Mostrar mensagens com a etiqueta França. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta França. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 26 de julho de 2016

Hoje

 26 de Julho dia de Sant'Ana e São Joaquim
 
Ontem tentei ir à Missa, porque sim, um dia perguntaram-me se eu era obrigada ir à Missa, eu só respondi: "Alguma vez estiveste apaixonado?", não sei se ele entendeu a resposta, mas é isso... uma questão de amor. Quando ontem cheguei à porta da igreja reparei que estava fechada, não é comum, talvez o sacerdote esteja de férias, nunca entendi este tipo de férias dos padres, os pais de família não costumam tirar férias, não deixam de alimentar os seus filhos porque é verão.
Hoje de manhã acordo com a notícia que Jacques Hamel, um sacerdote francês de 86 anos, foi degolado enquanto celebrava a Santa Missa na sua calma paróquia, numa clama aldeia da Normandia. Um mártir na Europa ocidental em pleno século XXI, um acontecimento terrível, mas com muita profundidade sobrenatural, eles nunca irão entender.
Numa Igreja, lugar de paz, na casa de Deus, enquanto se celebrava a maior entrega de todas, a renovação da Paixão, onde se fala que só com o amor se vence o odio. O Padre Jacques foi morte e a sua comunidade feita refém, porque foram fieis, porque ele foi um pastor, porque celebrava a Santa Missa... (dá que pensar).
As nossas armas são maiores que as deles, as nossas palavras são mais verdadeiras que as deles, o nosso amor é muito superior ao odio deles: bastava sermos coerentes e fieis!
Alguma vez estiveste apaixonado?
 
 
Ainda esta semana um padre da mesma Igreja Católica escrevia aos terrorista: "Não terão o meu ódio!"
 
Hoje lembro-me especialmente dos meus amigos que tinham - humanamente - uma carreira profissional promissora pela frente  e trocaram tudo isso pelo seminário.
Hoje lembro-me de uma grande amiga que está em Paris e, que apesar do medo constante, vai todos os dias à Santa Missa.
Hoje agradeço o exemplo de um director espiritual que fica horas e horas fechado num confessionário.
Hoje alegro-me por aqueles sacerdotes que não tiram férias e celebram a Missa todos os dias.
Hoje lembrei-me de um padre das ilhas, que  anda vestido de padre, e numa capital europeia foi cuspido, enquanto ia pela rua.
Hoje vi muitos dos meus ali, com o Padre Jacques Hamel e com os seus fieis, que no dia 26 de Julho foram simplesmente à Santa Missa.
Hoje também é dia do ano da Misericórdia, que coisa estranha esta a Misericórdia.
Hoje também começam as Jornadas Mundiais da Juventude, em Cracóvia, o maior encontro com o Papa, sei, por experiência própria, que serão dias intensos, de muitos frutos e este ano ainda mais, porque como um escritor clássico dizia, descrevendo o martírio dos Cristãos no Império Romano: "O sangue de mártires é semente de Cristãos"

PS.: desculpa Padre Jacques naquela noite, da véspera da tua partida, deitei-me cedo demais, adormeci e nem acabei a minha oração, a que devia ter feito, a que queria ter feito, talvez tenha sido por culpa da minha tibieza.
 
 
 
«Possamos nós nestes momentos ouvir o convite de Deus a tomar cuidado deste mundo, a fazer dele, onde vivemos, um mundo mais caloroso, mais humano, mais fraterno.»
Padre Jacques Hamel

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Carta aos terroristas que mataram a sua mulher

A demonstração da superioridade de um povo está  no perdão, em não deixar que o odeio nos domine.
Li aqui: Sábado. A carta de um viúvo aos terroristas. A original está no Facebook de Antoine Leiris.
Só me resta agradecer a este senhor por mostrar a nobreza da Europa.
_______________________________________________
O jornal Libération divulgou uma carta de um recém-viúvo francês aos terroristas que mataram a sua mulher, nos atentados de 13 de Novembro de 2015. Foi escrita por um jornalista da France Bleu, Antoine Leiris, e está a tornar-se viral.

"Vocês não terão o meu ódio
Na noite de sexta-feira vocês acabaram com a vida de um ser excepcional, o amor da minha vida, a mãe do meu filho mas vocês não terão o meu ódio. Eu não sei quem são e não quero sabê-lo, são almas mortas. Se esse Deus pelo qual vocês matam cegamente nos fez à sua imagem, cada bala no corpo da minha mulher terá sido uma ferida no seu coração.
Por isso eu não vos darei a prenda de vos odiar. Vocês procuraram-no mas responder ao ódio com a cólera seria ceder à mesma ignorância que vos fez ser quem são. Querem que eu tenha medo, que olhe para os meus concidadãos com um olhar desconfiado, que eu sacrifique a minha liberdade pela segurança. Perderam. Continuamos a jogar da mesma maneira.
Eu vi-a esta manhã. Finalmente, depois de noites e dias de espera. Ela ainda estava tão bela como quando partiu na noite de sexta-feira, tão bela como quando me apaixonei perdidamente por ela há mais de doze anos. Claro que estou devastado pela dor, concedo-vos esta pequena vitória, mas será de curta duração. Eu sei que ela nos vai acompanhar a cada dia e que nos vamos reencontrar no países das almas livres a que nunca terão acesso.
Nós somos dois, eu e o meu filho, mas somos mais fortes do que todos os exércitos do mundo. Eu não tenho mais tempo a dar-vos, eu quero juntar-me a Melvil que acorda da sua sesta. Ele só tem 17 meses, vai comer como todos os dias, depois vamos brincar como fazemos todos os dias e durante toda a sua vida este rapaz vai fazer-vos a afronta de ser feliz e livre. Porque não, vocês nunca terão o seu ódio."




segunda-feira, 16 de novembro de 2015

"Play the Marseillaise! Play it!"

Perante estes acontecimentos tenho me lembrado da história de quando estreou o filme Casablanca, no cinema açoriano. Era uma história, ou melhor era História, que o avô Francisco contava-me, sem se fartar de contar e eu sem me fartar de o ouvir.
Ele tinha uma grande admiração pelos franceses, "símbolo de liberdade", dizia-me,  com o seu espirito revolucionário e o seu caracter de historiador, contava-me como o cinema fora um aliado nesta luta  "eu vivi tempos de guerra, em que a história foi escrita não pelos vencedores, mas pelos corajosos, pelos mártires, pelos homens coerentes, incorruptos, que lutavam pela dignidade, pela vida, pela justiça e pela liberdade. No dia em que, nos Açores, chegou às salas de cinema o filme "Casablanca" isso não nos era indiferente, nós sabíamos o que era a guerra, nós sabíamos o valor da nossa liberdade, por isso, no filme, quando Victor Laszlo mandou tocar La Marseillaise, frente aos Nazis e,  juntamento com aqueles dissidentes, todos nós, naquela sala de cinema nos levantamos, todos nós nos pusemos de pé e cantamos, ou melhor gritamos, com as lágrimas nos olhos, o hino da França, porque sabíamos que ali estava o sangue dos que morreram pela nossa liberdade... Naquele cinema podíamos ser um pequeno grupo de açorianos, homens e mulheres que aparentemente  viviam isolados nas ilhas, mas tínhamos fé na humanidade."
Perante estes acontecimentos não me é indiferente ouvir La Marseillaise, afinal de contas, eu também tenho fé na humanidade.
 
 
 (Santa Missa celebrada pelas vitimas dos ataques terroristas - Notre Dama Paris)