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domingo, 29 de janeiro de 2017

Um pouco de introspecção politica para começar bem a semana:

O mistério do #SalárioMínimo. Outras perspectivas. Não será um problema de #Impostos? Quem dá, verdadeiramente, voz aos #TrabalhadoresPrecários


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"Não existe um salário mínimo nacional. Existem dois: o salário mínimo que os trabalhadores recebem e o salário mínimo que as empresas pagam. Esses salários estão muito longe de coincidirem, e numa economia com problemas crónicos de produtividade é fundamental sublinhar essa tremenda divergência. Por opção do governo e imposição dos seus parceiros parlamentares, o salário mínimo para os trabalhadores subiu para os 557 euros. Mas o salário mínimo para as empresas – aquilo que uma empresa paga por cada mês de trabalho efectivo do seu funcionário – subiu para os 877,3 euros.

As contas são fáceis de fazer. Em primeiro lugar, há que somar aos 557 euros a famosa TSU das empresas, que se situa nos 23,75%. Dá quase 690 euros mensais. Depois há que multiplicar esse valor pelos 14 meses de salário anual. São 9650 euros. De seguida, na perspectiva da empresa, esse valor tem de ser dividido por 11, porque qualquer trabalhador português que tenha a sorte de estar no quadro recebe mais três meses de salário por ano do que aqueles que trabalha. Resultado: por cada mês de trabalho efectivo de um funcionário a ganhar o salário mínimo, uma empresa paga exactamente 877,275 euros. Este número deveria ser tão merecedor de atenção quanto os 557 euros de que toda a gente fala. São 320 euros de diferença que explicam muita coisa: os problemas que as empresas mais frágeis enfrentam perante subidas consecutivas do salário mínimo; a necessidade de encarar o aumento da produtividade como prioridade do país; e o facto de a precariedade, essa grande bandeira de esquerda, estar a ser diariamente promovida e patrocinada pelos mesmos partidos que garantem combatê-la com afinco.

Esta, aliás, é a maior mentira do sistema político português: é pura e simplesmente ridícula a ideia de que o PCP e o Bloco Esquerda são os partidos que estão ao lado dos mais fracos. PCP e Bloco são partidos dos trabalhadores, de gente que está no quadro das empresas, que ganha 14 salários por ano, e que tem poder de mobilização e de reivindicação. Os precários a recibo verde e os desempregados são alvos da sua comiseração, mas não da sua acção. Bem pelo contrário. Medidas como a subida em quatro anos do salário mínimo do trabalhador até aos 600 euros (salário mínimo da empresa: 945 euros), apenas agrava a hipótese de algum dia virem a ter um emprego estável, estimulando o círculo vicioso da prestação de serviços e do falso recibo verde. A razão é óbvia. Há em Portugal milhares de empresas que podem dispor de 600 euros mensais para pagar a um trabalhador, mas que não têm 900. E com o salário mínimo artificialmente fixado nesse valor, só há duas hipóteses: ou não se dá emprego, ou pagam-se 600 euros por trabalho a tempo inteiro camuflado de prestação de serviços.

Esta tem sido a história da economia portuguesa ao longo das últimas décadas. Esta tem sido a história de pequenas empresas que todos conhecemos, e que não são geridas por opressores das massas trabalhadoras mas por gente que se esfalfa mês após mês para conseguir pagar as contas. Eu sei isto. Mário Centeno sabe isto – aliás, escreveu-o num livrinho chamado O Trabalho, Uma visão de mercado. Desconfio que até PCP e Bloco saibam isso. Mas, lá no fundo, no fundo, não querem saber, porque o seu mercado é outro. Não o dos precários e dos desempregados. Antes o mercado da classe média com emprego para a vida. Um emprego que pode ser mal pago, com certeza, mas que está lá – e raramente falta."



terça-feira, 24 de maio de 2016

Divórcio dos pais tem impacto nos filhos em qualquer idade

 
 
Não é uma questão de idade, de maturidade é uma questão de sofrimento e isso é transversal
 
 
“Independentemente de serem crianças, adolescentes ou adultos, o divórcio dos pais pode desencadear uma espécie de ‘avalanche emocional’ nos filhos”, atesta ao PÚBLICO Margarida Vieitez, mediadora familiar e terapeuta de casal. Não se pode generalizar, frisa, mas os sentimentos mais comuns, sejam adultos ou crianças pequenas, são os de “profunda tristeza, angústia, ansiedade, stress”. Os filhos já adultos têm, no entanto, mais recursos emocionais para lidar com a situação – o que não significa menos dor e sofrimento; podem até “empreender várias tentativas no sentido de que o divórcio não se concretize”.
 
 

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Cala-te, Sócrates | Jornal Público

 
«José Sócrates tem todo o direito a usar o espaço público para contestar o processo judicial no qual é arguido, dando entrevistas a rádios e jornais, e publicando artigos de opinião. Podia até ter um blogue pessoal.
 
É apenas lamentável que não faça uso de um freio mínimo para conter os mil pensamentos que tem sobre a actualidade política portuguesa.
Não se trata de não ter legitimidade para o fazer. Este é um país livre, onde a liberdade de expressão é sagrada. Trata-se de um pudor, de uma certa cerimónia, que o antigo primeiro-ministro está decidido a não praticar.
 
Esta quinta-feira, José Sócrates voltou a falar a uma rádio sobre tudo e mais alguma coisa, como se nada tivesse acontecido na sua vida e atrás do microfone estivesse apenas um ex-primeiro-ministro tornado comentador político. Ficámos a saber a opinião de Sócrates sobre o perfil ideal de um Presidente da República; sobre o que teria feito se tivesse ficado em segundo lugar nas eleições legislativas; sobre os Panama Papers, e até sobre a aprovação da desblindagem dos estatutos dos bancos.
 
Em 2007, Juan Carlos perguntou a Hugo Chávez: “Porque não te calas?”. Hoje, perguntamos o mesmo a Sócrates, com um asterisco: porque não limita a intervenção na esfera pública ao seu caso judicial? Ganhávamos todos. Os seus fiéis seguidores (que não o viam neste papel artificial e desacreditado), os seus arqui-inimigos (que não ganhavam munições para o atacar) e sobretudo todos os portugueses que, simplesmente, gostavam que Sócrates aceitasse que este não é o momento para fazer de conta que o Sócrates de hoje é o Sócrates de ontem. Isto não é condenar antes de tempo. Nem é exigir uma auto-reclusão, como se um arguido tivesse de se auto-congelar no tempo. Isto é pedir bom senso. Nestas entrevistas aparentemente banais, não há nada de banal. E todos notamos.
 
Não deixa de ser irónico que, ao microfone da Antena 1, Sócrates tenha criticado Marcelo Rebelo de Sousa por ter “transformado” a presidência “neste alvoroço”. O Presidente da República “deve ser mais reservado”, disse Sócrates, “deve ter um gravitas político um pouco mais distante e não aparecer na televisão todos os dias a comentar os mais diversos assuntos”. Um bom conselho.»
 
 
 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Porque somos contra a imbecilidade #1

Faz-me confusão que um Ministério da Educação gaste dinheiro a fazer uma campanha contra este tipo de bestialidades - as praxes violentas. Afinal de contas trata-se de rapazes e raparigas que estão no ENSINO SUPERIOR. Acho que muitas das praxes mostram bem o nível de educação-valores-inteligência dos nossos alunos-universitários-futuros-doutores.
Tenham juizinho e deem uma enxada para a mão deste jovens, que há muita terra para lavrar no país.
Enquanto isso, ninguém é responsável pela morte de 6 Jovens na Praia do Meco.
 
 
 
 
"(...) O “não” – que no novo cartaz se destaca sobre o fundo vermelho – não é à praxe, mas a “condutas abusivas, humilhantes e vexatórias” – lembrou o MEC em Setembro de 2014, quando distribuiu pelo país 700 cartazes e 60 mil folhetos pela instituições de ensino superior do país. O objectivo, reitera, é “informar os estudantes recém-chegados ao ensino superior acerca do caráter voluntário da participação na praxe” e os restantes de que "ninguém pode ser discriminado por decidir não participar".
A campanha foi lançada na sequência do debate gerado pela morte, um ano antes, de seis estudantes da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, no Meco. E incluía a disponibilização de um endereço electrónico — o
praxesabusivas@mec.gov.pt, que se mantém activo.
Segundo o gabinete de imprensa do ministério,
as 74 denúncias enviadas para aquele e-mail chegaram entre Setembro e Dezembro. A maioria (41) foi encaminhada para as reitorias das universidades e para as presidências dos institutos. As restantes (33) não se enquadravam no âmbito da campanha”, fez saber a tutela em resposta ao PÚBLICO. Estão relacionadas, por exemplo, com o uso do traje académico. (...)"