quinta-feira, 21 de junho de 2012

Welcome back summer!

Há mulheres que se perdem muito mais naquelas lojas "tudo a cinco euros", preferindo sair da loja com um saco pesado do que com uma peça única e que tem todo o ar de ser quase-exclusiva. Eu não me incluo nesse grupo (salvas raras exceções de "oportunidades imperdíveis"): prefiro ter uma coisa, só uma, mas de muito boa qualidade, que posso usar vezes sem conta e não se vai estragar na primeira lavagem, ainda que para isso tenha que desembolsar mais uns €€.

Nisso tenho o exemplo da minha mãe. É talvez das pessoas que menos compra roupa que eu conheço, mas tem um armário recheado de coisas cujas marcas são absolutamente proibitivas (para a minha carteira). O segredo? Foi comprando ao longo dos anos, trata super bem todas as roupas (não sei como, mas sempre que alguma delas me é emprestada perde logo esse "parecer novo"), e nunca passam de moda porque são intemporais.

Neste primeiro dia de Verão de 2012 (que só se nota em teoria...), fica aqui a minha seleção de roupa de uma marca que considero fantástica - Uterque! Lá está, é das lojas que eu gosto porque: é muito clean e cheia de pinta, com poucas peças em exposição (não há a típica pilha de S, M, e L) que fazem sentir que se está a adquirir alguma coisa bastante exclusiva, a roupa tem pormenores (ligo muito a pormenores, detalhes que quase ninguém repara mas que eu vejo e lhe dá um toque especial), o atendimento é muito bom (loja do Colombo) e quase tudo o que vende é original e lindo.














































As carteiras a tiracolo são lindas!! Qualquer uma delas! Se estivesse aqui o meu querido L dizia a frase preferida dele no que diz respeito a estas aquisições:


"Coisas que custam 1 euro a fazer...". 

O que é que se responde a isto? 
O que é que se responde a isto?? 


A) Custam 1 euro a fazer... na Índia. Mas nós não estamos na Índia!

B) Pois, talvez. Mas já que falas nisso... tenho boas notícias! Se fores ao site (www.uterque.com), algumas destas minhas prediletas estão com GRANDES descontos, e eu faço anos daqui a poucos meses, e são mesmo lindas, e eu PRECISO. Ainda não é a Índia, mas aproxima-se :)

Resposta correta: B).

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Notas soltas

1. Por vezes destacam-se mais as unhas ao natural, muito bem arranjadas e hidratadas (não necessariamente curtas mas em todo o caso não muito compridas), sem qualquer verniz, do que as outras. Uma coisa é certa: não dão menos trabalho.

2. É engraçado o facto de estarmos dispostas a pagar mais por maquilhagem que se nota menos (falo das bases, blushes, etc.) - falo por mim, recuso terminantemente guiar-me pelo critério do "mais barato": sai quase sempre caro.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Chiara Corbella Petrillo, 28 anos

Uma mãe heróica que deu a vida pelo filho. Uma história que me impressionou sobretudo porque, de tão dramática, poderia ter sido totalmente dominada por uma tristeza e desânimo constantes. Mas não: em vez disso, vemos um casal jovem, alegre e com uma enorme confiança em que tudo concorrerá para o Bem.

Chiara Corbella casou com Enrico Petrillo em 2008 e teve duas gravidezes que resultaram na morte dos bebés Maria e Davide logo após cada parto, por força de graves malformações. Maria era anencefálica, e os pais já sabiam disto antes de ela nascer - respeitaram ainda assim a sua vida, que durou 30 escassos minutos. Chiara diz que aquela meia hora não pareceu pouco tempo, foi um tempo de inesquecível felicidade, dos maiores da sua vida, que não teria existido se tivessem optado pelo aborto. Passado um tempo, em que não desistem, chega nova gravidez: vem o Francesco a caminho, um filho sonhado desde o início do casamento de ambos. As sucessivas ecografias mostram que tudo corre bem e que o bebé é saudável mas, no 5.º mês de gravidez, é diagnosticado a Chiara um tumor na língua.

Começa uma nova série de batalhas: Chiara escolhe adiar o tratamento que poderia salvá-la mas que mataria o bebé. Sabe que corre um grave risco mortal se esperar pelo parto para se submeter a nova intervenção cirúrgica. Mas espera.

Nascido o Francesco, a 30 de Maio de 2011, começam os sucessivos ciclos de quimio e radioterapia. Ela, consumida até perder totalmente a visão do olho direito, não resiste por mais de um ano. Morreu na 4.ª feira passada, 13 de Junho de 2012, com 28 anos. Preferiu dois anos de sofrimento à morte do seu filho.

Na Missa celebrada pela sua alma, nada houve de fúnebre: foi uma grande festa, onde participaram cerca de mil pessoas, cantando e aplaudindo a sua heroicidade.

É preciso dizer que esta mulher - esta miúda - não queria morrer. Não era daí que vinha a felicidade dela. É preciso dizer também que não lhe era exigível que suspendesse os tratamentos que a curariam, ainda que com a consequência da morte do bebé que esperava: tratava-se de vida contra vida, pelo que a sua opção não seria censurada. No entanto, ela tinha bem clara a consciência de que a vida do seu filho bem valia a sua própria vida. Daí que ela tenha confiado ao marido, pouco tempo antes de morrer:


Um marido feliz e um filho sereno, mesmo sem ter a mãe por perto, são um testemunho maior do que uma mulher que venceu a doença. 
Um testemunho que poderia salvar muitas pessoas.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Cada vez tenho menos paciência

... para o Bastonário da Ordem dos Advogados - Marinho Pinto - que vai acumulando disparates no seu currículo. Diz ele (em reação à medida anunciada pela Ministra da Justiça):

Colocar chips em pedófilos é uma medida nazi. Os nazis também colocavam sinos e outros sinais de identificação nos judeus e nos ciganos nos guetos.

Se alguém me conseguir explicar:

1. A comparação entre chips (mecanismos silenciosos e que apenas deixam as entidades competentes saber onde se encontra o vigiado) e sinos (objeto tendencialmente audível por qualquer pessoa na praça pública); e

2. A comparação entre pedófilos (pessoas doentes que cometem crimes contra crianças e que, caso não sejam controlados, têm uma forte tendência para neles reincidir) e judeus e ciganos (duas raças que, de per si, não se podem associar ao cometimento de um ilícito do género: és criminoso porque existes),

talvez eu ganhe um bocadinho de respeito por esta Ordem que é a minha.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

" Em terra de cego, quem é cego não faz mais do que a sua obrigação"


Finais da década de 1970, China
É aprovada a Lei do Filho Único, que impede cada casal de ter mais do que um filho. Se a lei for desrespeitada, as famílias serão punidas com severas multas. Racional? Permitir o acesso da população a um sistema de saúde e educação de qualidade (!). Exceção à regra: as famílias rurais podem ter um segundo filho, principalmente se o primeiro filho for rapariga.

Década de 2010, China
Mais de 1,3 biliões de habitantes. Prevê-se um total de 80 milhões de filhos únicos, designados pequenos imperadores. Estima-se que o número de crianças-não-nascidas, que envolve diversas técnicas para assim o serem, se situa nos 400 milhões. Vamos fazer alguns cálculos: 35 mil abortos por dia, quase todos se referem a potenciais crianças do sexo feminino, e uma proporção de rapazes/raparigas de 130 para 100.

Hoje, China
Feng Jianmei, 22 anos e Deng Jiayuan, 29 anos. Vivem no campo e têm uma filha com 6 anos. Esperavam agora a segunda filha, com 7 meses de gravidez. De acordo com a legislação chinesa, para terem um segundo filho, os pais têm que preencher um formulário onde solicitam a autorização do Governo de Planeamento Familiar.
Aos 7 meses, 20 oficiais apareceram em casa do casal e levaram Feng. Ao que parece o casal não preencheu o dito requerimento, não sendo possível precisar de momento a razão que os levou a não o fazer. Durante 3 dias, foram enviadas mensagens à família por parte dos oficiais, a exigir o pagamento de 40.000 yuan, por forma a "fecharem os olhos" à burocracia. Deng fez todos os esforços para reunir o montante mas foi tarde demais. Ao fim dos 3 dias, contra toda a resistência de Feng, foi-lhe administrada uma injeção letal que matou a criança. Tentou suicidar-se após o aborto. Possíveis causas, para além das óbvias: colocaram a filha, já morta, ao seu lado, dentro de um saco de plástico.

Way to go, China!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Simplesmente mãe...

Este post é candidato ao Melhor Post do Mundo da Limetree Escrever o melhor Post do Mundo é uma tarefa árdua, mas eu arrisco-me a tentar... e espero sinceramente que gostem de me ler, e sobretudo, que se divirtam! Vou tentar fazer uma coisa com humor, que aliás é uma característica muito presente cá em casa, caso contrário quem é que aturaria 4 filhos, e um marido que chega a casa a cheirar a vacas? (È veterinário de Grandes animais e um Grande Veterinário:). Bem é precisamente com o Humor do meu marido que começa esta história, abreviando, eu sou Psicóloga e um dia em cima do teclado do computador tinha uma fotocópia de um mail, de uma revista "conhecida" da nossa praça, com umas perguntas que deveria responder o mais rápido possível, para um artigo que deveria ter sido feito "ontem" (os jornalistas são todos assim?) sobre bebés "irritáveis". Ali ficou a folha, esperando o tempo livre desta mãe psicóloga, que geralmente é... lá mais para a noite... Acontece que o pai nesse dia veio a casa mais cedo (atípico) e resolveu colaborar... e eu não resisto a partilhar convosco algumas das suas respostas, escritas à mão por baixo das perguntas da jornalista: - Pergunta 5 - "O que é feito para detectar as causas do choro?" Resposta: Primeiro abana-se o bebé e depois os pais gritam. - Pergunta 7 - "Em relação a esta situação (irritabilidade do bebé), existem alguns mitos que procurem desmistificar junto dos pais? Quais são?" - Resposta: O mito do bebé calminho... só se for o bebé do vizinho. - Pergunta 8 - "Segundo a vossa experiência, a maioria das situações de choro irritável e prolongado conhece um final feliz?" Resposta: Sim. O bebé acaba por crescer e os cabelos brancos dos pais aumentam... Bem, confesso que não fui buscar inspiração nestas respostas, mas que me diverti imenso ao lê-las! Gosto sobretudo da frase "O mito do bebé calminho... só se for o bebé do vizinho" :) Não é uma delícia? A Psicóloga sou eu... mas acho que aqui o Veterinário ganhou aos PONTOS! E para que conste... cá em casa, sou simplesmente uma mãe.

"Ter a consciência limpa é ter a memória fraca"

17 de julho de 1954
Nasce em Hamburgo uma criança loira, terceira e última filha de Horst Kasner, um pastor luterano e de Herlind Jentzsch, judia e professora de inglês e latim. Em poucos meses, irá começar a vida, juntamente com os pais, na Alemanha Ocidental, onde a cargo da família estará uma pequena paróquia da cidade de Templin. Ao longo dos anos, a criança crescerá e desenvolver-se-á sob um regime de austeridade, estudando intensivamente russo e química, e alcançando com muito esforço pessoal e familiar prémios de honra em várias disciplinas. Fechará o ciclo de estudos com um doutoramento na área. Trabalhará como cientista no conceituado Instituto Central de Física e Química, na parte oriental de Berlim, onde viverá até à queda do Muro.

17 de julho de 1977
Com 22 anos, conhecerá aquele com quem um ano mais tarde casará, Ulrich Merkel. Passados 4 anos, em 1981, conhecerá Joachim Sauer, com quem viverá, após divorciar-se de Ulrich em 1982. 16 anos depois, a criança-agora-mulher e Joachim casar-se-ão. Esta optará, deliberadamente, por nunca ter filhos.

17 de julho de 1990
Cai o Muro de Berlim, levanta-se Angela Merkel. Com muito esforço e dedicação, e com um verdadeiro sentido de missão, será convidada para a União Democrática Cristã (CDU) e pouco tempo depois será apontada por Helmut Kohl, dirigente da CDU, como a próxima ministra das políticas relacionadas com a Mulher e com a Juventude. Lutar todos os dias. Desta forma, abandonará a figura mulher-política-desvalorizada, e conquistará progressivamente um maior destaque junto do seu partido e do público em geral.

17 de julho de 1991
Rebenta o escândalo de corrupção na CDU. A agora ministra sugerirá o afastamento de Helmut Kohl, e é referida como a única figura capaz de assumir a liderança do partido, sendo designada Secretária Geral do mesmo. Com esta tomada de posse, advoga um fresh start para a CDU e após duros momentos de força política, é eleita a primeira mulher a dirigir um partido na Alemanha. Ao assumir crescente exposição pública, irá continuamente referir que, "nem aos 80 anos saberá alguma coisa, e que tudo está por aprender".

De que forma marcará a história? Esta mulher irá lutar por uma profunda reforma laboral, com especial relevância ao nível da eliminação das barreiras aos despedimentos, e do aumento do número de horas de trabalho semanal, justificados pela necessidade de maior eficiência nas empresas. Irá ainda apoiar os Estados Unidos no seu pontapé de saída para o Iraque, dando início a uma guerra que contabilizará mais  de 100.000 baixas. Defenderá o aborto com unhas e dentes, considerando-se "centrista" nas opções políticas que adota. Será grande apologista das políticas feministas e da perspetiva adotada por estas face ao papel da mulher na sociedade. Apoiará diversas uniões com países economicamente relevantes, olhando apenas ao lucro económico das transações e raramente à parte ética das mesmas.

11 de junho de 2012
Após anos de luta para chegar onde chegou, Angela Merkel tem em mãos a aprovação de um projeto-lei altruísta, que prevê o seguinte: "As famílias alemãs que cuidem dos filhos em casa e não os coloquem em infantários ou outros locais, obterão um subsídio do Estado a partir de 2013: 100 euros mensais por cada filho entre os 13 e os 24 meses. A partir de 2014, esse subsídio aumentará para 150 euros mensais por cada filho no seu segundo ou terceiro ano de vida."

Tudo muito bonito, quase comovente. Parece até que finalmente Angela Merkel opta por fazer jus à frase que pauta os seus discursos, "We must never forget our responsabilities as politicians to our country and its citizens" e se apercebe de que a mulher não vale menos ao optar por enfrentar as dificuldades de uma família em casa em vez de lidar diariamente com o monstro do mercado financeiro europeu e com os efeitos adversos da crise. 

Desmaquilhagem Realidade dos factos: De acordo com as estimativas dos municípios alemães, existe no país um défice de cerca de 160.000 lugares públicos para as crianças mais pequenas. Os valores médios de consumo na Alemanha são superiores aos praticados em Portugal, e 100/150 euros/mês/criança é absolutamente simbólico já para o nosso país. O raciocínio que se procura que seja adotado pelos cidadãos seguirá inevitavelmente linhas que contemplem a inexistência de vagas nas escolas para colocar as crianças pelo que um dos pais terá que ficar em casa, embora não haja possibilidade de apenas um elemento do casal per se sustentar toda a família. Já os partidos da oposição defendem a alocação de verbas para a criação de espaço nas escolas. 

E sai mais uma fornada de políticas anti-natalistas. Desta forma, e de consciência limpa, o país prossegue os seus ideais de hegemonia económica, através de uma negação de vários valores humanos e fazendo uso de uma transparência opaca nas políticas adotadas.


Ein gutes gewissen ist ein schlechtes gedachtnis zu haben Angela!

Assim não vale...quase que tive um ataque cardíaco


Golo da vitória de Portugal com relato da TSF... uma emoção ouvir os jogos pela rádio. Gosto especialmente das músicas que o João Ricardo Pateiro faz para os jogadores sempre que marcam um golo!



Bónus - músicas dedicadas aos jogadores do campeonato português! Uma forma de tornar o futebol mais divertido.





terça-feira, 12 de junho de 2012

7º Almoço Mulheres do Séc.XXI

Todas as Mulheres estão convidadas para este Almoço!!! Mulheres do Séc.XXI - uma rede social! Que pretendemos? Este grupo de mulheres pretende reunir periodicamente profissionais de todas as áreas, cujo ponto em comum é a preocupação com a actual crise de valores da sociedade. Missão Organizamos almoços sensivelmente de 3 em 3 meses, com a duração de duas horas (sempre das 12h30 às 14h30) onde há um tema central e oportunidade para convivio e troca de experiências. Os almoços são durante a semana, pois preveligiamos a vida em família e entendemos que o fim de semana é para dedicar à mesma! Procuraremos sempre temas que nos ajudem a reflectir sobre Valores e pretendemos que os mesmos tenham um carácter formativo para todas. Este grupo de mulheres pretende reunir de 3 em e meses, profissionais de todas as áreas, cujo ponto em comum é a preocupação com a actual crise de valores da sociedade. “Não somos feministas nem activistas, somos femininas e activas!" O objectivo desta rede é reunir mulheres conscientes, que tenham dinamismo e vontade de fortalecer o papel social da mulher neste século.

Vamos lá então perceber as mulheres... mas só um bocadinho

Ontem fui ao teatro ouvir a Marta Gautier em "Vamos lá então perceber as mulheres... mas só um bocadinho". É uma peça engraçada, um monólogo onde esta psicóloga clínica fala aos homens sobre as mulheres. O espetáculo tem estado sempre esgotado, mas saber isso não me serve de muito. Sempre duvidei daquilo que "toda a gente" adora - muitas vezes cheira-me à continuação daquela história sobre o rei que vai nu. 

Aquilo que eu achei: tem partes que considero que seriam dispensáveis, porque nada acrescentam ao que se pretende demonstrar sobre as mulheres e fazem com que o espetáculo perca a categoria que potencialmente teria. Tem partes em que, embora sendo mulher, não me identifiquei absolutamente nada. E depois tem partes verdadeiramente engraçadas, perspetivas bem apanhadas sobre as mulheres e que nos mostram que, em tanta coisa, somos todas iguais! 

Exemplos em que me revi especialmente: (numa discussão entre marido e mulher) "sabes querido, é que as mulheres, quando estão calmas, assim mesmo mesmo calmas, GRITAM!", (sobre contar a uma amiga alguma coisa que aconteceu) "há certas pessoas em relação às quais, se não se contar o que aconteceu, parece que não aconteceu nada", (sobre as mulheres que querem mostrar que fazem imensas coisas) "olha, tu sabes o que é que eu já fiz hoje de manhã? Já vesti os miúdos, já lhes dei o pequeno-almoço e... e... (como parece pouca coisa, há que entrar em detalhes) já dobrei os pijamas, já arrumei os sapatos deles dentro do armário, já lhes dei banho ("hm?! banho? de manhã?"), sim banho, é para veres!", (sobre as mulheres - isto é para as mães - que gostam de mostrar que no tempo delas a vida era bem mais dura) "olha filho, não te queixes por ter um colchão desdobrável colado às pernas! No meu tempo as viagens até ao Algarve duravam 9 horas e íamos com coisas em cima até à testa - e sem buraquinhos para os olhos!".

Constatei uma coisa (espero que não me caia tudo em cima):

Algumas mulheres que não estão verdadeiramente felizes nos seus casamentos preferem ouvir que há mais gente como elas e repousar à sombra desse facto do que saber como contornar a situação e voltar a querer dar o melhor de si à pessoa a quem um dia disseram "sim, quero".

E não deveria ser assim.

domingo, 10 de junho de 2012

E deixa de haver comentário possível

... quando até o IKEA, caraterizado pela venda de coisas de casa, precisa de juntar no mesmo anúncio homens nus e panelas para (tentar) chamar a atenção dos consumidores.

sábado, 9 de junho de 2012

Made in India #3

A vida na Índia pode definir-se como uma - enorme - desorganização organizada (nisso os indianos são parecidos com o mecânico de ontem). Senão vejamos.

Não há qualquer tabela de preços visível, por exemplo, nos táxis e tuc-tucs que enchem aquelas ruas (e para sacarem do taxímetro é preciso quase uma luta mano-a-mano onde, escusado será dizer, nunca me meti). Isto leva a que os preços tenham que ser TODOS muito bem negociados.

Receita: juntar dois táxis, um atrás do outro, e fazê-los esperar encostados à berma da estrada. Depois, perguntar ao primeiro quanto cobra por uma viagem até ao destino x. Com a resposta dele, pedir para esperar e dirijir-se ao segundo carro e perguntar quanto cobra pela mesma viagem ("Tanto? Mas o seu colega ali à frente leva-nos por um preço de y!"). Esperar que o segundo responda dando um preço mais baixo e pedir para ele esperar. Voltar ao primeiro táxi com as novas informações e perguntar se está disposto a baixar o preço. E assim sucessivamente, até se fartar ou um dos taxistas ir embora furioso (só não podem é ir os dois - daí a importância de eles não comunicarem - senão foi tempo perdido). Atenção: este exercício poderá demorar MUITO tempo!


Nos comboios não há limite de pessoas. Já não há espaço sentado? Não faz mal: pode ir em pé, agarrado à janela (eu fui e adorei!), etc. Ninguém se ofende. Está farto da viagem? Chegou à sua casa mas o comboio não tem aí paragem? Não há problema: abra a porta (quando há porta) e salte! Mas, por outro lado, são organizados, no sentido em que têm carruagens só para mulheres, só para os bicharocos (galinhas, peixe, e tudo o que forem vender - e que, escusado será dizer, cheiram verdadeiramente mal), e outras que não me atrevi a descobrir.

Outra situação engraçada que me fez ver a desorganização organizada foi a dos atrasos dos comboios. "O comboio está atrasado...", ok até aqui tudo bem, em Portugal também há atrasos, "... chegará daqui a um dia". O quê?! Ouvi bem?! Pois é, atrasos de dias são comuns nestas paragens, porque falamos de comboios que percorrem a Índia inteira e se se atrasarem cinco minutos em cada paragem isto pode bem acontecer. O engraçado é ver as reações das pessoas: pacificamente, agarram na trouxa e voltam as suas casas até ao dia seguinte. Não passa nada, tudo se resolve. É giro ver essa tranquilidade nos indianos, tão contrária à nossa sociedade sempre a correr de um lado para o outro com medo de perder não sei o quê. E como eu estava de férias, fiquei tranquilamente tranquila à espera do dito comboio.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Notas soltas

1. De passagem por uma das mais conhecidas lojas de bikinis (mas que também vende fatos-de-banho) que possam conhecer, perguntei pelos fatos-de-banho.

Sra. da loja: Já temos poucos, este ano as mulheres estão muito mais à procura de fatos-de-banho e pouco de bikinis. E não estou a falar das crianças, estou a falar das mulheres da sua idade - acrescentou ela.

Eu: A sério? Fico mesmo contente! (sra. um bocado desnorteada com o meu contentamento face ao quase esgotamento do produto que eu pretendia). É sinal de que estão a ganhar bom gosto e já perceberam que os fatos-de-banho têm muito mais estilo.

Sra.: De certeza. E de facto as mulheres de fato-de-banho ficam muito mais elegantes e originais ("clap clap clap" no meu pensamento). Olhe, se gosta de algum é melhor despachar-se que muitos já esgotaram.

Foi uma ótima notícia! Andarão a ler o Heart?

2. Cheguei à conclusão de que prefiro os médicos aos mecânicos, no que toca a preços. Em ambos os casos não domino os assuntos da sua especialidade, e prefiro pôr-me nas mãos deles a fazer muitas perguntas. Mas, no caso dos mecânicos, NUNCA se sabe quantos euros nos vão sair do bolso. Passo a explicar:

Eu: Boa tarde, olhe acho que uma luz do meu carro está fundida e preciso de a mudar. Quanto é que custa?

Sr. mecânico: Então vamos lá ver se é só uma (afinal eram três: dois mínimos e um médio... perigo!).

Eu: Ok, então mudam-se as três. E quanto custa?

Sr.: x euros para cada mínimo e xxx euros para o médio.

Eu: Muito bem.

Enquanto tratavam do meu carro, liguei ao L (homem, muito mais entendido no mundo da mecânica) e disse-lhe toda contente que já estava a tratar de arranjar as luzes ("são três sabias?!", "sim eu sei já te tinha dito vinte vezes que tens as três luzes fundidas", "hum...") por um preço simpático.

Passados DEZ MINUTOS (nos quais 5 foram para arranjar as luzes e outros 5 foram para QUATRO homens tentarem fechar o capô do carro) vamos fazer contas:

Eu: Então quanto lhe devo?

Sr. mecânico: xxxxxxx euros.

Eu: (glup...) Mas... não eram só as três luzes que me disse?

Sr.: Sim, mais a mão-de-obra.

Eu: Olhe meu senhor, eu não ando a pagar essas enormidades por um simples trabalho de mão-de-obra que durou 5 minutos! Os outros minutos todos, que eu bem vi, foi para 4 colegas seus tentarem pôr o capô do carro onde ele devia encaixar! E para irem todos contentes lavar as mãos a seguir. E eu não ganho para pagar lavagens de mãos nem capôs encaixados a passo de caracol! (Isto era o que eu queria ter dito, mas não disse porque coitado, até foi simpático apesar de me ter cobrado de mão-de-obra um valor rídiculo para o que tempo que perdeu.)

Eu (versão real): Hm..., está bem. Obrigada então, boa tarde.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Vem aí a febre do Futebol!


De 8 de Junho a 1 de Julho numa televisão perto de si!

Escrevo este post no intervalo do meu estudo de "Sistemas e Comportamentos Eleitorais"...é verdade, tenho (ou temos, não é Inês Vaz Pinto?) exame amanhã e no meio de conceitos como volatilidade eleitoral, abstencionismo ou escalas gradativas da participação política, não consigo deixar de pensar que amanhã começa o Europeu de Futebol.
Felizmente vou conseguir ver a maior parte dos jogos (sim, a Mariana vai tentar ver os 31 jogos!),o que na prática, vai significar um aumento de posts no blog porque vamos ter tema de conversa para as próximas 3 semanas. Não sei explicar porquê, mas sinto uma certa ansiedade com o aproximar da competição...afinal vamos ter quase 1 mês de futebol ininterrupto e de grande qualidade, o que para os "apaixonados", como eu, é espectacular!!

Confesso que gosto muito mais do meu clube do que da selecção...afinal sigo-o durante o ano inteiro desde que me lembro enquanto que o "clube das quinas" só joga de vez em quando. No entanto, é lógico que gostaria de ver Portugal ganhar o Europeu e iria festejar em grande no dia 1 de Julho (apesar de ter um exame no dia 2). As hipóteses não são animadoras, afinal estamos no chamado "Grupo da Morte" com a Alemanha, Holanda e Dinamarca. Ok, eles têm o Robben, Van Persie, Lahm, Ozil, Bendtner...nós temos o melhor do mundo (CR7), o Nani, o Rui Patrício. Não é fácil, mas não podemos partir derrotados.

Tenho imenso para dizer, mas o post já vai longo e não vos quero chatear muito antes do início da competição...
Deixo-vos uma das muitas publicidades da Sporttv para os dias que se seguem (para os que acham a música familiar...sim é de uma claque do Sporting)


quarta-feira, 6 de junho de 2012

Shhhhhhhh...



Tenho uma ligeira obsessão por DIY, mas especialmente por blogs de DIY.
E enquanto me passeio pelos blogs é tão bom encontrar bloggers que partilham a mesma fé que nós :)
Descobri hoje a Wild Olive, e gostei deste post que ela fez. 

Imagem: http://wildolive.blogspot.pt/2012/06/were-praying.html

Bling Bling


Fat Reward will be paid for whoever finds the girls below:

1) Margarida

2) Ini Vaz Pinto

3) Teresa Flores

4) Joana Nestor

We miss them around here..

Requiem

Maria Umbelina Margarida das Angústias do Carmo. Tirando os apelidos. Estes eram os nomes próprios da tia Guida que morreu na passada sexta-feira. A tia Guida era uma das irmãs mais velhas de 12 filhos, dos quais a minha, a nossa, mais que querida e amada Avó Santa é a mais nova. 
Todos os 12 têm assim nomes compridos, muitos nomes próprios, que reflectem a fé católica vivida desde sempre na Família: invariavelmente, nomes de santos ou atribuições de Nossa Senhora, conforme o ano em que nasciam, o dia, a devoção.
A tia Guida teve uma morte boa, se assim se pode dizer. Tinha 92 anos, ficou no hospital uma semana - o tempo para nos prepararmos para a eventualidade de uma notícia má -, recebeu a Santa Unção e morreu a falar com a médica sobre as artroses que a incomodavam sobremaneira, enquanto recuperava da anestesia de uma cirurgia de 4 horas. Assim, morte santa. 
Por isso, em princípio, não devíamos ficar tão afectados. Acresce ainda o facto de ser uma pessoa com um feitio terrível que muitas vezes nos fazia levar as mãos à cabeça. Não tinha filhos, teve uma vida de glamour que contrastou com as dificuldades que experimentou no seu ocaso, e nós, sobrinhos, sobrinhos-netos, irmãos e cunhados éramos a sua família mais chegada.

Como dizia, tudo somado não podia dar tristeza sem fim. Mas deu.
Foi dos funerais mais tristes que assisti.
E a razão prende-se com o amor imenso que temos pela nossa Avó Santa (e pelo Avô Fernando), que foi quem cuidou da tia nos últimos tempos. Ver a nossa Avó chorar como uma criança, ou os nossos tios, já com idade avançada e fisicamente muito débeis a despedirem-se da tia Guida ("mana Guida", como chamavam), com fé de a saberem no Céu, mas com uma imensa e terrível saudade, comoveu-nos a todos e portanto não houve quem não chorasse pela dor destes irmãos.
Irmãos que, naquela hora, voltaram a ser crianças desconsoladas. Estávamos numericamente muitos presentes no funeral, mas os irmãos sentiam-se apenas uns aos outros. Como se a vida tivesse fugido,   como se tudo tivesse sido num instante, ainda ontem ficaram sem a Mãe e agora ficam sem eles mesmos. Eram 12 e agora são 3.

A Mãe dos 12, minha bisavó também foi para o Céu muito cedo, quando a minha Avó tinha 5 anos. Por razões de mobilidade profissional dos ascendentes, nasceram em Goa todos os irmãos. Guerras ditaram interrupções, fugas da Índia para África, de África para a Metrópole. Uma revolução que para uns foi dos cravos, para outros foi a perda de todo um Património Familiar incalculável, casas de Família, capelas com  imagens de santos transmitidas através de gerações destruídas, roubadas, saqueadas. A Biblioteca que o meu Avô Fernando com esforço foi edificando e que na pressa para salvar a vida dos seus teve que deixar.  Não só,  mas talvez também por isso, tornaram-se todos muito unidos e nós, por osmose, também. Por virtude deste lado, mas igualmente por virtude esforço, dedicação e amor do nosso Avô Fernando, que é do mesmo modo mais que querido e muito amado por todos nós. (Os nossos Avós são mais que nossos Pais e é na sua casa que desaguam as alegrias, tristezas, desaires e graças de todos nós. Mas este tema já daria para outro post.)

Neste, queria apenas honrar não a memória ou a vida da Tia Guida, mas a vida dos seus Pais, meus bisavós, que não conheci, mas que tão bem souberam educar os seus filhos e, deste modo, perpetuarem-se através deles e das gerações que se têm seguido.
Julgo que não o fizeram com este objectivo, mas somente com o propósito de os educarem bem para que fossem felizes. E isto falta tanto nestes tempos!

Oxalá saibamos nós também deixar a nossa marca boa entre o nossos, para que outros também se comovam - não para nossa memória ou louvor - mas para que desejem no seu íntimo serem melhores e chegarem mais longe.

Por último, aceitem os queridos leitores deste blog o meu perdão por este requiem tão desajustado ao registo colorido do HEart. Mas não podia deixar de vos escrever acerca da Vida, ainda que, desta vez, tenha sido através de tristeza da morte.



Por falar em unhas, isto é só a mim que acontece?


terça-feira, 5 de junho de 2012

Made in India #2

Mais por descarga de consciência do que por verdadeira vontade de ajudar, fui passar uns dias a Calcutá. Eu e mais 600 voluntários. Calcutá não era nada daquilo que pensei - tinha todo um luxo que outras cidades não tinham: táxis, palácio, pontes, greves! Fiquei de boca aberta. Mas também havia miséria. De mochila às costas, cheguei à porta das Missionárias da Caridade e toquei à campainha. Era perto da meia-noite. Apareceram duas irmãzinhas queridas a quem disse que vinha para ajudar no que fosse preciso. E assim começaram as três melhores semanas de toda aquela viagem. Duras, intensas, mas incríveis. 

A Missa era às 5h da manhã. Lá estavam todas as irmãs a cantar com vozes angelicais, e os voluntários que as quisessem acompanhar. Depois da Missa e do pequeno-almoço (uma banana + tchai) rumava com um grupo de portugueses e espanhóis ao nosso voluntariado. Primeiro comboio, depois taxi (muito bem negociado), e seguíamos para a casa das Missionárias onde passávamos a manhã a dar banhos, pequenos-almoços e mimos. Um verdadeiro desafio comunicar, quando nem o inglês, nem o português, nem o hindu são opção. Passávamos depois às limpezas: muita roupa para lavar, camas para fazer e chãos para limpar. Baratinhas e todo o tipo de bichos passeavam naquelas paragens. 

O que mais me impressionou nas várias casas das irmãs por onde passei foi a constante alegria - serena mas muito grande - em que viviam. Não têm nada como próprio, vivem permanentemente entregues aos pobres e moribundos, e são incrivelmente felizes. Muito - mil vezes - mais felizes do que eu. Livres de tudo, e por isso disponíveis para amar a todos. Aprendi muito com elas. Coisas que hoje em dia me vão passando mas não podem passar. A sorrir em todas as ocasiões, a valorizar as pequenas coisas, a dar... até doer.

Fui a Calcutá com a intenção de por lá ficar uns - poucos - dias. "Já que não sei quando volto à Índia, tenho mas é que aproveitar para viajar, também não é como se fosse fazer uma grande diferença na vida das pessoas". Uns dias passaram rapidamente a três semanas. 


Numa coisa tinha razão: eu não fiz uma grande diferença na vida daquelas pessoas. Mas elas fizeram toda a diferença na minha.

Continua...

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Made in India #1


Há dois anos mudei-me, durante um mês e meio, para a Índia. Mal aterrei, comecei a contar em segredo os dias - ás vezes até as horas - para voltar para Portugal. 

Um bafo insuportável + uma capital desmoronada com construções inacabadas + chuvas intensas + total desconhecimento do sítio para onde ia = muitas saudades de Portugal.

Depois de voltar à civilização europeia, e de por cá passar uns meses, comecei a sentir falta de um país tão intenso quanto diferente e a olhar de uma maneira muito diferente para uma Índia à qual havia secretamente prometido nunca mais voltar. 

Foi a viagem de uma vida. Viajei que me fartei. Um dia estava no Norte, dois dias depois (dentro de comboios e sob a ameaça de ataques terroristas) estava a milhares de Kms, mas ainda no mesmo país. Vi sítios lindos, exóticos, tão diferentes que nos fazem parecer que estamos noutro mundo. Estive quase sempre perdida, mas no fim do dia sempre encontrava o hotel manhoso de onde saíra de manhã. 


Conheci homens e mulheres felizes. Felizes que só eles. Gente que acordava de manhã sem saber se chegaria vivo ao dia seguinte (na verdade, esta questão devia pôr-se a toda a gente), que olhava para mim como se fosse um autêntico ET, que dançava à chuva e sorria - um sorriso tão bondoso - com a maior facilidade. Ainda hoje penso muito em todos eles, no que será feito daquelas vidas. Onde andará o Proud, a quem batizámos assim por não percebermos o nome indiano dele? E a Loki, uma velhinha que devia pesar uns quinze quilos e entertia os seus dias a contar e armazenar os cereais que lhe punham no prato (em vez de os comer e ganhar uns kg que bem precisava)? E a Kamela, que um dia acordou e não via, nem andava, nem falava?

Continua...

Novo adepto do Inter de Milão


Papa Bento XVI e Javier Zanetti (capitão do Inter)

Estádio San Siro - Milão - 03/06/2012

"Quem ri por último, é de raciocínio lento"


Entrei na faculdade em 2007 e estudei gestão durante três anos, no final dos quais assinei contrato de trabalho. Arriscar. É uma atitude que puxa por mim, que me desafia diariamente e que me coloca perante muitas situações que não quero posso controlar. Mas isto sou eu. Dizia-vos que assinei contrato de trabalho. Tinha 20 anos e preparava-me para entrar num mundo em constante transformação: o financeiro. Rapidamente percebi o que me fascinava tanto à cerca deste novo passo. É que o senhor mercado financeiro não existe se nós não existirmos, pessoas que têm gostos, vontades e quereres arriscados. Isto tudo para chegar ao evento que muitos economistas definem como o big bang da crise financeira atual.

A maior falência na história dos Estados Unidos deu-se no dia 15 de Setembro de 2008 com o colapso de uma instituição com mais de 160 anos, fundada pelos irmãos Henry, Emanuel e Mayer Lehman. Falo-vos da Lehman Brothers (LB), que após uma grande evolução de negócio, se definia como a quarta maior empresa de investment banking dos EUA. Entre vários dos produtos transacionados em OTC pela LB, estão os derivados.

Para leigos em economia e em traços gerais, transações em OTC (over-the-counter) são operações que ocorrem fora de mercados regulamentados e que portanto não garantem que a contraparte venha de facto a cumprir a sua obrigação. Tal como numa relação entre duas pessoas, em que a Maria combina com o Aníbal, encontrarem-se no café Central no dia 6 de Junho pelas 15h45, e em que se espera que nenhum dos dois deixe de cumprir o acordado. Vamos supor que o Aníbal não pode comparecer porque há greve de autocarros, isto se as pessoas importantes como ele andassem de autocarro mas não é o caso que aquilo é um grande carro sim senhor e não tem maneira de ligar à Maria a desmarcar a combinação. Em OTC, o Aníbal tinha falhado o seu compromisso e a Maria não tinha forma de recuperar o tempo perdido a andar até lá, nem o custo da pedicure resultado dos saltos altos que uma senhora destas tem que usar, ou seja, existe um risco de default. Já em mercado regulamentado, a Maria, despeitada, ligava a uma outra entidade, tecnicamente designada clearing house, e que nesta história pode tomar a forma de primo Rufo, fazia queixinhas e o Rufo ia buscar o Aníbal, obrigando-o a comparecer no local marcado. Bem, desculpem-me os economistas sérios que isto tem uma série de nuances que estou a desconsiderar para tornar tudo mais light mas até fico com uma lágrima ao canto do olho por não me poder alongar, porque é de facto fascinante como tudo funciona. Mas percebe-se não é? Em OTC todas as operações apresentam o risco de default da contraparte.

Ora bem, a LB era perita em transações em OTC, que devido ao risco superior que acarretam, podem também ser operações fantásticas e de margens brutais. Os derivados, tal como o nome indica, derivam de alguma coisa, normalmente commodities - ouro, petróleo, milho, etc. Mas podem ter formas mais "complexas" como o estado do tempo, ou seja, derivados que "apostam" nas condições metereológicas a longo prazo. Imaginem empresas de scuba diving em que a atividade cai a pique quando há dias chuvosos. Se esta empresa apostar em derivados, de forma a ganhar no caso de chover no dia 15 de Agosto, por ser um dia abençoado com especial significado para a Cate, e se neste dia chover, ela ganha o valor acordado, que lhe serve para compensar a quebra de atividade desse dia. Interessante, hein? E se a contraparte da empresa de scuba diving, let's say, "Falência Certa", no final não pagar? E se não for um simples dia da empresa de scuba diving mas sim 900.000 contratos de derivados que envolvem 11 zonas do globo e milhões de consumidores e empresas?

Acabou mal. Risco desmedido conduz a isto. Pessoas que pouparam uma vida inteira, já designadas reformadas, viram-se sob a condição de desempregadas. Porque não se soube analisar com detalhe as contrapartes, porque se brincou utilizou fundos que não custaram a ganhar, porque o mercado é forte até nós deixarmos de o ser.

E mostra a importância de não brincar com coisas sérias. Porque passando este acontecimento para o plano pessoal, quando se entrega a uma empresa/pessoa/amigo/namorado o poder de negociar sobre coisas que para nós são importantes/essenciais/fulcrais, corremos sempre o risco de perder tudo. É preciso conhecer muito bem a contraparte, conhecê-la mesmo bem, e podemos chegar à conclusão que essa entrega só deverá ser feita em mercado regulamentado (digam-nos as mulheres casadas deste blog!!).

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Feliz dia da criança

Lembro-me bem que neste dia a minha mãe, levava todos os filhos, e por vezes vizinhos, a passear e fazia-nos sempre uma surpresa... uma coisa é certa neste dia nunca faltavam os GELADOS! O que me leva a pensar que dia da Criança é também o dia das mães.
Aproveito este post para dar as Boas Vindas à nossa ANA ULRICH!
Feliz dia crianças....

Ainda sobre os príncipes encantados...