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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Ainda sobre a chuva de verão | Eu gosto de chuva... mas não tanto...

Comunicado do Serviço Municipal de Proteção Civil
22:57 dia 2 de Setembro 2015

 Desde o final da tarde de hoje até este momento registou-se precipitação de 106 litros por metro quadrado no centro de Angra do Heroísmo. Como consequência desta chuvada de volume anormal ocorreram 33 inundações em domicílios privados, tendo-se procedido a um realojamento, e a obstrução de algumas vias de circulação rodoviária. 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Chuva de Verão | Some people feel the rain. Others just get wet

 
Bob Marley disse uma vez: "Some people feel the rain. Others just get wet!" Eu acho que sou daquele primeiro grupo de pessoas: os que sentem a chuva.
 
Para um açoriano a chuva faz parte da sua entidade, "num dia só, faz as 4 estações do ano" dizem os velhos ilhéus. E eu gosto da chuva. Gosto do barulho quando bate nos vidros. Gosto quando entra pelas gretas das pedras e pelas beiras das janelas. Gosto quando vem sem avisar, e eu só percebi depois que aquele era o melhor momento para refrescar as ideias.
 
 
Gosto do arco-íris que vem depois da chuva. Gosto daquele cheiro a petrichor (em grego: πέτρᾱ; transl.: pétrā, trad.: "pedra" + em grego: ἰχώρ; transl.: ichṓr; trad.: "fluido eterno", "sangue dos deuses" é o nome do aroma que a chuva provoca ao cair em solo seco.) Gosto daquele ducho de água quente depois de ter sido apanhada no meio da tempestade. Gosto de me sentir segura em casa enquanto chove. Gosto de estar a ler ao som do barulho dos pingos. Gosto de beber um chá enquanto chove, porque o chá fica com mais sabor.
 
 
Mas ontem a aventura foi maior, correr com a chuva, era de noite sem ninguém na cidade, que sorte, tinha Angra do Heroísmo só para mim, musica a minha companhia, com a certeza que os poucos a passar de carro duvidavam da minha lucidez,  e a chuva batia-me, disfarçava o esforço, dando vontade de aumentar a velocidade, "só vou dar uma volta pequenina, só mesmo para desanuviar" - mas estava bom de mais e não há nada melhor do que ir ver a chuva bater no mar, aquele cheiro aquela imagem, "vamos até à costa", mais uma corrida, ainda por cima os barcos não partiram para o mar-alto, os pescadores não arriscaram as inchas de Agosto, e a cidade era só minha.... e da chuva... porque Bob Marley disse uma vez: "algumas pessoas sentem a chuva. Outras apenas se molham!"



 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Diário de uma açoriana num fim de semana prolongado

Tão bom quando o tal feriado é uma sexta-feira, é um cheirinho de mini férias. No trabalho via-se os sorrisos logo na quinta-feira de manhã e depois do almoço já estávamos a desejar bom fim-de-semana.
Contudo veio logo a duvida: o que fazer com tanto tempo? É tão bom ter a sexta-feira como feriado, mas muito rapidamente é tão fácil desperdiçar a sexta-feira como feriado.
Queríamos  viajar, arejar do habitual, mas isto nos Açores não é assim tão fácil, não é meter-se num carro e partir pela estrada fora...
(Mas eu gosto tanto de viajar: conhecer e viver outras culturas e tradições, provar outras gastronomias, respirar outras naturezas) 
 
Diário de uma açoriana num fim de semana prolongado

Dia #1 
1 de Maio 2015 | Sexta-Feira | Angra do Heroísmo 
(dia da tempestade)
 
Pensei em acordar mais tarde, mas o temporal não deixou, não só porque a chuva batia forte na janela e mesmo assim os pássaros não deixavam de cantar alto, mas porque os aviões tinham sido desviados para a minha ilha (afinal de contas temos a base das Lajes, temos uma das maiores pistas do país) e aquela minha amiga que tinha  como destino São Miguel teve de passar a manhã na ilha Terceira, um açoriano nunca deixa ninguém sozinho, principalmente se estiver na sua ilha.
Lá fui eu com a minha mãe, atravessamos a Terceira em tempo de temporal, num meio de um nevoeiro que não nos deixa ver nada que esteja fora do carro, a chuva a batia no vidro  como quisesse entrar sem licença, e estávamos nós a caminho da Praia da Vitória.
Chegamos ao aeroporto, já sabíamos da novidade, pela primeira vez aterrou-nos uma low cost,  é irónico, mas a força da natureza foi mais forte que a força de uma economia proteccionista,  não era uma low cost para nós, os terceirence ainda não tiveram esse direito,  mas parou aqui porque precisou de nós. 
Já que estávamos na Praia decidimos almoçar por lá, a chuva e o mau tempo não detêm um insular, almoçamos na feira gastronómico  (já vos falei como os açorianos gostam de comer? E de comer bem?) a feira gastronómica são quatro semanas em que os melhores chefes do Terceira criam um menu especial nos seus restaurantes: AQUI
De volta a Angra e acompanhados sempre pela tempestade.
Á noite tínhamos o programa da associação ACM (conhecem a ACM? Vale a pena clicar AQUI) e num concerto solidário ouvimos cantorias, as cantorias ou as cantigas ao desafio fazem parte da cultura terceirense, é uma coisa mesmo nossa, daquelas coisas que nos dá aquele orgulho de ser de onde somos.
A noite acabou na Tasca das Tias (Boa Cama e Boa Mesa AQUI) em que o camarões era acompanhados pela lambreta. Gastronomia é isto.

 

 
Dia#2
2 de Maio 2015 | sábado | Angra do Heroísmo
(dia que a tempestade acalmou)
 
A minha terra é uma terra de touros e touradas.
Dia 2 de Maio era dia de Ferra da Ganadaria dos Rego Botelho, na ilha Terceiras as Ganadarias são mais fortes que os partidos ou que os clubes de futebol, aqui não se pergunta se és de esquerda ou de direita? se és do Benfica ou do Porto? aqui o que importa saber se és do Rego Botelho? Ou do José Albino? ou se és Ezequiel Rodrigues? Entre outros... e assim cria-se os amigos e assim cria-se os inimigos.
A ferra é um dia de festa, vamos para o mato, para o tentadero, numa caldeira no interior da ilha, com uma paisagem lindíssima, ainda por cima a tempestade tinha criado pequenos lagos no meio dos cerrados, misturando os diferentes tons de verde que estavam espalhados pelos montes, os bezerros corriam nas terras e atiravam-se à agua, era impossível não pensar que como são felizes estes animais (mais fotos: AQUI)
A ferra junta os homens fortes da nossa ilha, se em outros tempos por aqui havia gente que caçava baleias só com um arpão, nos dias de hoje há homens que lutam contra os touros.
Aquele cheiro a coro queimado mistura-se com o sabor da cerveja servida em jarros, botas e roupa respingadas com a lama que a força dos bezerros levanta, aqui o sol confunde a humidade que vem da terra. Os mais corajosos estão dentro do tentadero, onde não faltou mulheres, os outros limitam-se a ver de cima para baixo, talvez para não sujar a roupa, aplaudem e chamam os touros com assobios estranhos.
Não faltou o churrasco da melhor carne dos Açores, temperada pela simplicidade dos homens da terra, sal e alho, sem pretensiosismos do groumet estava ali todo o sabor da terra, e houve conversa até ao final do dia. Tradição é isto.
 
 


 
Dia#3
3 de Maio 2015 | domingo | Angra do Heroísmo
(dia que se sentiu o sol)
 
Dia da mãe, tínha combinado dar um passeio com a mãe, afinal o sol já voltou. Saímos de casa com as sapatilhas e roupa confortável, fomos beber café (ok comer um bolo para acompanhar o café, mas era o dia da mãe, dia de festa)  objectivo: começar por andar na Marina, andar até ao Porto Pipas, voltar pelo caminho novo, subir para o Relvão, ver o Monte Brasil e voltar para casa - o plano habitual.
Chegamos ao local esperado, a Baía de Angra, era impossível não reparar no mar calmo, nos reflexos de luz e naquele calor que batia nas costas.
Estavam lá uns tipos a fazer paddle, ao chegar mais perto vejo que era o meu tio M. (nos Açores é assim, quando menos esperas vês um tio um primo e um amigo, nem que seja no meio do mar que foi o caso.)
Disse-lhe adeus, com uma certa inveja, ele gritou logo "vem para o mar", estava sol mas ainda estava frio, disse que não tinha fato (no fundo sabia que para o meu Tio M. a ausência do fato não era problema, porque ele teria uma solução), gritou novamente "temos um fato para ti".... E de repente eu que tinha saído de casa para andar já estava cheia de água salgada, com um fato e no meio da Baía de Angra em cima de uma prancha (o apoio e o orgulho na amizade do Pristine Azores: AQUI). Cheguei a casa enrolada numa toalha com os pés descalços e cheios de areia, com os lábios secos do sal e o cabelo cheio de rastas do mar. Natureza é isto.
 

 
 
 
Deitei-me a ouvir a noite que a lua cheia e o céu semi-limpo me trouxeram, pensei ainda bem que nos Açores não é assim tão fácil viajar, ainda bem que não é só pegar num carro e andar, pois se assim fosse não apreciava aquilo que é nosso e o que é nosso é mesmo especial: a nossa gastronomia, a nossa tradição e a nossa natureza.
#orgulhodeseraçoriana

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Arrependimento (*)


É quando decides ir correr 11 km à noite, na tua cidade, com chuva, humidade, com um tipo que para além de fazer surf, pesca submarina, é engenheiro de eólicas (ou seja soube 50m de degraus algumas vezes por dia) e costuma correr 20 km pelo menos 1 vez por semana. Arrependimento é isso.

(*)para quem não me conhece: eu sou uma rapariga que na adolescência ficava sempre atrás nas aulas de educação física!