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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Porque ontem nasceu o ZM

Ontem recebi um telefonema, o numero não era conhecido, ouvi do outro lado:
"É a tia dos Açores?"
"Sou dos Açores, mas não sou tia..." - respondi.
"Só para dizer que já é tia! Nasceu o ZM!"- Percebi que era uma avó babada, essa avó sabia que os Açores ficam longe demais e eu precisava daquele telefonema.
 
Incrível! Que emoção!
Ontem nasceu o filho dos meus grandes amigos!
 
"Bem-vindo ZM.
Bem-vindo a este mundo, a este mundo incrível. Acredita, não te deixes intimidar com as notícias, o mundo está repleto de coisas boas, de belezas naturais e de belezas humanas. Um dia vais conhecer grandes obras de arte, vais ler grandes livros e ouvir grandes musicas, vale a pena viver, acredita. Quem sabe vais até às cataratas da Nicarágua, quem sabe vais viajar até à  muralha da China, ou vais aqui ao lado, à Europa, a Roma ver o Caravaggio ao vivo, quando fui a Roma com a tua mãe ela gostava de ir a todos os museus, aposto que ela vai fazer o mesmo contigo.
Acredita que vais ser um rapaz alegre e, em muitos dias da tua vida, vais rir até rebolar no chão, eu conheço o teu pai ele é um homem feliz.
Não te deixes intimidar com as notícias, o terrorismo não perverte, nós somos mais, os bons podem não aparecer tanto na televisão mas eles são muitos, as nossas armas são as flores.
Não te deixes intimidar com as notícias, hoje os deputados da Assembleia da Republica Portuguesa, do teu país, acham que fizeram história, apetece-me ir lá dizer-lhes deturpar, adulterar não é fazer história é sim empobrecer a história, mas o tempo, que é duro, vai ensinar, a eles e a nós, porque nós vivemos numa democracia, sabes o que é a democracia? Vais perceber quando começares a ter irmãos.
Sabes  ZM, hoje quem fez história foste tu, foste tu que ao nascer mostraste que há vida depois da concepção, foram os teus pais que ao te terem mostraram que era preciso de um homem e de uma mulher, não, não é preconceito, não é discriminação, é a vida, é a beleza da vida.
ZM não te deixes intimidar pelas notícias, nasceste numa grande época, não há crise, não há terrorismo, não há despotismo que te tirem o amor dos teus pais.
Sabes o que é mais belo neste mundo, mais belo que todas as paisagens, mais belo que todos os quadros, que todos os romances e todas as musicas? É o Amor, é a bondade dos homens, é o saber perdoar, é a generosidade, é a misericórdia, e tu vais aprender tudo isso, porque nasceste na altura certa.
Com muito carinho e muita vontade de te ver, a tua tia Açoriana."
 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

"Não há nada nesta terra que deve ser mais apreciado do que a verdadeira amizade" (São Tomás)


Hoje na minha ilha celebra-se por tradição o dia das amigas.
Já fiz muitas asneiras na minha vida, já me meti a descer uma rampa inclinada numa bicicleta sem travar, já tentei aguentar não sei quantos minutos debaixo de água sem respirar,  já dancei até ficar de manhã, já tive um desastre de carro, já tive que ir à polícia,  já pedi boleia a um estranho, mas também já me corrigi, já fiz muitas noitadas porque comecei a estudar de véspera,  já tive aulas de latim, já me converti,  já fui a África, já fui pela Europa sem lugar para ficar a dormir,  já dormi na praça de São Pedro, já dormi a olhar para as estrelas do outro hemisfério, já defendi a tese, já chorei, já chorei de tanto rir, já conduzi um barco, já fui projectada de uma mota de água, já me atirei ao mar no cais grande, já fui muitas vezes ao hospital,  e já passei uma tarde nos cuidados paliativo numa aldeia perdida de Portugal...
Tudo isto fiz, e não fiz sozinha, fiz ao lado de grandes amigas,  que não se limitaram a ser companheiras nas asneiras,  mas foram amigas porque me corrigiram, me ajudaram a querer ser melhor, mostraram que era possível ser feliz, ensinaram - me a lutar, a não desistir, a não ter medo,  mostraram - me o caminho para o Céu. 
Elas estão sempre lá.
Hoje na minha ilha celebra-se o dia das amiga e isso fez -me lembrar que eu tenho boas e grandes amigas!

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

despedida é o que vem antes da saudade.


A despedida é uma coisa estranha. A despedida não é um abraço mais apertado do que o comum, não é um momento lamechas no aeroporto nem é um simples adeus.
A despedida é profunda. É deixarmos para trás uma história, a nossa história.
A despedida é uma parte de nós que fica com eles e uma parte deles que vêm connosco.
Mas a despedida é boa, porque é a esperança do reencontro, porque é dar valor ao que parecia adquirido, porque é fazer uma nova história, a nossa história.
 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Carta às minhas afilhadas


Era sábado e tinha talvez uma dezena de chamadas não atendidas da L. Eu já sabia que ela estava noiva, que mais de tão urgente me tinha para contar? Será que já tinha marcado o dia? O problema é este oceano que nos divide, e não me deixou abraça-la naquele outro sábado.
Nestes últimos anos tenho sido, inexplicavelmente, é que não sei mesmo porquê, garanti que não tinha dinheiro para dar boas prendas, convidada para ser madrinha de alguns casamentos. Mas acreditem que para mim é mesmo uma honra, pois gosto mesmo muito destes meus amigos. É uma honra poder acompanhar estes casais que não tarda nada serão uma família, serão o futuro!
Eles sem saberem são um grande exemplo: como se gostam, como combinam as coisas, deixam muitas vezes de fazer coisas pessoais, urgências mais egoístas para poderem estarem juntos, nem que isso signifique atravessar Lisboa, deixar a Parede ir até Belém, como mudaram para se entenderem melhor, ela até deixou de usar aquele casaco e ele já não liga tanto ao SCP, como discutem e depois como pedem desculpa, mesmo à frente dos amigos!
Hoje tenho pena de não estar com a M para ajudar na escolha do vestido, queria tanto ver como lhe fica, que pormenores vai aplicar, mas sobretudo tenho saudades de estarmos aquelas horas, sem fim, de conversa ,dentro do seu carro à frente da minha casa, e com ela contar sem saber que já é a 5ª vez no mínimo, que o P sabe fazer-la Feliz.
Elas sabem que a distância nos concentra no Essencial e O Essencial nos junta.
Percebo pouco de casamentos, nunca me casei mas sabem, as coisas mais bonitas que eu ouvi sobre o casamento foi de um homem que nunca se casou, só que durante toda a sua vida lutou pelo casamento!!! Por isso escrevo-vos, escrevo com ousadia, mas meninas foram vocês que se puseram ajeito!

          “Queridas afilhadas M e LNem sempre as coisas vão correr bem no vosso casamento, não existem casamentos prefeitos. Tu vais descobrir que ser careca não é o único defeito do P e tu L vais descobrir que falar latim não é assim tão romântico.Mas a grande parte das discussões dos casais, das desilusões, significam normalmente a nossa soberba, o nosso egoísmo, as nossas coisinhas, os nossos implicansos como se diz na minha ilha. Não dêem ouvidos a essas pequenezes, o amor não é pequenino, o amor é grande e ultrapassa os nossos egocentrismos, os nossos ciúmes, vá meninas nem sempre somos tão realistas neste assunto de ciúme.O amor dura, o que não dura são os romances das novelas, e esses falam do casamento como um puro sentimentalismo, esses não sabem o que é a aventura de um casal que promete ser fiel até à morte, esses nem se entregam, esses não atravessam tempestades como um só, esses preocupam-se com as marcas da roupa, com as televisões, com as férias no Havai e se a casa tem piscina. Isso não é o casamento.No casamento não há fórmulas, sejam vocês a criar as vossas fórmulas.Simplesmente vivam um para o outro, isso bastará, porque o caminho para serem felizes esta no P, esta no N, não duvidem, como não se dúvida que precisam do oxigénio.
Mas sobretudo vivam sem medos, e que a vossa entrega seja genuína, seja verdadeiramente uma entrega sem arrendamentos e sem rancores guardados debaixo do tapete, que saltam cá para fora em discussões parvas, mesmo sobre a cor do tapete da sala, meninas não vale a maior porque a maior parte dos homens são daltónicos não percebem que a cor foi a vossa escolha. Acreditem que as cedências nos fazem mais livres. Não confundam felicidade com capricho. Não confundam amor com sentimentalismo. Não confundam liberdade com o “faço o que quero”. Vivam intensamente a vida sem falsidades. Vivam o casamento de verdade.
O resto parece que é mas são só novelas.
A vossa madrinha,
Dita
PS: Por favor tenham filhos porque pior que a falta de dinheiro em Portugal é a falta de bebés!!!