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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Eu, a liberdade ocidental e o Natal

 
Na Europa temos liberdade para fazer, dizer, expressar tudo.... menos se tiver algum conteúdo espiritual, a não ser que seja da espiritualidade oriental - o yoga, o Budismo, as cenas zen's -  aí  podemos falar com convicção, fica-nos até muito bem. Também é permitido expressar a espiritualidade do Islão, mas isso é por uma questão de tolerância.
Concluindo basicamente o importante é não falar do Menino Jesus, muito menos da Igreja, essa retograda instituição.
Mas alguém sabe o porquê do Natal???
Nesta época, de festa natalícia, foram imensas as noticias pela Europa fora (sobretudo Espanha, Itália, França e Inglaterra.) de autocensura: dos presépios, das musicas de Natal, da história etc... Isto deu-se nas escolas, nos aeroportos, nos hospitais, até nos museus.
Mais uma vez somos livres, mas livres de pensar como "eles" pensam.

E eu, sem medos, sem preconceitos, sem "tolerâncias", sem liberdade deixo aqui o meu Menino, porque sou apaixonada por Ele, pela arte, pela Europa, pelo Caravaggio, pelo barroco, pela história e pela liberadade:
 
(este é de Michelangelo Merisi da Caravaggio )
 
 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Vamos voltar ao princípio?



"Parece que já está tudo dito sobre o Natal. Mesmo do ponto de vista do consumismo instalado, é como se existisse um cansaço em relação aos elementos tradicionalmente alusivos ao Natal e houvesse uma espécie de febre de inovar e reinventar. Cansa também a solidariedade, porque esta desobriga filantrópica de dar dinheiro para uma campanha e ´já está!’ não preenche o coração. Até o tema da festa de família é difícil de sustentar, porque as fracturas e tentativas de reconstrução que ferem hoje tantas famílias fazem muitas vezes dos festejos de Natal um momento de convivência forçada de estranhos ou ocasião de novas e dramáticas solidões. Em resumo, esvaziámos o Natal da sua origem e razão de ser e sobra um esbracejar atordoado de festas e comezainas e um amontoar doentio e enjoativo de coisas dadas e recebidas que geram mais tédio do que alegria.

Já fizemos tudo com o Natal. Vamos voltar ao princípio. “Como pode um homem nascer sendo velho?” perguntava o velho Nicodemos a Jesus. Poderemos nós, velhos e gastos por tudo o que já vimos e julgamos saber, voltar a ser como crianças diante de uma novidade?  "Um homem culto, um europeu dos nossos dias, pode acreditar, crer de verdade, na divindade do Filho de Deus, Jesus Cristo?" Esta pergunta retirada da obra de Dostoievski “Os Irmãos Karamazov” é a pergunta deste Advento. Não se trata de saber se somos capazes de entrar numa igreja vazia e ter a impressão de sossegar o coração naquele silêncio; se no fundo não temos objecção intelectual à ideia de que exista um ser superior ou se nos sentimos fiéis aos valores católicos porque tentamos ser boas pessoas.

O que está em causa é este Nazareno chamado Jesus, conhecido como filho do carpinteiro. O que está em causa é Ele, pequenino e frágil, a berrar, a mamar, a bolçar, a sujar os paninhos que lhe serviam de fraldas, como todas as crianças. O que está em causa é Ele, durante 30 anos silenciosos de trabalho braçal, unhas pretas, calos e cortes nos dedos, músculos doridos, muitas cadeiras, muitos bancos, muitas mesas, muitas arcas, muito serrar, lixar, aplainar. O que está em causa é o que Ele, ao fim desses 30 anos, disse de Si próprio. Disse aos amigos, mas também àqueles que curou e converteu; disse durante os três anos de arrasadora popularidade, mas também nas 12 horas da Sua Paixão; disse antes de morrer e depois de ressuscitar; disse de viva voz, mas continuou a dizer ao longo de 2000 anos pela palavra e pela vida entregue dos Seus na Igreja que Ele fundou. O que está em causa é que este Homem tenha a ousadia de Se dizer Deus e que isso implique uma tomada de posição por parte de todos aqueles que d’Ele se aproximam.

Jesus é verdade mesmo. Não é um filme, de que retemos só a parte de que mais gostamos. Não é uma ideologia, a que aderimos parcialmente. É um Homem em Quem nos embatemos. Um encontro humano é sempre o acontecimento de duas liberdades, uma diante da outra. Jesus de Nazaré diz que é Deus e oferece uma relação fiel e totalizante para a vida e para a morte. Mais concretamente ainda, apresenta-Se como resposta para a nossa procura de felicidade. Mostra saber como é o nosso coração e poder preenchê-lo. Dá tudo e pede de nós uma dádiva também total, porque é nessa confiança incondicional, nesse abandono, que está o segredo da vida feliz e realizada. Neste Advento, o desafio da Fé é este. Diante do Presépio, na Missa do Galo, em qualquer momento onde o Nome de Jesus se cruze com a nossa azáfama, saberemos que não é sério reduzir ou disfarçar. O Menino Jesus é a proposta mais radical que já nos foi feita na vida. Cabe a cada um de nós a decisão de aderir. (...)"

Madalena Fontoura

"Tree Wishes"

 
 
 
3 desejos para esta época:
  1. Passe verdadeiramente o tempo de Natal em Família, em qualidade e quantidade, não dê tanta importância aos presentes, esses vão e as memórias ficam. Façam jogos de mesa divertidos, desligue o telemóvel e o Facebook, não tire selfies o mais importante é o que se vive e não o que se mostra viver. Veja um filme que seja para todas as idades. Perdoe aquele parente e esqueça aquelas ofensas, diga que gosta dele, não tenha medo de dar muitos abraços. Incentive os netos a ouvirem as histórias dos avós enquanto estão na cozinha a temperar o peru, deixe que sejam as crianças a pôr a mesa...
  2. Não viva o Natal vazio. Lembre-se da verdadeira história, conte aos seus filhos, sobrinhos e netos como Jesus nasceu, humilde, pobre, como em Belém devia fazer frio, conte a história dos Pastores, dos Anjos distraídos que andavam perdidos no Céu, das Estrelas que naquela noite brilharam mais do que os restantes dias, das Ovelhas difíceis. Faça o Presépio num lugar central, o Presépio é mais importante que a árvore, não se esqueça de ir à Missa do Galo, poucas tradições são tão bonitas como a Missa do Galo, beijar o Menino, saber acolhe-Lo no coração e na vida é saber viver o Natal. Reze em família. "Família que reza unida, permanece unida".
  3. Esta época é naturalmente uma época de generosidade, de caridade, que isso não seja somente um cliché, frases feitas dos refrões das musicas. Faça companhia alguém que está só, convide para a sua casa quem não tem companhia ou quem não tem comida, visite a avó, não a deixe sozinha mesmo que ela diga que preferia estar em casa sem ninguém (é mentira), visite a casa de repouso, os lares de idosos estão cheios de solidão, aquele vizinho ainda está no hospital de certeza que ia gostar da sua visita. Neste Natal viva para os outros. Seja Misericordioso, ofereça uma boa prenda a quem não pode retribuir.

Pensamento do Advento [23]

Para aqueles que estão preocupados somente com as comidas da época....


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Padre Gonçalo Portocarrero


Precisamente há um ano o Padre Gonçalo Portocarrero escrevia um dos seus maravilhosos artigos, dado a época falava sobre o Natal mas, ao seu característico estilo, o tema insidia na solidão humana dos sacerdotes durante os festejos, não fosse Gonçalo um desses sacerdotes de Cristo:

(Que o celibato não é sinonimo de solidão eu já sabia, tenho muitos amigos, homens e mulheres celibatários que são mais preenchidos, mais felizes e mais apaixonados que muitos outros...)
 "Em tempos passados, era comum que uma irmã, ou familiar próxima do sacerdote, o acompanhasse com uma disponibilidade total. Hoje em dia, a grande maioria dos clérigos seculares carece de uma presença familiar que o possa amparar: uma dolorosa ausência que até é perceptível quando, pelo seu aspecto, indiciam algum desleixo pessoal. Nota-se que lhes falta um ambiente familiar que seja, sem lhes criar uma dependências excessiva, um espaço de amizade e descontracção; que não têm quem, com a devida descrição, os possa corrigir e ajudar; quem se interesse, sem intromissões abusivas, pela sua saúde e alimentação; quem zele, com solícita atenção, pela sua apresentação; quem lhes facilite, uma vez por outra, alguma diversão adequada à condição sacerdotal; quem dê um toque de alegria e de graça às suas casas, etc. Nota-se que lhes falta, em poucas palavras, uma família cristã!"
Assim tão pertinentemente, o Padre Gonçalo exortava:
A vida dá muitas voltas, ironicamente passado um ano quem precisa de ser adotado é o próprio Padre Gonçalo.
Um ano depois deste texto ser escrito recebo a notícia que o Padre Gonçalo Portocarrero está no Hospital, o que lhe aconteceu é grave, provavelmente deve ter dores, mas pelo que eu conheço não se deve queixar tanto quanto sente, sei que não estará sozinho, mas estar no hospital durante os festejos do Natal é mais duro que o tempo comum.
Por isso, neste Natal, vou seguir o seu conselho e, nas devidas distancias terrestres, aéreas e marítimas e espirituais, sou eu que lhe vou adotar, uma adoção com as minhas orações. 
Na esperança que o Observador volte a ter as suas crónicas (aqui) e de muitos confessionários ficarem cheios....

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Pensamento d'Advento [21]




“E o anjo retirou-se” —, surpreende, ao colocar Maria num momento de solidão, de confronto consigo mesma e com a tarefa que lhe fora atribuída. A sós, com Deus. O mistério da Natividade é também o mistério da maternidade e da solidão que sempre a rodeia, em todos os tempos e lugares, hoje como há dois mil anos.

Daqui, numa análise biblico-histórica muito interessante.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Pensamento d'Advento [9]

Enquanto esperamos pelo dia de Natal - dia de celebração, dia de família, dia de aconchego -, podemos fazer o mesmo ir acontecendo na vida dos outros, de quem mais precisa.

Cada vez é mais fácil ajudar.
Deveria ser fácil, ou isso retira o mérito? Não sei, será um rosário para outras contas.

Para já, deixo-vos algumas ideias de como ajudar, em grau ascendente de dificuldade e entrega pessoal!
 Doem mobília, brinquedos, livros, o que seja, ao Banco de Bens Doados. Eles vão buscar a casa, se for preciso.
 Dêm um presente a uma criança através do Pai Natal Solidário dos CTT.
Doem o vosso tempo, bem mais precioso não há!

Um Santo Advento, um Santo Natal.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Pensamento d'Advento [7]

Ontem demos uma cama antiga à nossa empregada (sim, somos privilegiados).

Como ela não tinha como a levar, arranjámos uma carrinha, desmontámos* a cama, carregámos* a cama na carrinha e levámos a carrinha até casa dela.

Quando chegámos a casa dela, levámos* a cama em peças, algumas pelas escadas até ao 7º andar! Lá em cima, montámos* a cama de novo. Fiquei contente porque demos do nosso tempo, fazendo outra pessoa dormir um bocadinho melhor.

*Estas actividades são impróprias para grávidas. A grávida ficou a assistir nestes momentos, enquanto o marido trabalhava no duro. Algo me diz que isto não está muito certo... Mas ainda assim, dei o meu tempo. Acham que vale? [Eu acho que não, mas preciso de apoio emocional. Anyone?] 

Foi mais ou menos assim que me senti (mas mais gorda. E ele a montar uma cama, não a aspirar).

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Marca n'Agenda | Feira de Natal AJU 2015

"A Fundação A.J.U. - Jerónimo Usera, é uma IPSS ao serviço das comunidades mais vulneráveis do concelho de Cascais.

Através de um trabalho de proximidade centrado sobre a pessoa humana e a família, a AJU desenvolve acções e projectos que dão respostas concretas aos desafios actuais.

Porque acreditamos que, com a ajuda adequada, cada pessoa pode ser agente da sua própria mudança, trabalhamos em 4 áreas de intervenção – Infância e Juventude, Vida Adulta e Parentalidade, Envelhecimento Activo e Sénior, Integração Social e Comunitária - apoiando cerca de 350 famílias, num total de 900 pessoas."

A feira vai-se realizar este Domingo, dia 6, apartir das 10 da manhã, no Grande Real Villa Itália Hotel (Sala Príncipe de Sabóia) e é uma óptima oportunidade para arranjar presentes para os nossos mais queridos, enquanto ajudamos quem mais precisa.

Podem ver mais detalhes do evento (incluindo as marcas que vão estar presentes com coisas giríssimas) no evento do Facebook.

Apareçam!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Pensamento d'Advento [3]

O advento é o countdown mais antigo do mundo.



Hoje é assim em jeito de piada... Pensamentos mais profundos virão, não temais!

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Hoje é dia dos Reis....


....dia que acabam as celebrações do Natal, ou seja arrumar as decorações,  desfazer a árvore, tirar os efeitos pela casa e.... fazer dieta!!!! Acabaram - se os chocolates americanos da base, os doces, os aperitivos, os bolos da mãe entre muitas outras coisas...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

"O dia que nasceu Príncipe da Paz" (*)

Nesta época de Natal, muitas vezes esquecemos do essencial, ficamos perdidos no meio da nossas prendas, das roupas que devemos vestir, no peru que está no forno e nas entradas de queijo que ainda faltam fazer... e esquecemos, esquecemos do Menino, afinal de contas é por causa dEle que celebramos o Natal, seria como festejar o aniversário de alguém sem nos lembrarmos do próprio aniversariante ou nem se quer dar -lhe os parabéns.
Por isso no Natal tento lembrar-me deles, porque quando penso neles penso Nele, lembro-me deles os cristãos perseguidos, no Iraque, na Síria, na Coreia do Norte, etc, etc, etc. lembro-me que as tendas destes milhões de refugiados devem ser iguais à gruta de Belém onde há mais de dois mil anos, numa profunda humildade, nasceu o Nosso Salvador, lembro-me que posso beijar o Menino sem que isso custe o meu sangue, e ao ouvir e ao cantar o Gloria in Excelsis Deo junto outras vozes, vozes distantes, vozes daqueles que sabem sofrem, as vozes dos que não se perdem nas prendas, nas roupas e na comida, e que no dia de Natal sabem o que é e Quem é o essencial.
No filme francês Des hommes et des Dieux, sobre a história verdadeira dos monges mártires da Argélia, existe um cena incrível, em que os terroristas árabes invadem o convento no dia de Natal. O Prior pede para conversarem lá fora, porque o convento é uma casa de Paz, e os terroristas traziam odio e armas, enquanto os árabes terroristas faziam as suas exigências o Monge, com a sua simplicidade de quem já se tinha entregue totalmente a Deus, tenta explicar que aquele dia é o dia de Natal, o dia que nasceu Jesus.
Jesus no Alcorão é descrito como o Príncipe da Paz. O terrorista percebe a importância do dia, pelo amor que o velho monge descrevia o seu Rei, e pede desculpa e vai embora. A cena (que se pode ver AQUI) é uma história verdadeira, deixou-me a pensar sobre nós e deixou-me a pensar sobre eles mas sobretudo deixou-me a pensar sobre Ele. Será que alguém quando entra na minha casa no dia de Natal, não digo um terrorista, mas uma simpática vizinha, ou um primo distante, repara que ali, na minha sala, na minha família, também nasce o Príncipe da Paz?
Não é por acaso que no dia de hoje - o dia a seguir ao Natal - seja o dia de Santo Estevão, um dos primeiros mártires, isto serve para dizer que ainda estamos muito a tempo de nos lembramos do essencial.
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(*) 20 cristãos morrem por dia por serem cristãos. Enquanto escrevi este post pelo menos uma pessoa morreu por acreditar no Príncipe da Paz.
 

Já nasceu o Menino...