[Confesso que me faz confusão quando é necessário explicar o natural, o que era adquirido ou quando num país desenvolvido, um país da europa o governo tenha que tomar medidas para incentivar os cidadãos a "fazerem amor" e a procriarem.... ]
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sábado, 11 de junho de 2016
sexta-feira, 6 de maio de 2016
A nossa geração está cheia de "Solteiros e bons rapazes"
Uma bela sátira à minha geração - muitos desses rapazes foram meus colegas e são meus amigos - em defesa da família, em defesa da sociedade, em defesa deles próprios (pois não os quero assim).
Vale a pena ler o texto é de Nuno Gonçalo Poças do Blog Estado Sentido.
"vê-los, do Saldanha à Avenida da Liberdade. Uma massa uniformizada de proletários de fato e gravata, de sapatos compensados e blazer, barbas aparadas, cabelos arranjados, que entra nas consultoras e nas sociedades, de smartphone em punho, fazendo rolar o ecrã com os polegares, de auscultadores nos ouvidos. Trabalham de manhã, almoçam nos restaurantes ou nos doentios centros comerciais da zona, trabalham à tarde, jantam nos mesmos centros comerciais, trabalham à noite, saem tarde, esgotados, bebem um copo com os amigos, publicam fotografias nas redes sociais. No dia seguinte tudo se repete. Quem quer sair às seis da tarde, pede autorização ao superior hierárquico com uma semana de antecedência – mesmo sabendo que essa autorização pode ser alterada em cima da hora. Não há motivos que os façam não trabalhar. O trabalho é essencial. Vem sempre primeiro.
Tens a tua mãe doente? Sim, está muito bem, mas como não és médico tens aqui um prazo urgentíssimo, que já devia estar feito há dias, se o trabalho fosse devidamente organizado, e que vais ter de ficar a despachar até à meia-noite. O teu irmão casa-se amanhã? Pois, então que seja muito feliz, mas como quem se casa não és tu, tens de vir trabalhar amanhã, porque temos aqui um closing muito urgente e tu és indispensável. Ai amanhã é sábado? Pois, pá, mas isto o trabalho não conhece dias da semana. É no trabalho que uma pessoa se realiza, pá. O teu irmão que não fosse um imbecil – não se casasse, tivesse ido trabalhar. A tua mulher está a ter o vosso primeiro filho? Sim, claro, os filhos são uma grande coisa, claro, mas tens de sair imediatamente do hospital e vir para o escritório, que estamos aqui aflitos com uma coisa muito mais urgente. O quê, a tua mulher está em casa com um recém-nascido e a empresa não lhe está a pagar salário? Isto realmente há gente má no mundo. Ainda bem que nós te damos a oportunidade de trabalhar nesta fantástica empresa, rapaz, onde podes trabalhar umas parcas 12 horas por dia e onde ainda te damos o privilégio de levar trabalho para casa, para que possas chegar ao teu sofá à uma da madrugada e responder a emails. O que seria de ti sem nós. Alguém tem de pagar contas, não é, filho? Não te sentes feliz com esta oportunidade que te demos de gozar dois dias de licença de paternidade? Pudeste trabalhar em casa, descansado. Isto é um favor que te fazemos, rapaz, tudo por um bom salário, por bons prémios que te vamos dar, pela progressão idílica que estás a ter nesta empresa. Precisas de sair mais cedo porque o teu filho está doente? Mas tu queres uma mulher para quê, afinal? Podias ter uma vida muito melhor se não te tivesses casado. Se não tivesses filhos. Agora que tens filhos e mulher, para que raio queres tu ir para casa com um filho doente? Para cuidar dele? Casasses melhor. E tu, mulher que se queria evoluída, por que diabo me pedes tu férias quando te demos o privilégio de ficar três meses em casa a ganhar 50% do salário e a trabalhar todos os dias, logo depois do parto? Para que raio engravidaste tu, mulher do século passado?
Enquanto houver, numa grande parte do tecido empresarial urbano, a apologia dos solteiros – que não engravidam, que não têm compromissos pessoais que não possam desmarcar, que não casam, que não descansam; enquanto houver, numa grande parte do tecido proletário-chique das grandes cidades, a aceitação desse paradigma; enquanto houver gente que aceita ficar no trabalho até às oito da noite, quando está a ler jornais desde as seis, porque “é mesmo assim”; enquanto houver gente que acha que o trabalho é a única coisa que as realiza pessoalmente; enquanto houver gente que só encontra felicidade, para lá do trabalho, em fotografias de paisagens ou de pratos de comida que possa publicar nas redes sociais; enquanto houver situações profissionais híbridas, entre o contrato de trabalho e a profissão liberal, que não conferem nem liberdade, nem regras; enquanto houver tudo isto, não há políticas de natalidade que nos valham."
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
a Matilde & eu
A Matilde é uma bebé linda, como todos os bebés. já é um bebé conhecido por isto aqui: M'Sisters.
Quando peguei pela primeira vez na Matilde vieram-me imensas coisas à cabeça, para além do habitual carinho que é o aconchego de pegar num bebe.
"Bolas o tempo passa tão rápido, eu lembro-me tão bem da T e do L a namorarem pela aldeias do Fundão! E já estão no segundo filho...".
De repente tinha nos meus braços uma vida, uma história.
Uma vida que surgiu porque dois incríveis jovens se apaixonaram. Tinham-se comprometido naquele dia 8 de Junho de 2013 que iam cuidar um do outro, que iam acordar cedo e mudar fraldas, que se iam deitar tarde e lavar as chuchas e os babetes, ou seja que seriam generosos. Como é difícil ser-se generoso...Porque de facto para se ser pai e mãe o que é fundamental é a generosidade, a entrega e persistência na luta mesmo com as adversidades.
Uma vida que surgiu porque dois incríveis jovens se apaixonaram. Tinham-se comprometido naquele dia 8 de Junho de 2013 que iam cuidar um do outro, que iam acordar cedo e mudar fraldas, que se iam deitar tarde e lavar as chuchas e os babetes, ou seja que seriam generosos. Como é difícil ser-se generoso...Porque de facto para se ser pai e mãe o que é fundamental é a generosidade, a entrega e persistência na luta mesmo com as adversidades.
Não percebo aqueles recém casados, que argumentam o não quererem ter filhos porque precisam de ter tempo um para o outro, por outras palavras é uma forma disfarçada de esconder um certo medo do compromisso ou até um certo egoísmo. O tempo não o querem um para o outro, querem-no para si, pois qual é a melhor e maior forma de amar se não a entrega sem seguranças? A entrega que é tão grande e tão profunda, que gera uma vida. Ai sim terão tempo um para o outro, mas numa integridade: que é um filho.
O significado de amar vê-se na entrega.
Se a morte, na sua opulência causa-me alguma interrogação, pela sua singular dimensão, pelas duvidas que levanta, o nascimento também me deixa perplexa, como é bonito a grandeza e a simplicidade de gerar uma vida e, num ímpeto momento, eu já tinha ali, nos meus braços, o maior e mais maravilhoso símbolo do amor, uma personificação da entrega, a vida de alguém que não é deles mas que existe graças a eles, que não lhes pertence, mas foi gerada por eles.
Não interessa as politicas de natalidade e os incentivos públicos, Portugal não tem filhos, e o grande culpado não é a falta de dinheiro, mas sim a falta de amor, porque somos egoístas e precisamos de tempo... mas para as nossas coisinhas...
Foi tudo isto que me passou pela cabeça.... quando eu a tinha nos braços:
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Mas não era uma festa qualquer
Recebi um convite, mas não era uma festa qualquer.
Já há uns 20 (e tal) anos que não recebia um convite para este tipo de festas. O convite já anunciava o tema - O Lobo mau e os três Porquinhos - afinal de contas o Zé Diogo fazia 3 anos.
A Soraia é a minha única amiga do colégio que casou e teve filhos - sim a minha única amiga - nós somos a triste geração sem filhos, por isso esta festa era importante para mim, porque não era uma festa qualquer.
E de repente veio a duvida (*) qual o outfit que devo levar para a festa infantil sendo eu adulta? - as Monozigo Sisters ainda não aconselharam a combinação para uma espécie de tia que vai à festa dos 3 anos de uma espécie de sobrinho (Teresa e Ana fico à espera!).
Mas não era uma festa qualquer. Gosto mesmo deste miúdo, não porque ele é único na minha geração, mas porque tem imensa pinta... O Zé Diogo com apenas 2-quase-3-anos já discutia comigo o facto do lobo mau não ter chapéu, se há coisa que está presente na minha vida são as discussões, passeia a adolescência toda a discutir, na universidade, onde apanhei um referendo à vida, tive diferentes graus de discussões, com o ponto alto de discutir uma tese, entretanto arranjei um trabalho que me faz ouvir discussões a toda a hora... entre as consequências das lowcost, a liberalização do espaço aéreo etc...e eu dei por mim a ter mais gosto de discutir o facto do lobo mau não ter chapéu, não só porque o Zé Diogo tem argumentos mais fortes que alguns protecionistas, mas porque me faz tão bem esta simplicidade dos miúdos inventarem problemas, os miúdos fazem-nos bem... - eis a minha duvida - porque eu percebo quem tem medo do lobo-mau, só não percebo quem tem medo de ter filhos, uma casa cheia de miúdos....
Mas não era uma festa qualquer. Tinha saudades das gomas, dos dedos sujos do chocolate derretido, dos sumos da sunquick, das brincadeiras, das correrias e das quedas, das birras e da alegria de uma festa de crianças, na verdade talvez o que tenho é saudades de ser criança, e de repente lembrei-me (novamente) que tive uma mãe incrível e nos últimos 20-e-muitos-anos ela nunca, mas nunca, mesmo nunca falhou nos 20's de Fevereiro, estava sempre tudo impecável, todos os pormenores, todo o carinho, tudo feito com muito amor e com muita abundância, como deve ser o amor. Foi ai que percebi que talvez não tenha dado o valor suficiente, talvez não tenha agradecido o suficiente?... Não pode-se voltar com o tempo atrás, mas pode-se voltar com o coração atrás....
Naquele dia, quando me encontrei com a minha mãe, dei-lhe um beijinho, um beijinho habitual, mas para mim não era um beijinho qualquer... porque nenhuma festa foi uma festa qualquer.
******
(*) PS:A segunda dúvida foi o que oferecer a um puto de 3 anos??? Depois de muito pensar, fui à loja de animais e montei um aquário, talvez irrite os pais mas um animal deixa sempre um sorriso numa criança... E eu ainda ponderei o periquito!
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
pensar
"A resposta a quem fala sobre excesso de população é perguntar-lhe se ele é o excess0 de população; ou se ele não é, como é que sabe que não é." G. K. Chesterton
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