quarta-feira, 20 de junho de 2012

Notas soltas

1. Por vezes destacam-se mais as unhas ao natural, muito bem arranjadas e hidratadas (não necessariamente curtas mas em todo o caso não muito compridas), sem qualquer verniz, do que as outras. Uma coisa é certa: não dão menos trabalho.

2. É engraçado o facto de estarmos dispostas a pagar mais por maquilhagem que se nota menos (falo das bases, blushes, etc.) - falo por mim, recuso terminantemente guiar-me pelo critério do "mais barato": sai quase sempre caro.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Chiara Corbella Petrillo, 28 anos

Uma mãe heróica que deu a vida pelo filho. Uma história que me impressionou sobretudo porque, de tão dramática, poderia ter sido totalmente dominada por uma tristeza e desânimo constantes. Mas não: em vez disso, vemos um casal jovem, alegre e com uma enorme confiança em que tudo concorrerá para o Bem.

Chiara Corbella casou com Enrico Petrillo em 2008 e teve duas gravidezes que resultaram na morte dos bebés Maria e Davide logo após cada parto, por força de graves malformações. Maria era anencefálica, e os pais já sabiam disto antes de ela nascer - respeitaram ainda assim a sua vida, que durou 30 escassos minutos. Chiara diz que aquela meia hora não pareceu pouco tempo, foi um tempo de inesquecível felicidade, dos maiores da sua vida, que não teria existido se tivessem optado pelo aborto. Passado um tempo, em que não desistem, chega nova gravidez: vem o Francesco a caminho, um filho sonhado desde o início do casamento de ambos. As sucessivas ecografias mostram que tudo corre bem e que o bebé é saudável mas, no 5.º mês de gravidez, é diagnosticado a Chiara um tumor na língua.

Começa uma nova série de batalhas: Chiara escolhe adiar o tratamento que poderia salvá-la mas que mataria o bebé. Sabe que corre um grave risco mortal se esperar pelo parto para se submeter a nova intervenção cirúrgica. Mas espera.

Nascido o Francesco, a 30 de Maio de 2011, começam os sucessivos ciclos de quimio e radioterapia. Ela, consumida até perder totalmente a visão do olho direito, não resiste por mais de um ano. Morreu na 4.ª feira passada, 13 de Junho de 2012, com 28 anos. Preferiu dois anos de sofrimento à morte do seu filho.

Na Missa celebrada pela sua alma, nada houve de fúnebre: foi uma grande festa, onde participaram cerca de mil pessoas, cantando e aplaudindo a sua heroicidade.

É preciso dizer que esta mulher - esta miúda - não queria morrer. Não era daí que vinha a felicidade dela. É preciso dizer também que não lhe era exigível que suspendesse os tratamentos que a curariam, ainda que com a consequência da morte do bebé que esperava: tratava-se de vida contra vida, pelo que a sua opção não seria censurada. No entanto, ela tinha bem clara a consciência de que a vida do seu filho bem valia a sua própria vida. Daí que ela tenha confiado ao marido, pouco tempo antes de morrer:


Um marido feliz e um filho sereno, mesmo sem ter a mãe por perto, são um testemunho maior do que uma mulher que venceu a doença. 
Um testemunho que poderia salvar muitas pessoas.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Cada vez tenho menos paciência

... para o Bastonário da Ordem dos Advogados - Marinho Pinto - que vai acumulando disparates no seu currículo. Diz ele (em reação à medida anunciada pela Ministra da Justiça):

Colocar chips em pedófilos é uma medida nazi. Os nazis também colocavam sinos e outros sinais de identificação nos judeus e nos ciganos nos guetos.

Se alguém me conseguir explicar:

1. A comparação entre chips (mecanismos silenciosos e que apenas deixam as entidades competentes saber onde se encontra o vigiado) e sinos (objeto tendencialmente audível por qualquer pessoa na praça pública); e

2. A comparação entre pedófilos (pessoas doentes que cometem crimes contra crianças e que, caso não sejam controlados, têm uma forte tendência para neles reincidir) e judeus e ciganos (duas raças que, de per si, não se podem associar ao cometimento de um ilícito do género: és criminoso porque existes),

talvez eu ganhe um bocadinho de respeito por esta Ordem que é a minha.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

" Em terra de cego, quem é cego não faz mais do que a sua obrigação"


Finais da década de 1970, China
É aprovada a Lei do Filho Único, que impede cada casal de ter mais do que um filho. Se a lei for desrespeitada, as famílias serão punidas com severas multas. Racional? Permitir o acesso da população a um sistema de saúde e educação de qualidade (!). Exceção à regra: as famílias rurais podem ter um segundo filho, principalmente se o primeiro filho for rapariga.

Década de 2010, China
Mais de 1,3 biliões de habitantes. Prevê-se um total de 80 milhões de filhos únicos, designados pequenos imperadores. Estima-se que o número de crianças-não-nascidas, que envolve diversas técnicas para assim o serem, se situa nos 400 milhões. Vamos fazer alguns cálculos: 35 mil abortos por dia, quase todos se referem a potenciais crianças do sexo feminino, e uma proporção de rapazes/raparigas de 130 para 100.

Hoje, China
Feng Jianmei, 22 anos e Deng Jiayuan, 29 anos. Vivem no campo e têm uma filha com 6 anos. Esperavam agora a segunda filha, com 7 meses de gravidez. De acordo com a legislação chinesa, para terem um segundo filho, os pais têm que preencher um formulário onde solicitam a autorização do Governo de Planeamento Familiar.
Aos 7 meses, 20 oficiais apareceram em casa do casal e levaram Feng. Ao que parece o casal não preencheu o dito requerimento, não sendo possível precisar de momento a razão que os levou a não o fazer. Durante 3 dias, foram enviadas mensagens à família por parte dos oficiais, a exigir o pagamento de 40.000 yuan, por forma a "fecharem os olhos" à burocracia. Deng fez todos os esforços para reunir o montante mas foi tarde demais. Ao fim dos 3 dias, contra toda a resistência de Feng, foi-lhe administrada uma injeção letal que matou a criança. Tentou suicidar-se após o aborto. Possíveis causas, para além das óbvias: colocaram a filha, já morta, ao seu lado, dentro de um saco de plástico.

Way to go, China!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Simplesmente mãe...

Este post é candidato ao Melhor Post do Mundo da Limetree Escrever o melhor Post do Mundo é uma tarefa árdua, mas eu arrisco-me a tentar... e espero sinceramente que gostem de me ler, e sobretudo, que se divirtam! Vou tentar fazer uma coisa com humor, que aliás é uma característica muito presente cá em casa, caso contrário quem é que aturaria 4 filhos, e um marido que chega a casa a cheirar a vacas? (È veterinário de Grandes animais e um Grande Veterinário:). Bem é precisamente com o Humor do meu marido que começa esta história, abreviando, eu sou Psicóloga e um dia em cima do teclado do computador tinha uma fotocópia de um mail, de uma revista "conhecida" da nossa praça, com umas perguntas que deveria responder o mais rápido possível, para um artigo que deveria ter sido feito "ontem" (os jornalistas são todos assim?) sobre bebés "irritáveis". Ali ficou a folha, esperando o tempo livre desta mãe psicóloga, que geralmente é... lá mais para a noite... Acontece que o pai nesse dia veio a casa mais cedo (atípico) e resolveu colaborar... e eu não resisto a partilhar convosco algumas das suas respostas, escritas à mão por baixo das perguntas da jornalista: - Pergunta 5 - "O que é feito para detectar as causas do choro?" Resposta: Primeiro abana-se o bebé e depois os pais gritam. - Pergunta 7 - "Em relação a esta situação (irritabilidade do bebé), existem alguns mitos que procurem desmistificar junto dos pais? Quais são?" - Resposta: O mito do bebé calminho... só se for o bebé do vizinho. - Pergunta 8 - "Segundo a vossa experiência, a maioria das situações de choro irritável e prolongado conhece um final feliz?" Resposta: Sim. O bebé acaba por crescer e os cabelos brancos dos pais aumentam... Bem, confesso que não fui buscar inspiração nestas respostas, mas que me diverti imenso ao lê-las! Gosto sobretudo da frase "O mito do bebé calminho... só se for o bebé do vizinho" :) Não é uma delícia? A Psicóloga sou eu... mas acho que aqui o Veterinário ganhou aos PONTOS! E para que conste... cá em casa, sou simplesmente uma mãe.

"Ter a consciência limpa é ter a memória fraca"

17 de julho de 1954
Nasce em Hamburgo uma criança loira, terceira e última filha de Horst Kasner, um pastor luterano e de Herlind Jentzsch, judia e professora de inglês e latim. Em poucos meses, irá começar a vida, juntamente com os pais, na Alemanha Ocidental, onde a cargo da família estará uma pequena paróquia da cidade de Templin. Ao longo dos anos, a criança crescerá e desenvolver-se-á sob um regime de austeridade, estudando intensivamente russo e química, e alcançando com muito esforço pessoal e familiar prémios de honra em várias disciplinas. Fechará o ciclo de estudos com um doutoramento na área. Trabalhará como cientista no conceituado Instituto Central de Física e Química, na parte oriental de Berlim, onde viverá até à queda do Muro.

17 de julho de 1977
Com 22 anos, conhecerá aquele com quem um ano mais tarde casará, Ulrich Merkel. Passados 4 anos, em 1981, conhecerá Joachim Sauer, com quem viverá, após divorciar-se de Ulrich em 1982. 16 anos depois, a criança-agora-mulher e Joachim casar-se-ão. Esta optará, deliberadamente, por nunca ter filhos.

17 de julho de 1990
Cai o Muro de Berlim, levanta-se Angela Merkel. Com muito esforço e dedicação, e com um verdadeiro sentido de missão, será convidada para a União Democrática Cristã (CDU) e pouco tempo depois será apontada por Helmut Kohl, dirigente da CDU, como a próxima ministra das políticas relacionadas com a Mulher e com a Juventude. Lutar todos os dias. Desta forma, abandonará a figura mulher-política-desvalorizada, e conquistará progressivamente um maior destaque junto do seu partido e do público em geral.

17 de julho de 1991
Rebenta o escândalo de corrupção na CDU. A agora ministra sugerirá o afastamento de Helmut Kohl, e é referida como a única figura capaz de assumir a liderança do partido, sendo designada Secretária Geral do mesmo. Com esta tomada de posse, advoga um fresh start para a CDU e após duros momentos de força política, é eleita a primeira mulher a dirigir um partido na Alemanha. Ao assumir crescente exposição pública, irá continuamente referir que, "nem aos 80 anos saberá alguma coisa, e que tudo está por aprender".

De que forma marcará a história? Esta mulher irá lutar por uma profunda reforma laboral, com especial relevância ao nível da eliminação das barreiras aos despedimentos, e do aumento do número de horas de trabalho semanal, justificados pela necessidade de maior eficiência nas empresas. Irá ainda apoiar os Estados Unidos no seu pontapé de saída para o Iraque, dando início a uma guerra que contabilizará mais  de 100.000 baixas. Defenderá o aborto com unhas e dentes, considerando-se "centrista" nas opções políticas que adota. Será grande apologista das políticas feministas e da perspetiva adotada por estas face ao papel da mulher na sociedade. Apoiará diversas uniões com países economicamente relevantes, olhando apenas ao lucro económico das transações e raramente à parte ética das mesmas.

11 de junho de 2012
Após anos de luta para chegar onde chegou, Angela Merkel tem em mãos a aprovação de um projeto-lei altruísta, que prevê o seguinte: "As famílias alemãs que cuidem dos filhos em casa e não os coloquem em infantários ou outros locais, obterão um subsídio do Estado a partir de 2013: 100 euros mensais por cada filho entre os 13 e os 24 meses. A partir de 2014, esse subsídio aumentará para 150 euros mensais por cada filho no seu segundo ou terceiro ano de vida."

Tudo muito bonito, quase comovente. Parece até que finalmente Angela Merkel opta por fazer jus à frase que pauta os seus discursos, "We must never forget our responsabilities as politicians to our country and its citizens" e se apercebe de que a mulher não vale menos ao optar por enfrentar as dificuldades de uma família em casa em vez de lidar diariamente com o monstro do mercado financeiro europeu e com os efeitos adversos da crise. 

Desmaquilhagem Realidade dos factos: De acordo com as estimativas dos municípios alemães, existe no país um défice de cerca de 160.000 lugares públicos para as crianças mais pequenas. Os valores médios de consumo na Alemanha são superiores aos praticados em Portugal, e 100/150 euros/mês/criança é absolutamente simbólico já para o nosso país. O raciocínio que se procura que seja adotado pelos cidadãos seguirá inevitavelmente linhas que contemplem a inexistência de vagas nas escolas para colocar as crianças pelo que um dos pais terá que ficar em casa, embora não haja possibilidade de apenas um elemento do casal per se sustentar toda a família. Já os partidos da oposição defendem a alocação de verbas para a criação de espaço nas escolas. 

E sai mais uma fornada de políticas anti-natalistas. Desta forma, e de consciência limpa, o país prossegue os seus ideais de hegemonia económica, através de uma negação de vários valores humanos e fazendo uso de uma transparência opaca nas políticas adotadas.


Ein gutes gewissen ist ein schlechtes gedachtnis zu haben Angela!

Assim não vale...quase que tive um ataque cardíaco


Golo da vitória de Portugal com relato da TSF... uma emoção ouvir os jogos pela rádio. Gosto especialmente das músicas que o João Ricardo Pateiro faz para os jogadores sempre que marcam um golo!



Bónus - músicas dedicadas aos jogadores do campeonato português! Uma forma de tornar o futebol mais divertido.





terça-feira, 12 de junho de 2012

7º Almoço Mulheres do Séc.XXI

Todas as Mulheres estão convidadas para este Almoço!!! Mulheres do Séc.XXI - uma rede social! Que pretendemos? Este grupo de mulheres pretende reunir periodicamente profissionais de todas as áreas, cujo ponto em comum é a preocupação com a actual crise de valores da sociedade. Missão Organizamos almoços sensivelmente de 3 em 3 meses, com a duração de duas horas (sempre das 12h30 às 14h30) onde há um tema central e oportunidade para convivio e troca de experiências. Os almoços são durante a semana, pois preveligiamos a vida em família e entendemos que o fim de semana é para dedicar à mesma! Procuraremos sempre temas que nos ajudem a reflectir sobre Valores e pretendemos que os mesmos tenham um carácter formativo para todas. Este grupo de mulheres pretende reunir de 3 em e meses, profissionais de todas as áreas, cujo ponto em comum é a preocupação com a actual crise de valores da sociedade. “Não somos feministas nem activistas, somos femininas e activas!" O objectivo desta rede é reunir mulheres conscientes, que tenham dinamismo e vontade de fortalecer o papel social da mulher neste século.

Vamos lá então perceber as mulheres... mas só um bocadinho

Ontem fui ao teatro ouvir a Marta Gautier em "Vamos lá então perceber as mulheres... mas só um bocadinho". É uma peça engraçada, um monólogo onde esta psicóloga clínica fala aos homens sobre as mulheres. O espetáculo tem estado sempre esgotado, mas saber isso não me serve de muito. Sempre duvidei daquilo que "toda a gente" adora - muitas vezes cheira-me à continuação daquela história sobre o rei que vai nu. 

Aquilo que eu achei: tem partes que considero que seriam dispensáveis, porque nada acrescentam ao que se pretende demonstrar sobre as mulheres e fazem com que o espetáculo perca a categoria que potencialmente teria. Tem partes em que, embora sendo mulher, não me identifiquei absolutamente nada. E depois tem partes verdadeiramente engraçadas, perspetivas bem apanhadas sobre as mulheres e que nos mostram que, em tanta coisa, somos todas iguais! 

Exemplos em que me revi especialmente: (numa discussão entre marido e mulher) "sabes querido, é que as mulheres, quando estão calmas, assim mesmo mesmo calmas, GRITAM!", (sobre contar a uma amiga alguma coisa que aconteceu) "há certas pessoas em relação às quais, se não se contar o que aconteceu, parece que não aconteceu nada", (sobre as mulheres que querem mostrar que fazem imensas coisas) "olha, tu sabes o que é que eu já fiz hoje de manhã? Já vesti os miúdos, já lhes dei o pequeno-almoço e... e... (como parece pouca coisa, há que entrar em detalhes) já dobrei os pijamas, já arrumei os sapatos deles dentro do armário, já lhes dei banho ("hm?! banho? de manhã?"), sim banho, é para veres!", (sobre as mulheres - isto é para as mães - que gostam de mostrar que no tempo delas a vida era bem mais dura) "olha filho, não te queixes por ter um colchão desdobrável colado às pernas! No meu tempo as viagens até ao Algarve duravam 9 horas e íamos com coisas em cima até à testa - e sem buraquinhos para os olhos!".

Constatei uma coisa (espero que não me caia tudo em cima):

Algumas mulheres que não estão verdadeiramente felizes nos seus casamentos preferem ouvir que há mais gente como elas e repousar à sombra desse facto do que saber como contornar a situação e voltar a querer dar o melhor de si à pessoa a quem um dia disseram "sim, quero".

E não deveria ser assim.

domingo, 10 de junho de 2012

E deixa de haver comentário possível

... quando até o IKEA, caraterizado pela venda de coisas de casa, precisa de juntar no mesmo anúncio homens nus e panelas para (tentar) chamar a atenção dos consumidores.

sábado, 9 de junho de 2012

Made in India #3

A vida na Índia pode definir-se como uma - enorme - desorganização organizada (nisso os indianos são parecidos com o mecânico de ontem). Senão vejamos.

Não há qualquer tabela de preços visível, por exemplo, nos táxis e tuc-tucs que enchem aquelas ruas (e para sacarem do taxímetro é preciso quase uma luta mano-a-mano onde, escusado será dizer, nunca me meti). Isto leva a que os preços tenham que ser TODOS muito bem negociados.

Receita: juntar dois táxis, um atrás do outro, e fazê-los esperar encostados à berma da estrada. Depois, perguntar ao primeiro quanto cobra por uma viagem até ao destino x. Com a resposta dele, pedir para esperar e dirijir-se ao segundo carro e perguntar quanto cobra pela mesma viagem ("Tanto? Mas o seu colega ali à frente leva-nos por um preço de y!"). Esperar que o segundo responda dando um preço mais baixo e pedir para ele esperar. Voltar ao primeiro táxi com as novas informações e perguntar se está disposto a baixar o preço. E assim sucessivamente, até se fartar ou um dos taxistas ir embora furioso (só não podem é ir os dois - daí a importância de eles não comunicarem - senão foi tempo perdido). Atenção: este exercício poderá demorar MUITO tempo!


Nos comboios não há limite de pessoas. Já não há espaço sentado? Não faz mal: pode ir em pé, agarrado à janela (eu fui e adorei!), etc. Ninguém se ofende. Está farto da viagem? Chegou à sua casa mas o comboio não tem aí paragem? Não há problema: abra a porta (quando há porta) e salte! Mas, por outro lado, são organizados, no sentido em que têm carruagens só para mulheres, só para os bicharocos (galinhas, peixe, e tudo o que forem vender - e que, escusado será dizer, cheiram verdadeiramente mal), e outras que não me atrevi a descobrir.

Outra situação engraçada que me fez ver a desorganização organizada foi a dos atrasos dos comboios. "O comboio está atrasado...", ok até aqui tudo bem, em Portugal também há atrasos, "... chegará daqui a um dia". O quê?! Ouvi bem?! Pois é, atrasos de dias são comuns nestas paragens, porque falamos de comboios que percorrem a Índia inteira e se se atrasarem cinco minutos em cada paragem isto pode bem acontecer. O engraçado é ver as reações das pessoas: pacificamente, agarram na trouxa e voltam as suas casas até ao dia seguinte. Não passa nada, tudo se resolve. É giro ver essa tranquilidade nos indianos, tão contrária à nossa sociedade sempre a correr de um lado para o outro com medo de perder não sei o quê. E como eu estava de férias, fiquei tranquilamente tranquila à espera do dito comboio.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Notas soltas

1. De passagem por uma das mais conhecidas lojas de bikinis (mas que também vende fatos-de-banho) que possam conhecer, perguntei pelos fatos-de-banho.

Sra. da loja: Já temos poucos, este ano as mulheres estão muito mais à procura de fatos-de-banho e pouco de bikinis. E não estou a falar das crianças, estou a falar das mulheres da sua idade - acrescentou ela.

Eu: A sério? Fico mesmo contente! (sra. um bocado desnorteada com o meu contentamento face ao quase esgotamento do produto que eu pretendia). É sinal de que estão a ganhar bom gosto e já perceberam que os fatos-de-banho têm muito mais estilo.

Sra.: De certeza. E de facto as mulheres de fato-de-banho ficam muito mais elegantes e originais ("clap clap clap" no meu pensamento). Olhe, se gosta de algum é melhor despachar-se que muitos já esgotaram.

Foi uma ótima notícia! Andarão a ler o Heart?

2. Cheguei à conclusão de que prefiro os médicos aos mecânicos, no que toca a preços. Em ambos os casos não domino os assuntos da sua especialidade, e prefiro pôr-me nas mãos deles a fazer muitas perguntas. Mas, no caso dos mecânicos, NUNCA se sabe quantos euros nos vão sair do bolso. Passo a explicar:

Eu: Boa tarde, olhe acho que uma luz do meu carro está fundida e preciso de a mudar. Quanto é que custa?

Sr. mecânico: Então vamos lá ver se é só uma (afinal eram três: dois mínimos e um médio... perigo!).

Eu: Ok, então mudam-se as três. E quanto custa?

Sr.: x euros para cada mínimo e xxx euros para o médio.

Eu: Muito bem.

Enquanto tratavam do meu carro, liguei ao L (homem, muito mais entendido no mundo da mecânica) e disse-lhe toda contente que já estava a tratar de arranjar as luzes ("são três sabias?!", "sim eu sei já te tinha dito vinte vezes que tens as três luzes fundidas", "hum...") por um preço simpático.

Passados DEZ MINUTOS (nos quais 5 foram para arranjar as luzes e outros 5 foram para QUATRO homens tentarem fechar o capô do carro) vamos fazer contas:

Eu: Então quanto lhe devo?

Sr. mecânico: xxxxxxx euros.

Eu: (glup...) Mas... não eram só as três luzes que me disse?

Sr.: Sim, mais a mão-de-obra.

Eu: Olhe meu senhor, eu não ando a pagar essas enormidades por um simples trabalho de mão-de-obra que durou 5 minutos! Os outros minutos todos, que eu bem vi, foi para 4 colegas seus tentarem pôr o capô do carro onde ele devia encaixar! E para irem todos contentes lavar as mãos a seguir. E eu não ganho para pagar lavagens de mãos nem capôs encaixados a passo de caracol! (Isto era o que eu queria ter dito, mas não disse porque coitado, até foi simpático apesar de me ter cobrado de mão-de-obra um valor rídiculo para o que tempo que perdeu.)

Eu (versão real): Hm..., está bem. Obrigada então, boa tarde.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Vem aí a febre do Futebol!


De 8 de Junho a 1 de Julho numa televisão perto de si!

Escrevo este post no intervalo do meu estudo de "Sistemas e Comportamentos Eleitorais"...é verdade, tenho (ou temos, não é Inês Vaz Pinto?) exame amanhã e no meio de conceitos como volatilidade eleitoral, abstencionismo ou escalas gradativas da participação política, não consigo deixar de pensar que amanhã começa o Europeu de Futebol.
Felizmente vou conseguir ver a maior parte dos jogos (sim, a Mariana vai tentar ver os 31 jogos!),o que na prática, vai significar um aumento de posts no blog porque vamos ter tema de conversa para as próximas 3 semanas. Não sei explicar porquê, mas sinto uma certa ansiedade com o aproximar da competição...afinal vamos ter quase 1 mês de futebol ininterrupto e de grande qualidade, o que para os "apaixonados", como eu, é espectacular!!

Confesso que gosto muito mais do meu clube do que da selecção...afinal sigo-o durante o ano inteiro desde que me lembro enquanto que o "clube das quinas" só joga de vez em quando. No entanto, é lógico que gostaria de ver Portugal ganhar o Europeu e iria festejar em grande no dia 1 de Julho (apesar de ter um exame no dia 2). As hipóteses não são animadoras, afinal estamos no chamado "Grupo da Morte" com a Alemanha, Holanda e Dinamarca. Ok, eles têm o Robben, Van Persie, Lahm, Ozil, Bendtner...nós temos o melhor do mundo (CR7), o Nani, o Rui Patrício. Não é fácil, mas não podemos partir derrotados.

Tenho imenso para dizer, mas o post já vai longo e não vos quero chatear muito antes do início da competição...
Deixo-vos uma das muitas publicidades da Sporttv para os dias que se seguem (para os que acham a música familiar...sim é de uma claque do Sporting)


quarta-feira, 6 de junho de 2012

Shhhhhhhh...



Tenho uma ligeira obsessão por DIY, mas especialmente por blogs de DIY.
E enquanto me passeio pelos blogs é tão bom encontrar bloggers que partilham a mesma fé que nós :)
Descobri hoje a Wild Olive, e gostei deste post que ela fez. 

Imagem: http://wildolive.blogspot.pt/2012/06/were-praying.html

Bling Bling


Fat Reward will be paid for whoever finds the girls below:

1) Margarida

2) Ini Vaz Pinto

3) Teresa Flores

4) Joana Nestor

We miss them around here..

Requiem

Maria Umbelina Margarida das Angústias do Carmo. Tirando os apelidos. Estes eram os nomes próprios da tia Guida que morreu na passada sexta-feira. A tia Guida era uma das irmãs mais velhas de 12 filhos, dos quais a minha, a nossa, mais que querida e amada Avó Santa é a mais nova. 
Todos os 12 têm assim nomes compridos, muitos nomes próprios, que reflectem a fé católica vivida desde sempre na Família: invariavelmente, nomes de santos ou atribuições de Nossa Senhora, conforme o ano em que nasciam, o dia, a devoção.
A tia Guida teve uma morte boa, se assim se pode dizer. Tinha 92 anos, ficou no hospital uma semana - o tempo para nos prepararmos para a eventualidade de uma notícia má -, recebeu a Santa Unção e morreu a falar com a médica sobre as artroses que a incomodavam sobremaneira, enquanto recuperava da anestesia de uma cirurgia de 4 horas. Assim, morte santa. 
Por isso, em princípio, não devíamos ficar tão afectados. Acresce ainda o facto de ser uma pessoa com um feitio terrível que muitas vezes nos fazia levar as mãos à cabeça. Não tinha filhos, teve uma vida de glamour que contrastou com as dificuldades que experimentou no seu ocaso, e nós, sobrinhos, sobrinhos-netos, irmãos e cunhados éramos a sua família mais chegada.

Como dizia, tudo somado não podia dar tristeza sem fim. Mas deu.
Foi dos funerais mais tristes que assisti.
E a razão prende-se com o amor imenso que temos pela nossa Avó Santa (e pelo Avô Fernando), que foi quem cuidou da tia nos últimos tempos. Ver a nossa Avó chorar como uma criança, ou os nossos tios, já com idade avançada e fisicamente muito débeis a despedirem-se da tia Guida ("mana Guida", como chamavam), com fé de a saberem no Céu, mas com uma imensa e terrível saudade, comoveu-nos a todos e portanto não houve quem não chorasse pela dor destes irmãos.
Irmãos que, naquela hora, voltaram a ser crianças desconsoladas. Estávamos numericamente muitos presentes no funeral, mas os irmãos sentiam-se apenas uns aos outros. Como se a vida tivesse fugido,   como se tudo tivesse sido num instante, ainda ontem ficaram sem a Mãe e agora ficam sem eles mesmos. Eram 12 e agora são 3.

A Mãe dos 12, minha bisavó também foi para o Céu muito cedo, quando a minha Avó tinha 5 anos. Por razões de mobilidade profissional dos ascendentes, nasceram em Goa todos os irmãos. Guerras ditaram interrupções, fugas da Índia para África, de África para a Metrópole. Uma revolução que para uns foi dos cravos, para outros foi a perda de todo um Património Familiar incalculável, casas de Família, capelas com  imagens de santos transmitidas através de gerações destruídas, roubadas, saqueadas. A Biblioteca que o meu Avô Fernando com esforço foi edificando e que na pressa para salvar a vida dos seus teve que deixar.  Não só,  mas talvez também por isso, tornaram-se todos muito unidos e nós, por osmose, também. Por virtude deste lado, mas igualmente por virtude esforço, dedicação e amor do nosso Avô Fernando, que é do mesmo modo mais que querido e muito amado por todos nós. (Os nossos Avós são mais que nossos Pais e é na sua casa que desaguam as alegrias, tristezas, desaires e graças de todos nós. Mas este tema já daria para outro post.)

Neste, queria apenas honrar não a memória ou a vida da Tia Guida, mas a vida dos seus Pais, meus bisavós, que não conheci, mas que tão bem souberam educar os seus filhos e, deste modo, perpetuarem-se através deles e das gerações que se têm seguido.
Julgo que não o fizeram com este objectivo, mas somente com o propósito de os educarem bem para que fossem felizes. E isto falta tanto nestes tempos!

Oxalá saibamos nós também deixar a nossa marca boa entre o nossos, para que outros também se comovam - não para nossa memória ou louvor - mas para que desejem no seu íntimo serem melhores e chegarem mais longe.

Por último, aceitem os queridos leitores deste blog o meu perdão por este requiem tão desajustado ao registo colorido do HEart. Mas não podia deixar de vos escrever acerca da Vida, ainda que, desta vez, tenha sido através de tristeza da morte.



Por falar em unhas, isto é só a mim que acontece?


terça-feira, 5 de junho de 2012

Made in India #2

Mais por descarga de consciência do que por verdadeira vontade de ajudar, fui passar uns dias a Calcutá. Eu e mais 600 voluntários. Calcutá não era nada daquilo que pensei - tinha todo um luxo que outras cidades não tinham: táxis, palácio, pontes, greves! Fiquei de boca aberta. Mas também havia miséria. De mochila às costas, cheguei à porta das Missionárias da Caridade e toquei à campainha. Era perto da meia-noite. Apareceram duas irmãzinhas queridas a quem disse que vinha para ajudar no que fosse preciso. E assim começaram as três melhores semanas de toda aquela viagem. Duras, intensas, mas incríveis. 

A Missa era às 5h da manhã. Lá estavam todas as irmãs a cantar com vozes angelicais, e os voluntários que as quisessem acompanhar. Depois da Missa e do pequeno-almoço (uma banana + tchai) rumava com um grupo de portugueses e espanhóis ao nosso voluntariado. Primeiro comboio, depois taxi (muito bem negociado), e seguíamos para a casa das Missionárias onde passávamos a manhã a dar banhos, pequenos-almoços e mimos. Um verdadeiro desafio comunicar, quando nem o inglês, nem o português, nem o hindu são opção. Passávamos depois às limpezas: muita roupa para lavar, camas para fazer e chãos para limpar. Baratinhas e todo o tipo de bichos passeavam naquelas paragens. 

O que mais me impressionou nas várias casas das irmãs por onde passei foi a constante alegria - serena mas muito grande - em que viviam. Não têm nada como próprio, vivem permanentemente entregues aos pobres e moribundos, e são incrivelmente felizes. Muito - mil vezes - mais felizes do que eu. Livres de tudo, e por isso disponíveis para amar a todos. Aprendi muito com elas. Coisas que hoje em dia me vão passando mas não podem passar. A sorrir em todas as ocasiões, a valorizar as pequenas coisas, a dar... até doer.

Fui a Calcutá com a intenção de por lá ficar uns - poucos - dias. "Já que não sei quando volto à Índia, tenho mas é que aproveitar para viajar, também não é como se fosse fazer uma grande diferença na vida das pessoas". Uns dias passaram rapidamente a três semanas. 


Numa coisa tinha razão: eu não fiz uma grande diferença na vida daquelas pessoas. Mas elas fizeram toda a diferença na minha.

Continua...

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Made in India #1


Há dois anos mudei-me, durante um mês e meio, para a Índia. Mal aterrei, comecei a contar em segredo os dias - ás vezes até as horas - para voltar para Portugal. 

Um bafo insuportável + uma capital desmoronada com construções inacabadas + chuvas intensas + total desconhecimento do sítio para onde ia = muitas saudades de Portugal.

Depois de voltar à civilização europeia, e de por cá passar uns meses, comecei a sentir falta de um país tão intenso quanto diferente e a olhar de uma maneira muito diferente para uma Índia à qual havia secretamente prometido nunca mais voltar. 

Foi a viagem de uma vida. Viajei que me fartei. Um dia estava no Norte, dois dias depois (dentro de comboios e sob a ameaça de ataques terroristas) estava a milhares de Kms, mas ainda no mesmo país. Vi sítios lindos, exóticos, tão diferentes que nos fazem parecer que estamos noutro mundo. Estive quase sempre perdida, mas no fim do dia sempre encontrava o hotel manhoso de onde saíra de manhã. 


Conheci homens e mulheres felizes. Felizes que só eles. Gente que acordava de manhã sem saber se chegaria vivo ao dia seguinte (na verdade, esta questão devia pôr-se a toda a gente), que olhava para mim como se fosse um autêntico ET, que dançava à chuva e sorria - um sorriso tão bondoso - com a maior facilidade. Ainda hoje penso muito em todos eles, no que será feito daquelas vidas. Onde andará o Proud, a quem batizámos assim por não percebermos o nome indiano dele? E a Loki, uma velhinha que devia pesar uns quinze quilos e entertia os seus dias a contar e armazenar os cereais que lhe punham no prato (em vez de os comer e ganhar uns kg que bem precisava)? E a Kamela, que um dia acordou e não via, nem andava, nem falava?

Continua...

Novo adepto do Inter de Milão


Papa Bento XVI e Javier Zanetti (capitão do Inter)

Estádio San Siro - Milão - 03/06/2012

"Quem ri por último, é de raciocínio lento"


Entrei na faculdade em 2007 e estudei gestão durante três anos, no final dos quais assinei contrato de trabalho. Arriscar. É uma atitude que puxa por mim, que me desafia diariamente e que me coloca perante muitas situações que não quero posso controlar. Mas isto sou eu. Dizia-vos que assinei contrato de trabalho. Tinha 20 anos e preparava-me para entrar num mundo em constante transformação: o financeiro. Rapidamente percebi o que me fascinava tanto à cerca deste novo passo. É que o senhor mercado financeiro não existe se nós não existirmos, pessoas que têm gostos, vontades e quereres arriscados. Isto tudo para chegar ao evento que muitos economistas definem como o big bang da crise financeira atual.

A maior falência na história dos Estados Unidos deu-se no dia 15 de Setembro de 2008 com o colapso de uma instituição com mais de 160 anos, fundada pelos irmãos Henry, Emanuel e Mayer Lehman. Falo-vos da Lehman Brothers (LB), que após uma grande evolução de negócio, se definia como a quarta maior empresa de investment banking dos EUA. Entre vários dos produtos transacionados em OTC pela LB, estão os derivados.

Para leigos em economia e em traços gerais, transações em OTC (over-the-counter) são operações que ocorrem fora de mercados regulamentados e que portanto não garantem que a contraparte venha de facto a cumprir a sua obrigação. Tal como numa relação entre duas pessoas, em que a Maria combina com o Aníbal, encontrarem-se no café Central no dia 6 de Junho pelas 15h45, e em que se espera que nenhum dos dois deixe de cumprir o acordado. Vamos supor que o Aníbal não pode comparecer porque há greve de autocarros, isto se as pessoas importantes como ele andassem de autocarro mas não é o caso que aquilo é um grande carro sim senhor e não tem maneira de ligar à Maria a desmarcar a combinação. Em OTC, o Aníbal tinha falhado o seu compromisso e a Maria não tinha forma de recuperar o tempo perdido a andar até lá, nem o custo da pedicure resultado dos saltos altos que uma senhora destas tem que usar, ou seja, existe um risco de default. Já em mercado regulamentado, a Maria, despeitada, ligava a uma outra entidade, tecnicamente designada clearing house, e que nesta história pode tomar a forma de primo Rufo, fazia queixinhas e o Rufo ia buscar o Aníbal, obrigando-o a comparecer no local marcado. Bem, desculpem-me os economistas sérios que isto tem uma série de nuances que estou a desconsiderar para tornar tudo mais light mas até fico com uma lágrima ao canto do olho por não me poder alongar, porque é de facto fascinante como tudo funciona. Mas percebe-se não é? Em OTC todas as operações apresentam o risco de default da contraparte.

Ora bem, a LB era perita em transações em OTC, que devido ao risco superior que acarretam, podem também ser operações fantásticas e de margens brutais. Os derivados, tal como o nome indica, derivam de alguma coisa, normalmente commodities - ouro, petróleo, milho, etc. Mas podem ter formas mais "complexas" como o estado do tempo, ou seja, derivados que "apostam" nas condições metereológicas a longo prazo. Imaginem empresas de scuba diving em que a atividade cai a pique quando há dias chuvosos. Se esta empresa apostar em derivados, de forma a ganhar no caso de chover no dia 15 de Agosto, por ser um dia abençoado com especial significado para a Cate, e se neste dia chover, ela ganha o valor acordado, que lhe serve para compensar a quebra de atividade desse dia. Interessante, hein? E se a contraparte da empresa de scuba diving, let's say, "Falência Certa", no final não pagar? E se não for um simples dia da empresa de scuba diving mas sim 900.000 contratos de derivados que envolvem 11 zonas do globo e milhões de consumidores e empresas?

Acabou mal. Risco desmedido conduz a isto. Pessoas que pouparam uma vida inteira, já designadas reformadas, viram-se sob a condição de desempregadas. Porque não se soube analisar com detalhe as contrapartes, porque se brincou utilizou fundos que não custaram a ganhar, porque o mercado é forte até nós deixarmos de o ser.

E mostra a importância de não brincar com coisas sérias. Porque passando este acontecimento para o plano pessoal, quando se entrega a uma empresa/pessoa/amigo/namorado o poder de negociar sobre coisas que para nós são importantes/essenciais/fulcrais, corremos sempre o risco de perder tudo. É preciso conhecer muito bem a contraparte, conhecê-la mesmo bem, e podemos chegar à conclusão que essa entrega só deverá ser feita em mercado regulamentado (digam-nos as mulheres casadas deste blog!!).

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Feliz dia da criança

Lembro-me bem que neste dia a minha mãe, levava todos os filhos, e por vezes vizinhos, a passear e fazia-nos sempre uma surpresa... uma coisa é certa neste dia nunca faltavam os GELADOS! O que me leva a pensar que dia da Criança é também o dia das mães.
Aproveito este post para dar as Boas Vindas à nossa ANA ULRICH!
Feliz dia crianças....

Ainda sobre os príncipes encantados...


quinta-feira, 31 de maio de 2012

"Príncipe Encantado só há um e casou-se com a Cinderela"


E com este post me dou as boas-vindas ao blog mais giro da Blogosfera, que leio fielmente todos os dias!

Foi difícil começar a escrever porque não o queria fazer sem rumo. Só o faço agora, porque encontrei uma forma de contribuir com uma rubrica divertida e que dê para pensar. A partir de hoje, e com uma regularidade ainda não definida, escreverei sobre temas que são para nós quase que adquiridos, do tipo a-minha-avó-dizia-que e que por isso constituem ditados populares, daqueles que abundam quando se entra numa tasca daquelas "à antiga" como diria a minha cara-metade.

Passando à prática, e como isto já vai longo, escrevo-vos sobre pessimismo vs. optimismo. Ultimamente dou por mim, à mesa de jantar, e quando de repente se faz um silêncio sepulcral, a querer contar alguma coisa mais negativa do meu dia, para espicaçar as gentes. E isto foi ontem: "Nem sabem, um lá do meu trabalho teve um acidente e está no hospital", e imediatamente chega o primo direito do pessimismo, o empolganço: "Sim, e não sabem se mantém a perna, talvez tenha que ser amputada", e "Pois, é horrível, já disse ao G para andar com mais cuidado, porque no outro dia também ia ficando debaixo de um carro". E.. viva o povo Tuga! So(u)mos muito assim, no nosso país. Os estrangeiros que o digam.

É possível, embora difícil, falar de coisas que não são a pura da loucura, conseguindo puxar o melhor delas (para além de lamentar a desgraça do coitado-do-meu-trabalho, cheguei a pensar que era uma sorte ele estar vivo?).

Assim, depois do trabalho, sigo com coleguinhas para o Santa Maria, com um pacote das bolachas preferidas dele.

E tudo vai correr bem, porque há notícias boas e o Príncipe Encantado não é só um e eu, que calço o 39 e nunca caberia no sapato da Cinde, não ando aí a perder sapatos.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Cromos

Há uns dias ouvi na rádio uma reportagem muito interessante, era acerca de um senhor que pelas ruas de Lisboa, troca e vende cromos. É uma pena não poder reproduzir as palavras exactas dele, mas era qualquer coisa muito parecida com isto "Tou no subsidio de desemprego, mal dá para pagar a renda e as despesas, assim com o negócio dos cromos dá para ter mais algum" "Há muitos clientes que já têm o meu telefone, ligam para mim e dizem, olha lá, quanto é que vendes a caderneta do futebol completa? O puto já me anda a chatear, na escola todos têm, vê lá se me arranjas isso ao puto pá" "E eu vendo, por 120, 150 euros, conforme a caderneta (...) há cromos muito difíceis de arranjar, né?" A reportagem era em si muito séria e profissional, penso que era na TSF se não estou em erro. (Admito no entanto que me fartei de rir sozinha no carro, o que já não é novidade nenhuma...).
Achei curioso esta ocupação e dei comigo a lembrar-me da minha infância, as cadernetas eram algo muito engraçado de facto, era o máximo poder fazer uma colecção, vê-la crescer, ter oportunidade de trocar cromos com os amigos e de dar também alguns sem receber nenhum em troca. Nestas memórias lembrei-me do meu pai me levar a um senhor que tinha uma maleta numa mesa ali no centro de Almada, perto do café central (Almada está tão diferente...) que também trocava cromos. Ao contrário das trocas com os meus amigos, ali, salvo o erro, cada cromo era trocado por 3 ou por 5, conforme a "dificuldade" em encontrá-lo. Os cromos mais difíceis eram sempre os mais cobiçados, e eu, sinceramente acho que nunca cheguei a completar nenhuma caderneta :( Actualmente também há cadernetas, e consequentemente cromos... E que cromos!

domingo, 27 de maio de 2012

O tesouro ao nosso alcance

1.º A definição (viva a wikipédia que nunca imaginei tão completa!)

A amizade é uma relação entre duas pessoas que partilham uma afeição mútua. Resulta normalmente de um conjunto de caraterísticas regularmente demonstradas: tendência para desejar o que é melhor para a outra, simpatia e empatia, honestidade, mesmo em situações em que seria difícil para outros dizer a verdade, compreensão, gostar de estar, confiança, reciprocidade positiva entre as duas pessoas, capacidade de ser eu mesma, de expressar os meus sentimentos e de cometer erros sem medo de ser julgada por isso.

2.º As minhas conclusões

A amizade não tem nada de simples nem de imediato. É a melhor coisa do mundo mas, como todas as coisas realmente boas, não se consegue sem esforço. A amizade resulta de uma construção permanente, resulta da capacidade de ser criativa e de ter atenção a cada pormenor. A amizade não é egoísta, não vira as costas quando discorda da atitude ou do comportamento da outra. Uma amiga desafia, confronta: está aberta a influenciar e a deixar-se influenciar.

Eu sei que isto parece um conjunto de frases bonitas, mas é tão difícil de pôr - verdadeiramente - em prática! Tão fácil virar as costas quando alguma coisa irrita, deixando de pensar no bem da pessoa a quem chamamos amiga. Mas depois, o pensamento leva às razões da amizade, ao amor que está por detrás da preocupação, e à palavra sempre associada: sacrifício. Aquela pessoa tem o direito de ouvir a verdade, e ouvi-la da boca daquele que se diz seu amigo.

3.º Obrigada!

... às três pelo tão bom lanche de hoje. Por me mostrarem, com o vosso exemplo, a alegria de ser e ter ao lado mulheres a quem podemos chamar, orgulhosamente, amigas. E obrigada também a ti, por me ajudares a pôr as ideias em ordem, como de resto sempre fazes.

sábado, 26 de maio de 2012

Miúdos e telemóveis... e...

Gostava de entender o fascínio que um bebé, uma criança pequena tem, por um "simples" telemóvel, ou ainda, por um "simples" comando de televisão. Há brinquedos super coloridos, amarelos, verdes, azulão, laranja, com cheiros, com música, tudo pensado para os pequenos petizes e... nada parece ter o fascínio de um comando, um telemóvel, um teclado. Serão os botões? Será o facto de não querermos que eles toquem invocando a velha máxima do "fruto proibido ser o mais apetecido"? Quando estudamos desenvolvimento infantil, de facto não estudamos este fascínio, mas é um facto consumado que ele existe. Existe e sinceramente, não me agrada. Com tanta coisa tão gira, tão didáctica para explorar, porque raio é que um objecto sem graça, cinzento, ganha pontos com tanta facilidade e sorrisos absolutamente irresistiveis? Estou cansada de observar, de dar voltas à cabeça, de utilizar estratégias e maroscas e nada me esclarece. Assusta-me a tecnologia. Confesso, assusta-me que este fascínio nasça "com o nascimento" e cresça com "o crescimento". Já penso na quantidade infindável de sms que vão enviar na adolescência, no tempo em frente à t.v. que querem e vão querer passar. Assusta-me que meçam amizades conforme o número de sms enviadas, e que quando estão juntos não saibam conversar. Assusta-me que não se perceba o silêncio. Que não se saiba "estar" ao pé de, sem pretensões e sem barulhos. Já pensei em esconder todos os comandos e telemóveis lá de casa, mas isto em mero devaneio imaginário, pois a ideia não seria exequível. Depois há sempre a questão de não querermos os filhos numa "redoma", de querermos que se apercebam do mundo tal como ele é e que saibam ser equilibrados. Tudo com bom senso, claro. Mas onde está ele? "Cadê" o bom bom senso nestes tempos que são os nossos cheios de tvs, psp, telemóveis, comandos e afins? Ás vezes apetece-me GRITAR, mas só o faço por dentro... é que o bom senso, ainda tem o seu lugar no meu cérebro e não me deixa transparecer aquilo que não é produtivo...

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Tem uma ideia para Lisboa? Escreva-a num post-it

Os papéis coloridos já estão a decorar a fachada do Museu do Design e da Moda de Lisboa (Mude), agora faltam as ideias. A partir desta quarta-feira e até ao final do mês, os cidadãos podem escrever num post-it as suas propostas para a cidade. As melhores concorrem aos 2,5 milhões de euros do Orçamento Participativo.



Notícia em: http://www.publico.pt/Local/tem-uma-ideia-para-lisboa-escrevaa-num-postit-1547342

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Inquérito Heart

Se houvesse um rebuçado azul, com sabor a Céu, que ingredientes teria?
A resposta mais original tem um prémio... :)

terça-feira, 22 de maio de 2012

Cabeça!

Ando numa de cartoons, eu sei, mas se o de ontem era bom, este é excelente. Eu pessoalmente confesso, já perdi a noção das ultimas novidades, i-phones, i-pad, blackberry (é assim que isto se escreve), estou a ficar velha :) e muito básica. Não tenho muita vontade de conhecer a nova tecnologia, já me basta o computador, a internet, o meu telemóvel básico e uma t.v. cá em casa que passa muito tempo desligada! Bom, não resisti a partilhar, e prometo que amanhã não vos massacro com mais piadinhas!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Filhos...

Que no me da igual #1

Ter umas mãos bonitas, com unhas bem arranjadas, pode ser uma tarefa difícil. Eu que o diga! Mas não deixa de ser um pormenor de cuidado e de boa apresentação. Sempre olhei para as mulheres que conseguiam ter constantemente as mãos arranjadas, verniz sem estalar e brilhante, como burro para palácio. Isto porque, até há uns meses atrás, as minhas unhas eram caso sério: o verniz estalava em dois dias, nunca secava completamente - mesmo que fossem só duas camadinhas - e ficava sempre com impressões digitais ou riscos, ganhava bolhas de ar vindas não sei de onde, se se atreviam a crescer mais do que dois centímetros partiam-se logo, etc.! Como vêem, burro para palácio, autenticamente.

Até que encontrei estes vernizes, da marca Andreia, que são ES-PE-TA-CU-LA-RES. Já os usei o suficiente para vir aqui dar-vos feedback da sua qualidade. Resultados: unhas muito mais fortes (a base fortelecedora é ótima, custa € 3,90) e que não se partem, o verniz seca rapidíssimo (e são 3 camadas, um luxo!), o brilho dura, dura, dura, e as cores são muito variadas e giríssimas.

Em suma, estou contente com esta descoberta (e não sou a única - há quem goste especialmente que eu tenha as unhas assim :) ). Já posso ter unhas compridas qb, já posso usar as mãos para falar em vez de as esconder debaixo da mesa, etc. MAS, não deixo de ter alguns cuidados, como: banho de luvas quando é para lavar o cabelo, base fortalecedora antes e depois do verniz, e estar atenta à iminência de unhas partidas.

P.S.: Esta é uma nova rúbrica, onde vou selecionar as marcas que prefiro em coisas cuja marca não me seja indiferente. E, de agora em diante, os meus posts serão escritos tendo em conta o novo acordo ortográfico. Espero que não se importem!

domingo, 20 de maio de 2012

Coisas boas da vida #2

E agora que o Verão está on its way, aqui ficam algumas dicas para o cuidado com a pele:

1. Beber muita água (mínimo 1,5 litros/dia)
2. Duches rápidos e com água morna
3. Não encher a pele com cremes, para não obstruir os poros
4. Esfoliar a pele todas as semanas
5. Comer frutos secos e peixes mais gordos (venha o salmão!)
6. Fazer exercício
7. Remover toda a makeup antes de ir dormir (guilty..)
8. Dormir um n.º de horas razoável

Mais dicas e um plano quase personalizado, aqui. Ainda não fiz o programa Nívea Q10 Fitness Club mas já estou inscrita e quero fazê-lo nas férias. Parece ser muito bom: prático, porque o podemos fazer em qualquer lado, útil porque varia consoante o tipo de mulher, e grátis, o que também não é mau de todo. Desvantagem: implica muita força de vontade para chegar ao fim!

Força! E se o vão fazer ou já o fizeram digam-nos como correu :)

Festa da Taça - os nervos já apertam...



Sporting Clube de Portugal - Académica de Coimbra

Hoje é o dia da "Festa da Taça" no Jamor, o dia mais esperado por todos os adeptos de futebol. Daqui a pouco parto para o estádio e depois farei o relato do dia que é conhecido pelo "dia da festa do futebol português"!


sexta-feira, 18 de maio de 2012

Qual é a sua fortuna?


"Tenciono processar a revista "Fortune", porque fui vítima de uma
omissão imperdoável: a revista publicou uma lista dos homens mais
ricos do mundo, e nessa lista não consta o meu nome. Aparecem, o
sultão de Brunei, os herdeiros de Sam Walton e Mori Takichiro. Incluem
também personalidades como a rainha Elizabeth da Inglaterra, Niarkos
Stavros, e os mexicanos Carlos Slim e Emilio Azcarraga. Todos, menos
eu, não sei porquê! E, reparem, eu sou um homem imensamente rico, e
vou-vos demonstrar: tenho uma vida que me foi dada sem saber porquê;
uma saúde que conservo sem saber como; tenho uma esposa adorável que
me entregou a sua vida por amor e trouxe o melhor dela para a minha;
tenho filhos maravilhosos, dos quais só tenho recebido felicidade;
tenho netos com os quais pratico uma nova e boa paternidade; tenho
irmãos que são como se fossem meus amigos, e amigos que são como se
fossem meus irmãos; tenho pessoas que me amam apesar dos meus
defeitos, e a quem amo apesar dos seus; tenho uma casa e muitos livros
(a minha mulher brinca comigo, dizendo às vezes que tenho muitos
livros e entre eles uma casa); tenho um pouco do mundo no meu jardim;
tenho um cão que não dorme até que eu regresse a casa, e que me recebe
como se eu fosse o rei do mundo; tenho olhos que vêem e ouvidos que
ouvem, pés que andam e mãos que acariciam.


Eu sou a herança comum dos homens: alegrias para viver e dor e
compaixão por quem sofre. Podem haver riquezas maiores do que a minha?
Continuo sem perceber a razão da omissão do meu nome na revista
"Fortune"... Há pessoas tão pobres, mas tão pobres, que a única coisa
que possuem é dinheiro..."

Armando Fuentes Aguirre (Catón), jornalista mexicano

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Venham, vale a pena viver!

Queridos amigos, penso que vale muito a pena fazer bons desafios aos leitores deste blog, e assim sendo, desafio todas e todos a estarem presentes este sábado na caminhada pela vida em Lisboa que começará às 15h na Maternidade Alfredo da Costa. É muito salutar juntarmo-nos por boas causas, e esta é sem dúvida uma delas! Vamos mostrar que Portugal luta pela vida, que os Portugueses se movem. Vamos mostrar aos nossos governantes, à comunicação social e ao mundo que a Vida é um dom de grande valor, desde a concepção até à morte natural, sem medos. Fica o desafio, na esperança de encontrar muitos de vós pelas ruas da Caminhada, e na esperança ainda maior de não ver muitos outros dada a grande afluência e quantidade de pessoas presentes! Venham, vale a pena Viver!!!

Dieta da Cate

Queridas todas!! Como saberão, após a gravidez engordei imenso e não consegui perder as 2 dezenas de quilos que se agarraram que nem lapas.
Pois bem, depois de uma história engraçada, relatada neste blog fantástico da super querida Rita Ferro Alvim, decidi fazer um blog a relatar a minha luta: a Dieta da Cate. O link é este.

Não, não é uma traição...esta situação é apenas temporária, e achei que neste HEart não teria grande interesse falar disto de forma tão sistemática. Continuarei a escrever aqui, mas sobre dietas, alimentação, balanças e afins...só no "outro"!

Espero bem que fiquem atentas e que o vão visitar regularmente! Beijinhos!

Um grande adepto!


Festa do golo num estádio de futebol turco

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Por que raio é que...

... sempre que encontro o lugar perfeito-porque-suficientemente-largo-para-estacionar-sem-ajuda para o carro, me aparece logo um tão prestável arrumador pronto a levar-me os trocos, e quando o único lugar existente tem menos de um metro e meio (mais ou menos o tamanho do meu pequenino smart) todos os arrumadores existentes parecem estar a fazer a pausa para descansar?

(Desculpem donos do Mercedes e do Skoda, prometo que só dei festinhas nos vossos carros)

segunda-feira, 14 de maio de 2012

15 de Junho lá estaremos!

Para a nossa família o Vale de Ácor é uma instituição muito especial, aliás, não há palavras "curtas" que cheguem para espelhar a ligação que temos e sentimos com esta casa, que, ouso dizer, é também "nossa" :) Como o tempo é pouco e eu estou "de fugida", deixo aqui este convite, e é claro que nós, só podiamos ir a este jantar... quem se quer juntar e assim AJUDAR o Vale de Ácor?

domingo, 13 de maio de 2012

Relações - bem - fracassadas

Algumas músicas têm o poder de mudar a maneira de vermos o mundo e as pessoas. Ás vezes mostram-nos a verdade, outras vezes ajudam-nos a enganarmo-nos a nós mesmas. Sim, há músicas que parecem querer confirmar aquilo que queremos ver confirmado, mas que talvez não devesse ser confirmado. Confuso? Provavelmente.

A música em que penso agora fala de duas pessoas que, durante o  namoro, percebem que têm uma relação destinada ao fracasso. Quando a realidade os acorda, entram no processo típico das perguntas sucessivas: será que não deviamos dar outra oportunidade? Será que não estou a ver mal as coisas? Será que encontro melhor? Será que devo ceder? E surge a conclusão (da música): na verdade, a nossa relação não tem que acabar, vamos encontrar-nos no meio daquilo em que cada um acredita e começar tudo de novo.

Ora bem. É verdade que sempre precisamos de humildade para perceber que os nossos defeitos não têm por que ser festejados pelo outro, e que temos realmente que mudar o que nos afasta. Mas também é verdade que nem tudo são defeitos, e que há certas coisas em que não podemos deixar de acreditar e de querer alcançar, sob pena de deixarmos de ser nós próprias. De facto, nem sempre temos a sorte de encontrar à primeira o princípe-encantado-feito-para-mim. Essa será, parece-me, a excepção. 

Vou dizer-vos. Esta música é, para mim, uma tentativa fracassada de afirmação do que pode e deve ser o amor humano. O amor não é cómodo, o amor não atrofia os princípios nem aquilo em que, no mais profundo do nosso ser, acreditamos. O amor não leva a que duas pessoas, que não vêem qualquer futuro juntas por não terem os mesmos valores, crenças e sonhos, se forcem a abdicar daquilo em que acreditam para chegar ao outro. E se essa é a situação, a relação tem, na verdade, que acabar.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Pipoca

Hoje falo-vos do coração. A Pilar faz um ano.
Nasceu no dia 11 de Maio, e no ano anterior, no mesmo dia, nas mesmas horas, tive a graça de estar side by side com o Papa Bento XVI. Eu, o padrinho da Pilar, e muitos outros nossos amigos, que por terem certas funções nessa visita, puderam usufruir de uma situação privilegiada. Foram dias únicos, esses.
E este, o ano passado, voltou a ser um dia único. Num parto que, à distância, posso dizer que foi difícil, doloroso e deixou sequelas. Mas nada se passou assim. Para mim, tudo foi mágico. Aconteceu com o timing certo, tudo concorreu para o nosso bem estar físico e psicológico, e não podia ter sido melhor. Às 16h21, numa cesariana complicada, a nossa bebé nasceu. E tudo mudou.

O Miguel acompanhou sempre todo o processo. E enquanto eu, tremendo de medo e descompensada, era aberta, segurou-me nas mãos e disse-me coisas lindíssimas que a anestesia não permitiu recordar em bloco. Mas lembro-me das ideias principais: que a Pilar era personificação do amor que tínhamos um pelo outro, mas que eu era a sua mulher e portanto seria sempre a sua prioridade. Porque sem um dos dois, deixa de haver frutos. Que era a primeira de muitos, se Deus quiser. Que amava desde logo o amor que tinha por mim, o nosso amor, a Pi. E que vê-la nascer e crescer seria como ver o nosso amor a nascer e crescer também.
Assim que ouvi o choro da bebé, sorri espontâneamente e não voltei a tirar-lhe a vista de cima.

Por isso, deixem-me falar-vos da minha filha.
Pilar, Maria do Pilar, em honra de Nossa Senhora do Pilar, a quem fui devotamente consagrada, em Saragoça, quando era pequena. Nasceu e no mesmo dia fez saber que quando chorava e dizia "Nanh" queria leitinho. É assim até hoje. "Nanh" ficou leitinho. No dia 2 já franzia o sobrolho, com ar zangado. Antes de fazer um mês já estava baptizada, e talvez por essa razão o afecto que hoje tem pela Cruz lhe seja tão genuíno. E aos 4 meses atirou pela primeira vez os óculos do avô ao chão. Aos 6 já gatinhava e no dia 6 de Janeiro de 2012 disse: "Maaa-maaa". Agora já diz muito mais, quase anda e está a formar a sua personalidade. Extremamente teatral, devo dizer. E por isso, com montes de graça.
É o nosso pequeno tesouro, o primeiro de muitos, esperamos, porque a grandeza deste nosso amor tende necessariamente a perpetuar-se. Transborda qual copo de água cheio. Cheio de alegria, felicidade, dificuldades, dor, VIDA! Cheio de amor e, no nosso caso, isso significa que está cheio de Deus.
E por isso a Ele agradeço os dons que temos recebido -a vida da Pilar, o nosso casamento, os nossos amigos.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Uma guerra feita de glamour

Um dia um senhor francês olhou para os sapatos de salto alto das mulheres e concluiu que lhes faltava energia e vibração. Vaí daí - os designers têm destas coisas - agarra num verniz vermelhão e desata a pintar a sola de um desses pares, num acto de pura genialidade, fazendo nascer assim a marca Louboutin, de Christian Louboutin, conhecida pelos seus incríveis sapatos topo de gama:

"Quando as estrelas de Hollywood atravessam a passadeira vermelha, e as modelos caminham pela passerelle, e os olhos de toda a assistência se centram nos seus pés, solas vermelhas lacadas em sapatos pretos de salto alto gritam glamour! Para os mais entendidos, uma palavra surge imediatamente nas suas mentes: Louboutin!".

Durante anos, Christian Louboutin criou uma reputação que o levou aos píncaros: falava-se dos seus sapatos em músicas, em séries televisivas, em revistas de moda. Qualquer estrela de Hollywood que se prezasse tinha pelo menos um parzinho destes no seu armário. 

Acontece que no ano passado a YSL teve ideia semelhante, posta em prática na sua coleção de 2011: criar uns sapatos totalmente vermelhos, também na sola, ameaçando terrivelmente o império Louboutin. Vai daí que vão para tribunal, a Louboutin para fazer cessar a venda dos sapatos YSL, a YSL para cancelar a marca registada da Louboutin, por entender que, no mundo da arte, conceder o exclusivo de uma cor básica a um só artista constitui uma limitação inadmissível da concorrência.

E agora, quem tem razão? Não deviam então ser canceladas também as marcas da Burberry's, da Tiffany's, ou da Gucci? A guerra está longe de acabar, porque Christian Louboutin já prometeu que vai levar a defesa até às últimas consequências. Num post mais à frente, darei a minha opinião sobre o tema (e seleccionarei os meus - vários - Louboutin's preferidos). Por agora, interesso-me mais em saber a vossa!