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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Tia

Árvores de Oliveira por Vicent Van Gogh
 
Hoje fazia anos uma pessoa importante para mim.
Importante porque foi graças a ela que eu sou quem sou.
Há pessoas assim, que nos ajudam a ser:
Com elas definimos gostos, aprendemos conceitos, interiorizamos a lógica das coisas.
Aprendemos a dar importância ao que é importante e aprendemos o que é importante.
O resto resolve-se.
Hoje fazia anos essa pessoa.
Que me ensinou sem palavras, com actos, com atitudes virtuosas, coerentes e corajosas.
É o primeiro aniversário que ela passa no Céu.
Mesmo com fé, custa tanto a distancia e a partida faz sofrer.
Hoje vou festejar.
Porque hoje fazia anos a pessoa que me deixou saudades, é tão bom e tão cruel deixar saudades.
Hoje vou festejar tal como estivesse cá.
Porque ela está mesmo aqui, dentro de mim, porque graças a ela sou quem sou.
Hoje na minha agenda está marcado os 82 anos que fazia.
82 era nada perante a sua juventude.
Hoje agradeço a oportunidade de ter lutado com ela, de ter vivido com ela, de ter aprendido com ela e de ter cuidado dela.
Hoje fazia anos uma pessoa que me ensinou o mais difícil de ensinar, o mais difícil de compreender e o mais difícil de Amar.
Hoje fazia anos a pessoa que me mostrou Deus.
Hoje não fazia anos, faz anos a minha Tia-avó que foi uma espécie de "Tia-mãe".
Parabéns minha querida Tia Alice Helena.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

dizem por aí que é bom ter saudades.

 
Não há nenhum dia que eu suba aquelas as escadas e não oiça a tua voz a vir da sala, “oh messa”.
Faz hoje 2 anos que foste embora, mas ficaste. O cheiro ainda está pelos corredores. As coisas continuam como tu gostavas que estivessem, o cadeirão no canto da sala, o crucifixo na tua mesa-de-cabeceira, ainda há roupa tua nas gavetas. Ao fim de semana ainda se costuma fazer aquela comida. Na rua as pessoas ainda me falam de ti, como tivessem a dar-me recados para te dizer.

Mas eu estou feliz.
Porque tenho saudades.
Porque tive quem me ensinasse a apreciar o cinema, e quando não sabia ler eras tu que lias as legendas.
Porque tive quem me ensinasse a ouvir musica, Nino Rota num disco de vinil não é para todos.
Porque tive quem me ensinsasse a ser criança quando eu era criança.
Porque no meu tempo não havia babyssitings, mas havia avós.
Porque escondias chocolates num lugar secreto, e não sabias guardar o segredo.
Porque fazias misturas improváveis na cozinha, e ainda não era moda a comida groumet.
Porque tive a oportunidade de ter uma sala decorada pelo sec XVII, na geração IKEA.
Porque em casa havia livros, e muitos escritos por ti.
Porque aos 5 anos eu já sabia quem era Rubens, Caravaggio e o Fellini, e que o Father Gabriel converteu os índios da Amazónia com uma flauta.
Porque sabia que estavas lá.
Porque eras tu que estavas lá.
 
Estou feliz porque sei que aproveitei um avô.
Mas sobretudo estou feliz porque a vida continua, para aqueles que souberam o que era essencial  na vida. 
 
"tive um sonho e tive a felicidade de o ter realizado (...) Este sonho realizou-se com a ajuda da minha mulher e filhos, foi um trabalho em equipa em que ninguém foi mais do que alguém".
Avô, In, discurso numa Conferência Europeia acerca da solidariedade entre gerações, 1992

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

as coisas mais vulgares são as coisas que deixam saudades

  • andar no lado da janela do elétrico #28, sentir que aquilo vai-se desmanchar a qualquer momento;
  • no domingo ir a São Nicolau e se der tempo passar pelas montras Baixa-Chiado;
  • o cheiro a rio que fica muito aquém do cheiro a mar, mas tenho saudades;
  • de comer um cachorro no metro enquanto vou a correr para o trabalho;
  • lanchar à quarta-feira na Avenida Miguel Bombarda;
  • ouvir miúdas aos gritos no sábado;
  • do senhor João o porteiro da biblioteca da Universidade;
  • das meninas com laços verdes na cabeça;
  • da meia-hora antes do almoço na Universidade Católica;
  • dos jantares com nomes de capitais europeias;
  • das tostas da expo;
  • do gin tónico do Estoril;
  • das passadeiras do Cais de Sodré;
  • do Mata-Bicho do Honorato;
  • de "mirar o rio" em Belém;
  • dos pic-nic nos Jardins do Lumiar;
  • de Lisboa.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

aDeus Avô

Quem me conhece sabe que o meu avô era-me muito próximo, no meu tempo não havia babysittings havia avós, e foi com os meus avós dos Açores que eu passeia grande parte da minha infância e juventude, com eles aprendi muita coisa da minha vida, mas sobretudo aprendi a viver, a história, a arte e a ver cinema (ainda não estava na primária e já tinha visto os clássicos todos, enquanto o meu avô Francisco lia as legendas...), foi o meu avô que me deu o meu primeiro caderno, foi com eles que aprendi a nadar e a apreciar as coisas belas do mundo, uma delas o chocolate!
Em 1992, há 20 anos atrás numa conferência Europeia acerca da solidariedade entre gerações o meu avô disse: "tive um sonho e tive a felicidade de o ter realizado (...) Este sonho realizou-se com a ajuda da minha mulher e filhos, foi um trabalho em equipa em que ninguém foi mais do que alguém"


Muito Obrigada Avô, tenho Saudades tuas! Até já....
Avô Francisco
XXIV | Outubro | 1930
XII | Novembro | 2012

"Quando eu estiver todo em Ti, não mais haverá tristeza nem angustia; inteiramente repleta de Ti, a minha vida será plena
Santo Agostinho