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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

terça-feira, 6 de outubro de 2015

HEart na comunicação social | Diário Insular #2

O segundo artigo de opinião está aí... fresquinho...
Mais uma vez o HEart está no Diário Insular, o tema é bastante açoriano.
Porque esta é a semana dos Açores no Mercado da Ribeira...
Porque vale a pena provar...
Porque eu gosto mais do nevoeiro açoriano do que o sol do Algarve!
 
(para ler melhor clique na imagem)

Marca n'Agenda | Passatempo Marc'Açores


Marca n'Agenda | Semana Açores | 5 a 11 de Outubro prov'AÇORES

 
Amigos do continente, mais propriamente da capital, convido-vos a terem o prazer de provarem um gostinho açoriano. Começa hoje no Mercado da Ribeira, sushi de chicharro, já alguma vez imaginaste?
Não deixes de passar no Caís Sodré, haverá queijadas da Graciosa, ananás de São Miguel, doce de maracujá, massa malagueta e cornucópias.... Melhor do que isto é apanhar um avião e visitar as ilhas!

 

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Correr no meu tempo

 
Digamos que voltar para aos Açores teve alguns - grandes - feitos. Acredito que o maior de todos tenha sido começar a C-O-R-R-E-R. (É bastante notório, só pelo espanto que as minhas amigas de infância têm quando digo que agora corro: "No way!!!!!!!!") Eu sempre fui aquela adolescente que o maior terror na sua vida escolar era o professor de educação física, piorava quando este iniciava uma aula com um aquecimento de 10 m. a correr à volta do pavilhão.
O facto é que, depois de velha (atenção ainda não cheguei aos 30), me converti e vejo algumas vantagens físico-psicológicas de correr. (Mas vivo isso de uma forma muito saudável e equilibrada.) 
Estava decidida, era simples, ir à Sport Zone comprar uma lanterna (depois disto AQUI precisava de uma), ver um casaco com refletores e mais nada, tempo máximo previsto para este objectivo: 5 minutos.
Todavia o simples tornou-se complicado, porque ao entrar na Sport Zone percebi que entrava num mundo, num mundo de gente obcecada por desporto, num mundo ofuscado pelo culto ao corpo. Eu sei que é importante sermos saudáveis, magros e giros, como é importante o estilo e o cuidado com o que metemos no estomago, mas mais importante ainda é sermos, bons, felizes, inteligentes e o cuidado com o que metemos no coração... (cliché, admito!)
Os corredores pareciam labirintos, as prateleiras estavam rochedos das mais mil e uma coisas para a corrida, é admirável a originalidade destes fazedores de marca. Já não é somente moda correr, é quase obrigatório para se obter uma certa notoriedade na sociedade.
Há todo um culto desta malta que pratica a corrida, até usam um vocabulário próprio, com incidência nas expressões anglo-saxónicas: "trail"; "running"; "training plan"; "sprint"... No meu tempo a gente corria e já tá.
Na Sport Zone, percebi que existem máquinas que medem o tipo de massa muscular, que pesam a tua força, que te indicam que tipo de roupa podes e deves usar, é incrível, no meu tempo era a minha mãe que me escolhia e dava opinião sobre a roupa e não precisávamos de mais nada... 
Há literalmente uma centena de sapatilhas para a corrida: umas para trilhos mais selvagens, outras para a cidade, outras que são um misto, outras para o pavimento do estádio e outras para um terreno com pedras ou com mais ou menos pedras.... No meu tempo as sapatilhas eram todas normais e multifacetadas, serviam para as aulas de educação física, para o recreio, para os piqueniques só não davam para ir à Missa.
Deparei-me também com kits para medir a tensão, para medir os batimentos cardíacos, para contar os passos, para contar as calorias, para contar os km ou os km que fazes por minutos, como as centenas de aplicações para mostrarem aos amigos o que corremos e no fim ainda dá para tirar uma selfie. No meu tempo levávamos um pau para afastar os cães (se fossemos ao Monte Brasil) e tirávamos o relógio porque era o único que tínhamos, durante qualquer desporto havia uma grande probabilidade de queda.
Em relação às t-shirts, é surpreendente, se há coisa que evoluiu na ciência e na tecnologia humana são os vários tecidos com que são feitos as t-shirts de corrida, até existem tecidos que enquanto corres fazem-te perder as gorduras. No meu tempo usávamos uma t-shirt que normalmente fazia publicidade a qualquer coisa.
Outro utensilio bastante comum, são aqueles calções de licras que se usam debaixo dos calções normais, ou aquelas ligas que se metem nos joelhos, nas pernas e nos braços tal como as fitas de várias cores que se colam na pele, acho que a maior parte das pessoas não deve saber para que servem, mas sem duvida dá um certo estilo e profissionalismo na corrida. No meu tempo tínhamos um fato-de-treino comprado na loja americana da base das Lajes, ou na Loja d'Alice, sempre no ton de cinzento e feito de algodão, que normalmente era da marca Fruit of the Loom (para quem não conhece pode clicar aqui).
Por fim, há toda uma circunstância a cerca da musica, porque para correr a sério tens de levar o teu iphone agarrado ao braço, com uma capa transparente, anti-tranpirante, anti-queda e anti-chuva. Acredito que deve haver listas no spotify da malta das corridas... No meu tempo o nosso walkman não dava muito jeito, nem podíamos mudar assim as musicas das cassetes, tal como o discman, pois este se fosse connosco a uma corrida riscava o CD.
Contudo se há coisa que me faz confusão no outfit, de um corredor urbano e in, é a questão das mulheres correrem em sutiã... Eu aceito os homens depilados, eu aceito as fitas nas cabeças, os homens de leggin's, mas não sei  qual é a vantagem de correr com um top, que no meu tempo chamávamos sutiã? É para deixar os senhores a olharem ou é para meter inveja às outras mulheres que não tem aquela barriga maravilhosa?
 
Confesso que admiro aquela força de vontade, como o espirito de competição de um corredor, pois um atleta urbano é rigoroso no seu horário, como diligente nas suas aspirações, mas saí da Sport Zone passado uns longos minutos, sem compras, nem  lanterna nem casaco, perdi-me no meio da complexa trivialidade de correr...

terça-feira, 8 de setembro de 2015

MY STUFF #5 (Summer 2015)

My Stuff continua... Neste Verão 2015 fiz algumas descobertas no mundo da "moda descontraída", descobertas que combinam com o sol, com o mar e com o verde dos Açores. Muitas destas descobertas só conhecia o nome, mas este foi o Verão que podia dar-me ao luxo de compra-las, algumas delas encontrei aqui no pequeno comercio açoriano, outras nos saldos do ECI e outras vieram simplesmente ter comigo.
As que não resisti... Aqui ficam as My Stuff que marcaram My Summer...
 
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#OculosDeSolCarrera
Como Já escrevi AQUI, tenho esta espécie de vício, costumo usar como desculpa ter os olhos claros, mas não consigo sair de casa sem os meus óculos de sol, mesmo no inverno!
Assim sendo uns óculos de sol na minha posse usam-se e abusam-se, e é até gastar. Aproveitando uma promoção, como a necessidade, este verão apostei nos Carrera: simples e práticos aqui ficam os meus: (+ info's AQUI)
 

 
#MoleskineAgendaTelefonica
Porque o verão são dias de escrever postais aos amigos do continente, aos amigos imigrantes e à família. Porque gosto de fazer o factor surpresa e não está sempre a perguntar pelas moradas. Porque sou mega fã da Moleskine. Porque tenho uma mãe que trabalha à moda antiga e dá boas prendas à sua filha.
Este Verão foi bastante útil, Agenda Telefónica Moleskine, ainda se lembra o que é? para que serve? (+ info's AQUI)
 


 

 

 
#SixtySevenShoes
67 é uma marca de sapatos espanhola que eu gosto! (não desprezando os sapatos Made in Portugal, que normalmente são bons e bonitos, mas não sou protecionista, rendo-me bem às modas dos nuestros hermanos).
Sempre achei que conseguiam combinar a irreverência, com o estilo e o moderno com um toque de oldschool. Já há muito que andava a namorar uns 67, este foi o Verão que comprei as minhas Sixty Seven platform sandals douradas.
Ok prometo não usar com meias, comigo é extravagancia QB!  (+ info´s AQUI)
 
 
 
 
 





 
 
#FatosDeBanho
Porque não existe verão sem Mar. Porque vou ao banho 2x por dia no mínimo. Porque moro a 5 minutos a pé da Baía mais bonita do mundo, um só fato-de-banho não resulta, por vezes nem dá tempo que esteja seco. Porque muitas vezes levo o fato-de-banho para o trabalho... Só boas razões para compra-los.
Este ano decidi arriscar num fato-de-banho da Primark, gostei do corte, gostei do padrão e gostei do preço, mas, mais tarde numa passagem pelo El Corte Inglês, não resisti aos saldos e rendi-me às bolinhas misturadas com tigresse da Énfasís Swinwear e como precisava mais do que um... Foram a minha companhia num Verão sem férias mas com mar.
PS.: Não uso bikini, por favor não me pergunte se é porque não estou á vontade com o meu corpo, não uso porque não gosto, não quero e fico muito mais elegante de fato-de-banho e porque prefiro ver um mulher de fato-de-banho. Em relação ao meu corpo, estou à vontadinha, acredite nunca sinto remorsos de comer os maravilhosos bolos da casa da minha avó.
 

fato-de-banho Primark
 

 
#MollyBracken
Este Verão descobri uma marca muito divertida, um mix de princesinha e um vintage acabado de sair do baú.
Numa espécie de Fashion Night Out à moda de Angra do Heroísmo deparei-me com a Molly Bracken e confesso que não resisti às suas bolinhas e aos seus lacinhos. Top! (+ info´s AQUI)
 


 

 
#PaezComSolaCorDeRosa
Por fim não há verão sem Paez, são elas as minhas grandes companheiras, são elas as minhas melhores amigas: vão ao mar comigo, vão sair à noite comigo, e confesso que até vão ao trabalho comigo... nunca me falham, nunca me deixam mal... as minhas Paez... E depois das Paez douradas-brilhantes este verão descobri umas com pintas e uma deliciosa sola Cor-de-Rosa.
São minhas... só minhas.... (+ info´s AQUI)
 


 


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Ainda sobre a chuva de verão | Eu gosto de chuva... mas não tanto...

Comunicado do Serviço Municipal de Proteção Civil
22:57 dia 2 de Setembro 2015

 Desde o final da tarde de hoje até este momento registou-se precipitação de 106 litros por metro quadrado no centro de Angra do Heroísmo. Como consequência desta chuvada de volume anormal ocorreram 33 inundações em domicílios privados, tendo-se procedido a um realojamento, e a obstrução de algumas vias de circulação rodoviária. 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Chuva de Verão | Some people feel the rain. Others just get wet

 
Bob Marley disse uma vez: "Some people feel the rain. Others just get wet!" Eu acho que sou daquele primeiro grupo de pessoas: os que sentem a chuva.
 
Para um açoriano a chuva faz parte da sua entidade, "num dia só, faz as 4 estações do ano" dizem os velhos ilhéus. E eu gosto da chuva. Gosto do barulho quando bate nos vidros. Gosto quando entra pelas gretas das pedras e pelas beiras das janelas. Gosto quando vem sem avisar, e eu só percebi depois que aquele era o melhor momento para refrescar as ideias.
 
 
Gosto do arco-íris que vem depois da chuva. Gosto daquele cheiro a petrichor (em grego: πέτρᾱ; transl.: pétrā, trad.: "pedra" + em grego: ἰχώρ; transl.: ichṓr; trad.: "fluido eterno", "sangue dos deuses" é o nome do aroma que a chuva provoca ao cair em solo seco.) Gosto daquele ducho de água quente depois de ter sido apanhada no meio da tempestade. Gosto de me sentir segura em casa enquanto chove. Gosto de estar a ler ao som do barulho dos pingos. Gosto de beber um chá enquanto chove, porque o chá fica com mais sabor.
 
 
Mas ontem a aventura foi maior, correr com a chuva, era de noite sem ninguém na cidade, que sorte, tinha Angra do Heroísmo só para mim, musica a minha companhia, com a certeza que os poucos a passar de carro duvidavam da minha lucidez,  e a chuva batia-me, disfarçava o esforço, dando vontade de aumentar a velocidade, "só vou dar uma volta pequenina, só mesmo para desanuviar" - mas estava bom de mais e não há nada melhor do que ir ver a chuva bater no mar, aquele cheiro aquela imagem, "vamos até à costa", mais uma corrida, ainda por cima os barcos não partiram para o mar-alto, os pescadores não arriscaram as inchas de Agosto, e a cidade era só minha.... e da chuva... porque Bob Marley disse uma vez: "algumas pessoas sentem a chuva. Outras apenas se molham!"



 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Açorianidades #1

imagem tirada d'aqui
 
 
...e depois há aquele estranho momento.... em que tu percebes que tens tanto gosto em, numa só grafada, meter um habitat de 190 espécies de seres vivos na tua boca acompanhados por uma cervejinha. AQUI

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Diário de uma Açoriana (Parte #II): Sanjoaninas

Se há coisa que eu gosto são das festas populares, gosto de comer numa tasquinha, gosto do ar tosco das mesas, das toalhas de quadrados vermelhos, das folhas de cryptomeria espalhadas pelo chão, gosto da cerveja servida ao jarro, gosto de dançar a musica pimba até ficar de manhã.
 
Este gosto devo muito à minha açorianidade, ao espirito de festa que está emprenhado em nós ilhéus, quem nasce aqui, quem vive aqui, sabe que não precisa de muito para fazer uma grande festa: só 2/3 amigos, umas cervejinhas e uma morcela bem frita! Por isso nestas alturas os emigrantes não hesitam em voltar.
 
Vou explicar a razão de nunca mais ter escrito no blog....
Estes dias tem sido assim: festa.
As festas em honra do Divino Espirito Santo ainda nem acabaram e já começam as Sanjoaninas
O São João em Angra do Heroísmo chama-se Sanjoaninas e não basta ser só o dia 24, basta só que o dia 24 seja feriado, são 10 dias de festa e muitos dias de preparação. Fecham-se as ruas, iluminam-se e decoram-se com flores... ouve-se a musica, as filarmónicas saem à rua e dançam o pézinho.
Estive uns 9 anos pró continente, mas tentei  levar sempre comigo este espirito de festa da minha da ilha Terceira, confesso que houve momentos que esqueci como é tão bom este ambiente.
Os nossos vizinhos, da ilha de São Miguel (que é a maior ilha dos Açores, digamos é a nossa grande rival), costumam dizer que "os Açores são 8 ilhas e um parque de diversões", que somos nós os terceirenses. Esta piada não me ofende, porque o certo é que estes micaelenses fizeram uma marcha, de propósito para marcharem na nossa Angra: a Marcha dos Coriscos  e ainda tiveram 1 semana de tolerância de ponto, sim 1 semana!
 
Já estamos cheios de turistas, de gentes de outras ilhas e sobretudo dos nossos queridos emigrantes das américas (nestes dias só ouço, nas ruas da cidade aquele inglês americanado com expressões açorianas… tipo: “wei rapazinho what do you think you do?” )

Estas festas, vividas com tanta intensidade, são consideradas as maiores festas dos Açores, o número de voos e de barcos aumentaram verdadeiramente, e o povo, com pelo menos uma semana de antecedência, vai metendo cadeiras no meio da rua da Sé, querem guardar lugar para os desfiles e para as marchas, (imaginem lá isso na avenida de liberdade!) atenção ninguém mexe nas cadeiras dos outros.
 
No dia de São João para além da grande tourada de praça em honra do santo, há a tourada de rua, que é umas das principais touradas de ruas, conhecida como a Espera de Gado. É a única tourada que os touros vão sem corda, tornando-se numa largada de touros. Para além dos estragos, é uma grande confusão arrumar os touros e leva-los para o campo, muitas vezes têm que se chamar os pastores ou as vacas, o que torna a rua um verdadeiro campo de batalha rural!
 
Este ano, como manda a tradição as marchas não foram poucas: 26: começamos a marchar às 21h e acabamos por volta das 3h30/4h claro que eu marquei presença na marcha do voluntário. Aqui não há concurso de marchas, mas há muita imaginação, distribuíram whisky, bifanas, havia marchas com grandes guarda roupas, outras mais simples, marchas que saltavam e lutavam, e até houve a marcha com os doentes da casa de saúde, integrando todos em tudo... ainda há aqueles que vão atrás das marchas e fazem a festa toda... Desta forma juntam-se milhares de pessoas na rua.
Depois segue-se o bailarico, as fogueiras, as sardinhas assadas e a musica ouve-se até de manhã, quem chega a casa antes das 7h é menino.
 
Esta é a noite mais longa da minha ilha, é uma noite que reúne gerações, uma noite que pode haver alguns excessos, mas numa maneira geral o espirito é sã, são as famílias que estão na rua, é uma festa verdadeiramente popular.
E se há coisa que eu gosto são das festas populares...
 
PS: (só para meter inveja) hoje vou ao concerto do José Cid!
 
Angra ao amanhecer - noite de São João
 


 
 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Diário de uma açoriana num fim de semana prolongado

Tão bom quando o tal feriado é uma sexta-feira, é um cheirinho de mini férias. No trabalho via-se os sorrisos logo na quinta-feira de manhã e depois do almoço já estávamos a desejar bom fim-de-semana.
Contudo veio logo a duvida: o que fazer com tanto tempo? É tão bom ter a sexta-feira como feriado, mas muito rapidamente é tão fácil desperdiçar a sexta-feira como feriado.
Queríamos  viajar, arejar do habitual, mas isto nos Açores não é assim tão fácil, não é meter-se num carro e partir pela estrada fora...
(Mas eu gosto tanto de viajar: conhecer e viver outras culturas e tradições, provar outras gastronomias, respirar outras naturezas) 
 
Diário de uma açoriana num fim de semana prolongado

Dia #1 
1 de Maio 2015 | Sexta-Feira | Angra do Heroísmo 
(dia da tempestade)
 
Pensei em acordar mais tarde, mas o temporal não deixou, não só porque a chuva batia forte na janela e mesmo assim os pássaros não deixavam de cantar alto, mas porque os aviões tinham sido desviados para a minha ilha (afinal de contas temos a base das Lajes, temos uma das maiores pistas do país) e aquela minha amiga que tinha  como destino São Miguel teve de passar a manhã na ilha Terceira, um açoriano nunca deixa ninguém sozinho, principalmente se estiver na sua ilha.
Lá fui eu com a minha mãe, atravessamos a Terceira em tempo de temporal, num meio de um nevoeiro que não nos deixa ver nada que esteja fora do carro, a chuva a batia no vidro  como quisesse entrar sem licença, e estávamos nós a caminho da Praia da Vitória.
Chegamos ao aeroporto, já sabíamos da novidade, pela primeira vez aterrou-nos uma low cost,  é irónico, mas a força da natureza foi mais forte que a força de uma economia proteccionista,  não era uma low cost para nós, os terceirence ainda não tiveram esse direito,  mas parou aqui porque precisou de nós. 
Já que estávamos na Praia decidimos almoçar por lá, a chuva e o mau tempo não detêm um insular, almoçamos na feira gastronómico  (já vos falei como os açorianos gostam de comer? E de comer bem?) a feira gastronómica são quatro semanas em que os melhores chefes do Terceira criam um menu especial nos seus restaurantes: AQUI
De volta a Angra e acompanhados sempre pela tempestade.
Á noite tínhamos o programa da associação ACM (conhecem a ACM? Vale a pena clicar AQUI) e num concerto solidário ouvimos cantorias, as cantorias ou as cantigas ao desafio fazem parte da cultura terceirense, é uma coisa mesmo nossa, daquelas coisas que nos dá aquele orgulho de ser de onde somos.
A noite acabou na Tasca das Tias (Boa Cama e Boa Mesa AQUI) em que o camarões era acompanhados pela lambreta. Gastronomia é isto.

 

 
Dia#2
2 de Maio 2015 | sábado | Angra do Heroísmo
(dia que a tempestade acalmou)
 
A minha terra é uma terra de touros e touradas.
Dia 2 de Maio era dia de Ferra da Ganadaria dos Rego Botelho, na ilha Terceiras as Ganadarias são mais fortes que os partidos ou que os clubes de futebol, aqui não se pergunta se és de esquerda ou de direita? se és do Benfica ou do Porto? aqui o que importa saber se és do Rego Botelho? Ou do José Albino? ou se és Ezequiel Rodrigues? Entre outros... e assim cria-se os amigos e assim cria-se os inimigos.
A ferra é um dia de festa, vamos para o mato, para o tentadero, numa caldeira no interior da ilha, com uma paisagem lindíssima, ainda por cima a tempestade tinha criado pequenos lagos no meio dos cerrados, misturando os diferentes tons de verde que estavam espalhados pelos montes, os bezerros corriam nas terras e atiravam-se à agua, era impossível não pensar que como são felizes estes animais (mais fotos: AQUI)
A ferra junta os homens fortes da nossa ilha, se em outros tempos por aqui havia gente que caçava baleias só com um arpão, nos dias de hoje há homens que lutam contra os touros.
Aquele cheiro a coro queimado mistura-se com o sabor da cerveja servida em jarros, botas e roupa respingadas com a lama que a força dos bezerros levanta, aqui o sol confunde a humidade que vem da terra. Os mais corajosos estão dentro do tentadero, onde não faltou mulheres, os outros limitam-se a ver de cima para baixo, talvez para não sujar a roupa, aplaudem e chamam os touros com assobios estranhos.
Não faltou o churrasco da melhor carne dos Açores, temperada pela simplicidade dos homens da terra, sal e alho, sem pretensiosismos do groumet estava ali todo o sabor da terra, e houve conversa até ao final do dia. Tradição é isto.
 
 


 
Dia#3
3 de Maio 2015 | domingo | Angra do Heroísmo
(dia que se sentiu o sol)
 
Dia da mãe, tínha combinado dar um passeio com a mãe, afinal o sol já voltou. Saímos de casa com as sapatilhas e roupa confortável, fomos beber café (ok comer um bolo para acompanhar o café, mas era o dia da mãe, dia de festa)  objectivo: começar por andar na Marina, andar até ao Porto Pipas, voltar pelo caminho novo, subir para o Relvão, ver o Monte Brasil e voltar para casa - o plano habitual.
Chegamos ao local esperado, a Baía de Angra, era impossível não reparar no mar calmo, nos reflexos de luz e naquele calor que batia nas costas.
Estavam lá uns tipos a fazer paddle, ao chegar mais perto vejo que era o meu tio M. (nos Açores é assim, quando menos esperas vês um tio um primo e um amigo, nem que seja no meio do mar que foi o caso.)
Disse-lhe adeus, com uma certa inveja, ele gritou logo "vem para o mar", estava sol mas ainda estava frio, disse que não tinha fato (no fundo sabia que para o meu Tio M. a ausência do fato não era problema, porque ele teria uma solução), gritou novamente "temos um fato para ti".... E de repente eu que tinha saído de casa para andar já estava cheia de água salgada, com um fato e no meio da Baía de Angra em cima de uma prancha (o apoio e o orgulho na amizade do Pristine Azores: AQUI). Cheguei a casa enrolada numa toalha com os pés descalços e cheios de areia, com os lábios secos do sal e o cabelo cheio de rastas do mar. Natureza é isto.
 

 
 
 
Deitei-me a ouvir a noite que a lua cheia e o céu semi-limpo me trouxeram, pensei ainda bem que nos Açores não é assim tão fácil viajar, ainda bem que não é só pegar num carro e andar, pois se assim fosse não apreciava aquilo que é nosso e o que é nosso é mesmo especial: a nossa gastronomia, a nossa tradição e a nossa natureza.
#orgulhodeseraçoriana

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Porque hoje é o dia da terra

E esta é a terra mais linda
a minha ilha
Fotografia | António Araújo | + Aqui (vale a pena clicar)

segunda-feira, 30 de março de 2015

liberalizações.

Neste domingo dia 29 foi aberto os céus açorianos à liberdade dos voos.
(Isto para nós é como o primeiro McDdonald's na ex união soviética!)


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Hoje disseram-me:

"Esta ilha é muito pequena para ti"
(e eu pensei: este mundo é muito pequeno para mim)

domingo, 14 de dezembro de 2014

A minha mala de viagem:


Mala para Lisboa:
  1. Uma incrível quantidade de  volumes de tabaco;
  2. Massa Sovada;
  3. Queijo de São Jorge;
  4. Já disse tabaco?;
  5. Uma oferta para a Rosarinho , ups ficou em terra;
  6. Queijadas da Graciosa;
  7. Mais tabaco;
  8. Uma lembrança pirosa para o enxoval, dos meus afilhados L & N;
  9. E tabaco.
Mala para os Açores :
  1. Livros dos G. K. Chesterton (que saudades!!!);
  2. A mochila para o Ricardo;
  3. As sapatilhas  (ou ténis - à moda de Lisboa) para a mãe poder começar a correr à noite;
  4. Roupa de inverno;
  5. Livro sobre a família;
  6. Aquela camisola que foi uma oferta especial;
  7. O romance clássico de Henry Newman;
  8. Uma oferta de Natal para a minha mãe, que não aguentei até ao Natal;
  9. Os enchidos, as alheiras de Vila Real,  ups esqueci.
  10. Livros escrito por um Santo, destes fundadores modernos;
  11. Bons conselhos;
  12. Mais do que bons conselhos;
  13. Conversas que ficaram por ter;
  14. Saudades deles e delas.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Coisas que não fazem sentido

Estou a aterrar nos Açores e oiço a voz do comandante:
-Senhores passageiros, obrigada pela vossa escolha de viajarem na TAP air Portugal.
(não agradeça senhor comandante, a TAP é mesmo a nossa única escolha.)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014