Ser mulher, tal como a Dita disse e bem, é acordar mais cedo que toda a gente, preparar almoços, pequenos-almoços, deixar o marido no trabalho, deixar as crianças com a nossa mãe e depois levá-los a todos para casa dos avós, a seguir ir ao banco tratar do seguro de saúde, ir ao outro banco pôr as contas em dia, passar pelo supermercado para comprar as fraldas que entretanto já tinham acabado, e na saída do supermercado, porque as horas de sono escasseiam e uma cabeça não dá para tudo, bater violentamente com o carro contra o pilar de 2 metros do parque de estacionamento (a sério que não estava lá, apareceu do nada), amolgar, riscar e destruir parcialmente a porta de trás, aguardar que o anjo da guarda que vem sempre nestas ocasiões chegue (e chegou, e ajudou, e até tinha um spray só para aquilo, como se estivesse ali um senhor aquele tempo todo à espera que aparecesse um carro digno de spray), parar para pensar, chorar e temer o pior do marido, mas cheia de coragem, liga a dizer o que aconteceu, assumindo todas as culpas. E depois, de volta à solidão, descobrir que a tomadora do seguro é afinal a sogra e portanto, zás!, vai-se para casa a correr, trinca-se o que se pode para enganar a fome e siga para uma Midas tratar disto para evitar maçadas e encontros desnecessários que se querem evitar ao máximo. Mas não, afinal não é na Midas, é na própria Citroen, que é...em Olival de Basto. E sim, ser mulher é ter cojones para ir a Olival de Basto ainda que não saiba nem para que lado fica o Norte, nem onde pára o Sol. E chegar ao sítio sã e salva, arranjar um orçamento catita, ser tranquilizada pelos senhores super amorosos, perceber que não há €500 para gastar e portanto o carro vai continuar assim mesmo, e seguir para as aulas, porque dali a duas horas inicia-se o turno da tarde: buscar o marido, as crianças...(e há ainda que conversar sobre o seguro do carro).
No fim do dia, resta-nos esperar que as nossas amigas, único consolo desta jornada, não se zanguem connosco por este desabafo, neste espaço feminino onde sabemos que somos compreendidas, ajudadas, e apoiadas. Rezando e desejando que o marido, que até agora nunca se lembrou de vir cá ver isto, não decida fazê-lo enquanto este post não estiver esquecido e enterrado sob dezenas de publicações bem mais interessantes e coloridas.