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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Sejam bons padrinhos

Há muito tempo que penso que devia haver um curso de preparação para os padrinhos de casamento. Então se o há para os noivos porque não para os seus maiores ajudantes?!? 
Sobretudo porque na nossa geração há muita gente que percebe o conceito de "apadrinhar" como se fosse um crachá de BFF de um dos noivos. Tanto assim é, que já ninguém tem 2 padrinhos, mas 4, 5, 6 e às vezes mais de 10! Tem problema? Em si, não. Mas pode ser um dos sintomas de que os noivos (ou um dos noivos) tiveram dificuldade em excluir amigos dessa elite de padrinhos ou por terem, de facto, muitos e bons candidatos ao lugar, ou porque tiveram medo de ferir alguma susceptibilidade... E será que queremos mesmo um padrinho que se ofenda assim tão facilmente?!


Já lá vamos, comecemos pelo início:

❤️ O que é um padrinho?
Um padrinho/madrinha de casamento é primeiramente uma testemunha do casal. Não deveria sequer haver padrinhos do noivo e madrinhas da noiva - os padrinhos são do casamento, não das pessoas. Não raras vezes, pergunta-se à noiva "Quem são as tuas madrinhas?", como se elas fossem só dela! (Newsflash: Não são.) 
Os padrinhos são então testemunhas de que os noivos (os dois) lá chegaram de livre vontade, de que estão dispostos a amar-se e respeitar-se para sempre, e que estão comprometidos perante si mesmos e a Igreja. Claro que todos os restantes convidados também são testemunhas, afinal estão lá a consentir no sacramento que se realiza! Mas os padrinhos do casal assinam documentos na sacristia que os tornam os únicos que oficialmente podem ser considerados testemunhas. Estão a perceber? Se se precisar de saber alguma coisa daquele dia, será às testemunhas que se recorre. Isto é, a sua missão de testemunha não termina naquele dia ao assinar papelada... *wink wink*

❤️ Para que serve um padrinho?
Um padrinho será provavelmente um amigo, que se espera para a vida, mas a diferença para outros amigos é que tem um dever especial não só para com o amigo, mas também para com o cônjuge que o seu amigo escolheu. Um padrinho serve portanto para cuidar do casamento dos afilhados para sempre. Isso significa ouvir dos afilhados, perguntar como estão (na relação, não só pessoalmente), ajudar a reconciliar-se se for o caso. 
Não é para ser confidente de um deles, não é para levar o marido a sair quando as coisas não estejam fáceis em casa, não é para dar guarida à mulher quando discutem, não é para terem papas na língua. 
Em casos extremos, os padrinhos podem ter de ser os guardiões dos filhos do casal. De maneira que ter 16 padrinhos digamos que complica esta divisão dos filhos (a não ser que haja mesmo muuuitos filhos!)

❤ Então como deve ser escolhido um padrinho? 
Decorre do acima que um padrinho deve ser de confiança (aquela confiança de quem não se ofende por não ser escolhido, estão a ver?), deve ser assertivo e verdadeiro, deve conhecer ambos os membros do casal e conhecer a sua relação (mesmo que unilateralmente) e deve sobretudo ser a favor da sua união sacramental. Mais que isto, será da liberdade de cada um. 
Amigos há anos ou há 6 meses? Pode não ter qualquer relevância. 
Amigo solteiro ou casado? Indiferente. 
Divertido e extrovertido ou calmo e ponderado? Não tem importância. 
Desde que queira bem ao casal, que os queira ver chegar a uma "ditosa velhice", não importa os restantes traços de personalidade. 
Quanto à religião, não acho que seja imperativo a adesão ao catolicismo, no entanto, e visto que um padrinho deve concordar com o sacramento em geral e com os votos proferidos no dia em particular, não há dúvida de que conhecer e concordar com alguns princípios de Fé ajuda na tarefa de apadrinhar. Mas, na maioria das vezes, padrinhos que sejam informados do que se promete no casamento concordam com os princípios e valores subjacentes. O importante é serem informados e fazerem uma reflexão séria!

Posto isto, acho importante referir que padrinhos convidados devem ponderar bem o convite e até podem (devem, em certos casos) recusar o convite caso não acreditem no casamento, nas motivações dos noivos ou no sacramento do matrimônio em particular. Já ouviram alguma vez isto acontecer? Eu também não! Mas já ouvi alguns padrinhos queixarem-se da noiva/o e até da relação do seu amigo/a... Isto diz muito da honestidade e da amizade que se diz ter.

A quem é ou vai ser padrinho ou madrinha de casamento: Estão dispostos a isto? Nem sempre será fácil, vão ter de dizer coisas desagradáveis, às vezes até arriscar toda a vossa amizade, mas é essa a vossa tarefa - para sempre. Boa sorte! 
❤
Malta casada, e os vossos padrinhos, são tudo isto e muito mais? O que tiveram em conta? Contem-nos tudo :) 

sábado, 20 de agosto de 2016

Histórias olímpicas (IV)


Usain Bolt, todos sabemos que é.

Bolt é um máquina no desporto, para mim, é um enorme prazer vê-lo competir.
Mas o que Bolt me ensinou nestes dias dos Jogos Olímpicos foi também uma lição de respeito e de fé.
Sabia que Bolt para além de ser o homem mais rápido do mundo é também um homem cheio de fé?
Já deu uma conferência no Vaticano.
Humildade e simplicidade é o que caracteriza este atleta e a sua relação com Deus.
O que admiro mais neste campeão é que essa humildade e simplicidade faz-lhe ter um caracter enorme. Vejam esta atitude, durante entrevista, Bolt interrompe a jornalista por respeito ao hino nacional, quem nem era o do seu país:

--- Vejam o momento: AQUI ---
 
 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

#SomosTodosPessoas

No outro dia, num café, pedi o almoço e a senhora que me atendeu "falava estranho". Mas atendeu-me com tanta simpatia, com tanta simplicidade, que eu nem consegui perceber o que era aquele "estranho" e achei tão natural o facto de ela me falar como qualquer outra pessoa, que era assim que eu lhe respondia também: como qualquer outra pessoa.

E não é isso, o sermos todos pessoas? Porque havia eu de a ter tratado de forma diferente? Não tratei - e ainda bem -, mas secalhar há outras alturas em que trato. Provavelmente sem razão.

Brilhantemente demonstrado no vídeo abaixo.

#SomosTodosPessoas. Respect.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

“Este cancro salvou-me a vida”

Numa altura em que Sofia Ribeiro assumiu publicamente querer "seguir o exemplo dos milhares de Mulheres, guerreiras, que conseguiram ganhar ao cancro", a pergunta torna-se inevitável: Afinal, a batalha só é ganha se se sobreviver? Ou a vida pode ser salva de outra forma?
26-11-2015 - Um médico oncologista do hospital hebraico de Montreal recorda a amizade que nasceu com Carla, uma doente, nos meses antes de sua morte. As férias com a comunidade e “o enamoramento” que a fez sentir-se mais viva que nunca
Pode um homem nascer de novo sendo velho? Estarei para sempre agradecido pela possibilidade de lembrar a minha amizade com a Carla, que me põe em condições de responder a essa pergunta. Eu sou médico oncologista no hospital hebraico de Montreal e conheci a Carla há dois anos, quando lhe foi diagnosticado um cancro da mama em estado avançado.

(...) Ela tinha criado uma espécie de carapaça, dedicando muito do seu tempo ao trabalho numa instituição de Protecção da Infância num cargo de responsabilidade e enfrentando muitos casos difíceis. Nunca tinha casado e estava acostumada a dar ordens e a ter o comando. Mas é um grande problema quando se tem um diagnóstico de cancro em estado avançado, porque isso despedaça completamente a sensação de teres o controlo das coisas e te obriga a cuidar de ti próprio em e não dos outros, fazendo-te sentir de certo modo mais vulnerável.

(...) Era evidente que ela estava a lutar contra a sensação de não ter o controlo e ia aos poucos aceitando os seus novos limites físicos. Além dos sintomas do cancro e dos efeitos secundários das terapias, discutíamos muitas vezes sobre a liberdade e a dependência, sobre aceitar o facto de termos sido amados primeiro e sobre o reconhecimento da presença de Deus em cada circunstância. As perguntas dela eram as mesmas que eu tinha e eu não podia mentir. Conversando sobre o seu trabalho na Protecção da Infância, eu falei-lhe nos dois irmãozinhos que adoptei. Perante aquelas perguntas eu só podia falar da minha experiência e dos meus amigos: os mesmos amigos que ela conheceu pela primeira vez no nosso concerto de Natal, no qual participou com a sua irmã e familiares.

Lentamente o rosto dela começou a mudar, assim como a sua atitude. Livre. Com a liberdade que vem duma gratidão. O ponto de não retorno para ela foram as férias com os adultos e as famílias de CL, em que ela participou com a sua bengala e uma grande curiosidade. É difícil descrever o que lhe aconteceu lá a não ser com o termo “enamoramento”. Na volta das férias ela começou a ler e a informar-se sobre o Movimento e a perguntar à Paula sobre a nossa história e a nossa amizade. A par da beleza que ela tinha visto, aquilo que tinha conquistado a Carla era o facto de que a sua liberdade era continuamente provocada e jamais forçada. Quando a irmã dela lhe começou a fazer perguntas, mostrando uma certa curiosidade pelo Movimento, a Carla disse: “Eu nunca vi nada parecido. Nas férias eu chorava todos os dias no meu quarto, de tal maneira me sentia arrebatada por tudo aquilo... Não tenho certeza de que estejas realmente pronta para isso!”... Não era exatamente o “Vinde e vede” do Evangelho, mas felizmente isso não desencorajou a irmã de Carla, que em Setembro começou a frequentar a Escola de Comunidade com ela.

(...) Poucas semanas antes de morrer, Carla teve a possibilidade de participar num casamento, acompanhada por um amigo da comunidade. À mesa, radiosa com a sua peruca, que ela na realidade odiava, tinha começado a contar a todos os seus velhos amigos – entre os quais muitos judeus – o seu encontro com o Movimento. “Este cancro salvou-me a vida. Digo realmente. Não sou ingénua, sei muito bem que vou morrer em breve, mas nunca estive tão viva. Vocês também precisam de ver o que eu vi, nunca vi nada parecido”.
Podem ler este fortíssimo testemunho na íntegra aqui.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Inspire #15

 
A inspiração do dia de hoje vai para as mulheres
A inspiração do dia de hoje vai para os homens
 
by Nicolas Cage
 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

A pílula e a mulher

 
Todas as mulheres,  hoje em dia todas as crianças que são meninas, já passaram por este processo, vamos ao médico, fazem algumas perguntas sobre a nossa saúde, sobre o nosso corpo e pronto já nos enfiaram a receita da pílula, afinal de contas somos livres e donas do nosso corpo e a pílula é a carta de alforria das mulheres, os médicos não precisam de saber se tens namorado, marido ou amantes, não precisam saber se esses namorados abusam de ti (sabia que em Portugal "Um em cada quatro jovens acredita que a violência no namoro é normal" a notícia é do Público: AQUI como as Sombras de Grey fazem agenda)
Lembro-me sempre da história desta amiga, a M. em menina foi ao centro de saúde, quando me contou a história a M. não se lembrava da sua idade, a única coisa que se lembrava é que gostava de ver filmes da Disney e tinha os cadernos da escola com desenhos animados e o quarto ainda estava cheio de peluches... A mãe não podia entrar no consultório, pela primeira vez a M. ia sozinha a uma consulta, as perguntas foram factuais, e o médico ficou admirado como é que a M. ainda não tinha tido um namorado a sério (a.k.a. como-é-que-ainda-não-tinha-ido-para-a-cama-com-um-rapaz).
A M. no fundo sabia que ainda era só uma menina e que a sua mãe tinha ensinado que na vida cada coisa se faz a seu tempo, há idade para namorar, há idade para casar e ter filhos e há idade para brincar e que muitas vezes a sociedade misturavas as idades (em velhos brincamos e em novos namoramos), a M. sabia que ainda não tinha idade para namorar, mas tinha muitos amigos, ela no fundo o que gostava era de ir ao cinema com as amigas e comer pizza a ver tv, mas a M. saiu desta consulta com a sua pilula e a partir daí esqueceu-se algumas coisas que a mãe lhe ensinou.
Como esta minha amiga M. há muitas crianças-meninas-pré-adolescentes que passam por isso, o que mais me incomoda nestas consultas rotineiras é a leveza do tratamento, no ano passado conheci uma rapariga excelente, mais velha e casada já há alguns anos, contou-me que não podia ter filhos porque durante muito tempo tomou a pilula, e eu perguntei se a sua médica a tinha informado sobre essa consequência, que é possível e que aconteceu, ela disse que na altura ninguém lhe disse nada. A mim custa-me muito pensar que esta mulher nunca poderá ser mãe porque lhe deram a pilula e nem lhe falaram das suas consequências, mas que raio de liberdade é esta? É verdade o corpo é meu e como tal as consequências são minhas, não são do médico x, y ou z. Atenção eu não estou a dizer que a pilula provoca infertilidade em todas as mulheres, mas no caso da C. foi um factor, pelas suas condições, e é uma injustiça que não lhe tenham informado disso antes.  Contudo o que me deixou mais chocada foi a investigação da TVI24 Horas sobre a pilula mais consumida em Portugal: Yasmin. Esta investigação já tem alguns meses, e foi tão pouco divulgada. 
A Carolina era uma jovem bailarina, teve uma morte súbita, mais tarde percebeu-se que foi por causa da pilula, esta é a reportagem que todas as mulheres deviam ver, porque este é um direito nosso É arrepiante perceber o poder das empresas farmacêuticas têm sobre este tema, e, nós mulheres, somos iludidas.
«A minha irmã tinha um excelente relacionamento com a minha mãe. A minha mãe tinha sempre conhecimento de todos os passos que ela dava. E, debaixo deste choque, a minha mãe disse-me “Susana, foi a pílula que matou a carolina”», diz Susana Alves, irmã da jovem. (entrevista completa: AQUI). Não sei porquê, mas parece que o filme da reportagem já não está on-line, contudo digo que é impressionante as conclusões que esta mãe retirou na morte da sua filha e o alerta que deixa a todas as mulheres. 
Como mulher só peço uma coisa aos nossos médicos, quando receitam a pilula pelo menos tenham a honestidade intelectual de informar todas as consequências às mulheres e às crianças meninas,  mostrando estes números.
Porque uma morte pode ser só uma, mas para a Carolina, e para a sua mãe foi única, foi tudo. E de quem é a culpa?

terça-feira, 17 de março de 2015

A intolerância dos tolerântes

Os piores intolerantes que conheço são aqueles que se autoconsideram tolerantes a toda a hora, são aqueles que só falam de tolerância e justificam os seus ideias com a tolerância, "eu penso assim, eu falo assim porque sou uma pessoa tolerante", é que eu não tenho noção quantas vezes já ouvi esta justificação para se defender a ausência de valores.
 
(Já há muito que queria escrever um artigo sobre isto, com a polémica da casa D&G fiquei mais entusiasmada.)
 
Antes de mais começamos pela morfologia da palavra tolerância, para quem não sabe tolerância tem origem do latim tolerare que significa sustentar ou suportar. No meu ver à partida a tolerância não é de todo a melhor forma de estar na sociedade, porque não provem do amor, é  sempre numa ultima instância: "olha lá como tu és insuportável, mas nós vivemos em sociedade eu vou ter que tolerar, mesmo que eu acho que tudo o que tu fazes está mal e podes mudar a tua vida, mas isso vai dar-me muito trabalho a mim!" 
Assim sendo a tolerância também é uma postura muito comum nos preguiçosos, daqueles que abominam as outras ideias, mas são capazes de suportar para não ter que discutir, a tolerância está a dar cabo da discussão filosófica, e está a criar uma massa acrítica, os tolerantes não discutem, os tolerantes suportam.
Não gosto de tolerar os meus inimigos, gosto de amar os meus inimigos com as devidas diferenças que temos, talvez seja por isso que tenho muitos amigos que pensam de maneira diferente da minha, porque eu não os suporto como fim ultimo, eu discuto com eles porque gosto deles, tolerar é não se importar com o outro nem com a sociedade, é não amar o outro é não achar que o outro pode ser melhor. O tolerante contemporâneo é um preguiçoso.
Gosto de pessoas que sabem estar, que são educadas e que sabem respeitar e o respeito é diferente do sustentar é diferente de suportar, por isso muitas vezes utilizo a palavra respeito em vez de tolerância.
Mas para mim o pior defeito do tolerante contemporâneo é ser intolerante com tudo aquilo que ele acha que não é tolerável, redundante?
 
 
Conclusão os tolerantestoleram as suas conceções, e tudo que seja diferente à sua ideologia é intolerante.
Mais uma vez, faz-me lembrar o história do George Orwell: "Somos todos iguais mais há uns mais iguais do que os outros!"