena casa de Trosly (França), as "Arcas" - como se denominam as residências e centros de dia promovidos pela sua instituição - multiplicaram-se: hoje são 147 em 35 países. Tudo começou por um encontro com um sacerdote amigo, que havia formado uma reduzida comunidade para cuidar de pessoas com deficiência mental. Depois de visitar alguns centros psiquiátricos e de observar a insensibilidade e mesmo a crueldade com que os residentes eram tratados, Vanier comprovou que a vida em comum era a melhor terapia para estes doentes. E pôs mãos à obra.
Como explica um blog do Economist, a vida de Vanier é um exemplo prático do provérbio chinês "é melhor acender uma vela do que maldizer a escuridão". Poderia ter iniciado uma campanha de denúncia nos meios de comunicação ou em relação aos políticos, mas preferiu escolher o caminho mais direto. O tempo deu-lhe razão. Além de coordenar as comunidades de "L'Arche", aos seus 86 anos dirige Fé e Luz (uma rede internacional que dá apoio e põe em contacto famílias com filhos deficientes) e Intercordia (uma associação que facilita a pessoas do Primeiro Mundo viajarem para lugares pobres para ajudar).
Segundo os estatutos aprovados em 2007, L'Arche International procura que se reconheça "o valor único de cada pessoa e a necessidade do outro que existe em todo o ser humano". O compromisso com a dignidade humana explica também a importância que a organização concede à dimensão espiritual. Em todas as comunidades os residentes e os funcionários são convidados a aprofundar este aspeto, sejam quais forem as suas crenças. À medida que L'Arche se foi estendendo pelo mundo, a raiz católica original soube adaptar-se às religiões maioritárias de cada lugar.
Olhar cara a cara a fragilidade
A vida em comunidades é um conceito essencial em todas as "Arcas". Como explicava Vanier numa recente conferência na Câmara dos Lordes, estas casas devem ser autênticos lares para os residentes e, por isso, é necessário que acolham só a uns poucos doentes. Outros preferem viver por sua conta, embora contem com centros de dia. Em alguns deles, incluso, as pessoas com deficiência desenvolvem o seu trabalho profissional. 
A sensação de lar é imprescindível para que os que vivem ali (deficientes ou não) entrem numa relação pessoal, "se olhem olhos nos olhos". Parte desse reconhecimento consiste em aproximar-se do sofrimento e da fragilidade do outro; para tal, primeiro é necessário aceitar as próprias limitações. Segundo Vanier, a integração das pessoas com deficiência mental não se consegue à base de esconder os seus problemas, mas em recordar o que estas pessoas contribuem para a sociedade.
O prémio Templeton é concedido anualmente a uma pessoa que tenha dado um contributo excecional para afirmar a dimensão espiritual da vida, mediante a sabedoria, as suas descobertas ou realizações práticas. Foi estabelecido por sir John Templeton em 1972, no valor de um milhão e cem mil libras esterlinas. "